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28.11.19

CONTINUAR A SER FAMÍLIA DEPOIS DO DIVÓRCIO N’A TARDE É SUA


Que privilégio foi poder apresentar o meu livro n’A Tarde é sua, com a minha querida Fátima Lopes e esta família EXEMPLAR. Sabiam que o prefácio deste livro foi escrito pela Fátima Lopes? E a honra que senti ao ouvi-la dizer – primeiro em privado e depois na TV – que este livro deveria ser “obrigatório” para todas as pessoas em processo de separação?

Esta conversa com a Tânia, o Gabriel, O Afonso e o Miguel é a prova viva de que, mesmo quando um casamento se esgota, é possível fazer escolhas de que nos orgulhemos e que permitam que uma família continue a ser uma família, apesar do divórcio. Parabéns Tânia e Gabriel!



20.11.19

GERIR AS EMOÇÕES DEPOIS DE UMA TRAIÇÃO


Emoções depois de uma traição

Como é que um casal pode recuperar de uma infidelidade? Que passos é preciso dar para reconstruir a relação? Como é que se gere o turbilhão de emoções que estão associadas a uma traição?


Trabalho quase todos os dias com casais que estão a tentar reconstruir a relação depois da revelação da traição. Na maioria das vezes, são pessoas que estão em grande sofrimento, mesmo quando a situação já aconteceu há alguns meses. Assumiram que, apesar do que aconteceu, têm a intenção de continuar juntos, mas o dia-a-dia acaba por ser (ainda) mais difícil do que esperavam e acabam invariavelmente por dar por si em círculos viciosos.

Hoje escrevo sobre os passos que devem ser dados por quem tenha genuinamente a intenção de salvar a relação depois de uma infidelidade.




Salvar a relação depois da infidelidade


Não há volta a dar: só há confiança na medida em que sintamos de forma clara, inequívoca, que a pessoa que está ao nosso lado se preocupa genuinamente connosco, com os nossos sentimentos. Quando a confiança é quebrada na sequência de uma traição, é essencial que a pessoa que traiu seja capaz de mostrar o seu arrependimento genuíno e assuma uma postura paciente – e não defensiva – em relação ao(à) companheiro(a).

Quando alguém descobre que a pessoa que ama foi infiel, é como se toda a realidade se desmoronasse.


De repente, a pessoa dá por si a colocar tudo em causa, inclusive os valores morais do(a) companheiro(a): «Quem é esta pessoa que está ao meu lado? Quais são os seus valores?».



Se, de alguma maneira, a pessoa que traiu tentar
atirar a responsabilidade para cima da outra com
frases como «Foste tu que me abandonaste», «Tu
não me davas atenção» ou «A culpa também é tua»,
é menos provável que o casal consiga conectar-se
e salvar a relação.



Na prática, e mesmo quando há claramente amor entre duas pessoas, a infidelidade traz uma grande ambivalência. Por um lado, a pessoa que foi traída ama o(a) companheiro(a) e tem vontade que ele(a) o(a) abrace, que esteja ali bem perto e, por outro, há alturas em que a única coisa que deseja é que ele(a) se afaste. É normal e é muito importante que a pessoa que traiu consiga ter paciência para estas mudanças de humor, que são mais uma consequência do trauma vivido.

Passos para salvar a relação depois da traição


#1: Assumir a responsabilidade

A honestidade é essencial para que a pessoa traída possa escolher perdoar e reconstruir a relação. É evidente que não é fácil falar sobre o que aconteceu, muito menos dar resposta a todas as perguntas que a pessoa traída tem normalmente para fazer. Às vezes pode ser mesmo muito cansativo. Afinal, a pessoa que traiu está arrependida, sente-se culpada e envergonhada pelo próprio comportamento e só quer seguir em frente sem voltar a falar no assunto. Mas a minha experiência (e a literatura nesta área) mostra-me que é muito mais fácil reconstruir a relação quando a pessoa que traiu está genuinamente disponível para esclarecer todas as dúvidas – quando é que a relação começou, como é que terminou, quantos encontros houve, do que é que costumavam falar, etc. Há uma exceção: não há nada de positivo em partilhar detalhes sobre a intimidade sexual. Mesmo que haja muita curiosidade em relação ao assunto, esta partilha vai certamente acicatar a ferida e atrasar o restabelecimento da confiança.

