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16.5.17

COMO MELHORAR A AUTOESTIMA


Pelo meu gabinete já passaram muitos profissionais de sucesso e pessoas habituadas a serem vistas como “animais sociais” que, na verdade, têm sérios problemas de autoestima. Há quem confunda autoestima com popularidade, boa aparência física ou sucesso profissional mas uma pessoa com uma boa autoestima é, sobretudo, alguém que gosta de si mesmo apesar de todas as falhas e imperfeições. E se é óbvio que esta capacidade de aceitação se traduz normalmente numa postura mais otimista e mais frutuosa em termos sociais e profissionais, também é importante salientar que há muito boa gente que aparenta gostar de si mesmo e que, em privado, sofre com baixa autoestima.

As pessoas com uma boa autoestima sentem-se bem na sua pele, valorizam-se na medida certa, orgulham-se das suas capacidades e das metas atingidas. Reconhecem que não são perfeitas e conhecem os seus defeitos mas não permitem que estes tenham um peso irracional sobre as suas vidas.

COMO É QUE ALGUÉM PODE
MELHORAR A AUTOESTIMA?

1. FAÇA UMA LISTA. OU MELHOR, DUAS.

Ninguém pode melhorar se não se conhecer realmente bem. Pegue numa folha e faça duas listas: identifique 10 qualidades e 10 defeitos que o definam. Se tem baixa autoestima, é provável que sinta alguma dificuldade em identificar as qualidades. Pense naquilo que as outras pessoas costumam dizer sobre si, nos elogios que fazem (e em que você nem sempre acredita).

2. DEFINA METAS (REALISTAS).

Olhe para a lista de defeitos e defina os seus objetivos. Comprometa-se publicamente com essas mudanças. Por exemplo, se quiser perder peso, fale com os seus familiares e amigos, dando-lhes a conhecer o seu plano. Mas não exagere: esqueça as comparações com outras pessoas e defina passos concretizáveis.

3. ACEITE AQUILO QUE NÃO FOR CAPAZ DE MUDAR.



Seja genuinamente gentil consigo – tanto quanto, provavelmente, conseguiria ser com qualquer outra pessoa à sua volta. Não fuja de nenhuma das suas falhas. Tente praticar a aceitação.

4. MEDITE.

Há cada vez mais estudos que comprovam a eficácia da meditação em modo mindfulness na elevação do nosso bem-estar. Parar, de propósito, para prestar atenção ao momento presente com estes exercícios ajudá-lo-á a aceitar aquilo que não controla e a olhar para a sua vida de uma forma mais positiva.

5. ARRUME(-SE).

Já reparou no efeito que uma casa arrumada provoca em nós? Sentimo-nos mais calmos, mais bem-dispostos e até mais criativos. Estabeleça rotinas que lhe permitam manter o seu espaço (pessoal e profissional) organizado. Aproveite e implemente rotinas que o ajudem a cuidar do seu corpo: faça exercício físico com regularidade, alimente-se bem e dê prioridade ao seu sono. Se não é usual praticar exercício, aceite o facto de, pelo menos numa fase inicial, não sentir grande prazer com essa atividade. Discipline-se e… dê tempo. O mais provável é que comece a ver resultados e passado algum tempo perceba que as endorfinas que liberta enquanto faz desporto o ajudam a sentir-se muito melhor.

6. PRESTE ATENÇÃO ÀS REDES SOCIAIS.



Quantas vezes dá por si a dizer a alguém que são só mais 5 minutos e, entretanto, esteve uma hora a olhar para contas de Instagram com fotografias de vidas aparentemente perfeitas que contribuem para que se sinta mal consigo mesmo? Não há nada de errado em passar algum tempo nas redes sociais. Procure fazê-lo de forma consciente. Os exercícios de mindfulness podem ajudar.

7. FAÇA OUTRA LISTA.

Identifique as atividades que lhe dão prazer e… vá à luta. Gira o seu tempo de modo a dar prioridade àquilo que pode genuinamente contribuir para que se sinta bem na sua pele. Isso pode passar pelo desporto, por sair com amigos ou por voltar a candidatar-se a um curso superior. Seja honesto em relação àquilo que o faz sentir-se vivo.

