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15.2.18

AMOR PARA A VIDA TODA

O que é que é preciso para que uma relação dure a vida toda?
Quais são os segredos de uma relação feliz e duradoura?
A que é que cada um de nós deve prestar atenção para que possamos ser felizes "até velhinhos"?


Estive à conversa com Fátima Lopes, no programa A Tarde é Sua, sobre o Amor.


8.2.18

O QUE É QUE PODEMOS FAZER TODOS OS DIAS PARA MELHORAR A RELAÇÃO?


O que é que cada casal pode (deve) fazer diariamente para alimentar a relação? Quais são os hábitos que devemos (mesmo) cultivar?

Quando escrevi “Os 25 hábitos dos casais felizes”, procurei descrever de forma clara os comportamentos que mais frequentemente encontramos nas relações felizes e duradouras. Hoje destaco 5 desses hábitos – aqueles que me parece mais importante reter para o dia-a-dia:

#1: DAR VALOR À FELICIDADE DO COMPANHEIRO.

Parece um cliché mas é provavelmente aquilo que mais frequentemente caracteriza uma relação feliz. Querer (mesmo) que a pessoa que amamos seja feliz implica ser capaz de dar importância aos seus sonhos e fazer o que estiver ao nosso alcance para a ajudar a concretizar os seus objetivos. Claro que esta “tarefa” é mais difícil quando nos obriga a sair da zona de conforto e a fazer cedências.

NO DIA-A-DIA isso traduz-se na demonstração clara de interesse, na vontade genuína de perceber porque é que a pessoa que amamos faz certas escolhas e na capacidade de abdicar de alguns objetivos pessoais “só” para a fazer feliz.

#2: TOCAR-SE COM FREQUÊNCIA.

O toque é a linguagem universal dos afetos. Não há forma mais clara de dizer “Gosto de ti”. Os beijos, os abraços, as festinhas são fundamentais para que nos sintamos felizes numa relação. São terapêuticos nos momentos de maior sofrimento. E são muitas vezes a forma de nos reaproximarmos depois de um momento de tensão.

Há muitas alturas em que a última coisa que nos apetece é prestar atenção a necessidades que não sejam as nossas mas é precisamente essa capacidade de continuar a valorizar a pessoa que está ao nosso lado, acarinhando-a fisicamente, que mantém a relação viva.

#3: PERGUNTAR - TODOS OS DIAS – “COMO FOI O TEU DIA?”.

Todos os dias acontecem coisas que mexem connosco, tanto pela positiva, como pela negativa. A certeza de que, à chegada a casa, há alguém que se preocupa, que mostra interesse genuíno por aquilo que temos para contar, deixa-nos mais felizes e seguros.

Na azáfama dos dias é preciso perceber que estas conversas a dois nem sempre vão acontecer de forma tranquila, sem interrupções, em frente à lareira e com um copo de vinho na mão.



O importante é que saibamos tirar os olhos do telemóvel, da televisão ou do jornal para prestar (muita) atenção ao que a pessoa que está ao nosso lado tem para contar.

#4: DISCUTIR COM LIMITES.

Quase todos os casais discutem mas, para que uma relação sobreviva a estes momentos de desconexão, é fundamental que se fuja daquilo a que chamo os venenos da comunicação:

Hipercrítica. Ninguém suporta estar permanentemente a ser alvo de críticas, reparos, chamadas de atenção. Na prática, se houver menos de 5 interações positivas (elogios, carícias, demonstração de interesse) por cada interação negativa (não é preciso que haja gritos), a relação está em risco.

Postura defensiva. «Então e tu?» ou «Não sou só eu que não peço desculpa…» são exemplos claros deste veneno da comunicação. Sempre que a pessoa de quem gostamos se queixa e nos limitamos a contra-atacar, estamos a fugir à oportunidade de assumir a nossa parte. Dizer (mesmo que por outras palavras) «Tens razão» é dar importância aos sentimentos da outra pessoa e abrir caminho para a reaproximação.

Desprezo. Revirar os olhos, virar costas durante uma discussão ou pura e simplesmente desprezar os sentimentos da pessoa que está ao nosso lado são hábitos destrutivos que criam sentimentos de rejeição.

