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4.11.10

ALCOOLISMO – DOENÇA OU ESCOLHA?

O alcoolismo é um problema que atinge um número elevado de famílias portuguesas. E por que me refiro a famílias e não apenas a “portugueses”? Porque a dependência do álcool não afecta apenas o doente. Na verdade, a família nuclear do alcoólico acaba muitas vezes por adoecer também, necessitando de acompanhamento médico e psicológico que pode prolongar-se durante décadas. É precisamente por isso que ainda se sente alguma dificuldade em olhar para este problema como uma doença – a raiva, a mágoa e o ressentimento impedem algumas pessoas de olhar para o alcoolismo como uma perturbação emocional, preferindo vê-lo como uma escolha. Mesmo entre os especialistas continua a vigorar alguma controvérsia. O DSM-IV e a Associação Americana de Psicologia classificam o alcoolismo como um transtorno, algumas investigações apontam para a possibilidade de haver uma componente genética na doença, mas algumas pessoas mantêm-se a favor do modelo que olha para o problema como um estilo de vida que se escolhe.

Na minha prática clínica é fácil perceber que há um conjunto de agentes que parece contribuir para a dependência do álcool, dentre os quais factores psicossociais e biológicos. Algumas das pessoas que recorrem à ajuda especializada são capazes de parar de beber, outras não, o que aponta claramente para o modelo que encara o problema como uma doença. E que diferença pode fazer olharmos para o alcoolismo como uma perturbação? Quererá este rótulo dizer que um alcoólico não pode ser responsabilizado pelos seus comportamentos? Que a doença desculpa tudo, até a violência? Seguramente, não. Olhar para o alcoolismo como uma doença implica, sobretudo, que actuemos, em vez de nos cingirmos à culpabilização, que olhemos para o problema e estudemos o melhor plano terapêutico, tal como acontece em relação ao cancro ou a qualquer outra doença. Implica ainda que olhemos para os familiares como vítimas e como recursos ao mesmo tempo – porque se é verdade que as pessoas mais próximas do alcoólico precisam de ajuda, também é fundamental assumir-se que estas pessoas podem desempenhar um papel importante na recuperação, nomeadamente através da terapia familiar.
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