8. SEJA (GENUINAMENTE) GENTIL.

Já reparou que aqueles que rotulamos de “boas pessoas” são normalmente pessoas mais serenas? Prestar (mesmo) atenção às pessoas que estão à sua volta e dar o seu melhor para estar presente nas suas vidas acrescentando apoio moral, afeto e interesse genuíno ajudá-lo-á a descentrar-se de si mesmo na medida certa.



Pense na hipótese de fazer voluntariado.

9. PEÇA AJUDA.


Não há como negar: às vezes, os pensamentos negativos estão tão enraizados e descontrolados que é muito difícil dar a volta sozinho. Há pessoas que se esforçam mesmo muito e o máximo que conseguem é fingir uma autoestima que na verdade não têm. Se for esse o caso, peça ajuda especializada. Faça aquilo que tem de ser feito para que possa usufruir do direito a ser feliz (tal como é).

10.5.17

COMO ULTRAPASSAR O FIM DE UMA RELAÇÃO


Foi através do Facebook que Sílvia soube que o namorado a traía. E também foi através desta rede social que, semanas depois, ficou a saber que o agora-ex-namorado estava de férias em Cabo Verde. Como é que a pessoa com quem viveu durante oito anos podia estar aparentemente feliz depois do fim do relacionamento? E por que é que ela continuava de rastos, como se o futuro pudesse apenas trazer mais tristeza e sofrimento?

Há quem diga que, independentemente das circunstâncias de uma separação, é preciso fazer o luto e que, teoricamente, isso equivale a algum recolhimento. No entanto, todos nós conhecemos pessoas que saltam de relacionamento em relacionamento aparentemente sem tempo (ou disponibilidade) para reparar no próprio sofrimento.


Será uma questão de autoestima? Terá a ver com o facto de não se sentirem assim tão apaixonadas durante a relação? O que é que cada pessoa pode fazer para ultrapassar o fim de uma relação?

1 – EVITAR COMPARAÇÕES

É um cliché mas é verdade: há muitas formas de lidar com o sofrimento. Há quem não consiga parar de chorar e se sinta embaraçado por mostrar tristeza e vulnerabilidade nas situações mais inesperadas. Mas também há quem fuja a sete pés do contacto com a própria dor e adote o estilo «para frente é que é o caminho». Mesmo que haja alguém aparentemente perito em saltar de relação em relação sem sofrimento, aceite que esse não é o seu caso. As comparações têm o condão de nos puxar (ainda mais) para baixo. O segredo é: realidade, realidade, realidade. Se, na realidade, se sente um caco, não vale a pena tentar sentir outra coisa.

2 – DEIXAR QUE O TEMPO ATUE

É provável que alguns familiares e amigos já lhe tenham dito que «o tempo cura tudo». É verdade que não é sempre assim, é verdade que até há quem precise do empurrãozinho de um psicólogo para recuperar forças MAS, de uma maneira geral, o luto que está associado ao fim de uma relação envolve tempo.


Não tem a ver apenas com a duração da relação. Tem, sobretudo, a ver com as expectativas criadas, com os laços e com as circunstâncias da rutura. No princípio, o sofrimento pode parecer insuportável e inultrapassável. Podem até existir dias em que a esperança despareça. Mas gradualmente é expectável que o desespero diminua e volte a sentir algum ânimo.

3 – IGNORAR O EX NAS REDES SOCIAIS

(Per)Seguir o ex nas redes sociais está (muito) longe de ser uma boa ideia. É verdade que algumas pessoas escolhem mostrar o seu sofrimento nas publicações de Facebook mas, de uma maneira geral, ninguém publica fotografias de kleenex no Instagram. Dar de caras com fotografias do seu ex numa discoteca ou numa praia paradisíaca não contribuirá para a sua felicidade. A sua ansiedade também não vai baixar enquanto continuar a verificar – de 5 em 5 minutos – se ele(a) está online no whatsapp. A nossa mente prega-nos muitas partidas e enquanto ruminamos à volta do que a outra pessoa está ou não está a fazer acabamos cansados e infelizes. Não há rigorosamente nada que você possa fazer para controlar os passos do seu ex. Desviar a atenção do rasto que ele deixa nas redes sociais será uma fonte de libertação.

