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HÁ CURA PARA O ALCOOLISMO?

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O alcoolismo é um problema que afeta milhares de famílias em Portugal e é também um problema que arrasta consigo um número infindável de outras dificuldades.

São os laços afetivos que se deterioram,
os casamentos que vão por água abaixo,
os filhos que crescem com marcas profundas,
os traumas que os ensombram até à idade adulta,
as dificuldades financeiras,
o fraco desempenho profissional,
a violência doméstica...
E por aí fora.

Só quem tem ou teve um familiar alcoólico conhece bem o inferno que lhe está associado.

Apesar de se tratar de um problema que, em muitos casos, após intervenção médica e psicoterapêutica, é ultrapassado, continua a existir muita controvérsia em relação a uma questão:

O ALCOOLISMO É OU NÃO UMA DOENÇA?

A resposta parece óbvia mas a própria comunidade científica divide-se. Os Alcoólicos Anónimos funcionam sob o princípio de que o consumo abusivo de álcool não é uma doença, logo, não pode ser tratado. Pode, isso sim, ser controlado através da abstinência e com o apoio dos grupos de ajuda. Entre médicos e psicólogos, ainda que não haja consenso, impera a visão do alcoolismo como doença que pode ser tratada.

Recentemente foram feitos estudos que apontam para a possibilidade de alguns medicamentos terem a capacidade de interromper o ciclo de adição do alcoolismo. No entanto, uma parte da comunidade médica opõe-se a esta ideia.

Tudo aponta para que o alcoolismo seja efetivamente uma doença. No entanto, é possível que não se trate apenas de UMA doença, mas de várias.

Tal como não existe apenas um tipo de cancro, existirão diferentes tipos de alcoolismo e é por isso que existe tanta resistência à ideia de um medicamento poder ser a resposta para todas as situações de abuso do álcool.

Nalguns casos, o problema resulta de alterações genéticas, enquanto noutros tratar-se-á de uma consequência de outra perturbação, como a depressão ou a perturbação pós stress traumático.

Assim, ainda que a medicação possa vir a ser ajustada para uns, não será com certeza a solução para todos os alcoólicos.

ANTIDEPRESSIVOS NA GRAVIDEZ PODEM PRODUZIR HIPERTENSÃO

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A gravidez é, de um modo geral, um estado de graça para o casal. Como o nascimento de um filho é, cada vez mais, um evento muito planeado, estes 9 meses são normalmente vividos com muito entusiasmo. No entanto, algumas mulheres atravessam esta etapa do ciclo de vida condicionadas pela depressão, sendo que alguns estudos apontam para o facto de o uso de antidepressivos ser uma realidade em aproximadamente 14 por cento das gravidezes. Sendo esta medicação essencial no tratamento de um transtorno depressivo, importa olhar também para os possíveis efeitos secundários.

Um estudo desenvolvido recentemente no Canadá mostrou que as mulheres que tomaram antidepressivos durante a gravidez tinham uma probabilidade 53 por cento maior de desenvolver hipertensão do que aquelas que não tinham tomado estes medicamentos. E o risco é maior (subindo para 60 por cento) entre as grávidas que tomaram antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS).

O estudo coloca em evidência a necessidade de os médicos avaliarem cuidadosamente os riscos e os benefícios associados à toma deste tipo de medicamentos, sendo certo que, se se optar pelo seu uso, é fundamental que haja uma monitorização precisa.

Importa ainda salientar que as mulheres a quem seja diagnosticada hipertensão gestacional não devem pura e simplesmente abandonar a medicação, mas antes consultar o seu médico no sentido de, juntos, decidirem sobre a decisão mais ajustada. A verdade é que a interrupção abrupta da toma do antidepressivo pode implicar outros efeitos secundários e/ ou sintomas de abstinência.

E as mulheres que já tomavam antidepressivos antes de engravidar também não devem interromper a toma por sua conta e risco. A maior parte dos antidepressivos requer um processo de desmame que deve ser clinicamente acompanhado. Ao fazer uma interrupção abrupta, a grávida pode estar a fazer mal à sua saúde, bem como à do seu bebé.

