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19.2.18

QUANDO A PAIXÃO ACABA


Este não é um texto sobre o fim das relações. Mesmo.


O que é que acontece quando a paixão acaba? Não me refiro ao amor, à ligação romântica, à vontade de estar com aquela pessoa. Refiro-me à euforia dos primeiros meses, à ativação fisiológica e a todas as alterações hormonais que fazem com que praticamente só consigamos pensar numa coisa: em estar com a pessoa por quem nos apaixonámos.

O que é que acontece depois disso? Como fica uma relação depois disso?

Mas, afinal, a paixão acaba mesmo?


Tem de ser assim? Ou é possível mantermo-nos apaixonados o resto da vida?

A paixão é um estado emocional que acaba, sim. Dura, em média, um a dois anos e é caracterizado pela euforia, por níveis de motivação muito mais elevados do que o normal e, claro, pela vontade sistemática de estar ao lado daquela pessoa. Estarmos apaixonados faz com que haja uma série de alterações no nosso cérebro que, de entre outras coisas, nos leva a pensar constantemente na pessoa que amamos. É esta “obsessão” que faz com que, no início de uma relação, tudo seja mais fácil. Não precisamos de fazer grandes esforços para agradar. Praticamente não há sacrifícios. Porquê? Porque o nosso estado emocional e a tal “obsessão” fazem com que boa parte do nosso tempo seja automática e instintivamente dedicado à outra pessoa.



Quando a paixão acaba, a “obsessão” desaparece. Isso tem um lado bom porque a “cegueira” desaparece e tornamo-nos mais conscientes e, por isso, também mais capazes de tomar decisões de forma sensata.

Sabia que é muito mais provável que tomemos decisões erradas quando estamos apaixonados?


Se verdade que a paixão nos traz a sensação de euforia e a elevação da autoestima, a verdade é que também nos tolda a perceção da realidade e nos pode levar a correr riscos que, noutras circunstâncias, não correríamos. Muitas vezes isso é bom: empurra-nos para fora da nossa zona de conforto e permite que outras áreas da nossa vida melhorem. Algumas vezes pode levar-nos a fazer escolhas imponderadas que nos tragam mais desvantagens do que benefícios.

Em muitos casos, à medida que o tempo passa, a diminuição da paixão (e da tal obsessão) dá lugar a uma ligação emocional cada vez maior. Em suma, ligamo-nos e, quando damos por isso, sentimo-nos agradavelmente apegados àquela pessoa. Para muitas pessoas esta crescente ligação emocional traz um aumento significativo da felicidade. Claro que há outros casos em que o desaparecimento da paixão dá lugar ao vazio e, de uma maneira geral, isso implica o fim anunciado da relação.

A ciência tem demonstrado que as pessoas que conseguem construir laços românticos significativos e que se mantêm casadas depois de a paixão acabar são mais felizes do que as pessoas solteiras e apaixonadas (o que é muito diferente de dizer que TODAS as pessoas deveriam casar).

Então, por que parece ser tão difícil manter uma ligação que nos preencha quando a paixão acaba?

Porque é que é cada vez mais difícil manter um casamento feliz e duradouro?


A resposta pode ser estranhamente simples: porque isso requer esforço. É verdade!



Telefonar, mandar mensagens, mostrar que nos preocupamos, prestar atenção, estar “lá”, mimar e amparar – tudo isto requer que nos descentremos das nossas próprias necessidades e dos nossos interesses “só” para alimentar a relação.

No meio das rotinas, das correrias, do cansaço e das preocupações, o mais fácil é canalizar toda a nossa energia para aquilo que nos dá prazer imediato. Muitas vezes a última coisa que nos apetece é desviar os olhos das redes sociais ou da televisão só para prestar atenção a mais uma queixa, a mais um lamento. Mas quando o fazemos, quando saímos da nossa bolha e mostramos que continuamos a dar valor aos sentimentos e às necessidades da pessoa que escolhemos, mostramos de forma clara que a amamos e valorizamos.

Quando duas pessoas conseguem alimentar a sua ligação de forma contínua, os laços tornam-se tão fortes que se torna praticamente inimaginável viverem uma sem a outra. É isto que acontece naqueles casos em que ouvimos dizer que um idoso morreu pouco tempo depois da morte da mulher (ou vice versa). Quanto mais fortes forem os laços do amor, maior a sensação de que a vida é bem melhor ao lado da pessoa que escolhemos para estar ao nosso lado. Reconhecemos-lhe os defeitos, os cheiros, as imperfeições mas somos infinitamente gratos pelas qualidades, pelos gestos de afeto e por tudo quanto acrescenta à nossa vida. Muito depois de a paixão ter acabado.