4 – EVITAR O ISOLAMENTO

Chegar a casa e sentir a liberdade para chorar desalmadamente pode ser terapêutico. Fechar-se em casa e dizer a si mesmo(a) que só voltará a sair com amigos, ir ao ginásio ou passear quando se sentir feliz outra vez é uma péssima ideia. Contrariar a vontade de se isolar é uma ferramenta importante para fugir a um estado depressivo, pelo que é preferível dar o seu melhor para continuar a realizar as atividades que sempre fez. Talvez possa até inscrever-se naquele curso que sempre quis fazer mas para o qual não tinha tempo. Distraia-se, mantenha-se-ativo(a). Daqui a algum tempo orgulhar-se-á de si mesmo(a).

5 – NÃO MENDIGAR

Se a relação terminou apenas por vontade da outra pessoa, é natural que sinta a tentação de telefonar ou enviar mensagens a tentar – de forma direta ou indireta – uma reaproximação. Não o faça. Não é uma questão de orgulho. É uma questão de autoestima. A pessoa de quem (ainda) gosta pode fácil e involuntariamente fazer escolhas que deem a ilusão de que há alguma hipótese de reconciliação. O problema é que depois vem novo confronto com a realidade e o mais provável é que sinta que esteja constantemente a levar tareias. Há casais que se separam e que mais tarde se reconciliam. Preste atenção ao que o seu ex lhe diz. Se a decisão for definitiva, não mendigue.

6 – APRENDER COM OS ERROS

Não esteja à espera de ser capaz de amadurecer dez anos imediatamente depois do fim da relação. O luto envolve tempo, lembra-se? Não é só tristeza aquilo que a maior parte das pessoas sentem. Também há quase sempre espaço para a raiva e para a negação. Dê a si mesmo(a) a oportunidade de sentir TUDO e lembre-se de que, mais cedo ou mais tarde, olhará para aquilo que aconteceu com outro discernimento. Quando a poeira começar a assentar, olhe para os seus comportamentos, para a forma como lidou com as suas emoções ao longo da relação, para aquilo que disse, para forma como o disse e para a maneira como lidou com as necessidades do seu ex. Essa autoanálise trar-lhe-á ferramentas importantes para viver um grande amor.

7 – NÃO TER PRESSA

A maior parte das pessoas que conheço querem ser felizes no amor.




E é natural que comece a fazer esforços para conhecer alguém. Não se precipite. Se ainda se sente ligado(a) ao seu ex, se ainda se sente carente e vulnerável, é provável que esteja menos capaz de olhar para realidade como ela é. Isso coloca-lo(a)-á numa posição muito arriscada, à mercê de quem não lhe queira bem. Evite reaproximar-se de antigos namorados, tenha cuidado com os galanteios das redes sociais e preste muita atenção às intenções de quem se mostre aparentemente atraído pela sua vulnerabilidade. Quando se sentir preparado(a), vai voltar a sentir borboletas no estômago e o (seu) mundo vai voltar a ser muito animado. Não tenha pressa em ser escolhido(a) e permita-se escolher a pessoa certa para si.

9.5.17

CHANTAGEM EMOCIONAL NA RELAÇÃO CONJUGAL


Quando João foi apanhado a trair a mulher foi ela que se sentiu culpada. Depois de o confrontar com as provas da traição – mensagens trocadas através do Facebook -, Susana foi acusada de ser uma mulher desleixada e pouco afetuosa, o que, aos olhos do marido, eram justificações para o facto de ele ter «sentido a urgência de procurar fora o que não tinha em casa». Segundo João, ele também estava em sofrimento há muito tempo por se sentir ignorado pela mulher. Para além de se sentir devastada com a descoberta da traição do marido, Susana começou a sentir-se culpada pelas escolhas do marido.