Esta é, portanto, uma questão muito sensível que, na medida do que for possível, deve implicar a ponderação cuidada e o recurso a uma equipa multidisciplinar – médico de família, ginecologista, psiquiatra e psicólogo.

DEPRESSÃO PÓS-PARTO: MÃES DEPRIMIDAS ACORDAM MAIS VEZES OS SEUS BEBÉS

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Uma das consequências da parentalidade são, invariavelmente, as noites mal dormidas e, ainda que se fale constantemente sobre o que muda com o nascimento do primeiro filho, só quem já passou por isso conhece os efeitos dos sonos entrecortados. Sendo o sono um recurso essencial para o nosso bem-estar, é compreensível que os recém-papás se sintam especialmente cansados e abatidos até que o sono da criança regularize minimamente.

Sendo vulgar ouvirmos as queixas de pais e mães a propósito destas noites mal dormidas, é importante notar que, nalguns casos, estas queixas podem não ser apenas a consequência natural desta etapa do ciclo de vida mas, antes, um sinal de que haja uma depressão pós-parto.

Uma investigação muito recente mostrou que as mães com mais sintomas de depressão preocupam-se mais com os seus bebés durante a noite e que, nesses casos, a probabilidade de a mãe se levantar para ver se está tudo bem com o seu bebé é muito maior do que entre as mães sem sinais de depressão. Em função disso, aumenta a probabilidade de os bebés cujas mães estão deprimidas serem acordados a meio da noite.

O que é particularmente interessante de verificar é que quando estas mães se levantam, preocupadas com a eventualidade de alguma coisa não estar a correr bem, os bebés estão a dormir profundamente ou então estão acordados mas não estão em stress.

Pelo contrário, as mães sem sintomatologia depressiva mostram níveis de preocupação muito menores e, em função disso, raramente acordam os seus bebés e só se levantam quando há sinais de que o bebé precisa de alguma coisa.

Se um bebé estiver a dormir profundamente, não há nenhum motivo razoável para que seja acordado, pelo que, a partir do momento em que a depressão materna prejudica o sono quer da mãe, quer do bebé, há consequências negativas para a relação mãe-bebé que se estenderão no tempo. Como é natural, é necessário que todos os membros da família possam estar atentos a estes e outros sinais de sintomatologia depressiva para que a mãe possa ser acompanhada tão precocemente quanto possível e passe a usufruir do papel parental em pleno. O papel do pai é, obviamente, crucial, quer no reconhecimento destas dificuldades, quer no apoio incondicional que é preciso dar. Nenhuma mãe se sente confortável com o rótulo de deprimida e há o risco de a procura de ajuda especializada tardar em função da vontade de mostrar que se é capaz, que se é suficientemente forte. Como já tive oportunidade de explicar outras vezes, esta não é uma questão de força, mas sim de reunir as condições para que a saúde emocional da mãe esteja suficientemente boa para que esta etapa do ciclo de vida seja vivida em pleno.

Quanto menor for a sensação de controlo, quanto mais a mãe sentir que não é capaz, quanto mais se sentir condicionada pelos seus medos, maior a probabilidade de se instalarem ciclos viciosos perigosos, que arrastarão o mal-estar à relação conjugal.

DEFEITOS QUE OS HOMENS APONTAM ÀS MULHERES

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(Texto elaborado para a Revista Happy Woman)

Em primeiro lugar, importa notar que, em terapia, fala-se mais de queixas do que de defeitos. Bem sei que, para efeitos de reportagem esta pode ser apenas uma questão de semântica mas a verdade é que há uma diferença substancial entre olharmos para os hábitos/ comportamentos do outro de que não gostamos (e que, por serem de um modo geral situacionais são potenciais alvos de mudança) e olharmos para os mesmíssimos comportamentos como defeitos ou falhas de personalidade (impossíveis de mudar). E por que enfatizo esta diferença? Porque qualquer um de nós é capaz de implementar mudanças profundas em nome da relação conjugal. Mas as coisas complicam-se, em larga escala, quando, em vez de nos confrontarmos com as necessidades e emoções do nosso cônjuge nos confrontamos com uma LISTA DE ACUSAÇÕES. A forma como respondemos a estas acusações (lista de defeitos) tende a ser instintiva: como nos sentimos atacados, das duas, uma - ou nos fechamos sobre nós mesmos, ou contra-atacamos de forma feroz, aumentando a escalada da discussão.