#2: Transparência

O restabelecimento da confiança não depende apenas do esclarecimento de dúvidas em relação ao passado. É fundamental que haja um compromisso em relação à transparência no presente (e no futuro).

Os compromissos devem ser construídos a dois e, durante algum tempo, é natural que a pessoa traída necessite de “provas” de que o(a) companheiro(a) está a dizer a verdade.



Isso pode passar por mostrar mensagens no telemóvel ou colocar algumas conversas em alta voz. Não é desejável que a partir daqui haja qualquer tipo de subjugação por parte da pessoa que traiu. A infidelidade não dá o direito à pessoa traída de passar a controlar a vida do(a) companheiro(a). Mas, numa fase inicial é mesmo muito importante que os membros do casal conversem sobre aquilo que pode ser feito para que a pessoa traída se sinta segura de que a outra está a dizer a verdade.

As coisas tornam-se quase sempre mais complicadas quando a infidelidade acontece entre colegas de trabalho e o contacto com a terceira pessoa continua a existir. Não há regras universais que sirvam para todos os casais. Aquilo que importa é que haja abertura para que o casal converse sobre aquilo que um pode fazer para devolver a segurança ao outro (sem desrespeitar os próprios sentimentos e as próprias necessidades).

Quando colocamos a pergunta «O que é que é mais importante para mim AGORA?» é mais provável que o caminho se torne claro e que saibamos aquilo que podemos fazer para salvar a relação.


#3: Entender o que aconteceu

É importante que os membros do casal conversem sobre o que aconteceu à relação antes da infidelidade – sem que esta reflexão implique, em circunstância nenhuma, responsabilizar a pessoa traída pelo ato da traição.



Como estava a relação?
Como é que cada um se sentia até ali?
Como é que as necessidades de cada um estavam
a ser manifestadas?
O que é que permitiu que a pessoa que traiu
deixasse de contar com o(a) companheiro(a) para
dar resposta às suas necessidades?
O que é que abriu espaço para a sedução?




Esta reflexão, que normalmente leva tempo a ser feita, é essencial para ambos possam implementar as mudanças que imunizem a relação em relação à ocorrência de novas traições.


#4: Definir a intenção para a relação

Às vezes, a pessoa traída tem tanta “pressa” em salvar a relação que se esquece de prestar atenção às intenções do(a) companheiro(a), àquilo que o(a) leva a estar de volta. Fá-lo-á pelas razões certas? Por se sentir pressionado(a) ou envergonhado(a)? Por medo de perder a família?

Mais do que prestar atenção ao que a outra pessoa diz ou faz, é importante prestar atenção ao que ela não diz.


Se a pessoa que traiu não for capaz de dizer coisas como «Eu amo-te», «É de ti que eu gosto» ou «É contigo que eu quero ficar», é menos provável que a confiança seja reconstruída e que a relação perdure.


#5: Começar a perdoar

Quando os membros do casal são capazes de conversar abertamente sobre o que aconteceu, sobre os seus sentimentos e sobre as suas intenções em relação à relação, é mais provável que a pessoa traída se sinta pronta para voltar a investir na relação. Mas isso não significa que a partir daí tudo corra maravilhosamente. É muito provável que haja avanços e recuos, que haja alguns equívocos de comunicação, algumas explosões e vários momentos de desconexão. Aquilo que importa é que ambos mantenham o compromisso de voltar aos episódios geradores de tensão com a genuína intenção de falar com abertura sobre o que cada um sente e aquilo de que cada um precisa.