Quando um dos membros do casal comete um erro e culpa o outro, isso pode ser sinal de chantagem emocional.



Às vezes o preço é a autoestima de um dos membros do casal. É isto que acontece quando um faz constantemente chantagem emocional sobre o outro de modo a ver a sua vontade ser satisfeita.

O que é que acontece quando o marido erra e culpa a mulher pelo seu comportamento? Esta enche-se de culpa, sente-se uma péssima mulher e instintivamente procura melhorar o seu comportamento no sentido de fazer o marido feliz. É como se não fosse suficientemente interessante, suficientemente inteligente ou suficientemente bonita. É como se tivesse sido ela a fazer más escolhas, empurrando-o para o mau comportamento. À medida que se esforça para ser cada vez melhor, assumindo a responsabilidade pelas escolhas do companheiro, vê a sua autoestima diminuir cada vez mais. A páginas tantas sente-se inútil, desinteressante, incapaz.

No exemplo de João e Susana, o marido recusou assumir a responsabilidade pelo SEU comportamento. Ao aceitar a responsabilidade pela fraqueza do marido, Susana deu início a um perigoso caminho.



Neste caso, João deveria ser capaz de dizer «Eu errei e sou o único responsável pela escolha que fiz». Esta postura não o impediria de se queixar do comportamento de Susana. Se a mulher se desleixou e deixou de investir na demonstração física de afeto, João tinha o direito de dizer «Eu queixei-me e tu foste ignorando os meus apelos. Senti-me triste e rejeitado», dando a oportunidade a Susana para assumir a responsabilidade pelos SEUS erros. Ainda assim, os erros de um NÃO podem servir de justificação para os erros do outro.

Algumas pessoas tornam-se peritas em colocar sobre os ombros dos respetivos companheiros TODA a responsabilidade. Amuam, fazem birras, dramatizam, assumem reações desproporcionais – sempre com o objetivo de impor a sua vontade e colocando a culpa na outra pessoa.

Veja se é alvo de
CHANTAGEM EMOCIONAL
na sua relação: 

- ❥- A pessoa de quem gosta manipula as suas escolhas amuando sempre que não concorda consigo. O amuo pode traduzir-se no silêncio total ou na retirada de afeto (mantém as conversas mas de forma fria, emocionalmente distante).

- ❥- Culpa-o(a) por algo de que você não é responsável, fazendo com que sinta que é você que tem de se esforçar mais ou de melhorar alguma coisa.

- ❥-  Acusa-o(a) de coisas que não fez.

- ❥- Mostra sofrimento intenso e desproporcional em resposta a uma escolha sua (com que não concorda). Por exemplo, Luís disse à namorada, Vera, que não conseguiu comer nem dormir durante o fim-de-semana que ela passou fora com as amigas.

- ❥- Faz ameaças - de forma direta ou indireta. Segundo Catarina, o marido nunca se opôs de forma clara a que ela frequentasse o ginásio mas as indiretas eram o suficiente para que se sentisse culpada e insegura. «Eu não vejo nada de mal mas às vezes parece que as nossas filhas precisam de mais atenção». «Tenho uma colega no trabalho que ficou sem a guarda dos filhos porque o ex-marido a acusou de nunca estar em casa ao serão». «Deixa a mochila no carro para que os vizinhos não vejam que estás a chegar tão tarde só por causa do ginásio».

- ❥- Ou – pior – ameaça fazer mal fisicamente (a si ou ao próprio) quando não concorda com as suas escolhas.

Se acha que tem sido alvo de chantagem na sua relação, lembre-se de que não deve – em circunstância nenhuma – assumir a responsabilidade pelas escolhas e pelos comportamentos de outra pessoa (este princípio é válido para relações de outra natureza qualquer). O seu companheiro é o único responsável pelos próprios comportamentos. Ele(a) faz as suas escolhas e deve ser capaz de lidar com as consequências. Não há nada no seu comportamento que sirva de justificação para as escolhas dele(a) – a menos que você o(a) tenha ameaçado, por exemplo.