Feita esta nota, creio que é possível identificar algumas das QUEIXAS que os homens mais frequentemente fazem às mulheres:

AS MULHERES GOSTAM DE DISCUTIR.

Um dos ciclos viciosos mais frequentes e mais perigosos na comunicação conjugal instala-se quando a mulher procura resolver uma questão que, aos seus olhos, é um problema, "bombardeando" o marido com questões e manifestações de insatisfação e o marido ignora estes apelos. Na prática estamos a falar do desespero da mulher, que acaba por desencadear uma ativação fisiológica no marido e que é (até fisicamente) insuportável. Como o marido não se sente capaz de lidar com aquela ansiedade, procura fugir da discussão, na esperança (vã) de que as coisas acalmem. Escusado será dizer que este padrão relacional se assemelha ao jogo do gato e do rato, isto é, quanto mais ele foge, mais ela desespera e insiste no "Precisamos de conversar" que, aos ouvidos dele soa a "Precisamos de discutir".

AS MULHERES NÃO GOSTAM/ NÃO PRECISAM
TANTO DE SEXO COMO OS HOMENS.

Existem algumas diferenças de género no que diz respeito ao eixo intimidade emocional - intimidade sexual que são facilmente transformadas neste tipo de mitos. As mulheres (de uma maneira geral) valorizam o sexo tanto quanto os homens mas precisam de se sentir emocionalmente seguras para que se entreguem à intimidade sexual com a disposição de sempre. Bastar-lhes-á que haja algum problema noutra área da conjugalidade para que o desejo e a frequência sexual diminuam. Como para a generalidade dos homens as coisas funcionam ao contrário - isto é, é preciso que haja satisfação sexual para que eles se entreguem do ponto de vista emocional -, é fácil antever o risco de ciclos viciosos.

AS MULHERES SÓ QUEREM SABER DOS FILHOS.

Nalguns casos, o nascimento do primeiro filho implica uma autêntica revolução na relação conjugal. E essa revolução é tão mais perigosa na medida em que houver problemas sérios anteriores a esta mudança. Então, há alguma probabilidade de os membros do casal se afastarem e de as mulheres canalizarem boa parte da sua atenção ao papel parental, descurando o papel conjugal. Em muitas destas situações ambos estão “anestesiados” e comprometidos com outros papéis que não o papel conjugal e é só uma questão de tempo até que soe o alarme.

AS MULHERES NÃO COMPREENDEM OS
HOMENS/ SÃO EXCESSIVAMENTE CRÍTICAS.

Quando a comunicação começa a falhar, é relativamente fácil cair-se num rol de acusações e braços-de-ferro. Como as mulheres são, genericamente, mais atentas aos detalhes, são também mais minuciosas na análise da relação e tendem a manifestar aquilo que as insatisfaz sem freio. De um modo geral, quando há problemas, os homens também têm queixas a fazer mas sentem-se muitas vezes injustiçados e desmotivados pelas chamadas de atenção que lhes são feitas.

TESTE PARA A DEPRESSÃO NA ADOLESCÊNCIA

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Imagine que passaria a ser possível fazer o diagnóstico de depressão na adolescência a partir de uma simples ANÁLISE AO SANGUE. Imagine também que através dessa análise seria possível distinguir entre diferentes tipos de depressão.

Ficção científica?
NÃO.
Na verdade, este meio de diagnóstico
pode estar mais ou menos próximo.

Atualmente o diagnóstico da “Epidemia do Século” é feito de forma subjetiva, já que depende da capacidade do próprio paciente para relatar os seus sintomas, bem como da capacidade e da experiência do terapeuta para os interpretar. No caso específico da depressão na adolescência é fundamental que esse diagnóstico seja feito tão precocemente quanto possível, já que os adolescentes são muito vulneráveis a estados depressivos, que tantas vezes são escamoteados pelas flutuações de humor típicas desta etapa do ciclo de vida.