15.11.19

9 SINAIS DE QUE É CARENTE NO AMOR


Carente no Amor

É daquelas pessoas que explodem ou amuam quando o(a) companheiro(a) fala com alguém do sexo preferencial? Envia demasiadas mensagens por dia à pessoa de quem gosta? O batimento do seu coração acelera quando verifica que ele(a) está online nas redes sociais e pode estar a falar com outras pessoas? No artigo de hoje falo sobre 9 sinais que mostram como se comportam as pessoas que são carentes no amor.

Aqui estão 9 sinais de que você é muito carente na sua relação.





1. PERDA DE IDENTIDADE

Quando começa um relacionamento, é natural que queira passar todo o seu tempo com a pessoa de quem gosta, mas, à medida que a relação vai evoluindo, é desejável que cada um volte a ter tempo para os seus projetos individuais, os seus hobbies e, claro, para estar – também individualmente – com outras pessoas.

Se você é daquelas pessoas que passa todo o tempo a tentar agradar a pessoa que ama, está SEMPRE de acordo com tudo o que ele(a) pensa e só quer estar perto dele(a), é natural que comece a perder a sua identidade. Se der por si a achar que, caso se separasse, você não sabe exatamente quem você é, é provável que seja uma pessoa carente em relação ao amor.


2. REAÇÕES DESPROPORCIONAIS FREQUENTES

É normal que os casais discutam de vez em quando, mas não é normal que haja reações explosivas por causa de assuntos insignificantes.

Se o facto de o seu companheiro conversar com alguém do sexo oposto (ou sexo preferencial) o levar a fazer uma série de acusações, talvez seja bom repensar a forma como está na relação.


3. DEMASIADAS MENSAGENS

É ótimo podermos contar tudo à pessoa que amamos. É positivo que utilizemos o Whatsapp, o e-mail ou qualquer outra plataforma para mostramos o nosso apoio, o nosso incentivo ou o nosso desejo. Esta é uma forma de dizer «Tu és importante para mim».

Preste atenção ao que acontece em resposta às suas mensagens.

Se não houver reciprocidade ou se a pessoa de quem gosta não mostrar de forma clara que se sente agradada ou confortável com o número de mensagens que você envia, é provável que haja problemas.



4. CIÚMES EXCESSIVOS

O ciúme também pode ser saudável. O alarme que surge quando observamos a admiração que outras pessoas sentem pelo nosso companheiro é uma forma de nos lembrarmos que ele(a) é importante para nós e não está garantido. Mas os ciúmes não podem funcionar como um catalisador para exercícios de controlo sobre o outro.


5. NUNCA HÁ SAUDADES

Só há uma maneira de nunca sentir saudades: é estar sempre ao lado da pessoa de quem gosta. Se os amigos forem os mesmos e não houver um único momento em que cada um esteja a fazer “as suas coisas”, é provável que a relação seja uma fonte de asfixia para um dos membros do casal.

Ter os seus próprios hobbies e amizades que lhe tragam alegria e conexão ajudá-lo-á a ser menos carente no seu relacionamento.


6. CONTROLO NAS REDES SOCIAIS

A carência no amor traz quase sempre muita ansiedade associada aos pensamentos sobre o que seu companheiro está a fazer quando está longe de si.


E isso pode servir de desculpa para que você passe a “perseguir” a pessoa que ama nas redes sociais. Você gostaria de ter as passwords dele(a), presta muita atenção a todos os “gostos” e a todos os comentários e mede o tempo que ele(a) passa online. Estes comportamentos são tóxicos para a relação.


7. ACELERAR DECISÕES

Ser carente é frequentemente um sinal de baixa autoestima. Quando alguém se sente inseguro, rapidamente se apega ao parceiro. Isso muitas vezes leva a que a pessoa tome decisões importantes ao fim de pouco tempo. Por exemplo, algumas pessoas decidem viver juntas ou ter filhos ao fim de poucas semanas.

Se as coisas estão a acontecer mais rápido do que o normal na sua relação, isso pode ser um sinal de que você é muito carente.


