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22.2.16

QUAIS SÃO AS QUEIXAS DOS HOMENS NUMA RELAÇÃO?


A Revista Máxima convidou-me para comentar uma lista de queixas dos homens portugueses em relação às mulheres/ à relação conjugal.

FALTA DE TEMPO PARA O SEXO OU PARA A RELAÇÃO E ENTRADA NA ROTINA - «É TUDO MECÂNICO».

As rotinas são, na verdade, essenciais para a esmagadora maioria dos casais, sobretudo depois do nascimento dos filhos. Não devem é ser confundidas com monotonia. A existência de rotinas implica que haja planeamento e, na maioria dos casos, evitam o stress. Permitem que saibamos com o que é que podemos contar e que não percamos o fio à meada no que toca às nossas responsabilidades. Aos membros do casal também compete assumirem a importância do namoro na relação.


Isso pode incluir alguma “ginástica” mas implica sobretudo tratar os momentos a dois como importantes no meio da lista de todos os afazeres. Exemplos:

- Criar rituais de relaxamento diários – 15 ou 20 minutos de conversas diárias permitem que os membros do casal continuem a prestar atenção ao que “mexe” com cada um;

- Criar o hábito de sair a dois todas as semanas – sair sem os filhos e tentar fazer programas novos traz vigor a qualquer relação. Não “vale” substituir este compromisso por programas familiares que incluam os filhos.

ELA SÓ LIGA AOS FILHOS/TRABALHO/AMIGAS/ETC.

De um modo geral, as mulheres tendem a virar-se para outras relações afetivas ou profissionais na medida em que não se sintam escutadas/ compreendidas na relação. A maior parte das mulheres gosta/ precisa de falar sobre o seu dia de forma detalhada. A maior parte dos homens não tem este hábito e a partilha tende a ser monossilábica (“O teu dia correu bem?” – “Sim”/ “Não”). Para quebrar estes ciclos viciosos é preciso que ambos reconheçam a importância de conversar diariamente sobre o mundo de cada um obedecendo a algumas regras:

- Estas conversas devem acontecer no final do dia e a duração é em média de 20/ 30 minutos. Ninguém dispõe de muito mais tempo do que isto nem é desejável que a pessoa que está ao nosso lado seja o nosso “saco de pancada”.

- É fundamental que ambos saibam ouvir e dar colo antes de dar sermões/ ralhetes.

- Nestas conversas é fundamental fomentar um clima de união e companheirismo. Isso é mais fácil se houver interesse genuíno, se ambos colocarem perguntas e se evitarem os juízos de valor.

- Desviar o olhar do telemóvel, do PC e da televisão é essencial para que ambos se sintam realmente acolhidos.

- Nem sempre é fácil expressar solidariedade mas aquilo de que cada um precisa é de sentir que as suas emoções são validadas e que a pessoa que está ali ao lado está verdadeiramente empenhada em mostrar o seu afeto.

GOSTAVAM QUE A MULHER OS MIMASSE MAIS.

Quando a rotina se instala é fácil esquecermo-nos de mimar a pessoa que está ao nosso lado. Não é mesmo nada agradável chegar a casa e levar com um conjunto de queixas/ acusações/ ataques. Perguntar “Trouxeste aquilo que te pedi esta manhã?” ainda antes de um beijinho ou de um abraço é o mesmo que tomar a outra pessoa como garantida. A falta de tempo é uma desculpa que podemos dar a nós mesmos mas que de nada nos serve.


Uma festinha no rosto da pessoa que amamos mostra carinho, atenção e disponibilidade.

TUDO GIRA À VOLTA DOS PROBLEMAS FAMILIARES OU DAS TAREFAS DOMÉSTICAS.

A maior parte das conversas conjugais versam sobre questões triviais como as tarefas domésticas, as listas de supermercado ou os problemas com os filhos. Aquilo que permite que um casal se sinta em sintonia e com vontade de conversar sobre outros tópicos é precisamente a atenção que cada um é capaz de investir nos assuntos mais pequeninos. Quando, no meio do supermercado, há um que pergunta se ainda há arroz lá em casa e o outro responde “Não sei, mas, pelo sim, pelo não, vou ali buscar dois pacotes”, aquilo que está a fazer é a dizer, de forma indireta, “Quando tu me chamas, eu viro-me para ti e dou importância ao que tu dizes”. Encolher os ombros e virar o olhar para o outro lado equivale a dizer “Quero lá saber…”. Precisamos de nos sentir amparados, escutados na maior parte do tempo. É essa atenção e disponibilidade que permitem que nos sintamos ligados e que escolhamos sair da nossa zona de conforto para agradar à pessoa amada.

