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15.11.19

9 SINAIS DE QUE É CARENTE NO AMOR


Carente no Amor

É daquelas pessoas que explodem ou amuam quando o(a) companheiro(a) fala com alguém do sexo preferencial? Envia demasiadas mensagens por dia à pessoa de quem gosta? O batimento do seu coração acelera quando verifica que ele(a) está online nas redes sociais e pode estar a falar com outras pessoas? No artigo de hoje falo sobre 9 sinais que mostram como se comportam as pessoas que são carentes no amor.

Aqui estão 9 sinais de que você é muito carente na sua relação.





1. PERDA DE IDENTIDADE

Quando começa um relacionamento, é natural que queira passar todo o seu tempo com a pessoa de quem gosta, mas, à medida que a relação vai evoluindo, é desejável que cada um volte a ter tempo para os seus projetos individuais, os seus hobbies e, claro, para estar – também individualmente – com outras pessoas.

Se você é daquelas pessoas que passa todo o tempo a tentar agradar a pessoa que ama, está SEMPRE de acordo com tudo o que ele(a) pensa e só quer estar perto dele(a), é natural que comece a perder a sua identidade. Se der por si a achar que, caso se separasse, você não sabe exatamente quem você é, é provável que seja uma pessoa carente em relação ao amor.


2. REAÇÕES DESPROPORCIONAIS FREQUENTES

É normal que os casais discutam de vez em quando, mas não é normal que haja reações explosivas por causa de assuntos insignificantes.

Se o facto de o seu companheiro conversar com alguém do sexo oposto (ou sexo preferencial) o levar a fazer uma série de acusações, talvez seja bom repensar a forma como está na relação.


3. DEMASIADAS MENSAGENS

É ótimo podermos contar tudo à pessoa que amamos. É positivo que utilizemos o Whatsapp, o e-mail ou qualquer outra plataforma para mostramos o nosso apoio, o nosso incentivo ou o nosso desejo. Esta é uma forma de dizer «Tu és importante para mim».

Preste atenção ao que acontece em resposta às suas mensagens.

Se não houver reciprocidade ou se a pessoa de quem gosta não mostrar de forma clara que se sente agradada ou confortável com o número de mensagens que você envia, é provável que haja problemas.



4. CIÚMES EXCESSIVOS

O ciúme também pode ser saudável. O alarme que surge quando observamos a admiração que outras pessoas sentem pelo nosso companheiro é uma forma de nos lembrarmos que ele(a) é importante para nós e não está garantido. Mas os ciúmes não podem funcionar como um catalisador para exercícios de controlo sobre o outro.


5. NUNCA HÁ SAUDADES

Só há uma maneira de nunca sentir saudades: é estar sempre ao lado da pessoa de quem gosta. Se os amigos forem os mesmos e não houver um único momento em que cada um esteja a fazer “as suas coisas”, é provável que a relação seja uma fonte de asfixia para um dos membros do casal.

Ter os seus próprios hobbies e amizades que lhe tragam alegria e conexão ajudá-lo-á a ser menos carente no seu relacionamento.


6. CONTROLO NAS REDES SOCIAIS

A carência no amor traz quase sempre muita ansiedade associada aos pensamentos sobre o que seu companheiro está a fazer quando está longe de si.


E isso pode servir de desculpa para que você passe a “perseguir” a pessoa que ama nas redes sociais. Você gostaria de ter as passwords dele(a), presta muita atenção a todos os “gostos” e a todos os comentários e mede o tempo que ele(a) passa online. Estes comportamentos são tóxicos para a relação.


7. ACELERAR DECISÕES

Ser carente é frequentemente um sinal de baixa autoestima. Quando alguém se sente inseguro, rapidamente se apega ao parceiro. Isso muitas vezes leva a que a pessoa tome decisões importantes ao fim de pouco tempo. Por exemplo, algumas pessoas decidem viver juntas ou ter filhos ao fim de poucas semanas.

Se as coisas estão a acontecer mais rápido do que o normal na sua relação, isso pode ser um sinal de que você é muito carente.


8. NECESSIDADE CONSTANTE DE SEGURANÇA

Se é daquelas pessoas que estão constantemente a dizer coisas como «Eu sou tão gorda» ou «Eu sou tão desinteressante» e o seu companheiro vai respondendo «Não digas isso. Tu és lindo(a)», mas, mesmo assim, você repete a “dose”, como se nunca acreditasse nos elogios, é porque a carência faz parte da sua forma de estar na relação.

Mas a verdade é que esta necessidade constante de segurança pode ser desgastante e prejudicial à sua relação.


9. VAZIO QUANDO NÃO ESTÃO JUNTOS

É normal sentir falta do seu parceiro se ele passar o fim de semana fora. Mas cair numa tristeza profunda ou numa crise de ansiedade só de pensar que vai estar longe da pessoa que ama durante algum tempo não é saudável. Este é definitivamente um sinal de que você é muito carente na sua relação.