8. NECESSIDADE CONSTANTE DE SEGURANÇA

Se é daquelas pessoas que estão constantemente a dizer coisas como «Eu sou tão gorda» ou «Eu sou tão desinteressante» e o seu companheiro vai respondendo «Não digas isso. Tu és lindo(a)», mas, mesmo assim, você repete a “dose”, como se nunca acreditasse nos elogios, é porque a carência faz parte da sua forma de estar na relação.

Mas a verdade é que esta necessidade constante de segurança pode ser desgastante e prejudicial à sua relação.


9. VAZIO QUANDO NÃO ESTÃO JUNTOS

É normal sentir falta do seu parceiro se ele passar o fim de semana fora. Mas cair numa tristeza profunda ou numa crise de ansiedade só de pensar que vai estar longe da pessoa que ama durante algum tempo não é saudável. Este é definitivamente um sinal de que você é muito carente na sua relação.

Você precisa de começar a identificar as suas necessidades individuais e trabalhar para que haja uma vida para além da relação. Paradoxalmente, isso vai fortalecer o seu amor.

14.11.19

MOTIVOS POR DETRÁS DE UM DIVÓRCIO


Motivos por detrás de um divórcio

Quais são as causas da maioria dos divórcios?


Tal como explico no meu mais recente livro, “Continuar a Ser Família Depois do Divórcio”, nem todas as pessoas conseguem explicar de forma clara e simples porque é que se divorciaram. E, mesmo que o façam, não significa que a sua versão dos acontecimentos corresponda ao quadro completo.

Mesmo quando há situações concretas, como uma relação extraconjugal, dificuldade em ultrapassar um acontecimento específico como a infertilidade, problemas de relacionamento com a sogra, dificuldades financeiras ou diminuição do desejo sexual, existem sempre pelo menos duas perspetivas. A realidade é sempre mais complexa do que parece e nem sempre é fácil identificar as necessidades que foram ficando por preencher. De resto, e ao contrário do que acontecia há alguns anos, já não são só os casais infelizes que se divorciam. Hoje divorciamo-nos para sermos MAIS felizes. Vivemos em busca de mais e melhor e, quando nos damos conta de que podemos ser mais felizes do que somos na relação em que estamos, arriscamos. Isso também está relacionado com a mudança de paradigma em relação às relações de compromisso. Os nossos antepassados casavam e, muitas vezes, nem sequer havia amor romântico envolvido. Depois passámos a casar por amor com a convicção de que seria para a vida toda. E atualmente comprometemo-nos enquanto continuarmos a sentir-nos suficientemente vivos e entusiasmados naquela relação.

Vivemos num período em que somos tremendamente livres para amar, para escolher e para romper e, simultaneamente, é-nos cada vez mais difícil cumprir o sonho de viver um amor para a vida toda.

De resto, os motivos por detrás de uma separação são aproximadamente os mesmos dos que podem estar por detrás de uma infidelidade e estão relacionados com as necessidades que vão ficando por preencher – quer reparemos nelas, quer não.

DIVÓRCIO: AS CAUSAS




Desconexão emocional

Algumas pessoas nem se apercebem de que vivem em piloto automático: acordam, trabalham, cuidam dos filhos, cumprem as suas obrigações e vão deixando a relação conjugal para segundo plano. Não é que não queiram namorar. Querem e muitas vezes até se esforçam para criar momentos especiais. O que acontece é que esses momentos são demasiado raros para que possam ser chamados de rituais. E todas as relações precisam de rituais, aqueles momentos que são tão bons que escolhemos repeti-los vezes sem conta.

Quase todos os casais começam por ter estes rituais – é praticamente instintivo. Mas quando nos vamos distraindo e deixamos de prestar atenção ao que o outro tem para dizer, quando preferimos ver um episódio da nossa série preferida em vez de contrariarmos o cansaço e inventarmos tempo para namorar, quando inundamos a pessoa que escolhemos de críticas e obrigações e nos esquecemos de lhe perguntar, com genuína curiosidade, «Como foi o teu dia?», a distância emocional vai aumentando.