Susana não obrigou o marido a cometer uma traição. Nem sequer o empurrou para esse caminho. Mesmo que se sentisse triste, só e desamparado, João tinha alternativas. Foi a sua própria cabeça que o levou a escolher aquela.


Quando cada um dos membros do casal assume a responsabilidade pelo próprio comportamento é mais fácil construir uma relação equilibrada, feliz e duradoura baseada na confiança e no respeito mútuos.

17.4.17

CRISE NO CASAMENTO: COMO ULTRAPASSAR


Ninguém está à espera de passar por uma crise conjugal. Quando se ama, é perfeitamente natural (e saudável) desejar que seja para sempre. No entanto, nem sempre estamos atentos às necessidades da pessoa de quem gostamos, nem sempre reparamos no seu mal-estar, nem valorizamos (na medida certa) as suas queixas. Seja porque há filhos pequenos para cuidar, mil e um afazeres domésticos ou porque o trabalho é super exigente, a verdade é que muito fácil ignorar as chamadas de atenção da pessoa de quem se gosta. Assumimos o compromisso de estar “lá” para ela, gritamos aos quatro ventos que uma relação tem de ser alimentada diariamente e acreditamos que, entre uma ou outra discussão mais acesa, estamos a fazer um bom trabalho. E se, de repente, formos surpreendidos por uma crise no casamento? E se a pessoa de quem gostamos nos disser que já não sente a mesma coisa? E se houver uma terceira pessoa?

Ao contrário do que se possa pensar, nem todas as crises conjugais estão associadas à infidelidade. É claro que se um dos membros do casal se interessar por uma terceira pessoa é mais provável que levante a hipótese de terminar a relação. Mas há muitas pessoas que se sentem insuportavelmente infelizes no casamento e que reconhecem que só fará sentido continuar se houver mudanças drásticas. Mas quais?


Como é que se recupera a ligação quando pelo menos um dos membros do casal assume que não está feliz?

1.       DÊ IMPORTÂNCIA

Nem sempre é fácil valorizar as queixas da pessoa de quem se gosta. Temos quase sempre demasiadas coisas em que pensar, demasiados problemas para resolver e nem sempre conseguimos dar a devida importância aos sentimentos da pessoa que está ao nosso lado. Se a pessoa que ama deu a entender que não está feliz na relação, DÊ IMPORTÂNCIA. Pare para conversar, assuma uma postura de curiosidade gentil em relação às suas queixas. As tarefas domésticas podem ficar para depois, alguns compromissos profissionais também. Quando estamos doentes encontramos tempo para ir ao médico, para fazer exames e tratamentos, certo? Se a relação estiver a dar sinais de que já foi mais saudável, é fundamental mostrar de forma inequívoca que está interessado(a) em dar o seu melhor para ultrapassar esta crise.

2.       NÃO SE SINTA ATACADO(A)

Num mundo ideal cada um de nós conseguiria estruturar as suas queixas da forma mais serena e assertiva do mundo – sem magoar, sem atacar. Na prática, não é assim que as coisas funcionam. Quanto mais infelizes e aflitos nos sentirmos, maior é a probabilidade de nos queixarmos de forma atabalhoada e de sermos injustos com a pessoa que está ao nosso lado. Talvez digamos frases como “Tu NUNCA…” ou “É SEMPRE a mesma coisa”. Se a pessoa de quem gosta lhe disser “Tu NUNCA me perguntas como é que eu me sinto”, não leve à letra. Mesmo que se lembre de ter feito essa pergunta há dois dias e tenha a certeza absoluta de que ele(a) o(a) ignorou, procure assumir a tal postura de genuína curiosidade. Colocar perguntas, querer saber mais sobre o que a pessoa de quem gosta sente e sobre aquilo que lhe está a fazer falta aproximá-los-á. Nem sempre é fácil manter a cabeça fria e ignorar a injustiça associada a algumas queixas mas quanto maior for a vontade de questionar e “calçar os sapatos” do outro, melhor.

