A PSICÓLOGA NO FACEBOOK     |     VÍDEOS     |     CONSULTÓRIO     |     PÁGINA INICIAL

22.9.14

SERÁ QUE O MEU MARIDO TEM OUTRA?


«Os homens não falam de relações. Não expõem os seus sentimentos. Não dizem coisas do tipo “Não estou feliz"... Não é?»

Fernanda entrou no meu gabinete ainda desnorteada. O marido acabara de lhe pedir o divórcio. Disse-lhe que não estava feliz. Há muito tempo que não é feliz. Há muito tempo que não se sente desejado, acarinhado. Há muito tempo que não sente que é importante. "Mas tu não notas?", perguntou.

Fernanda notou que as coisas não estavam bem. As eternas discussões a propósito da falta de sexo, da falta de tempo para namorar, eram a prova de que o casamento não era um mar de rosas. Mas têm dois filhos! E "não é fácil arranjar tempo (e vontade) para namorar entre banhos, jantares, histórias ao deitar, lutas pelo comando e birras de meia-noite".

Há algum tempo que as discussões abrandaram. O facto de não haver tempo para namorar deixou de ser um ponto de partida para batalhas intermináveis. E os serões passaram até a ser mais tranquilos. Fernanda passou a ter tempo para ver a telenovela "em paz", ao mesmo tempo que ignorava que o marido estava cada vez mais ausente. Não é que passasse noites fora. Na verdade, tem estado sempre ali, a dois ou três metros de distância física. Mas distante - tão distante! - emocionalmente. "Disse-me que chegou a abrir sites de terapia conjugal ao meu lado. Mas nunca me falou disso!".

O pedido de divórcio caiu como uma bomba e, aos olhos de Fernanda, só há uma justificação para esta decisão: uma terceira pessoa. Mas será que é sempre assim?
A minha prática clínica tem mostrado que é assim muitas vezes. Há (muitos) homens que só conseguem acabar com um casamento insatisfatório quando se sentem amparados por uma nova relação. Não é que andem adormecidos. Não é só uma questão de acomodação. É sobretudo uma questão de medo. O medo da solidão. O medo de não voltar a encontrar alguém para amar. O medo da rejeição dos filhos.

Mas não é sempre assim. Há cada vez mais homens (e mulheres) que assumem que não estão felizes no casamento e que isso, por si só, é motivo para dar um murro na mesa e implementar mudanças.

Nem todos os homens são capazes de manifestar os seus sentimentos de forma clara. Nem todos estão habituados a falar de emoções. Mas isso não significa que só sejam capazes de terminar uma relação se houver outra mulher.
JÁ NÃO HÁ NADA EM COMUM. O marido passa horas “ali ao lado” mas não há conversas profundas ou emocionalmente significativas. Fala-se sobretudo das rotinas a cumprir, das obrigações com os filhos.

JÁ NÃO HÁ ELOGIOS. Para dizer a verdade, nada do que você faça parece bem feito e até as iniciativas românticas são recebidas com indiferença.

A MULHER É A ÚLTIMA A SABER. Os acontecimentos que digam respeito ao trabalho – positivos ou negativos são partilhados em primeiro lugar com os amigos. Muitas vezes a mulher só toma conhecimento de episódios importantes porque “ouviu dizer”.

HÁ DEMASIADAS DISTRAÇÕES. A televisão está sempre ligada. Ou o computador. Ou o iPhone. Ou então há alguma reparação para fazer na garagem. O importante é fugir de conversas que possam levar ao reconhecimento do problema.


O SEXO É COISA DO PASSADO. A manifestação física dos afetos é a principal fonte de conexão entre duas pessoas que se amam. Se a ligação emocional estiver fragilizada, é provável que praticamente não haja intimidade sexual.

AGORA NÓS - O RAPTO DE ALICE

Alice foi raptada pelo pai e andou escondida
durante dois anos até ser encontrada na Bélgica.

O que leva um pai (ou uma mãe) a cometer um crime como este?
O que é que se pode esperar de uma criança nestas circunstâncias?
Como é que se pode ajudar a família?