Uma equipa de investigadores norte-americanos anunciou recentemente a criação de um teste laboratorial que permite identificar diferentes formas da doença. O teste distingue adolescentes com depressão major daqueles que sofrem de depressão major combinada com transtorno de ansiedade, o que alimenta a esperança de se poder fornecer um plano terapêutico mais específico para cada caso. Atualmente, estes doentes são, por exemplo, medicados mais ou menos da mesma maneira, independente do subtipo de depressão. Assim, esta investigação levanta a hipótese de, daqui a algum tempo, poder ser prescrita medicação específica para cada subtipo, como acontece hoje em dia em relação ao tratamento da diabetes, por exemplo (Tipo 1 e Tipo 2).

Estima-se que a depressão major atinja 2 a 4 por cento dos pré-adolescentes e 10 a 20 por cento dos adolescentes.

Além disso,
o surgimento precoce de uma depressão major
implica um prognóstico pior do que
quando a depressão surge na idade adulta.

Um adolescente com depressão não tratada tem uma probabilidade muito maior de vir a consumir substâncias ilícitas, evidenciar inadaptação social, desenvolver uma série de doenças físicas e de cometer suicídio. Sem tratamento adequado, o seu desenvolvimento emocional é afetado e a doença tende a prolongar-se até à idade adulta.

As conclusões desta investigação, que correlacionam 11 genes com a depressão, é, provavelmente, apenas a ponta do icebergue, já que a depressão é uma doença complexa. Mas é também uma janela de oportunidades para o aparecimento de tratamentos mais rigorosos e específicos.

Infelizmente, muitos adolescentes continuam a não receber qualquer tratamento para o seu estado depressivo, em grande parte graças ao estigma que existe à volta desta perturbação, bem como à pressão do grupo de pares.

A TARDE É SUA - TVI (VÍDEO)

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Aqui está o vídeo da minha participação
no programa A TARDE É SUA de hoje.

O tema foi JÁ FUI UM BON VIVANT
e contou com a participação de Zezé Camarinha.

A TARDE É SUA

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Hoje volto ao programa A TARDE É SUA

para comentar o tema JÁ FUI UM BON VIVANT.

COMO É QUE A DEPRESSÃO DOS PAIS AFETA AS CRIANÇAS?

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A depressão é uma doença que não escolhe idade, sexo, raça nem classe social. Pode atingir qualquer um e as estatísticas mostram que pelo menos um em cada cinco adultos tem ou já teve um episódio depressivo. Nesse sentido, é fácil adivinhar o impacto que esta perturbação tem em termos familiares. Entre estes doentes estão muitos pais e mães, pelo que importa refletir sobre o que acontece aos filhos.

As pesquisas nesta área mostram
uma correlação direta entre a depressão do pai ou da mãe e a probabilidade
de os filhos desenvolverem alguma forma desta doença ou outras perturbações do comportamento.

Nestas estatísticas inclui-se a depressão pós-parto mas a verdade é que quando falamos da depressão do pai ou da mãe falamos de outras formas da doença que, nalguns casos, assume contornos de doença crónica.

Como é sabido, uma das consequências mais frequentes resultantes deste adoecimento é a falta de energia. O doente com depressão queixa-se frequentemente de desmotivação, incapacidade para honrar compromissos, vontade de ficar quieto, sem fazer nada. Ora, no que diz respeito ao papel parental é óbvia a diminuição da disponibilidade e da capacidade para dar atenção às necessidades da criança. Nalguns casos essa indisponibilidade é generalizável aos cuidados médicos de que a criança precisa. Não raras vezes, os pediatras são confrontados com o agravamento da saúde física das crianças, apenas explicável porque o adulto responsável não foi capaz de identificar a tempo a necessidade de intervenção médica. Por exemplo, se a criança tiver um problema crónico – como acontece no caso da asma – um progenitor com depressão pode evidenciar seríssimas dificuldades na aplicação do plano terapêutico que permitiria que as crises fossem evitadas.

