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14.7.14

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA OU EMOCIONAL - VÍDEO

"Por que é que estás toda aperaltada só para ir trabalhar? Se calhar tens um amante...". "Não vales nada. Se não fosse eu, nunca terias chegado onde chegaste...". "Olha para ti... és uma gorda!".


O que é que pode ser considerado violência emocional?
Quem são as vítimas?
Qual é o perfil dos agressores?
Quais são os sinais de alerta?
O que são os períodos de lua-de-mel?
Porque é que as vítimas se sentem culpadas?
O que há a fazer?




10.7.14

POR QUE É QUE ALGUNS CASAMENTOS RESULTAM E OUTROS NÃO?


É a pergunta que vale o Euromilhões: qual é o segredo para um casamento dar certo? Há muitas formas (honestas) de responder a esta pergunta. De forma resumida, mas baseada no que diz a ciência, posso dizer, com segurança, que o sucesso de uma relação depende, sobretudo, do espírito com que as duas pessoas partem para a relação. Podemos não ter perfeita consciência disso mas alguns de nós olham para o seu relacionamento com genuína bondade e generosidade, enquanto outros encaram o dia-a-dia com doses massivas de desprezo, crítica e hostilidade.

Dito assim até parece fácil: as pessoas mais felizes no casamento estão atentas àquilo que o mais-que-tudo tem de melhor e mostram essa admiração com regularidade. As mais insatisfeitas tendem a focar-se nos erros do parceiro e assumem uma postura muito crítica. Não, não é uma questão de uns terem mais problemas, mais defeitos ou menos sorte. É uma questão de foco, de intenção.

Se o marido lava a loiça e deixa a bancada encharcada, a mulher tem uma oportunidade para fazer uma escolha que aumente a probabilidade de a relação dar certo, elogiando-o pelo trabalho efetuado... ou não. Se se centrar nas falhas, nas imperfeições, no que ficou por fazer, já não estará a fazer a sua parte no que toca a assumir uma postura propositadamente generosa. É preciso treinar esta capacidade de respeitar e valorizar os esforços do outro em detrimento de uma cultura de caça ao erro. 

Quer saber se o seu casamento está no bom caminho? Então habitue-se a fazer a contabilidade aos apelos que surgem dentro da relação. O que são apelos? São os pedidos de atenção que ambos vão fazendo - e são muitos - ao longo do dia. Quando o marido lava a loiça, fazendo a sua parte das tarefas, está a fazer um apelo. Está a apelar à bondade e capacidade de valorização da mulher. Quando a mulher faz uma pesquisa na Internet e encontra um lugar paradisíaco para as férias do casal, também está a fazer um apelo. Está à espera que o marido pare o que está a fazer e mostre o seu apreço pelo esforço. Quando ele opta por acenar com a cabeça, mostrando pouca atenção (desprezo?) e segue para o escritório porque tem "muita coisa em que pensar" naquele momento, está a ignorar o apelo. Claro que todos nós o fazemos. Ninguém está SEMPRE disponível, sempre atento, sempre capaz de dar resposta aos apelos da pessoa amada. Mas para sermos felizes no amor é preciso algum esforço. É preciso ter cuidado com estas situações em que os apelos de um vão sendo ignorados - ou, pior, desprezados - pelo outro.

Se a maior parte desses apelos ficarem sem uma resposta à altura,
A RELAÇÃO ESTÁ CONDENADA.

Sim, leu bem. As investigações provam que, ao fim de 6 anos, os casais que mostraram ser capazes de responder a 3 em cada 10 apelos do parceiro acabaram por divorciar-se. Os casais que permanecem juntos e felizes ao fim de 6 anos mostram que são capazes de responder às necessidades emocionais do parceiro 9 em cada 10 vezes.


E sabe qual é a melhor parte destas notícias: esta não é uma questão inata. Qualquer um de nós pode aprender a "ser" assim. Qualquer pessoa pode treinar esta capacidade e, assim, fazer o que está ao seu alcance para proteger a sua relação. É uma questão de ter vontade de o fazer.

A TARDE É SUA - O SEGREDO DO NOSSO CASAMENTO

Como é que alguém "consegue" estar casado há 41 anos?

Ou há 63?

Que competências é preciso ter para viver um amor feliz e duradouro?

Este é o vídeo da minha participação no programa A Tarde é Sua do dia 8 de julho, onde comentei o tema

"O segredo do nosso casamento".