Este é o vídeo da minha participação no programa AGORA NÓS, na RTP:

11.9.14

DISCUSSÕES CONJUGAIS: QUANDO PARECE QUE OS EPISÓDIOS SE REPETEM


“Parece que estamos sempre a discutir sobre as mesmas coisas” – esta é uma das frases que mais comummente oiço no meu gabinete. Muitas vezes o que as pessoas querem dizer é que estão cansadas de cair na mesma ratoeira vezes sem conta. Não é tanto uma questão de haver apenas um assunto que as desgaste (às vezes também é isso). Aquilo que as angustia é sobretudo o facto de já terem sido capazes de abordar alguns problemas de múltiplas formas, terem sido capazes de chegar a alguns acordos e, apesar disso, continuarem sistematicamente a cair numa espiral de acusações e amuos.

Eis um exemplo: A Fernanda e o Jorge queixavam-se de estar sempre a discutir por causa de “assuntos pouco importantes”, como as tarefas domésticas. Numa dessas discussões, a Fernanda queixou-se porque o marido “nunca” faz aquilo que ela pede. “Pedi-lhe para endireitar a colcha da nossa cama, que estava torta, o que fazia com que uma das pontas estivesse a arrastar pelo chão”. O marido tentou defender-se dizendo que “a colcha é demasiado grande” para aquela cama e “por isso é que está a arrastar-se”. Depois de mais uma troca de acusações, o Jorge remeteu-se ao silêncio. Frustrada pelo silêncio do marido, a Fernanda voltou a insistir no assunto. Ambos assumem que é “muito difícil estar sempre a discutir”.

Para mim, enquanto terapeuta conjugal, esta discussão tem pouco a ver com a bendita colcha. Tão pouco identifico aqui qualquer luta de poder a propósito da lida da casa. Identifico, isso sim, alguns padrões de comportamento que estão a contribuir para que o casal se distancie. Há, em discussões como esta, um ciclo vicioso – para o qual ambos contribuem – que permite que um e o outro se sintam sós, rejeitados, desamparados.

Todos os casais experimentam esta sensação de vez em quando. O problema é que, se os episódios forem frequentes, este ciclo vicioso transforma-se num monstro papão capaz de destruir uma relação amorosa.
Desfazer este tipo de nós implica em primeiro lugar assumir que em qualquer discussão é provável que haja emoções mais profundas do que aquelas que saltam à vista numa primeira análise. No caso da Fernanda, não se tratava apenas de indignação. Através da terapia ela percebeu que aquilo que verdadeiramente a perturba é a sensação de que o marido não quer saber do que ela sente e parece indiferente aos problemas que a família tem enfrentado (dificuldades financeiras que os colocam em risco de perder a casa onde vivem). A discussão à volta da colcha, tal como outras que o casal tem tido ultimamente, é uma tentativa (nem sempre consciente) de o confrontar com assuntos bem mais importantes e que não estão a ser abordados de forma clara. Por outro lado, o Jorge percebeu que, quando assume uma postura defensiva e se remete ao silêncio, fá-lo para fugir às críticas da mulher. Aos seus olhos, ela está sempre zangada com ele e é como se nada do que ele faça a pudesse agradar. Quando amua, o Jorge tenta evitar a tristeza que as críticas da mulher lhe causam. Ela sente-se desamparada. Ele sente-se rejeitado.


Quando os membros do casal começam a olhar para as suas discussões de outro ponto de vista, aprendendo a reconhecer os caminhos que os levam a sentirem-se desconetados, também se torna mais fácil interromper a escalada. É então que cada um dá o seu melhor no sentido de identificar o que o outro está REALMENTE a sentir e procura cuidar, com carinho e atenção, dessas emoções. E isso é o que permite que ambos voltem a sentir-se seguros e unidos.

10.9.14

PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO NO CASAL: SE ME AMAS, POR QUE ESTÁS SEMPRE A CRITICAR-ME?


Os casais que me pedem ajuda têm (quase todos) uma queixa em comum: problemas de comunicação. Na sequência desta surge muitas vezes uma outra: as críticas constantes. Há pelo menos um dos membros do casal que se sente hipercriticado, como se nada do que fizesse estivesse bem feito. Nada. Aquilo que o outro muitas vezes desconhece é que essas críticas sistemáticas afastam a pessoa amada. Quem critica refugia-se na necessidade de chamar a atenção para aquilo que está mal, como se todas as queixas fossem legítimas por se tratarem de oportunidades para resolver problemas e estreitar os laços. Não são.