15.2.18

AMOR PARA A VIDA TODA

O que é que é preciso para que uma relação dure a vida toda?
Quais são os segredos de uma relação feliz e duradoura?
A que é que cada um de nós deve prestar atenção para que possamos ser felizes "até velhinhos"?


Estive à conversa com Fátima Lopes, no programa A Tarde é Sua, sobre o Amor.


8.2.18

O QUE É QUE PODEMOS FAZER TODOS OS DIAS PARA MELHORAR A RELAÇÃO?


O que é que cada casal pode (deve) fazer diariamente para alimentar a relação? Quais são os hábitos que devemos (mesmo) cultivar?

Quando escrevi “Os 25 hábitos dos casais felizes”, procurei descrever de forma clara os comportamentos que mais frequentemente encontramos nas relações felizes e duradouras. Hoje destaco 5 desses hábitos – aqueles que me parece mais importante reter para o dia-a-dia:

#1: DAR VALOR À FELICIDADE DO COMPANHEIRO.

Parece um cliché mas é provavelmente aquilo que mais frequentemente caracteriza uma relação feliz. Querer (mesmo) que a pessoa que amamos seja feliz implica ser capaz de dar importância aos seus sonhos e fazer o que estiver ao nosso alcance para a ajudar a concretizar os seus objetivos. Claro que esta “tarefa” é mais difícil quando nos obriga a sair da zona de conforto e a fazer cedências.

NO DIA-A-DIA isso traduz-se na demonstração clara de interesse, na vontade genuína de perceber porque é que a pessoa que amamos faz certas escolhas e na capacidade de abdicar de alguns objetivos pessoais “só” para a fazer feliz.

#2: TOCAR-SE COM FREQUÊNCIA.

O toque é a linguagem universal dos afetos. Não há forma mais clara de dizer “Gosto de ti”. Os beijos, os abraços, as festinhas são fundamentais para que nos sintamos felizes numa relação. São terapêuticos nos momentos de maior sofrimento. E são muitas vezes a forma de nos reaproximarmos depois de um momento de tensão.

Há muitas alturas em que a última coisa que nos apetece é prestar atenção a necessidades que não sejam as nossas mas é precisamente essa capacidade de continuar a valorizar a pessoa que está ao nosso lado, acarinhando-a fisicamente, que mantém a relação viva.

#3: PERGUNTAR - TODOS OS DIAS – “COMO FOI O TEU DIA?”.

Todos os dias acontecem coisas que mexem connosco, tanto pela positiva, como pela negativa. A certeza de que, à chegada a casa, há alguém que se preocupa, que mostra interesse genuíno por aquilo que temos para contar, deixa-nos mais felizes e seguros.

Na azáfama dos dias é preciso perceber que estas conversas a dois nem sempre vão acontecer de forma tranquila, sem interrupções, em frente à lareira e com um copo de vinho na mão.



O importante é que saibamos tirar os olhos do telemóvel, da televisão ou do jornal para prestar (muita) atenção ao que a pessoa que está ao nosso lado tem para contar.

#4: DISCUTIR COM LIMITES.

Quase todos os casais discutem mas, para que uma relação sobreviva a estes momentos de desconexão, é fundamental que se fuja daquilo a que chamo os venenos da comunicação:

Hipercrítica. Ninguém suporta estar permanentemente a ser alvo de críticas, reparos, chamadas de atenção. Na prática, se houver menos de 5 interações positivas (elogios, carícias, demonstração de interesse) por cada interação negativa (não é preciso que haja gritos), a relação está em risco.

Postura defensiva. «Então e tu?» ou «Não sou só eu que não peço desculpa…» são exemplos claros deste veneno da comunicação. Sempre que a pessoa de quem gostamos se queixa e nos limitamos a contra-atacar, estamos a fugir à oportunidade de assumir a nossa parte. Dizer (mesmo que por outras palavras) «Tens razão» é dar importância aos sentimentos da outra pessoa e abrir caminho para a reaproximação.

Desprezo. Revirar os olhos, virar costas durante uma discussão ou pura e simplesmente desprezar os sentimentos da pessoa que está ao nosso lado são hábitos destrutivos que criam sentimentos de rejeição.

Amuos. Nem sempre é fácil lidar com comportamentos que nos magoam. Às vezes parece que não vale a pena discutir e que o melhor é fechar-se na sua concha. Mas quando o faz, a pessoa que está ao seu lado sente-se excluída, rejeitada, maltratada.

#5: NÃO DAR A RELAÇÃO COMO GARANTIDA.

Para que uma relação continue a fazer com que nos sintamos vivos, é fundamental que haja esforços regulares para sair da rotina, surpreender o companheiro e sair a dois.