Quase todas as pessoas tentam contrariar a azáfama dos dias, tentam revelar-se, tentam fazer os seus apelos de forma clara. Mas é tão fácil ignorar estes apelos e nem dar por isso. Claro que quando são os nossos próprios apelos que são ignorados ou, pior do que isso, desvalorizados, é difícil esquecer a mágoa.

Muitos casais caem neste círculo vicioso: sentem-se cada vez menos escutados, cada vez menos amparados e, sem querer, vão-se voltando cada vez mais para fora da relação.


Como estas estratégias de sobrevivência são pontuadas pelas tentativas de cada um de obter a atenção do outro, a frustração e a sensação de que «não vale a pena» vão-se instalando.

Tenho trabalhado cada vez mais com pessoas que se separam após vinte ou mais anos de casamento. Em muitos destes casos, a desconexão não aconteceu de um dia para o outro. Foi acontecendo de forma gradual. E, muitas vezes, os membros do casal foram aprendendo a viver assim. Mas o facto de vivermos cada vez mais tempo, o facto de estarmos cada vez mais atentos ao nosso bem-estar e àquilo que nos faz felizes e o facto de, a partir de determinada idade, estarmos mais centrados em aproveitar o que quer que a vida tenha para nos oferecer e menos preocupados com o que os outros possam pensar, faz com que haja mais pessoas a escolher divorciar-se após décadas de casamento.

Afastamento físico

Quando observa um casal apaixonado, no que é que repara? Se prestar atenção, há quase sempre um elemento comum: aquelas duas pessoas tocam-se com frequência e mostram através dos gestos o quanto se desejam. Não há necessariamente uma conotação sexual nestas carícias, mas é difícil dissociá-las da paixão. A diminuição significativa destes gestos de afeto é um dos principais sinais de alarme, sobretudo em casais jovens. Sabemos que uma relação já teve melhores dias quando constatamos que aquelas duas pessoas raramente se tocam.

Para muitos casais, esta é a realidade: deixou de haver romantismo, deixou de haver desejo, deixou de haver gestos de afeto. Muitas vezes, a intimidade emocional está lá e até pode haver aquilo a que eu chamo de “familiaridade excessiva”, isto é, os membros do casal são tão próximos que deixou de haver espaço para o mistério e para a sedução. Algumas das pessoas com quem trabalho referem-se a esta questão dizendo que passaram a ter uma relação «de irmãos». Continua a haver carinho, mas deixou de existir romance. Nestes casos, o processo de separação é particularmente doloroso. Tenho conhecido muitas pessoas absolutamente destroçadas com a ideia de terminarem o seu casamento e, assim, causarem mágoa a alguém que tanto amam. Pode não haver amor romântico, mas muitas vezes continua a haver amor, ainda que não seja suficiente para que ambos consigam viver felizes naquela relação.

Aparecimento de uma terceira pessoa

Não sendo a maioria, há evidentemente casamentos que acabam devido ao aparecimento de uma terceira pessoa. Ainda assim, é-me difícil olhar para este acontecimento como uma causa, dissociando-o do que aconteceu à própria relação. Aquilo que quero dizer é que, de uma maneira geral, a relação com a terceira pessoa vem, sobretudo, chamar a atenção para as necessidades que foram ficando por preencher na relação oficial – mesmo que a pessoa que entretanto se apaixonou por outra não se tenha queixado. Por norma, há necessidades que vão ficando por preencher, mesmo que a própria pessoa as ignore. Quando surge alguém que olha para nós, que presta atenção àquilo que sentimos, que repara nos detalhes, que nos elogia de forma sincera, que nos incentiva a lutar pelos nossos sonhos e/ou que nos desafia, sentimo-nos especiais. Isto também pode acontecer quando estamos felizes na nossa relação. Mas, nesse caso, é mais provável que reflitamos sobre aquilo que é preciso fazer para que nos sintamos mais ligados, mais vivos e menos vulneráveis a uma traição.



Quando aparece alguém que nos faça sentir vivos,
que nos lembre como é bom sentirmo-nos
especiais aos olhos de alguém, é natural que o nosso
mundo abane. Se isso acontecer numa altura em que
a relação conjugal está desgastada – física e/ou
emocionalmente – a probabilidade de haver uma
relação extraconjugal aumenta substancialmente.