ELA TOMA TODAS AS DECISÕES EM CASA (O QUE COMEM, COMO DECORAM A CASA, QUAL A MELHOR ALTURA PARA TER FILHOS, ETC.).

Há uma ideia preconcebida de que os membros do casal devem participar equitativamente em todas as decisões mas isso não corresponde sempre à verdade. Aquilo que é verdadeiramente importante é que cada um se sinta escutado e que, em relação ao que é importante, a opinião de ambos seja considerada. Um homem pode até gostar da ideia de a sua mulher ser responsável por toda a decoração da casa, desde que as escolhas dela reflitam o conhecimento que ela tem sobre os gostos dele. Para alguns casais, faz mais sentido que seja o marido a tratar das compras de supermercado e da confeção das refeições enquanto que noutros casos o que resulta é que seja ela a cozinhar e ele a tratar da loiça. A implementação destas rotinas pode levar algum tempo e também deve refletir aquilo para o qual cada um tem maior habilidade. Já em relação a decisões tão estruturantes como a compra de uma casa ou a vinda de um filho aquilo que é crucial é que cada um possa falar abertamente sobre como se sente. Muitas vezes a posição de um assemelha-se mais a uma imposição porque não há conversas francas sobre os medos que estão por detrás disso.

PARA ELA NUNCA NADA ESTÁ BEM FEITO, NUNCA NADA É SUFICIENTE PARA A AGRADAR.

As mulheres são, de um modo geral, mais atentas aos pormenores e também mais críticas. Sem se aperceberem, podem cair no erro do hipercriticismo. Achando que estão “apenas” a chamar a atenção para aspetos importantes da relação, podem estar a inundar o companheiro com críticas que permitem que se sinta desmoralizado e sem valor. É fundamental que saibamos:

- Dosear as críticas. Por cada crítica/ chamada de atenção, devem existir, pelo menos, 5 interações positivas (elogios, gestos de afeto, atenção, interesse genuíno).

- Criticar o comportamento e não a pessoa.


- Relevar. Nenhuma relação sobrevive se não soubermos relevar alguns comportamentos. Mesmo que queiramos fazer tudo bem, vamos falhar e precisamos que a pessoa de quem gostamos aceite algumas dessas falhas sem se queixar.

TEREM DESEJOS SEXUAIS INCOMPATÍVEIS (UM DOS PARCEIROS QUER TER SEXO COM MAIS FREQUÊNCIA QUE O OUTRO E DE UMA FORMA MAIS ERÓTICA, POR EXEMPLO).

Esta queixa está quase sempre associada a outras dificuldades de comunicação e a uma diferença de género. Quando tudo corre mal e a relação deixa de estar segura, os homens tendem a atribuir ainda maior importância ao sexo, como se essa fosse a grande prova de amor que os faz sentir seguros, e as mulheres, pelo contrário, sentem muito mais dificuldade em entregar-se de um ponto de vista sexual quando não se sentem seguras emocionalmente.

O sexo é uma área sensível da vida a dois. Quando uma pessoa diz ou faz qualquer coisa que magoe, agrida ou envergonhe o mais-que-tudo, é provável que ele(a) se retraia, que não se sinta capaz de investir como antes. E esse desinvestimento é particularmente evidente na vida sexual.


Não é que não o ame. Não é que não queira dar a volta aos problemas. É, sobretudo, uma forma de bloqueio. Aquilo que por norma a mulher ignora é que este afastamento é extremamente doloroso para o marido, que acaba por sentir-se rejeitado, só, desamparado.

Quanto mais abertamente um casal for capaz de conversar sobre sexo, maior tende a ser a sua satisfação (sexual e emocional). Isso implica que, sem juízos de valor, ambos estejam dispostos a querer saber o que é que agrada ao outro.

Depois, é fundamental aceitar que há períodos de maior proximidade e períodos de maior afastamento.

FALTA DE “SAFADEZA” (ELES QUEREM UMA ATITUDE MAIS DESAVERGONHADA POR PARTE DAS MULHERES). ELAS DEIXAM DE SE ESFORÇAR PARA PARECEREM SEXY E PARA APIMENTAR A RELAÇÃO.