Infelizmente, os médicos nem sempre se sentem confortáveis para abordar a hipótese de aquele progenitor precisar de ajuda especializada, ainda que reconheçam que, para ajudar a criança, é fundamental que os pais também sejam ajudados. A questão é que ainda existe algum estigma associado às perturbações de humor. Além disso, as idas ao pediatra continuam – infelizmente – a funcionar como um barómetro das competências parentais. Nenhum pai ou mãe quer ouvir que não está a cumprir o seu papel. Nenhum pai ou mãe está preparado para qualquer comentário que se assemelhe a uma avaliação negativa do seu papel parental. E os pediatras sabem disso.

Mas não há nada de insultuoso ou ofensivo no levantamento de questões a respeito da saúde emocional dos pais. Pelo contrário, ser pai ou mãe implica a responsabilidade de reconhecer que o nosso estado emocional condiciona a saúde – física e emocional – das nossas crianças. Mais: implica que confiemos na competência dos médicos e que interiorizemos a mensagem de que um pediatra dificilmente conseguirá ser bem-sucedido na ajuda às nossas crianças se ignorar o contexto familiar.

Como é que se sentiria se o pediatra do seu filho lhe perguntasse se está tudo bem consigo do ponto de vista emocional?

Até que ponto se sentiria ofendido se o médico levantasse a hipótese de o seu estado emocional estar a condicionar a saúde física do seu filho?

Aceitaria de bom grado a manifestação de preocupação com a hipótese de você estar deprimido(a)?

É fundamental que os médicos insistam nesta função, nomeadamente porque as perturbações depressivas e ansiosas SÃO TRATÁVEIS e não há nenhum motivo para que nos escondamos ou nos envergonhemos. Assumir a necessidade de ajuda especializada pode prevenir a agudização de determinadas doenças físicas da criança e pode, sobretudo, trazer um alívio imenso aos pais. Por outro lado, ao conhecer a prevalência de depressão na família o médico pode estar mais atento aos sinais de depressão na própria criança. Afinal, esta é uma doença com uma componente transgeracional.

COMO É QUE ALGUÉM SABE QUE ESTÁ PRONTO PARA UMA NOVA RELAÇÃO?

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Terminar uma relação é sempre uma decisão difícil, a menos que se leve a vida de forma absolutamente despreocupada e irresponsável. A verdade é que, mesmo quando alguém assume que deixou de amar o seu companheiro, sente-se de algum modo responsável pelo bem-estar do outro, pelo que não raras vezes há sentimentos de pena e até de culpa que precisam de ser geridos. Além disso, há a própria perda, que leva algum tempo a ser ultrapassada. E desde que se tenha investido na relação que agora termina, há perda – mesmo que esteja claro que a separação é a decisão a tomar.

Algumas pessoas consideram – erradamente – que não há nada melhor para “curar” uma separação ou um divórcio do que começar uma nova relação, como se uma paixão ou uma amizade colorida pudessem compensar a perda recente. Do meu ponto de vista, esta postura é demasiado arriscada, tal como o seria tapar uma ferida sem a desinfetar primeiro. Ainda que doa, é preciso olhar para as nossas feridas emocionais, é preciso tratá-las. E isso pode levar algum tempo.

QUANTO TEMPO?

“O tempo que for preciso” pode não ser uma resposta muito clara nem objetiva mas é a resposta mais honesta. As relações amorosas que ficam para trás merecem um período de luto, mesmo para aqueles que tomaram a iniciativa de terminar. Há sonhos e expetativas que foram por água abaixo e que precisam de ser geridos com cuidado. Não há um número exato que possa ser fixado como o tempo ideal para que esse luto seja feito.

Para alguns especialistas, é razoável pensar que,
entre o fim de uma relação e o início de outra
deva existir aproximadamente
UM MÊS POR CADA ANO DE RELAÇÃO.

Isto é, se um casamento/ namoro durou 8 anos, então dever-se-ia esperar pelo menos 8 meses até que se pudesse pensar num novo relacionamento. Claro que na vida é praticamente impossível seguir fórmulas matemáticas. Além de que seria tudo mais entediante, digo eu.