3.       ESCOLHA O MOMENTO CERTO PARA EXPOR AS SUAS QUEIXAS

Se a pessoa de quem gosta o(a) confrontar com um conjunto de reclamações, é natural que se sinta com legitimidade para “contra-atacar” com as suas próprias queixas. Afinal, se as coisas andam mornas (ou mesmo frias), de certeza que a responsabilidade não é só sua, certo? É verdade MAS há um momento certo para expor as suas queixas e NÂO É na sequência das queixas da pessoa de quem gosta. Se o fizer, estará apenas a passar a mensagem de que não está disposto a assumir toda a responsabilidade pela crise atual. Ora, é fundamental conseguir passar a mensagem de que está na disposição de assumir TODA a responsabilidade pelos SENTIMENTOS da pessoa de quem gosta. Aquilo que importa é transmitir-lhe “Tu és importante para mim. Aquilo que tu sentes é importante para mim”.

4.       CONVERSAR, CONVERSAR, CONVERSAR

Se há um hábito que importa recuperar é este: é preciso encontrar tempo TODOS OS DIAS para conversar sobre o que cada um sente, sobre o que cada um viveu ao longo do dia, sobre as coisas positivas e negativas. É muito fácil sentirmo-nos desligados de alguém quando vivemos permanentemente com a sensação de que aquilo que dizemos e sentimos não é importante. Quantas vezes damos por nós a olhar para o relógio enquanto a pessoa de quem gostamos está a contar uma episódio que viveu durante o dia de trabalho?



Encontrar tempo TODOS OS DIAS para conversar não significa que tenha de arranjar tempo para falar sobre a relação. Significa, isso sim, que deve disciplinar-se no sentido de garantir que tenha disponibilidade para prestar atenção àquilo que a pessoa de quem gosta tem para contar. Prestar atenção é mais do que desligar os dados do smartphone: é assumir uma postura curiosa, colocando perguntas, mostrando genuíno interesse e dando todo o seu apoio.

5.       CRIE COMPROMISSOS (VIÁVEIS)

Talvez não seja fácil dar resposta a todas as queixas da pessoa de quem gosta. Se as coisas esfriaram muito – ao ponto de ele(a) não saber se deve continuar a relação – é natural que haja uma pilha de reclamações e que você se se sinta demasiado aflito(a) para saber por onde começar. Peça-lhe para estruturar os seus apelos através de um “Top 3”: se cada um dos membros do casal tivesse de propor apenas 3 coisas que gostaria de fazer mais vezes com o outro, o que é que escolheria? Cada um deve ser livre para escolher o que quiser. Podem ser compromissos tão díspares como “Irmos mais vezes a casa da minha mãe”, “Fazermos as tarefas domésticas a dois” ou “Passar um fim-de-semana fora de vez em quando”. Depois é importante definir de forma objetiva cada um destes itens: o que é que quer dizer com “de vez em quando”? Ou com “mais vezes”? Quais são as tarefas que gostaria que ficassem permanentemente a cargo da pessoa de quem gosta? Na prática, faz sempre falta a postura de curiosidade gentil, que se traduza em perguntas que lhes permitam conhecer genuinamente as necessidades do outro. Comecem por escolher (cada um) uma atividade da lista de necessidades da pessoa amada. Assumir um compromisso pode parecer pouco, em particular quando a relação está em crise, mas é o caminho mais seguro para que a pessoa de quem gosta perceba que você está empenhado(a) em fazer com que a relação dê certo. Claro que essa confiança depende da sua genuína vontade de se descentrar e ir ao encontro do que a pessoa de quem gosta precisa. Por exemplo, de nada adiantará “fazer o frete” de ir todas as semanas a casa da sogra só para cumprir calendário. Se essa for a sua escolha, procure fazê-lo de coração – com genuína vontade de tornar a vida da pessoa que está ao seu lado mais feliz.