Amuos. Nem sempre é fácil lidar com comportamentos que nos magoam. Às vezes parece que não vale a pena discutir e que o melhor é fechar-se na sua concha. Mas quando o faz, a pessoa que está ao seu lado sente-se excluída, rejeitada, maltratada.

#5: NÃO DAR A RELAÇÃO COMO GARANTIDA.

Para que uma relação continue a fazer com que nos sintamos vivos, é fundamental que haja esforços regulares para sair da rotina, surpreender o companheiro e sair a dois.



NO DIA-A-DIA nem sempre é fácil dizer sim a um convite que não nos desperte interesse, abdicar de uma tarde no sofá para fazer uma atividade de que a outra pessoa gosta. Mas são estes gestos e a disponibilidade para experimentar coisas novas a dois que nos permitem continuar a sentir borboletas na barriga.

5.2.18

A (DIFÍCIL) ARTE DE DIZER O QUE SENTE


Você pode tentar assumir sempre o papel de “bonzinho”. Pelo meio, vai dizendo mentiras, vai tentando agradar a toda a gente e ignorando aquilo que verdadeiramente sente. O preço é alto e você sabe disso. O seu corpo reage de cada vez que você passa por cima dos seus sentimentos, das suas necessidades afetivas.

Manter-se numa relação com alguém que já não ama, no emprego que detesta ou nas rotinas que lhe roubam a alegria de viver são escolhas que têm quase sempre a ver com o medo. O medo de desiludir, o medo de não ser suficientemente bom, o medo de falhar, o medo de ficar sozinho. Não é fácil arriscar, sobretudo na medida em que não se sinta amparado, na medida em que não tenha a certeza de que haverá sempre alguém que esteja “lá” para si, para o apoiar. É por isso que pode parecer mais sensato ir aguentando o barco, mesmo que não se sinta feliz.

Quando reprimimos aquilo que sentimos, esses sentimentos acabam por formar uma bola de neve que, mais cedo ou mais tarde, toma conta de nós. Tenho conhecido algumas pessoas assim: são uma sombra daquilo que foram um dia, sentem-se dominadas pela raiva e/ou pela tristeza.

O que é que cada um de nós pode fazer para que as nossas escolhas traduzam a nossa verdade e nos tragam a paz que merecemos?

#1: QUEBRAR O SILÊNCIO QUANDO ALGUÉM NOS MAGOA

Quando alguém nos magoa e escolhemos ficar calados, impedimos que a outra pessoa se dê conta de que errou. Não há ninguém capaz de adivinhar pensamentos, pelo que, se não dissermos exatamente aquilo que sentimos, fica mais difícil mudar o que quer que seja. Algumas pessoas são incapazes de mudar; outras são muito resistentes à mudança. Isso pode levá-lo a pensar que «não vale a pena» queixar-se. Vale SEMPRE a pena. Ninguém tem poder para mudar os outros, sobretudo na medida em que alguém não queira mudar. Mas quando assumimos aquilo que sentimos, estamos a respeitar-nos e a definir de forma mais clara os limites que precisamos que os outros respeitem.



#2: PERCEBER QUE ASSERTIVIDADE NÃO É RUDEZA

Tenho conhecido algumas pessoas que se orgulham de dizer sempre o que pensam mas que se preocupam muito pouco com a forma como o dizem. Assumirmos a nossa verdade com honestidade e clareza não tem nada a ver com a possibilidade de desrespeitarmos, desprezarmos ou humilharmos as outras pessoas, mesmo que a sua posição seja muito diferente da nossa. Ser frontal a qualquer preço tem mais a ver com falta de caráter e bondade do que com a vontade de ser verdadeiro.

#3: APRENDER A LIDAR COM A MÁGOA DOS OUTROS



Mas apenas na medida em que aceite a realidade como ela é. Assumir os seus sentimentos e as respetivas necessidades NÃO pode ser confundido com a reivindicação do apoio total da parte das pessoas que o rodeiam. Não só não vai conseguir agradar a todos como é MUITO provável que o reconhecimento daquilo que verdadeiramente sente e precisa acabe por magoar pessoas que são importantes para si. Se está habituado a fugir disso sabe bem que o preço que tem pago é a sua própria tristeza.