Aquilo que me parece razoável é que a pessoa recém-separada possa sentir-se suficientemente à vontade para exteriorizar todos os pensamentos e emoções associados à relação que terminou, sem medo de ser julgada, sem constrangimentos. Isso pode ser feito por escrito – a criação de um diário ou até de um blogue pode ser terapêutica – mas também deve ser feito oralmente, junto das pessoas em quem se confia ou até de um terapeuta, se houver essa necessidade. O mais importante é que a pessoa não reprima estes pensamentos, nem se preocupe com aquilo que os outros possam pensar. Não raras vezes, a pessoa que tomou a iniciativa de romper um relacionamento evita falar sobre as marcas que ficaram daquela relação com receio de que os outros pensem que ele(a) está arrependido(a), por exemplo. Ou com receio que os outros fiquem aborrecidos (“Está sempre a falar no mesmo”). A verdade é que desta estruturação de pensamentos e sentimentos resulta o facto de a pessoa se sentir progressivamente mais forte, com mais inteligência emocional.

À medida que o tempo vai passando é suposto que a pessoa vá refletindo sobre algumas questões, que a ajudarão a seguir em frente:

Porque é que a minha relação acabou?

O que é que o meu Ex diria sobre os motivos que levaram à nossa separação?

Há alguma coisa em comum entre o fim desta relação e o fim das minhas relações anteriores?

A relação acabou mesmo ou há alguma coisa por resolver?

Quais são os meus sentimentos em relação ao meu Ex?

Como é que eu me sinto em relação ao fim deste relacionamento? Ainda alimento alguma esperança de que possamos voltar?

Já fiz o luto?

A ideia não passa por responder a estas questões uma única vez, mas antes por voltar a refletir sobre elas de vez em quando, até que deixe de fazer sentido. Até que esteja claro o que é que correu mal. Até que a própria pessoa seja capaz de identificar aquilo que fez bem e os erros que cometeu naquela relação. Para que se possa refletir sobre aquilo que se procura numa nova relação.

Este é outro eixo fundamental na reflexão que se pretende que ocorra depois de uma separação. Porque há pessoas que aparentemente cometem SEMPRE os mesmos erros. Porque há pessoas que escolhem SEMPRE o mesmo “tipo” de parceiros. Para que se passe a fazer escolhas mais saudáveis e se fuja aos relacionamentos problemáticos é fundamental responder a outras questões:

O que é que eu aprendi com a escolha do(s) meu(s) parceiro(s) anterior(es)?

Será que escolho sempre o mesmo tipo de pessoa? Será que tenho cometido sempre os mesmos erros? Tenho escolhido pessoas que não me respeitam? Ou que não me dão o afeto que eu mereço?

Que características é que eu valorizo num companheiro?

Estarei à procura de qualidades que eu próprio(a) não possuo?

Estarei preparado(a) para viver com alguém que seja diferente de mim? Serei capaz de aceitar que é impossível mudar o outro?

O que é que preciso mudar em mim para poder ser feliz numa nova relação?

Nenhuma relação acaba por “culpa” de uma das partes. Cada relação é uma dança cujo ritmo é definido pelos dois. Ambos são corresponsáveis pela forma como a dança decorre. Ambos são corresponsáveis pelo seu fim.

Para que se possa investir numa nova relação de forma saudável é essencial que nos sintamos confortáveis na nossa própria pele. A sensação de se ter um companheiro é, efetivamente, muito boa. Mas pode ser temporária se não estivermos preparados. Acha que está preparado para uma nova relação? Então responda a (só mais) estas questões:

Sinto-me suficientemente forte sozinho(a)? Gosto da minha vida (independentemente de ter ou não um companheiro)?

Sei quais são os pilares de uma relação amorosa emocionalmente inteligente?

Sei ser um companheiro emocionalmente inteligente?

Há outras coisas na minha vida que me preencham ou passo a vida à procura de/ a pensar em ter uma nova relação?

Há outras relações afetivas (não amorosas) na minha vida?

Estarei a evitar alguma coisa?

Sei o que é que procuro numa relação amorosa? Compromisso? Diversão?

Sei expresser de forma clara e honesta aquilo de que preciso numa relação?

Calma! Ninguém está permanentemente 100% seguro de si e daquilo que pretende numa relação. Contudo, a reflexão que resulta deste tipo de questionamento é a base para que se faça escolhas emocionalmente mais inteligentes e, portanto, se cometa menos erros.