Problemas com a família alargada

Para alguns casais, as dificuldades de relacionamento com a família alargada estão na origem do distanciamento emocional que, mais tarde, acaba por dar origem ao divórcio.

Na maior parte dos casos a que tenho acedido, as dificuldades estão relacionadas com a interferência excessiva da família alargada e/ou com a dificuldade em estabelecer limites.

Quase todos os pais e mães têm a expectativa de continuar a fazer parte da vida dos filhos, mesmo depois de eles saírem de casa. E não há nada de errado nisso. Mas quando a relação entre pais e filhos parece ter mais força do que o compromisso conjugal, é mais provável que haja braços-de-ferro, conflitos e distanciamento emocional.

Problemas financeiros

Quando há um (ou mais) acidente(s) de percurso que nos obrigue(m) a repensar os nossos planos e que nos confronte(m) com dificuldades financeiras sérias, é muito fácil essa situação prejudicar a relação amorosa.

Não é só a falta de dinheiro. É, sobretudo, a dificuldade em lidar com a tristeza, a frustração, as oscilações de humor e as expectativas de cada um.

Tenho conhecido muitos casais que não resistiram ao embate provocado por dificuldades financeiras associadas às múltiplas reviravoltas que a vida pode trazer. Situações de desemprego, falência, burla, doença, endividamento são quase sempre desafios que colocam à prova a união de um casal.

Educação dos filhos



Mais cedo ou mais tarde, todos os pais e mães se dão conta de que ter um filho é ter alguém que depende de nós em termos de saúde, bem-estar, segurança, estabilidade emocional e um número infindável de outras questões. Conjugar o amor incondicional que sentimos com o medo de alguma coisa não correr bem é dos maiores desafios que podem surgir na vida. Para algumas pessoas, os primeiros anos são particularmente stressantes – não apenas porque se sentem mais cansadas, mas sobretudo porque estão em processo de adaptação a todas as responsabilidades que estão associadas ao papel parental. Quando um dos membros do casal dedica mais tempo do que o outro à educação dos filhos, é natural que haja alguma desconexão. De repente, tudo o que é superficial, acessório, imaturo ou irresponsável é alvo de rejeição em nome da segurança que se quer proporcionar aos filhos. Como estas mudanças não acontecem sempre ao mesmo tempo para os dois membros do casal, é fácil adivinhar as dificuldades de comunicação e a sensação de desunião.

Relações abusivas

No meu trabalho como psicóloga tenho conhecido muitas pessoas, maioritariamente mulheres, que viveram durante anos relações aparentemente saudáveis, algumas teoricamente quase perfeitas e que, na intimidade, foram muito maltratadas. Nalguns casos, mesmo depois da separação, a pessoa que foi vítima de violência emocional continua a questionar-se sobre o seu comportamento, sobre os erros que cometeu e/ou sobre aquilo que poderia ter feito para salvar a relação.

Costumo dizer que, numa relação abusiva, coexistem duas realidades: aquela em que a pessoa vítima de abusos vive e que acredita ser partilhada pelo companheiro, e aquela que vai sendo construída na cabeça da pessoa que pratica os abusos. No início de qualquer relação, sentimo-nos especiais, sentimo-nos desejados e vivemos com a profunda convicção de que a pessoa que está ao nosso lado quer ver-nos felizes. Isto também acontece nas relações abusivas. Mas entre aquilo que é dito e aquilo que é feito há uma diferença substancial.



De uma maneira geral, as pessoas que são física
ou emocionalmente violentas constroem uma
espécie de guião, como num filme, e olham para
pessoa que está ao seu lado como uma personagem
que deve ser capaz de se comportar de acordo
com as suas expectativas.