Não tente desvalorizar os sentimentos negativos dos outros nem se apresse a tentar compensá-los. Valorize os seus sentimentos, assuma aquilo que for verdadeiramente importante para si e aceite a tristeza/ a mágoa/ a desilusão que isso possa causar. As emoções negativas são difíceis de gerir mas fazem parte da vida de todos. Todas as relações realmente importantes trazem a sua dose de mágoa. É impossível ter uma relação emocionalmente íntima com alguém sem nunca provocar tristeza.

Por exemplo, se está cansado de almoçar TODOS os fins-de-semana em casa dos seus pais e isso o tem impedido de dar voz àquilo que genuinamente tem vontade de fazer nos seus dias de descanso, seja honesto, verbalize a sua intenção de faltar alguns fins-e-semana sem tentar camuflar a tristeza que a sua decisão acarreta. Dizer «Eu sei que o pai e a mãe vão ficar tristes mas…» é assumir as rédeas da situação com honestidade e respeito, quer por si, quer pelos outros.

Procure para todos os dias para prestar atenção aos seus sentimentos. Quando se sentir triste, ansioso ou zangado, procure questionar, com genuína curiosidade:

O que é que estou a sentir? Do que é que preciso? De que forma tenho tentado mostrar o que sinto e aquilo de que preciso? Como posso ser mais verdadeiro? O que é que EU posso fazer para me sentir em paz?

1.2.18

OS FILHOS E A INFIDELIDADE


Falar de infidelidade é falar de segredos. Se há algo que todas as traições têm em comum é isso: o facto de haver comportamentos que são mantidos em segredo – pode ser um affair de longa duração, um caso de uma noite, conversas no Facebook, uma conta no Tinder ou visitas regulares a casas de massagens. Há escolhas que são feitas em segredo porque violam o compromisso, porque vão contra as regras que o casal definiu e porque implicam SEMPRE magoar os sentimentos de alguém ao ponto de colocar em risco a relação.

Mas aquilo que é feito em segredo muitas vezes deixa pistas e, infelizmente, nem sempre são os adultos que as encontram. Pelo meu gabinete têm passado vários casais que descrevem que foram os filhos que descobriram a traição em primeiro lugar.

Falar de infidelidade é falar de quebra de confiança e do trauma que daí possa resultar. Nenhum adulto está preparado para lidar com a traição, com o terramoto que ela acarreta. Afinal, contra todas as estatísticas, teimamos em acreditar que podemos ser felizes para sempre e que estas coisas só acontecem aos outros. Entregarmo-nos por inteiro numa relação também é viver sem medo e confiar. Confiar no caráter, na bondade e, sobretudo, no amor da pessoa que escolhemos. Sabemos que ninguém é perfeito mas confiamos. A descoberta de uma infidelidade implica passar a olhar para a realidade de outra forma – porventura mais consciente mas, sobretudo nos primeiros tempos, invariavelmente de forma mais pessimista.

A maior parte das pessoas traídas com quem tenho trabalhado acabam por recuperar a autoestima. Muitas conseguem perdoar e reconstruir a confiança na relação.

E as crianças e adolescentes?
Como é que lidam com a revelação da infidelidade?
Como é que processam estes acontecimentos?
Que impacto tem quando são os filhos a descobrir a infidelidade?

Os filhos esperam – sempre – que os pais os protejam, que façam as escolhas que garantam a sua estabilidade. Claro que à medida que vão crescendo, os filhos também se vão dando conta de que os pais não são perfeitos. No meio das zangas e dos ziguezagues característicos do processo de autonomização, vão-se dando conta de que errar é humano e de que aquilo que nos caracteriza não são os nossos erros mas sim a forma como nos responsabilizamos pelas nossas falhas.



Nenhuma criança sabe gerir os sentimentos que estão associados a um segredo como este – a tristeza, a sensação de desamparo, a impotência, a raiva, a desilusão, o medo, a vergonha mas também o conflito de lealdade. Deve contar ao outro progenitor? Deve assumir essa responsabilidade? Ou deve calar-se e viver com esse peso? Em quem pode confiar, afinal? Com quem pode contar depois de se dar conta de que uma das pessoas de quem sempre dependeu agiu desta forma?