2.7.14

À PROCURA DO PRÍNCIPE ENCANTADO


Já o disse aqui. Há pessoas que conseguem ser estupidamente felizes sozinhas. Não ter um marido ou um namorado não é – não tem de ser – um drama. São pessoas que, tal como a maioria de nós, acham que a vida tem mais graça quando se ama e é amado. Mas não perdem tempo com angústias nem se afundam num estado depressivo só porque ainda não encontraram “a” pessoa com quem esperam viver felizes para sempre. Tenho de admitir que esta atitude positiva não acontece sempre. Há muitas pessoas que se interrogam vezes sem conta:

“PORQUÊ EU?

Por que é que SÓ EU é que não consigo encontrar alguém especial?

Por que é que as minhas relações NUNCA dão certo?”

Afundam-se em pensamentos negativos e corroem-se com as comparações. Olham à sua volta e toda a gente lhes parece mais feliz do que elas próprias. Ignoram o óbvio: ninguém é feliz só porque tem uma namorada, uma mulher ou um casamento de longos anos. Mais: para sermos felizes no amor, é fundamental que sejamos capazes de ser felizes… sozinhos.

Cada pessoa é única e aquilo que leva a que uma pessoa tenha colecionado um vasto número de desilusões amorosas pode ser muito diferente do que está por detrás da história de vida de outra pessoa. Mas enquanto psicóloga clínica há alguns elementos em comum que sou capaz de identificar na maior parte destes casos. Muitas e muitas vezes estamos perante pessoas que buscam desesperadamente encontrar um príncipe encantado, alguém que, de forma mágica, preencha todos os vazios e transforme uma vida sem brilho numa vida de capas de revista. Esta idealização excessiva está demasiadas vezes associada a fraca autoestima, pensamentos irracionais e incapacidade de valorizar o que há de positivo na própria vida.

Para serem felizes no amor, a maior parte destas pessoas precisam de:

APRENDER A VALORIZAR-SE. A autoestima é um dos segredos para que uma relação possa dar certo. Gostarmos de nós mesmos, sermos capazes de identificar as nossas qualidades e aprendermos a lutar por aquilo de que precisamos é meio caminho para que um dia possamos fazer as escolhas certas numa relação. Quando desenvolvemos a nossa autoestima há outra coisa que salta à vista: é mais fácil sermos felizes se ao nosso lado estiver alguém que também goste de si mesmo.

APRENDER A RELATIVIZAR. Um dos problemas associados à idealização do príncipe encantado é a dificuldade em lidar com as falhas. É verdade que devemos lutar pelas nossas necessidades. É verdade que merecemos ter ao nosso lado alguém que mostre que é digno da nossa confiança e que é capaz de estar sempre “lá”. Mas não há pessoas perfeitas. Se não soubermos aceitar os defeitos da pessoa amada, jamais conseguiremos ser felizes no amor. E todas as pessoas têm defeitos. Todas.

APRENDER A ACEITAR O PRÓPRIO CORPO. A sexualidade é um capítulo incontornável em qualquer relação. As pessoas mais inseguras tendem a identificar mil e uma falhas no próprio corpo, escondendo-se tanto quanto puderem. Há sempre qualquer coisa a melhorar no corpo de cada um mas não há nada que uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável (que inclua exercício físico) não resolvam. Não faz sentido ambicionar uma relação harmoniosa se a própria pessoa não estiver segura de que pode (e deve) ser vista como sensual.


APRENDER A VALORIZAR A AMIZADE. É um cliché mas é um cliché com fundamento: as pessoas que não são competentes na amizade dificilmente serão felizes no amor. Não há nada mais reconfortante do que sabermos que a pessoa com quem dormimos e que nos atrai é, além de tudo o resto, o nosso melhor amigo. Infelizmente, algumas pessoas acham que é possível ter isto tudo mesmo quando o mais-que-tudo é o único amigo. Não é. Desenvolver competências nos laços de amizade – ser capaz de ceder, ser capaz de alimentar os afetos, reconhecer a importância do apoio incondicional – é fundamental para que se possa viver um grande amor.

1.7.14

SOLIDÃO NO CASAMENTO


Pode parecer estranho mas há por aí muita gente "bem casada" que se sente absolutamente só. Insistem em continuar casadas com quem não lhes presta atenção nem dá o mimo que merecem sobretudo por comodismo. Não é que não desejem mudar. Desejam mas não sabem como. E têm medo. Medo de se queixarem "a sério". Medo de exporem aquilo que sentem. Medo de que o outro se vá embora. Como se o mais-que-tudo pudesse estar feliz ou satisfeito numa relação assim. Não, ninguém é verdadeiramente feliz numa relação onde não haja intimidade. E não, não falo (só) de sexo. Também falo disso, até porque o sexo melhora, e muito, quando a intimidade emocional aumenta.