6.       PEÇA AJUDA


Nunca é demasiado cedo para pedir ajuda especializada mas às vezes pode ser demasiado tarde. Se acha que a sua relação está em risco, procure trata-la como a matéria mais importante da sua vida. Reúna todos os recursos de que dispuser. A ajuda da terapia de casal é, sobretudo, a oportunidade de olhar para as dificuldades num ambiente seguro com o objetivo de identificar as soluções que permitam que ambos olhem para relação como uma fonte de alegria e bem-estar.

23.3.17

DAR ESPAÇO NUMA RELAÇÃO


Madalena tinha iniciado uma relação há menos de um mês e sentia-se insegura a respeito do interesse de Ricardo numa relação de compromisso. Embora não rotulassem o relacionamento de namoro, ambos assumiram que o objetivo era conhecerem-se melhor e manterem uma relação de fidelidade. Ricardo apresentou Madalena aos amigos e revelou a vontade de construir uma relação estável. Em três semanas tinham conseguido estar juntos quatro vezes e Madalena mostrou a sua insatisfação. Compreendia que ambos tivessem compromissos e laços afetivos para além da relação amorosa mas sentia algum desinteresse da parte de Ricardo. «Disse-lhe que gostava de perceber que ele sentia a minha falta e que não lhe era indiferente se só pudéssemos estar juntos uma vez por semana e ele disse-me que o que era importante para ele era dar-me espaço para que eu pudesse fazer as minhas coisas. Senti-me confusa…».

Numa relação amorosa é fundamental que cada um tenha espaço para estar com familiares ou amigos individualmente, para investir em hobbies ou para fazer qualquer atividade desportiva ou de lazer.


MAS isso não significa que o tempo a dois passe para segundo plano. De uma maneira geral, precisamos de sentir que somos importantes para a pessoa de quem gostamos. Precisamos de sentir que há interesse, que há vontade de estar junto e que a relação é uma prioridade.

Algumas pessoas gostam da ideia de uma relação estável mas não se sentem preparadas para fazer dela a sua prioridade. E não há nada de errado nisso – desde que a outra pessoa se sinta igualmente confortável com essa condição. Neste caso, Madalena sentia-se claramente insatisfeita. Ricardo desvalorizou o apelo, reforçando que PARA SI era importante dar espaço. É curioso que não tenha sido capaz de dizer que ELE PRECISAVA DE ESPAÇO. Ao colocar as coisas nestes termos, estava claramente a desresponsabilizar-se. Era como se, em teoria, as suas necessidades não fossem importantes e a sua preocupação fosse cuidar dos interesses da namorada. Mas desde quando é que estamos a zelar pelo bem-estar da pessoa amada quando ignoramos os seus apelos e INVENTAMOS necessidades? Na prática, Ricardo estava a procurar definir as necessidades da namorada e, assim, impor um relacionamento à medida dos seus interesses.

Imaginemos que Ricardo teria sido capaz de dizer «EU PRECISO DE ESPAÇO NA RELAÇÃO». Faria sentido que Madalena se sujeitasse a estar com a pessoa de quem gostava apenas uma ou duas vezes por semana? DEPENDE. Ninguém tem o direito de impor nada a ninguém mas cada um de nós tem o dever de prestar atenção às próprias necessidades afetivas. É absolutamente legítimo que um homem ou uma mulher sinta a necessidade de estar mais tempo com a pessoa de quem gosta – especialmente no início de uma relação – e é desejável que consiga falar abertamente sobre isso. É absolutamente legítimo que haja a necessidade de sentir que a relação é importante e que ambos fazem esforços para conseguirem estar juntos. Se o tempo a dois equivaler apenas às sobras de outros afazeres, isso pode traduzir-se em insatisfação.



A partir daí, a mensagem que passa é «Eu não sou importante. As minhas necessidades não são importantes» e isso é meio caminho para uma relação desequilibrada.


Prestar atenção às próprias necessidades, valorizá-las na medida certa, é meio caminho para que a pessoa de quem se gosta também as valorize. E, se isso não acontecer, abrir-se-á espaço para outras escolhas. Abre-se mão de uma relação geradora de insatisfação. Fica o amor-próprio e a possibilidade de, mais cedo ou mais tarde, encontrar alguém que valha a pena.
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