Há quase sempre um trabalho muito importante a fazer com estas crianças e adolescentes e que começa – tem de começar – pela validação dos seus sentimentos. São muitos os casos em que a criança ou o adolescente se sente forçada(o) a manter o segredo, respeitando o silêncio dos adultos. De uma maneira geral, isso implica sobretudo que não haja voz para a sua dor e que o turbilhão emocional originado pela infidelidade seja gerido em solidão, sem o apoio dos adultos. Isso deixa marcas que só começam a sarar quando há espaço (e segurança) para exteriorizar tudo.

Depois é preciso que os pais façam a sua parte no restabelecimento da confiança. Tal como acontece noutras circunstâncias em que a confiança seja quebrada, é preciso aceitar que cada pessoa tenha o seu ritmo. É preciso dar tempo, é preciso respeitar os sentimentos. Nenhuma ferida sara mais depressa sob pressão. Pelo contrário.



Não basta mostrar arrependimento pelo dano causado e dizer «Não vou voltar a magoar-te». É preciso refletir sobre tudo o que pode ser feito para que os filhos se sintam seguros de novo. Não há fórmulas universais mas a preocupação e o interesse genuíno, a paciência, a disponibilidade para ouvir e responder com afeto são ingredientes essenciais.

Depois é fundamental refletir sobre todos os esforços que devem ser feitos para que a intimidade do casal continue a dizer respeito apenas aos membros do casal. Os filhos – mesmo adultos – não podem ser conselheiros matrimoniais. Não são robôs capazes de olhar para as dificuldades dos pais com objetividade. Pelo contrário, sofrem com as suas crises e precisam de sentir que os pais serão capazes de dar resposta a cada desafio (mesmo que isso implique pedir ajuda a outras pessoas).

29.1.18

DIVÓRCIO: VAI FICAR TUDO BEM


Recebo muitos pedidos de ajuda de quem está prestes a divorciar-se ou acabou de o fazer. Muitos destes pedidos partem de quem tomou a iniciativa – não porque tenham dúvidas em relação à decisão mas sobretudo porque há quase sempre muita dificuldade em lidar com a incerteza do futuro.

Os filhos vão ficar bem?
O dinheiro vai ser suficiente?
Será que vai aparecer a pessoa certa?
A família e os amigos continuarão a apoiar-me?

Estes são os principais medos de quem passa por um divórcio. Traduzem quase sempre preocupações legítimas e uma atitude ponderada. É positivo que paremos para pensar sobre o impacto das nossas escolhas – em nós e nas pessoas que amamos – mesmo quando nos sentimos seguros em relação aos sentimentos. Quando a angústia e a incerteza tomam conta de nós, impedindo-nos de fazer o que quer que seja, vale a pena considerar a hipótese de conversar com um psicólogo e, assim, reencontrar a paz.

OS FILHOS

Não vale a pena escamotear a realidade. O divórcio é duríssimo para os filhos. A maior parte das crianças e jovens sentem-se aterrorizados com a possibilidade de deixarem de ter a família unida e, mesmo que haja cordialidade entre os progenitores, é expectável que haja muita tristeza. Trata-se de uma perda, não há volta a dar. Isso está muito longe de significar que se trate de uma perda irreparável ou que o divórcio seja o pior que possa acontecer a um filho. Muitas vezes, esta decisão (difícil) é precisamente a escolha que melhor protege os interesses das crianças.

Refiro-me muitas vezes à importância de educarmos os nossos filhos com honestidade e isso também se aplica em relação aos sentimentos.



Aceitar os sentimentos dos filhos – tristeza, raiva, medo – é meio caminho para que corra tudo bem. É preciso dar tempo para que o luto seja feito, é preciso prestar muita atenção às dúvidas, às expectativas e às necessidades afetivas de cada filho. É preciso ter paciência e reconhecer que a realidade de um possa ser diferente da realidade do outro. E é preciso lembrar – com clareza e honestidade – porque é que os pais optaram por este caminho: para que cada um pudesse voltar a ser feliz.

As crianças tendem a ser mais resilientes do que nós, adultos, e, de uma maneira geral, adaptam-se bem às mudanças práticas associadas a um divórcio. Precisam, sobretudo, de colo, tempo, paz e de interiorizar a mensagem de que também elas deverão – sempre – fazer as escolhas que traduzam a sua verdade e que lhes permitam sentir-se em paz.