E o que é isso de intimidade emocional? É olhar para a cara-metade e ter a certeza de que aquela é a pessoa que é capaz de o amparar em todos os momentos. É sentir-se seguro a propósito do que ela é capaz nos momentos em que você se sente mais frágil. É ter a certeza de que tem ao seu lado alguém que se preocupa - de verdade - com o que você sente e age mostrando-lhe que está "lá". Está sempre lá.


Quando nada disto acontece e pelo menos uma das partes é capaz de reconhecer que se sente só, mais vale queixar-se. É preferível criar um momento de tensão, assumir que há problemas e, a partir daí, reconstruir alguma coisa do que assobiar para o lado e fingir que está tudo bem. É que quando alguém finge, corre riscos sérios. O risco de acordar um dia ao lado de um estranho. Ou o risco de ser surpreendido por uma infidelidade. E eu tenho visto tantos casos assim...

30.6.14

NÃO GRITE!


Ser pai ou mãe é, de longe, um dos papéis mais desafiantes. É verdade que, para a esmagadora maioria das pessoas, é um papel delicioso, apaixonante. Mas ninguém estará a ser honesto se disser que é fácil gerir todos os desafios da parentalidade. Todos queremos ser pais presentes, disponíveis e pacientes. Damos o nosso melhor nesse sentido mas vivemos com a certeza de que os erros fazem parte do percurso. Uma das questões com que mais frequentemente me deparo nos pedidos de ajuda que me são feitos tem a ver com a disciplina e o exercício da autoridade:

- É possível educar sem gritar? -

Toda a gente sabe que as crianças são, por natureza, autocentradas e que, em nome da satisfação das suas necessidades, são capazes de testar os limites dos adultos. Algumas crianças são mais teimosas do que outras mas qualquer pai ou mãe já sentiu que a sua paciência estava prestes a esgotar-se. “O que é que se faz quando se diz 7 ou 8 vezes a mesma coisa e a criança não obedece? Grita-se, não é? Aí vem logo a correr…” dizia-me no outro dia um pai. Mas a verdade é que este princípio não tem nada de verdadeiramente educador. Sim, é verdade que a experiência prática pode indicar que os gritos são eficientes. Mas isso é a muito curto prazo. E qualquer adulto pode comprovar que os gritos são cansativos.

Quando um pai, cansado de um dia de trabalho problemático, se aproxima da porta do quarto e chama o filho para jantar, espera que ele o oiça e que responda ao seu apelo. Mas ignora que para a criança é muito mais interessante manter-se atenta às suas brincadeiras. As crianças são autocentradas, lembra-se? Quando à enésima chamada explode e grita, o pai não está a educar o seu filho no sentido de este ser capaz de apreender qualquer regra. Está, isso sim, a ser claro na manifestação de uma emoção: a raiva. Com medo, o mais provável é que a criança finalmente “obedeça” e largue a brincadeira.

A única coisa que aprendeu
foi que os adultos também podem ser assustadores
e, assim, verem os seus pedidos satisfeitos.

Sim, os gritos são eficazes. Sempre que conseguirmos assustar as nossas crianças, elas farão aquilo que quisermos. A grande desvantagem é que, como não aprendem mais nada, elas passarão a obedecer-nos APENAS quando gritarmos. E isso é tão desgastante! De repente, entra-se num ciclo vicioso de que é difícil sair. E rotula-se a criança de teimosa.

Como em quase todas as áreas da vida, ser-se emocionalmente inteligente na educação das crianças passa por reconhecer primeiro as nossas emoções e necessidades. Se você se sentir exausto, impaciente, é bom que aprenda a gerir essas emoções em vez de se limitar a exterioriza-las de forma impulsiva (e ainda culpar as suas crianças). Em vez de chamar pela criança a partir da porta do quarto, vale a pena aproximar-se dela, baixar-se e, de olhos nos olhos, tentar captar a sua atenção. Sim, eu sei que as crianças são autocentradas. Mas elas adoram-no e mostrar-se-ão atentas à manifestação CLARA das suas emoções. Dizer-lhe baixinho que está cansado e precisa que ela colabore consigo e venha para a mesa pode produzir um milagre: o milagre da educação.