O sexo, tal como a satisfação conjugal em geral, envolve entrega, criatividade e inovação. É muito fácil deixar que uma relação esmoreça quando se deixa de ter curiosidade em relação ao mais-que-tudo, quando deixamos de cuidar de nós e quando enveredamos pelo caminho do desmazelo. Ser “sexy” não é copiar as capas de revistas nem experimentar todas as posições do kamasutra. Mas pode implicar sair da zona de conforto, prestar atenção àquilo de que o outro gosta e às mudanças que vão acontecendo ao longo do tempo. Se não ouvimos as mesmas músicas ao fim de dez anos, porque haveríamos de querer sempre a mesma coisa do ponto de vista dos afetos? Experimentar, querer saber é não tomar o outro como garantido.

DEMASIADOS COMPLEXOS E INIBIÇÕES POR PARTE DA MULHER NA HORA DO SEXO (QUEREM FAZÊ-LO DE LUZES APAGADAS, ETC.).

Esta queixa está quase sempre relacionada com uma educação demasiado conservadora e/ou com alguns traumas. Ultrapassar estes constrangimentos implica, antes de mais, que ambos aceitem que o sexo é uma parte importante da vida a dois. Esta é mais uma área através da qual conseguimos dizer à pessoa amada “Gosto de ti. És importante para mim.”. Se houver problemas nesta área da conjugalidade eles devem ser encarados como quaisquer outros: com apoio, com carinho, com companheirismo e com seriedade. Não vale a pena fingir que não existem sob pena de, mais cedo ou mais tarde, eles tomarem outras proporções. Primeiro é preciso conversar abertamente sobre o que cada um sente e sobre aquilo de que cada um precisa. E, quando um não se sente capaz de dar aquilo de que o outro precisa, pode ser importante recorrer à ajuda especializada.

RITUAIS EXCESSIVOS DE “ACASALAMENTO” (JANTAR FORA, MENSAGENS, ETC.).


As mensagens trocadas ao longo do dia, os jantares fora e outros “mimos” são formas de expressar a importância que determinada pessoa tem na nossa vida. A maior parte das mulheres precisa de sentir que é importante para o marido, precisa de sentir esta atenção. Claro que se essa necessidade se transformar numa cobrança e/ou se implicar que a outra pessoa passe a ter inúmeros comportamentos que não façam parte da sua personalidade, estaremos a falar provavelmente de um problema. Numa relação feliz é fundamental que aceitemos que a pessoa que está ao nosso lado tem defeitos, não é perfeita e, sobretudo, que não é um príncipe cuja única missão na vida é fazer-nos felizes. Aceitar a pessoa de quem gostamos tal como ela é é meio caminho para uma relação de sucesso.

16.2.16

COMO ULTRAPASSAR A CRISE DOS 7 ANOS NO CASAMENTO (OU OUTRA QUALQUER)


“Ao fim de sete anos de casamento começaram os problemas: o sexo deixou de existir, o meu marido deixou de mostrar qualquer carinho por mim e os dias iam passando sem que eu me sentisse amada e muito menos desejada. As coisas foram andando e quando estávamos prestes a completar 10 anos de casamento o impensável aconteceu: envolvi-me com outra pessoa.”

Quantas vezes já ouviu falar da crise dos 7 anos de casamento? Por que será que há aparentemente tantas relações que ao fim deste tempo sofrem sérias ameaças (e muitas chegam mesmo a terminar)?

O motivo tem um nome: habituação. Nós habituamo-nos a todas as situações.


É por isso que tantas vezes ao fim de 5, 6 ou 7 anos de casamento as pessoas habituam-se uma à outra e começam a sentir que a relação se transformou numa coisa entediante. Em muitos desses casos esta habituação manifesta-se com desinteresse sexual, sensação de que já não se está apaixonado e/ou envolvimento com uma terceira pessoa. Infelizmente, as taxas de divórcio não mentem: muitas pessoas despertam para esta dura realidade quando pelo menos uma delas já está decidida a terminar a relação.

Este tipo de crise conjugal leva a que algumas pessoas julguem que a felicidade só pode ser encontrada fora do casamento – pelo menos, fora daquele casamento. Mas, de um modo geral, voltam a casar e, ao fim de algum tempo, o problema repete-se.