NO DIA-A-DIA nem sempre é fácil dizer sim a um convite que não nos desperte interesse, abdicar de uma tarde no sofá para fazer uma atividade de que a outra pessoa gosta. Mas são estes gestos e a disponibilidade para experimentar coisas novas a dois que nos permitem continuar a sentir borboletas na barriga.

5.2.18

A (DIFÍCIL) ARTE DE DIZER O QUE SENTE


Você pode tentar assumir sempre o papel de “bonzinho”. Pelo meio, vai dizendo mentiras, vai tentando agradar a toda a gente e ignorando aquilo que verdadeiramente sente. O preço é alto e você sabe disso. O seu corpo reage de cada vez que você passa por cima dos seus sentimentos, das suas necessidades afetivas.

Manter-se numa relação com alguém que já não ama, no emprego que detesta ou nas rotinas que lhe roubam a alegria de viver são escolhas que têm quase sempre a ver com o medo. O medo de desiludir, o medo de não ser suficientemente bom, o medo de falhar, o medo de ficar sozinho. Não é fácil arriscar, sobretudo na medida em que não se sinta amparado, na medida em que não tenha a certeza de que haverá sempre alguém que esteja “lá” para si, para o apoiar. É por isso que pode parecer mais sensato ir aguentando o barco, mesmo que não se sinta feliz.

Quando reprimimos aquilo que sentimos, esses sentimentos acabam por formar uma bola de neve que, mais cedo ou mais tarde, toma conta de nós. Tenho conhecido algumas pessoas assim: são uma sombra daquilo que foram um dia, sentem-se dominadas pela raiva e/ou pela tristeza.

O que é que cada um de nós pode fazer para que as nossas escolhas traduzam a nossa verdade e nos tragam a paz que merecemos?

#1: QUEBRAR O SILÊNCIO QUANDO ALGUÉM NOS MAGOA

Quando alguém nos magoa e escolhemos ficar calados, impedimos que a outra pessoa se dê conta de que errou. Não há ninguém capaz de adivinhar pensamentos, pelo que, se não dissermos exatamente aquilo que sentimos, fica mais difícil mudar o que quer que seja. Algumas pessoas são incapazes de mudar; outras são muito resistentes à mudança. Isso pode levá-lo a pensar que «não vale a pena» queixar-se. Vale SEMPRE a pena. Ninguém tem poder para mudar os outros, sobretudo na medida em que alguém não queira mudar. Mas quando assumimos aquilo que sentimos, estamos a respeitar-nos e a definir de forma mais clara os limites que precisamos que os outros respeitem.



#2: PERCEBER QUE ASSERTIVIDADE NÃO É RUDEZA

Tenho conhecido algumas pessoas que se orgulham de dizer sempre o que pensam mas que se preocupam muito pouco com a forma como o dizem. Assumirmos a nossa verdade com honestidade e clareza não tem nada a ver com a possibilidade de desrespeitarmos, desprezarmos ou humilharmos as outras pessoas, mesmo que a sua posição seja muito diferente da nossa. Ser frontal a qualquer preço tem mais a ver com falta de caráter e bondade do que com a vontade de ser verdadeiro.

#3: APRENDER A LIDAR COM A MÁGOA DOS OUTROS



Mas apenas na medida em que aceite a realidade como ela é. Assumir os seus sentimentos e as respetivas necessidades NÃO pode ser confundido com a reivindicação do apoio total da parte das pessoas que o rodeiam. Não só não vai conseguir agradar a todos como é MUITO provável que o reconhecimento daquilo que verdadeiramente sente e precisa acabe por magoar pessoas que são importantes para si. Se está habituado a fugir disso sabe bem que o preço que tem pago é a sua própria tristeza.

Não tente desvalorizar os sentimentos negativos dos outros nem se apresse a tentar compensá-los. Valorize os seus sentimentos, assuma aquilo que for verdadeiramente importante para si e aceite a tristeza/ a mágoa/ a desilusão que isso possa causar. As emoções negativas são difíceis de gerir mas fazem parte da vida de todos. Todas as relações realmente importantes trazem a sua dose de mágoa. É impossível ter uma relação emocionalmente íntima com alguém sem nunca provocar tristeza.

Por exemplo, se está cansado de almoçar TODOS os fins-de-semana em casa dos seus pais e isso o tem impedido de dar voz àquilo que genuinamente tem vontade de fazer nos seus dias de descanso, seja honesto, verbalize a sua intenção de faltar alguns fins-e-semana sem tentar camuflar a tristeza que a sua decisão acarreta. Dizer «Eu sei que o pai e a mãe vão ficar tristes mas…» é assumir as rédeas da situação com honestidade e respeito, quer por si, quer pelos outros.