CONSULTAS DE PSICOLOGIA ATRAVÉS DA INTERNET (SKYPE)

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Tenho-me referido inúmeras vezes ao impacto que a evolução tecnológica tem provocado nas relações afetivas, bem como às vantagens e desvantagens de algumas ferramentas. De um modo geral, aquilo que escrevo é o reflexo daquilo a que vou acedendo no consultório, em particular às queixas das pessoas com quem trabalho. Mas há um lado desta revolução cibernética que ainda não foi aqui explorado e que diz respeito às próprias consultas. Se até há relativamente pouco tempo o acompanhamento de um psicólogo estava reduzido ao espaço de um gabinete, agora as alternativas globalizaram-se.

Hoje é possível que um português residente numa localidade onde não haja um serviço de Psicoterapia possa realizar estas consultas sem ter de se deslocar a um centro urbano. Se pensarmos no que é possível poupar no que diz respeito às deslocações, já é possível antecipar algumas vantagens.

Mas esta possibilidade é ainda mais vantajosa para uma fatia específica da população – os emigrantes. Já imaginou como se sentiria se tivesse necessidade de recorrer a um psicólogo que não falasse a sua língua materna? A verdade é que por maior que seja o nosso conhecimento de uma segunda língua, é-nos muito mais fácil organizar os nossos pensamentos e as nossas emoções ao falarmos na nossa própria língua. Por outro lado, sentimo-nos invariavelmente mais acolhidos.

Em termos clínicos também é possível identificar um público-alvo para quem esta modalidade pode ser, pelo menos no início do tratamento, a melhor opção:

Os pacientes que sofrem de agorafobia
e que têm medo de sair de casa.

Ou aqueles que se sintam demasiado inseguros
para se encontrarem fisicamente com um psicólogo.

Pode parecer ridículo, já que a existência de uma fobia deveria servir exatamente para que a pessoa se sentisse motivada para dar esse passo mas a verdade é que os medos podem ser assustadoramente incapacitantes e, sem esta alternativa, algumas pessoas vivem aprisionadas durante anos.

COMO FUNCIONA?

O Skype é o programa informático mais utilizado nas consultas online. Trata-se de um software que permite a videoconferência com níveis de qualidade acima da média e que tem a grande vantagem de permitir fazer chamadas – de voz e imagem – gratuitas de um computador para o outro. De resto, as consultas têm normalmente a mesma duração e a mesma frequência do que as consultas presenciais. Para algumas pessoas a videoconferência tem a mais-valia de poderem olhar mais proximamente para o rosto do terapeuta (que, por motivos óbvios, está perto da câmara e, por isso, virtualmente mais perto do paciente).

É lógico que também existem desvantagens associadas a esta alternativa e importa que fique claro que a primeira opção deve ser o acompanhamento psicoterapêutico presencial. Ainda que existam ferramentas cada vez mais evoluídas, nada substitui os recursos inerentes à comunicação cara a cara. Quando um terapeuta conversa presencialmente com um paciente tem oportunidade de dar atenção não apenas à comunicação verbal, mas também a todos os gestos e outros elementos que compõem a comunicação não-verbal. E qualquer psicólogo reconhece a importância destas questões, subtis e tantas vezes impercetíveis ao olhar de um leigo.

Por outro lado, as consultas online envolvem mais riscos em termos da fiabilidade do serviço que está a ser prestado, pelo que, mais do que nunca, é fundamental que quem procura esta alternativa se certifique de que está a recorrer a um profissional experiente e qualificado. De resto, em caso de dúvida, a Ordem dos Psicólogos Portugueses permite atualmente verificar se determinado profissional se encontra ali inscrito.

Tal como acontece na terapia presencial, as consultas são marcadas previamente, pelo que há um horário predefinido. Ora, importa que, a essa hora, o paciente possa certificar-se de que estará num local com acesso à Internet e que haja garantias de que a sessão decorrerá sem interrupções. Escusado será dizer que a realização destas consultas não deve ocorrer enquanto o paciente estiver no seu local de trabalho, sob pena de não estarem reunidas as condições de privacidade. Em casa também é fundamental que o paciente esteja suficientemente confortável, sem a pressão de ter de dar atenção – naquela hora – aos compromissos familiares.