Apesar de tudo isto, há casais aparentemente mais fortes, mais resilientes, que se mostram capazes de enfrentar estes períodos de maior afastamento e desconexão e que conseguem dar a volta, recuperando a satisfação conjugal e a vontade de dar continuidade àquele projeto de vida. O que é que os distingue? Que estratégias podem ser seguidas por outros casais para que a crise dos 7 anos (ou qualquer outra) possa ser ultrapassada?

CONVERSAS DIÁRIAS

Antes de mais, e como já tenho referido noutros textos, é fundamental que os membros do casal possam reconhecer a importância de encontrar tempo – e disponibilidade emocional – para conversar todos os dias sobre aqueles assuntos mundanos, pequeninos, que fazem parte do dia-a-dia de cada um. Eu chamo-lhes as conversas diárias sobre o mundo de cada um. Os casais mais felizes – e que continuam a achar que o casamento vale a pena – são aqueles que se mostram capazes de, a um ritmo diário, prestar muita atenção ao que o outro diz, mesmo quando se trata de assuntos aparentemente insignificantes. Eles sabem que o que é aparentemente irrelevante para um pode ser muito significativo para o outro. E escolhem ouvir atentamente e responder com afeto. Muitas vezes brincam com as situações, desdramatizando-as. Noutras alturas assumem apenas a postura de ombro amigo. E noutras procuram ajudar a resolver o que houver para resolver. Constroem, a dois, a sensação de que um está sempre “lá” para o outro e de que a vida a dois é muito mais rica e interessante do que qualquer outra escolha.

AJUDAR A CONCRETIZAR SONHOS

Quando duas pessoas conversam frequentemente sobre aquilo que cada uma sente e pensa – seja a propósito das próprias condições de trabalho, do estado do país ou de uma promoção que nunca mais chega – é mais fácil que haja conexão e satisfação conjugal. Por outro lado, também se torna mais fácil que o casamento se transforme numa saborosa aventura a dois, em que um conhece suficientemente bem o outro e faz o que estiver ao seu alcance para o ajudar a concretizar os seus objetivos.


A IMPORTÂNCIA DO TOQUE

É impressionante como os gestos de afeto são “milagrosos” numa relação afetiva. O toque da pessoa que amamos é reconfortante, é uma fonte inesgotável de segurança. Não é só o toque durante a intimidade sexual – a manifestação regular dos afetos sob a forma de gestos espontâneos de carinho e interesse fazem com que tudo faça indiscutivelmente mais sentido a dois. Os casais mais satisfeitos com a sua relação são aqueles que não se esquecem de alimentar a relação desta forma – dentro e fora da cama, como escrevi AQUI.

A IMPORTÂNCIA DA NOVIDADE

Não há como escamotear a realidade: a novidade é excitante.


E nem sempre é fácil garantir essa sensação quando se está com a mesma pessoa há 10 ou 20 anos. É por isso que os casais mais felizes também são aqueles que reconhecem a importância de não cair na monotonia. Planear umas férias a dois em sítios diferentes do habitual, concretizar saídas sem filhos e até sem os amigos do costume para fazer algo pela primeira vez, planear momentos a dois ou até surpreender a pessoa de quem se gosta com gestos românticos são estratégias que podem ser ajudar – e muito – a construir uma relação duradoura.

SABER PERDOAR


Tenho-o referido muitas vezes: ninguém é perfeito e, para que uma relação dê certo, é fundamental que saibamos escolher o “pacote” de defeitos que somos capazes de tolerar. A pessoa de quem se gosta vai falhar, vai magoar-nos, vai fazer escolhas erradas. Tal como nós. E há alturas em que esses erros podem revelar-se dolorosos e difíceis de gerir. É preciso falar sobre os assuntos difíceis e é preciso saber perdoar. Não vale a pena querer ter sempre razão. Libertarmo-nos através do genuíno perdão é uma das formas de continuarmos a viver um amor que nos preencha.

11.2.16

MULHERES QUE AMAM DEMAIS


São mulheres que estão sistematicamente à procura do afeto de homens que as maltratam - física  e/ou psicologicamente. E quem são estes homens? Alguns são alcoólicos, dependentes de substâncias, explosivos, demasiado centrados em si mesmos, com aversão a ligações íntimas, incapazes de construir laços duradouros e/ou com uma série de outros problemas de personalidade.

Algumas mulheres pura e simplesmente parecem ligar-se com mais frequência a homens que JAMAIS  as farão felizes. Sentem-se infelizes, culpadas e muitas vezes deprimidas por lutarem - tantas vezes durante anos - pelo amor de alguém que não é capaz de mostrar que se preocupa com as suas necessidades, que não  é capaz de cuidar.