Você precisa de começar a identificar as suas necessidades individuais e trabalhar para que haja uma vida para além da relação. Paradoxalmente, isso vai fortalecer o seu amor.

14.11.19

MOTIVOS POR DETRÁS DE UM DIVÓRCIO


Motivos por detrás de um divórcio

Quais são as causas da maioria dos divórcios?


Tal como explico no meu mais recente livro, “Continuar a Ser Família Depois do Divórcio”, nem todas as pessoas conseguem explicar de forma clara e simples porque é que se divorciaram. E, mesmo que o façam, não significa que a sua versão dos acontecimentos corresponda ao quadro completo.

Mesmo quando há situações concretas, como uma relação extraconjugal, dificuldade em ultrapassar um acontecimento específico como a infertilidade, problemas de relacionamento com a sogra, dificuldades financeiras ou diminuição do desejo sexual, existem sempre pelo menos duas perspetivas. A realidade é sempre mais complexa do que parece e nem sempre é fácil identificar as necessidades que foram ficando por preencher. De resto, e ao contrário do que acontecia há alguns anos, já não são só os casais infelizes que se divorciam. Hoje divorciamo-nos para sermos MAIS felizes. Vivemos em busca de mais e melhor e, quando nos damos conta de que podemos ser mais felizes do que somos na relação em que estamos, arriscamos. Isso também está relacionado com a mudança de paradigma em relação às relações de compromisso. Os nossos antepassados casavam e, muitas vezes, nem sequer havia amor romântico envolvido. Depois passámos a casar por amor com a convicção de que seria para a vida toda. E atualmente comprometemo-nos enquanto continuarmos a sentir-nos suficientemente vivos e entusiasmados naquela relação.

Vivemos num período em que somos tremendamente livres para amar, para escolher e para romper e, simultaneamente, é-nos cada vez mais difícil cumprir o sonho de viver um amor para a vida toda.

De resto, os motivos por detrás de uma separação são aproximadamente os mesmos dos que podem estar por detrás de uma infidelidade e estão relacionados com as necessidades que vão ficando por preencher – quer reparemos nelas, quer não.

DIVÓRCIO: AS CAUSAS




Desconexão emocional

Algumas pessoas nem se apercebem de que vivem em piloto automático: acordam, trabalham, cuidam dos filhos, cumprem as suas obrigações e vão deixando a relação conjugal para segundo plano. Não é que não queiram namorar. Querem e muitas vezes até se esforçam para criar momentos especiais. O que acontece é que esses momentos são demasiado raros para que possam ser chamados de rituais. E todas as relações precisam de rituais, aqueles momentos que são tão bons que escolhemos repeti-los vezes sem conta.

Quase todos os casais começam por ter estes rituais – é praticamente instintivo. Mas quando nos vamos distraindo e deixamos de prestar atenção ao que o outro tem para dizer, quando preferimos ver um episódio da nossa série preferida em vez de contrariarmos o cansaço e inventarmos tempo para namorar, quando inundamos a pessoa que escolhemos de críticas e obrigações e nos esquecemos de lhe perguntar, com genuína curiosidade, «Como foi o teu dia?», a distância emocional vai aumentando.

Quase todas as pessoas tentam contrariar a azáfama dos dias, tentam revelar-se, tentam fazer os seus apelos de forma clara. Mas é tão fácil ignorar estes apelos e nem dar por isso. Claro que quando são os nossos próprios apelos que são ignorados ou, pior do que isso, desvalorizados, é difícil esquecer a mágoa.

Muitos casais caem neste círculo vicioso: sentem-se cada vez menos escutados, cada vez menos amparados e, sem querer, vão-se voltando cada vez mais para fora da relação.


Como estas estratégias de sobrevivência são pontuadas pelas tentativas de cada um de obter a atenção do outro, a frustração e a sensação de que «não vale a pena» vão-se instalando.

Tenho trabalhado cada vez mais com pessoas que se separam após vinte ou mais anos de casamento. Em muitos destes casos, a desconexão não aconteceu de um dia para o outro. Foi acontecendo de forma gradual. E, muitas vezes, os membros do casal foram aprendendo a viver assim. Mas o facto de vivermos cada vez mais tempo, o facto de estarmos cada vez mais atentos ao nosso bem-estar e àquilo que nos faz felizes e o facto de, a partir de determinada idade, estarmos mais centrados em aproveitar o que quer que a vida tenha para nos oferecer e menos preocupados com o que os outros possam pensar, faz com que haja mais pessoas a escolher divorciar-se após décadas de casamento.

Afastamento físico

Quando observa um casal apaixonado, no que é que repara? Se prestar atenção, há quase sempre um elemento comum: aquelas duas pessoas tocam-se com frequência e mostram através dos gestos o quanto se desejam. Não há necessariamente uma conotação sexual nestas carícias, mas é difícil dissociá-las da paixão. A diminuição significativa destes gestos de afeto é um dos principais sinais de alarme, sobretudo em casais jovens. Sabemos que uma relação já teve melhores dias quando constatamos que aquelas duas pessoas raramente se tocam.