DINHEIRO

Se já é difícil fazer planos quando a família está intacta, é natural que haja medo em relação ao futuro perante a hipótese de um divórcio. Na verdade, é exatamente por este motivo que muitas pessoas adiam a decisão – não tanto por terem dúvidas sobre como vai ser mas por não terem meios que garantam a sua subsistência. A experiência mostra-me que, de uma maneira geral, quando duas pessoas se mantêm casadas apenas por dificuldades financeiras a comunicação tende a deteriorar-se e o divórcio é normalmente mais tenso.

Quando há filhos é ainda mais importante que se façam todos os esforços para evitar a escalada de agressividade.



Para muitas pessoas o divórcio implica voltar a contar com a ajuda financeira dos pais – pelo menos, durante algum tempo – e isso é gerador de tristeza. Não é fácil lidar com este retrocesso. De novo, é possível voltar a sentir paz na medida em que cada pessoa aceite a sua realidade tal como ela é e se concentre naquilo que pode fazer para alterar o que lhe desagrada.

Na maior parte dos casos, o divórcio implica passar a fazer uma gestão mais apertada do dinheiro e abdicar, pelo menos temporariamente, de alguns sonhos. A maior parte das pessoas acabam por reestruturar-se também deste ponto de vista – às vezes é preciso trabalhar (ainda) mais, fazer cortes e refazer planos para reencontrar a paz.

NOVA RELAÇÃO

Há quem decida divorciar-se precisamente por se ter apaixonado por outra pessoa. Quando isso acontece, nem sempre é fácil lidar com a tensão associada – o ex que é apanhado de surpresa e que pode fazer tudo para pressionar o novo casal, os filhos que podem não aceitar o(a) namorado(a) novo(a) e ainda a família alargada que pode ter dificuldade em aceitar a decisão. Na prática, há muitas relações que não resistem à pressão mas quando o amor supera estas barreiras iniciais, tende a dar lugar a uma relação mais sólida.

Para muitas pessoas, o divórcio – mesmo que tenha acontecido por iniciativa sua – implica a incerteza de voltar a amar e o medo de voltar a investir numa relação de compromisso. É legítimo que haja desânimo e dúvidas. O divórcio é, acima de tudo, o fim de um conjunto de sonhos e pode ser gerador de um olhar mais pessimista em relação ao amor.



Há quem sinta muita dificuldade em lidar com a solidão e se precipite em relações claramente sem futuro. É preciso parar para prestar atenção aos próprios sentimentos e evitar o desgaste destas situações. Aceitar a própria tristeza não significa resignar-se. Implica olhar para a própria realidade de forma honesta, ter paciência e focar-se no essencial para evitar escolhas impulsivas.

O divórcio também implica quase sempre voltar a ter tempo e disponibilidade emocional para investir em atividades geradoras de bem-estar. Alimentar o amor-próprio, relaxar, sair e divertir-se aproximá-lo(a)-á das pessoas certas.

A FAMÍLIA E OS AMIGOS

Uma das coisas mais difíceis de gerir durante um divórcio diz respeito ao luto que a família alargada também tem de fazer. Quando duas pessoas se separam, é natural e legítimo que se foquem no seu próprio sofrimento e que procurem o amparo dos familiares.



É preciso aceitar estes sentimentos, dar tempo e tentar sempre manifestar os próprios sentimentos sem atacar nem desrespeitar. De uma maneira geral, a família acaba por aceitar a decisão e os laços voltam a estreitar-se.

Os amigos também podem ter dificuldade em lidar com a separação e com os conflitos de lealdade. Para algumas pessoas, apoiar um dos membros do casal (normalmente o amigo mais antigo) implica cortar laços com o outro. Isso tem mais a ver com a necessidade de mostrar de forma clara o apoio em relação à amizade mais longa e tem menos a ver com qualquer animosidade. Mas o afastamento destas pessoas é quase sempre gerador de tristeza e desamparo. Como em relação a quase tudo na vida, é preciso aceitar estes sentimentos e manter o foco. Evitar o isolamento, sair com outras pessoas, praticar desporto e/ou outras atividades que permitam descontrair e conhecer pessoas novas é meio caminho para elevar os níveis de bem-estar.

Passar por um divórcio também implica reconhecer as pessoas que merecem estar ao seu lado. Aquelas que estão “lá” nos momentos mais difíceis são certamente as pessoas que vai querer ao seu lado quando voltar a ser altura de celebrar.
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