Quando a comunicação dos pais é pouco clara – oscilando entre alguns “pedidos” feitos ao longe, meia dúzia de gritos e alguns castigos e recompensas que surjam de forma pouco regrada – a confusão impera e o mais provável é que os filhos optem maioritariamente pelas alternativas que satisfaçam as suas necessidades mais imediatas.

Além disso, é fundamental que sejamos humildes e que aprendamos a gerir de forma mais equilibrada as nossas flutuações emocionais. A maior parte dos gritos não são verdadeiras escolhas. São manifestações do cansaço acumulado. Se quisermos que as crianças sejam solidárias com o cansaço que sentimos, temos, em primeiro lugar, de lhes ensinar – pelo exemplo - a exteriorizar essa emoção (e, já agora as outras!) de forma estruturada e não impulsiva. Descarregar nelas o que quer que sintamos é, além de infrutífero, tremendamente injusto. Quem explode não comunica de forma clara e, consequentemente, não educa.  

25.6.14

MAMÃ, ESTÁS TRISTE?


Toda a gente sabe que os pais e mães também se entristecem. Às vezes choram. E até há os que façam birras. Mas a experiência clínica tem-me mostrado que a maior parte dos pais e mães dá o seu melhor no sentido de protegerem os seus filhos das emoções mais negativas. Não é que queiram armar-se em super-heróis. Querem, isso sim, proteger as suas crianças do lado mais duro da vida. Querem poupá-las à crueza da realidade. Querem manter viva a fantasia e preservar o direito à felicidade daqueles seres pequeninos que tanto amam. E, por isso, mentem. Estando tristes, respondem que não, não estão: “Está tudo bem”. Limpam as lágrimas, esboçam um sorriso, torcem para que a criança não se aperceba daquilo que realmente sentem e afundam-se em sentimentos de culpa. “E agora? Será que o meu filho se apercebeu da minha tristeza? Que raio de pai ou mãe sou eu que não soube protege-lo? Estou a fazer-lhe mal de certeza…”.

O problema dos sentimentos de culpa é que estão quase sempre associados a pensamentos negativos e irracionais, que bloqueiam uma visão realista da situação. Sem que a pessoa dê conta, começa a afundar-se numa tristeza profunda sem saber muito bem o que fazer para dar a volta.

Quem é que disse que somos melhores pais se ocultarmos a nossa tristeza? Onde é que está escrito que é mais saudável mentir às crianças? A verdade é que, como qualquer pai ou mãe saberá, as crianças são particularmente intuitivas. E atentas. Então, na medida em que estejam a ser educadas num ambiente emocionalmente seguro, é natural que perguntem se estamos tristes quando se apercebem dessa emoção no nosso rosto. Aquilo que para alguns pais é encarado como um problema é, na verdade, um sinal de que estão a fazer um bom trabalho. Continuarem a ser bons pais não passa por escamotear a realidade nem por uma postura superprotetora. Passa, isso sim, por assumirem com honestidade as suas emoções, continuando a contribuir para que também as crianças se sintam livres para manifestar as suas emoções. Claro que nenhum pai ou mãe tem o direito de colocar sobre os ombros dos seus filhos o peso dos seus próprios problemas. Nenhum pai ou mãe tem legitimidade para partilhar com as suas crianças assuntos que elas não possam digerir. Mas isso não tem nada a ver com a manifestação de emoções.

Nenhuma criança gosta de ver os pais tristes. Mas a aflição de um filho ao deparar-se com a tristeza do pai ou da mãe é significativamente maior quando o adulto mente. Porque quando as palavras dizem uma coisa e a intuição da criança diz outra, a confusão é maior e dá lugar à intranquilidade.

Se o seu filho lhe perguntar se está triste, não há nenhum problema em assumir que sim, está. NENHUM. O mais importante é que a assunção da sua tristeza surja acompanhada de duas mensagens muito importantes:

1. A garantia de que a sua tristeza não tem nada a ver com a criança, isto é, a explicação de que a criança não tem culpa por você estar triste. Você não está assim porque o seu filho não arrumou os brinquedos ou porque esperneou para comer a sopa. Seja claro.

2. A garantia de que a tristeza vai passar. Não há nenhum drama associado ao reconhecimento da sua tristeza. Os seus filhos não vão ficar traumatizados, nem sequer perturbados, na medida em que lhes garanta – de forma clara – que vai ficar tudo bem.