Não me canso de dizer que as zangas fazem parte do amor e que são um elemento necessário à construção de uma relação íntima. Mas ninguém aguenta a sensação de desvalor associada a constantes reparos. Nem é preciso que haja gritos ou discursos agressivos. Basta que haja comentários negativos frequentes. Quando isso acontece, a pessoa cujo comportamento é constantemente alvo de análise sente-se desamparada e insegura. É como se o cônjuge (aquele que critica) deixasse de ser visto como alguém em quem se possa confiar.

Em função disso, a pessoa aprende a guardar para si os seus sentimentos – ou a confiá-los a uma terceira pessoa – para se sentir segura.

Mas porque é que alguém insiste em mostrar desapreço pela pessoa amada? Por que surgem tantas críticas?
De um modo geral, esta “neura” é um mecanismo de defesa que esconde sentimentos mais profundos como a tristeza, o medo, a vulnerabilidade ou a vergonha. Só quando a pessoa que habitualmente critica tem a coragem de tentar mudar – normalmente através da terapia – e percebe que por detrás dos seus comentários negativos estão outras emoções, difíceis de gerir, é que o ciclo vicioso é quebrado.

A pessoa é desafiada a olhar para dentro, para aquilo que REALMENTE a perturba, para aquilo que está por detrás da raiva. Às vezes é tristeza – e a pessoa aprende a reconhecer aquilo que a entristece e a manifestar de forma clara e serena as suas necessidades. Às vezes (muitas) é insegurança associada à necessidade de se sentir devidamente acarinhada e desejada.


É preciso paciência e persistência para conhecer, de forma genuína, aquilo que está a ser gerador de insegurança. É preciso tempo para que um e o outro possam exteriorizar de forma calma aquilo de que precisam para se sentirem seguros. Mas é possível romper com o padrão de negatividade e abrir espaço para que a relação se torne mais íntima e muito mais satisfatória para ambos.

9.9.14

SINAIS DE SEPARAÇÃO


O que é que determina que um casamento ou uma relação amorosa esteja a caminho do fim? Há sinais claros? Como é que se distingue os problemas normais por que todos os casais passam das crises mais sérias que podem revelar-se fatais?


Se há coisa que eu aprendi com todos os casais que me pedem ajuda é que, salvo honrosas exceções, de um modo geral, os problemas começaram muito antes deste passo. Muitas vezes a insatisfação dura anos, os sinais de alerta são ignorados e a terapia surge como último recurso já depois de um dos membros do casal ter falado em divórcio. Ouço inúmeras vezes:
A verdade é que quando o mais-que-tudo se queixa, numa tentativa de mostrar aquilo que o entristece (ou aquilo que o enfurece), nem sempre é fácil assumir uma postura de acolhimento do tipo “Tu és a pessoa mais importante da minha vida e mereces toda a minha atenção e disponibilidade. Entre fraldas, contas para pagar, solicitações profissionais, telefonemas da mãe e passeios do cão, nem sempre é fácil “estar lá” para a pessoa amada. O problema é que quando um não está lá, o outro começa a distanciar-se. As queixas vão sendo atiradas para debaixo do tapete até ao dia em que um se farte.

Mas é possível evitar que a distância se torne fatal. Para isso é importante estar atento aos sinais de perigo.
Pelo menos um dos membros do casal…

… queixa-se de “estar sempre a ser criticado”.
… tem dificuldade em contar ao outro aquilo que o incomoda (dentro ou fora da relação). E quando o faz, arrepende-se (geralmente porque não se sente devidamente amparado).
… põe SEMPRE os filhos à frente do casamento. O cônjuge sente que é pouco importante.
… não gosta dos sogros ou da família alargada do cônjuge e passa a fazer programas à parte.
… mostra fraco desejo sexual.
… culpa o cônjuge pelo seu mal-estar.

Qual é a melhor forma de dar a volta? Assumir a responsabilidade e aceitar que, para que a relação continue a dar certo, é fundamental que a pessoa que está ao nosso lado se sinta ouvida, acarinhada e admirada. Se isso não estiver a acontecer, é preferível pedir ajuda. Todos os casais têm problemas (mesmo aqueles que parecem perfeitos) mas isso não deve servir de desculpa para que as dificuldades sejam ignoradas.