Quando isso não acontece, porque cada pessoa tem vontade própria, interesses próprios, sentimentos próprios, há ameaças mais ou menos subtis, chantagem emocional, humilhações, sabotagem e outros exercícios de manipulação. Vale tudo para impor a própria vontade e fazer com que a outra pessoa se subjugue, se anule, se sinta culpada e obrigada a fazer as escolhas “certas”. Como nada disto acontece de forma clara e até, pelo contrário, vão surgindo períodos de lua-de-mel e muitos comentários manipuladores – «É para o teu bem», «Se tu gostasses mesmo de mim…», «És demasiado sensível…» –, a pessoa que é vítima de abusos emocionais nem sempre é capaz de reconhecer a realidade em que está envolvida.

7.11.19

COMO APOIAR O(A) COMPANHEIRO(A) NUM MOMENTO DIFÍCIL


Como apoiar o(a) companheiro(a) num momento difícil


Quando a pessoa que amamos está a passar por alguma dificuldade, o que é que deve ser feito? O que é que podemos fazer para a ajudar? E o que é que não devemos mesmo fazer?


Há uma coisa que todos os casais felizes têm em comum e que faz com que os níveis de confiança e de intimidade disparem. Claro que as relações felizes dependem de várias competências – não é só uma coisa. As pessoas que se sentem felizes no relacionamento prestam atenção aos sentimentos do(a) companheiro(a), esforçam-se para se manterem unidos e procuram resolver os conflitos de forma saudável. Mas há uma competência que por vezes não é tão óbvia e que faz toda a diferença em momentos de dificuldade.





AJUDAR O(A) COMPANHEIRO(A) NUM MOMENTO DIFÍCIL:
O QUE NÃO FAZER

Há quem pense que o sucesso de uma relação depende de muito trabalho, muito esforço, mas a verdade é que hoje sabemos que uma das formas mais eficazes de fortalecer uma relação tem a ver com algo que NÃO devemos fazer quando a pessoa que amamos está a passar por um momento difícil:

DAR CONSELHOS

É verdade!

É fundamental que aprendamos a apoiar a pessoa de quem gostamos sem nos apressarmos a dar sugestões para resolver o problema em causa ou a dizer o que é que ele(a) deve fazer.


Quando o(a) nosso(a) companheiro(a) partilha algo que está a mexer com ele(a), que é intenso do ponto de vista emocional, o que é que nós podemos fazer?

Em primeiro lugar, é fundamental que não façamos NADA. Basta que o(a) ouçamos com muita atenção. O silêncio, nestas alturas, é valioso.

O PODER DO SILÊNCIO

Nem sempre é fácil lidar com as emoções da pessoa de quem gostamos. Quando ele(a) mostra preocupação, tristeza, raiva ou ansiedade, é tentador partilharmos os nossos conselhos e sugestões. Depois surpreendemo-nos com a fúria dele(a) e pensamos «Qual é o teu problema? Só estava a tentar ajudar…».

Algumas pessoas têm muita dificuldade em ficar apenas a ouvir e apressam-se a oferecer soluções. Outras sofrem tanto com as dores do outro que acabam por lidar com o assunto como se o problema fosse seu. De uma maneira geral, nenhum destes caminhos funciona. Aquilo que funciona é mostrar que quer mesmo saber como pode ajudar: «O que é que eu posso fazer para ajudar?».


AJUDAR O(A) COMPANHEIRO(A) NUM MOMENTO DIFÍCIL:
COLOCAR PERGUNTAS


Depois de escutarmos com atenção o que a outra pessoa tem para dizer, as perguntas podem ajudar-nos a perceber melhor o que ele(a) está a sentir e aquilo de que precisa.

«O que é que te preocupa?»
«Então, estás a dizer que tens medo que…?»
«Deixa-me ver se percebi: estás aborrecido(a) com…?»

Quase todas as perguntas são válidas, sobretudo se traduzirem genuíno interesse, mas há perguntas mais eficazes do que outras. Mais do que tentar saber «Porquê?» é importante tentar conhecer os detalhes que nos ajudem a colocar-nos na posição da pessoa que amamos («Quando? Como? Quem?»).

Os conselhos e as sugestões podem ser dados, mas apenas se forem solicitados.

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