Apesar de em muitos destes casos os homens assumirem comportamentos claramente abusivos, apesar dos inúmeros episódios de rejeição e de humilhação,  apesar da ausência  física e/ou emocional (às vezes o companheiro desaparece por períodos mais ou menos prolongados), estas mulheres continuam a lutar pela relação (muitas vezes de forma obsessiva). 


A minha experiência clínica e os estudos feitos nesta área apontam quase sempre no mesmo sentido: É como se estas mulheres procurassem sempre o mesmo amor - aquele que não tiveram na infância. Trata-se muitas vezes de mulheres cujos progenitores – um ou ambos – se mostraram ausentes, indisponíveis do ponto de vista afetivo. Esta indisponibilidade pode dever-se a características de personalidade, alcoolismo, abuso de substâncias, comportamentos violentos ou outros problemas.

É como se em muitos destes casos a mulher, que enquanto criança não conseguiu conquistar o afeto do(s) progenitor(es), estivesse sistematicamente a tentar fazê-lo com parceiros amorosos que se mostrem igualmente indisponíveis para responder com afeto às suas necessidades. Não tendo sido bem-sucedidas na infância, repetem o padrão até à exaustão – tentando de novo, e de novo, e de novo…

Esta preocupação extrema em agradar, em fazer aquilo que, aos seus olhos, lhes permita conquistar o afeto do parceiro, leva-as quase sempre a olhar para a realidade de forma MUITO distorcida. Aliás, muitas vezes, elas mostram-se incapazes de reparar no que quer que seja para além do comportamento do parceiro. É como se tudo o resto fosse pouco importante – incluindo elas mesmas.

Paradoxalmente, estas são muitas vezes mulheres que rejeitam qualquer relacionamento com homens “bonzinhos”. Como se esses relacionamentos fossem entediantes, sem sal, pouco interessantes. Os homens que se mostram emocionalmente disponíveis e que são capazes de responder com afeto às suas necessidades são vistos como desinteressantes porque não se encaixam no padrão de relacionamento a que estas mulheres estão habituadas.

Porque é que isto acontece?

Esta espécie de “cegueira” é um mecanismo de defesa. Os pensamentos obsessivos são uma forma de a mulher evitar lidar com algo mais profundo e desagradável. O quê? Isso varia de mulher para mulher. Nalguns casos o problema está na dificuldade (da própria mulher) em lidar com a verdadeira intimidade emocional. Noutros há o medo de revelar coisas horríveis acerca de si mesma. Ou a sensação de que não é merecedora do amor de ninguém. Ou ainda o medo de ser controlada e dominada por um homem autoritário (normalmente representado pelo pai). Mas estes pensamentos obsessivos também podem camuflar sentimentos profundos de depressão, ansiedade ou desespero.


Com a ajuda da psicoterapia e com o reconhecimento do problema. Não basta pedir ajuda. É preciso – fundamental! – haver compromisso com o processo terapêutico, genuína vontade de romper com padrões de relacionamento destrutivos. A terapia costuma ser longa – precisamente porque há questões profundas a tratar – mas é um caminho frutuoso. Não basta que a mulher aceda a informação rigorosa sobre o seu problema. É preciso aprender a viver de forma diferente. Nem sempre é fácil arrancar as “palas” dos olhos destas mulheres e ajudá-las a olhar para a realidade como ela é. Mas é gratificante.

28.1.16

CRISE DA MEIA-IDADE – EXISTE MESMO? OU É UM MITO?


Já ouviu falar da crise da meia-idade? Conhece casos de pessoas que, por volta dos 40/50 anos, decidiram comprar um carro descapotável, mudar de emprego, ou de cidade, acabar com o casamento e surpreender toda a gente à sua volta? Até há bem pouco tempo os estudos sobre a felicidade indicavam que o ser humano teria uma propensão para se sentir menos feliz a meio da vida adulta e, em muitos casos, isso traduzir-se-ia numa crise, na vontade de mudar de vida.

Mas recentemente os investigadores da Universidade de Alberta, no Canadá, concluíram que a felicidade cresce gradualmente desde a adolescência até à meia-idade. A equipa seguiu dois grupos - um com idades entre os 18 e os 43 anos e outro com idades entre os 23 e os 37 - e ambos mostraram que a felicidade aumenta até aos 30 anos com um ligeiro abrandamento perto dos 43 num dos grupos avaliados.