Procure para todos os dias para prestar atenção aos seus sentimentos. Quando se sentir triste, ansioso ou zangado, procure questionar, com genuína curiosidade:

O que é que estou a sentir? Do que é que preciso? De que forma tenho tentado mostrar o que sinto e aquilo de que preciso? Como posso ser mais verdadeiro? O que é que EU posso fazer para me sentir em paz?

1.2.18

OS FILHOS E A INFIDELIDADE


Falar de infidelidade é falar de segredos. Se há algo que todas as traições têm em comum é isso: o facto de haver comportamentos que são mantidos em segredo – pode ser um affair de longa duração, um caso de uma noite, conversas no Facebook, uma conta no Tinder ou visitas regulares a casas de massagens. Há escolhas que são feitas em segredo porque violam o compromisso, porque vão contra as regras que o casal definiu e porque implicam SEMPRE magoar os sentimentos de alguém ao ponto de colocar em risco a relação.

Mas aquilo que é feito em segredo muitas vezes deixa pistas e, infelizmente, nem sempre são os adultos que as encontram. Pelo meu gabinete têm passado vários casais que descrevem que foram os filhos que descobriram a traição em primeiro lugar.

Falar de infidelidade é falar de quebra de confiança e do trauma que daí possa resultar. Nenhum adulto está preparado para lidar com a traição, com o terramoto que ela acarreta. Afinal, contra todas as estatísticas, teimamos em acreditar que podemos ser felizes para sempre e que estas coisas só acontecem aos outros. Entregarmo-nos por inteiro numa relação também é viver sem medo e confiar. Confiar no caráter, na bondade e, sobretudo, no amor da pessoa que escolhemos. Sabemos que ninguém é perfeito mas confiamos. A descoberta de uma infidelidade implica passar a olhar para a realidade de outra forma – porventura mais consciente mas, sobretudo nos primeiros tempos, invariavelmente de forma mais pessimista.

A maior parte das pessoas traídas com quem tenho trabalhado acabam por recuperar a autoestima. Muitas conseguem perdoar e reconstruir a confiança na relação.

E as crianças e adolescentes?
Como é que lidam com a revelação da infidelidade?
Como é que processam estes acontecimentos?
Que impacto tem quando são os filhos a descobrir a infidelidade?

Os filhos esperam – sempre – que os pais os protejam, que façam as escolhas que garantam a sua estabilidade. Claro que à medida que vão crescendo, os filhos também se vão dando conta de que os pais não são perfeitos. No meio das zangas e dos ziguezagues característicos do processo de autonomização, vão-se dando conta de que errar é humano e de que aquilo que nos caracteriza não são os nossos erros mas sim a forma como nos responsabilizamos pelas nossas falhas.



Nenhuma criança sabe gerir os sentimentos que estão associados a um segredo como este – a tristeza, a sensação de desamparo, a impotência, a raiva, a desilusão, o medo, a vergonha mas também o conflito de lealdade. Deve contar ao outro progenitor? Deve assumir essa responsabilidade? Ou deve calar-se e viver com esse peso? Em quem pode confiar, afinal? Com quem pode contar depois de se dar conta de que uma das pessoas de quem sempre dependeu agiu desta forma?

Há quase sempre um trabalho muito importante a fazer com estas crianças e adolescentes e que começa – tem de começar – pela validação dos seus sentimentos. São muitos os casos em que a criança ou o adolescente se sente forçada(o) a manter o segredo, respeitando o silêncio dos adultos. De uma maneira geral, isso implica sobretudo que não haja voz para a sua dor e que o turbilhão emocional originado pela infidelidade seja gerido em solidão, sem o apoio dos adultos. Isso deixa marcas que só começam a sarar quando há espaço (e segurança) para exteriorizar tudo.

Depois é preciso que os pais façam a sua parte no restabelecimento da confiança. Tal como acontece noutras circunstâncias em que a confiança seja quebrada, é preciso aceitar que cada pessoa tenha o seu ritmo. É preciso dar tempo, é preciso respeitar os sentimentos. Nenhuma ferida sara mais depressa sob pressão. Pelo contrário.



Não basta mostrar arrependimento pelo dano causado e dizer «Não vou voltar a magoar-te». É preciso refletir sobre tudo o que pode ser feito para que os filhos se sintam seguros de novo. Não há fórmulas universais mas a preocupação e o interesse genuíno, a paciência, a disponibilidade para ouvir e responder com afeto são ingredientes essenciais.

Depois é fundamental refletir sobre todos os esforços que devem ser feitos para que a intimidade do casal continue a dizer respeito apenas aos membros do casal. Os filhos – mesmo adultos – não podem ser conselheiros matrimoniais. Não são robôs capazes de olhar para as dificuldades dos pais com objetividade. Pelo contrário, sofrem com as suas crises e precisam de sentir que os pais serão capazes de dar resposta a cada desafio (mesmo que isso implique pedir ajuda a outras pessoas).
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