4.9.14

ESTÁ RODEADO DE BONS AMIGOS?


Não, a questão que coloco não tem nada a ver com o número de amigos da sua lista telefónica. Muito menos com o número de amigos associados à sua conta de Facebook. Aquilo que pergunto é se se sente amparado. Acha que está rodeado de pessoas a quem possa realmente chamar amigos? E o que é que caracteriza, afinal, uma verdadeira amizade?

Algumas pessoas mostram-se tristes porque não têm amigos. Normalmente chegam a essa conclusão depois de uma desilusão qualquer. Até aí estavam convencidas de que as pessoas com quem habitualmente bebiam uns copos ou a quem davam os parabéns via Facebook eram verdadeiros amigos. Também há quem se exponha, quem tente construir relações mais ou menos íntimas mas que, por um motivo ou por outro, acabam por perder-se. Nalguns casos são zangas sérias, noutros são zangas “invisíveis”, em que uma das partes pura e simplesmente deixa de aparecer, deixa de telefonar ou de responder às mensagens. E depois vem a pergunta: “O que é que eu fiz de errado?”.


REVELE-SE. Na amizade, como em qualquer outra relação afetiva, é preciso que nos conheçamos relativamente bem. É fundamental que conheçamos as nossas necessidades e os nossos limites. Se soubermos aquilo de que precisamos, é mais provável que consigamos assumir uma postura calma e assertiva, expondo àqueles de quem gostamos aquilo de que precisamos. Por exemplo, quase todas as pessoas gostam de ser felicitadas a propósito do seu aniversário. Mas nem todas valorizam essas felicitações na mesma medida. Se você for daqueles que fica triste se um amigo se esquecer de o fazer, o melhor é dizê-lo. Ao mostrar – de forma calma – quão importante esse gesto é (PARA SI), estará a dar oportunidade aos seus amigos de o estimarem da forma certa (aquela de que precisa). Quando você se cala (normalmente com receio de ser mal interpretado ou com medo de magoar os amigos), escolhe anular uma necessidade sua. E isso gera mágoa, ressentimento e raiva. É possível que, mais cedo ou mais tarde, você escolha castigar o tal amigo que se esqueceu de lhe ligar no dia do seu aniversário. “Eu sei que ele acabou de sair do hospital e provavelmente está à espera que eu lhe ligue… mas não o vou fazer!”. Reconhece-se neste padrão de comportamento? Então mude. Os seus amigos são humanos e é natural que falhem (pontualmente) consigo. Mas a probabilidade de você sentir que há um conjunto de pessoas que estão-lá-para-o-que-der e vier é muito maior se você der o seu melhor para que os seus amigos conheçam as suas necessidades.

INVISTA. Não há volta a dar. As relações afetivas não se alimentam do ar. É verdade que há pessoas que não se veem durante anos e que, quando se reencontram, sentem uma empatia tal que é como se tivessem estado juntas no dia anterior. Normalmente isso está relacionado com o facto de terem estado presentes em momentos importantes na vida de um e do outro. Mas a segurança de saber que há pessoas com quem você pode contar depende do investimento que for capaz de fazer. É fundamental que você mostre ativa e frequentemente quão importantes são os seus amigos. Telefone. Apareça. Pergunte se está tudo bem. Receba-os em sua casa. Acarinhe.
NÃO AJA DE CABEÇA QUENTE. É fundamental que você conheça os limites da sua paciência, que aprenda a identificar as suas emoções e decida, por exemplo, não dizer nada quando está de cabeça quente. Os amigos também se zangam. Também dizem coisas feias. Falham. Mas é possível evitar explosões e ressentimentos. Como? Reconhecendo, por exemplo, os sinais que o seu corpo emite e tentando acalmar-se antes de agir. Quando, de forma ponderada, dizemos exatamente aquilo que esperamos de um amigo, tudo se torna mais fácil.


Claro que todos temos momentos de grande tensão, de frustração ou de raiva. E também é normal que PONTUALMENTE sejamos explosivos e até injustos. Isso é o que acontece quando algumas emoções tomam conta de nós. Na amizade verdadeira é fundamental saber pedir desculpa. Mas não é só: é preciso aceitar as “birras” do outro, tentar ver além da explosão e saber perdoar. Lembre-se que todos precisamos de amparo, de saber que há pessoas que insistem, que “estão lá” e que valorizam os nossos esforços.