Recentemente voltei ao programa AGORA NÓS, na RTP1, para falar sobre este tema.


A verdade é que há outros estudos que corroboram esta ideia.


Mais do que o QI, o fator que mais influenciou positivamente a felicidade dos homens foi a proximidade e a força dos relacionamentos que eles criavam ao longo da vida - com amigos, família, cônjuges. Isto significa que uma crise, como aquelas a que estão associados os comportamentos mais impulsivos e inesperados, pode surgir em qualquer fase da vida.

Então por que nos habituamos a ouvir falar de crise da meia-idade?



Quando isto acontece, é mais fácil tentar mudar de casa, de carro ou até de aparência. Para algumas pessoas, é difícil assumir que as escolhas que fizeram anos antes não preenchem as suas necessidades e pode levar algum tempo (e alguns disparates) até que consigam reconhecer e gerir as suas emoções.

18.1.16

O QUE É QUE NÃO DEVEMOS EXPOR NO FACEBOOK (SOBRE A NOSSA RELAÇÃO)?


Há limites para tudo. Se não nos passa pela cabeça entrar no café do nosso bairro e expor a nossa intimidade conjugal, por que o faremos no Facebook? É verdade que por detrás de um ecrã é muito mais fácil ignorar as consequências (negativas) de algumas partilhas mas o preço a pagar pela impulsividade de um momento pode ser demasiado caro.

O que é que NÃO devemos partilhar no Facebook?

POSTS CUTXI-CUTXI

Guarde as grandes declarações de amor para si e para o mais-que-tudo. No máximo, faz algum sentido que mostre todo o seu orgulho junto dos amigos e familiares mais próximos.


Pior do que isso: há uma probabilidade elevada de algumas destas pessoas considerarem que a sua partilha é mais “fogo de vista” do que outra coisa. E não se iluda: o número de “gostos” numa publicação nem sempre são reveladores de genuína empatia.

FOTOGRAFIAS QUE NÃO FAVOREÇAM O MAIS-QUE-TUDO OU SEM A SUA PERMISSÃO

Já experimentou a sensação de ser identificado/a numa fotografia e ficar escandalizado/a com a sua própria imagem? É o horror! É o descalabro! Como é que alguém pode colocar uma fotografia sua com uma imagem claramente desfavorecida sem a sua autorização? Talvez não haja leis que impeçam este tipo de acontecimentos mas este tipo de escolhas são, no mínimo, questionáveis. Pense MUITO bem antes de publicar qualquer fotografia da pessoa de quem gosta. Você pode ter a melhor intenção do mundo. Pode até achar que ele/a está fantástico/a naquela foto. MAS… nada substitui a autorização clara. Ter a certeza de que a outra pessoa está confortável com a ideia é meio caminho para evitar conflitos desnecessários. É uma questão de respeito.

INDIRETAS

(Quase) toda a gente já deu de caras com posts mais ou menos enigmáticos em que, apesar de não haver uma reclamação formal, fica patente o descontentamento de uma pessoa em relação ao mais-que-tudo. E não é agradável. Você não “precisa” de saber que a sua colega de trabalho teve um arrufo com o marido. É possível que não se importe de aceder a este tipo de mexericos mas de certeza que a pessoa visada ODEIA este tipo de exposição.


CRISES DE CIÚMES

Está a ver o que aconteceu recentemente com Ivete Sangalo? Você não quer que as pessoas à sua volta tenham pena de si ou sintam vergonha alheia. E o seu mais-que-tudo vai detestar a ideia de ser o bobo da corte do momento. É possível que você se sinta insatisfeito/a com um ou outro comportamento da pessoa que ama. Sentir ciúmes é normal e manifestá-los (em privado) é saudável. Mas… NADA justifica uma chamada de atenção em público. Este puxão de orelhas é só uma forma de você dizer ao mundo que você não foi capaz de se controlar.

FRAGMENTOS DE DISCUSSÕES

O que ele/a disse. Os disparates que fez. A sua raiva. Tudo isto deve MESMO ser vivido em privado. Depois de um momento de tensão, é natural que você se sinta vulnerável/ magoado/a/ indignado/a. E também é normal que precise de algum apoio. Apesar disso, NÃO busque a solidariedade através de uma plataforma tão pública como o Facebook.



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