2.9.14

PROCRASTINAÇÃO: COMO FAZER HOJE AQUILO QUE VOCÊ TEIMA EM DEIXAR PARA AMANHÃ


Quantas vezes deu por si a adiar uma tarefa importante, como o envio de um email, a entrega do IRS ou a conclusão de um relatório profissional? Quantas vezes substituiu a tal tarefa importante por outras não-tão-importantes como arrumar o quarto, preparar um lanche ou consultar o seu mural de Facebook? Quantas vezes se esqueceu da tarefa importante e acabou por sentir-se culpado ou envergonhado por não ter cumprido o prazo? Isso tem um nome.

A procrastinação é muitas vezes confundida com preguiça e com a dificuldade em gerir o tempo. Mas a verdade é que a generalidade dos procrastinadores até gostam de trabalhar e, sob determinadas condições (que pouco ou nada têm a ver com a gestão do tempo), conseguem ser extremamente produtivos.

Então com o que é que a procrastinação tem a ver? Com as emoções. Em primeiro lugar, com o medo. Muitas vezes é o medo de falhar, o medo de não estar à altura, que está subjacente ao adiamento de tarefas importantes.

Mas há mais. Este padrão de comportamento também está associado a um pensamento irracional: a maior parte destas pessoas adiam tarefas importantes porque acreditam que NAQUELE MOMENTO não estão com a disposição certa para as concretizar.

- SAIBA SE É UM PROCRASTINADOR -

Veja se reconhece estes pensamentos:

- Antes de enviar este email vou dar uma vista de olhos à minha página de Facebook para ver o que há de novo. Despacho já isso e depois concentro-me melhor.

- É melhor preparar um segundo lanche antes de começar a trabalhar. Afinal, ninguém consegue concentrar-se de estômago vazio.

- Antes de terminar o relatório que tenho em mãos vou arrumar as tralhas que estão em cima da secretária. Assim, fico com o ambiente de trabalho limpo e organizado e ganho motivação.

O problema é que... Uma tarefa chata vai continuar a ser uma tarefa chata. Mesmo que você a enfrente de estômago cheio ou num ambiente impecavelmente limpo. E você sabe disso. Ficar à espera que a sua disposição (em relação às tarefas chatas) mude é o equivalente a ficar à espera de um milagre. De um modo geral acaba por ser a pressão dos prazos que o leva a colocar mãos à obra. Isso se você não deixar passar o prazo.

Mas não tem de ser assim.


Há algumas DICAS que o podem ajudar a fazer hoje aquilo que você teima em deixar para amanhã:

- Sonhe acordado. Foque-se na sua meta. O que é que você espera sentir quando terminar a tarefa? O que é que tem a ganhar? Você precisa de experimentar esse prazer.

- Comece agora. Neste instante. Já. Sempre que você diz a si mesmo "começo a dieta amanhã", "trabalho depois do jantar" ou "respondo ao e-mail na segunda feira", está a contribuir para que o ciclo vicioso se mantenha. O jantar pode começar daqui a 10 minutos. Isso significa que você tem 10 minutos para avançar com a tarefa chata. "Mas depois tenho de a interromper" - Não há problema! Pelo menos, você vai avançar mais um pouco (em vez de ficar à espera do tal milagre).



- Trabalhe sob pressão. Toda a gente sabe como criar um lembrete no telemóvel ou no computador de maneira a ter consciência dos prazos. O problema é que se você criar um lembrete - com alarme e tudo - para ter a certeza de que acaba o trabalho a tempo, você vai fazer aquilo que tem feito: ignorar o alerta. No fundo, você acha que tem tempo, sente-se com confiança e abusa da sorte. Depois vem o esquecimento e, com ele, a vergonha e os sentimentos de culpa. Então, o melhor é reconhecer que você precisa de alguma pressão para trabalhar. Se o relatório tem de ser entregue na segunda feira ao meio dia, programe o alarme para domingo à tarde. Ou para segunda de manhã. Estique a corda. Nem vale a pena criar um lembrete para sexta-feira! Fuja do ciclo vicioso que tão bem conhece.