Para muitos casais, esta é a realidade: deixou de haver romantismo, deixou de haver desejo, deixou de haver gestos de afeto. Muitas vezes, a intimidade emocional está lá e até pode haver aquilo a que eu chamo de “familiaridade excessiva”, isto é, os membros do casal são tão próximos que deixou de haver espaço para o mistério e para a sedução. Algumas das pessoas com quem trabalho referem-se a esta questão dizendo que passaram a ter uma relação «de irmãos». Continua a haver carinho, mas deixou de existir romance. Nestes casos, o processo de separação é particularmente doloroso. Tenho conhecido muitas pessoas absolutamente destroçadas com a ideia de terminarem o seu casamento e, assim, causarem mágoa a alguém que tanto amam. Pode não haver amor romântico, mas muitas vezes continua a haver amor, ainda que não seja suficiente para que ambos consigam viver felizes naquela relação.

Aparecimento de uma terceira pessoa

Não sendo a maioria, há evidentemente casamentos que acabam devido ao aparecimento de uma terceira pessoa. Ainda assim, é-me difícil olhar para este acontecimento como uma causa, dissociando-o do que aconteceu à própria relação. Aquilo que quero dizer é que, de uma maneira geral, a relação com a terceira pessoa vem, sobretudo, chamar a atenção para as necessidades que foram ficando por preencher na relação oficial – mesmo que a pessoa que entretanto se apaixonou por outra não se tenha queixado. Por norma, há necessidades que vão ficando por preencher, mesmo que a própria pessoa as ignore. Quando surge alguém que olha para nós, que presta atenção àquilo que sentimos, que repara nos detalhes, que nos elogia de forma sincera, que nos incentiva a lutar pelos nossos sonhos e/ou que nos desafia, sentimo-nos especiais. Isto também pode acontecer quando estamos felizes na nossa relação. Mas, nesse caso, é mais provável que reflitamos sobre aquilo que é preciso fazer para que nos sintamos mais ligados, mais vivos e menos vulneráveis a uma traição.



Quando aparece alguém que nos faça sentir vivos,
que nos lembre como é bom sentirmo-nos
especiais aos olhos de alguém, é natural que o nosso
mundo abane. Se isso acontecer numa altura em que
a relação conjugal está desgastada – física e/ou
emocionalmente – a probabilidade de haver uma
relação extraconjugal aumenta substancialmente.



Problemas com a família alargada

Para alguns casais, as dificuldades de relacionamento com a família alargada estão na origem do distanciamento emocional que, mais tarde, acaba por dar origem ao divórcio.

Na maior parte dos casos a que tenho acedido, as dificuldades estão relacionadas com a interferência excessiva da família alargada e/ou com a dificuldade em estabelecer limites.

Quase todos os pais e mães têm a expectativa de continuar a fazer parte da vida dos filhos, mesmo depois de eles saírem de casa. E não há nada de errado nisso. Mas quando a relação entre pais e filhos parece ter mais força do que o compromisso conjugal, é mais provável que haja braços-de-ferro, conflitos e distanciamento emocional.

Problemas financeiros

Quando há um (ou mais) acidente(s) de percurso que nos obrigue(m) a repensar os nossos planos e que nos confronte(m) com dificuldades financeiras sérias, é muito fácil essa situação prejudicar a relação amorosa.

Não é só a falta de dinheiro. É, sobretudo, a dificuldade em lidar com a tristeza, a frustração, as oscilações de humor e as expectativas de cada um.

Tenho conhecido muitos casais que não resistiram ao embate provocado por dificuldades financeiras associadas às múltiplas reviravoltas que a vida pode trazer. Situações de desemprego, falência, burla, doença, endividamento são quase sempre desafios que colocam à prova a união de um casal.

Educação dos filhos



Mais cedo ou mais tarde, todos os pais e mães se dão conta de que ter um filho é ter alguém que depende de nós em termos de saúde, bem-estar, segurança, estabilidade emocional e um número infindável de outras questões. Conjugar o amor incondicional que sentimos com o medo de alguma coisa não correr bem é dos maiores desafios que podem surgir na vida. Para algumas pessoas, os primeiros anos são particularmente stressantes – não apenas porque se sentem mais cansadas, mas sobretudo porque estão em processo de adaptação a todas as responsabilidades que estão associadas ao papel parental. Quando um dos membros do casal dedica mais tempo do que o outro à educação dos filhos, é natural que haja alguma desconexão. De repente, tudo o que é superficial, acessório, imaturo ou irresponsável é alvo de rejeição em nome da segurança que se quer proporcionar aos filhos. Como estas mudanças não acontecem sempre ao mesmo tempo para os dois membros do casal, é fácil adivinhar as dificuldades de comunicação e a sensação de desunião.

Relações abusivas

No meu trabalho como psicóloga tenho conhecido muitas pessoas, maioritariamente mulheres, que viveram durante anos relações aparentemente saudáveis, algumas teoricamente quase perfeitas e que, na intimidade, foram muito maltratadas. Nalguns casos, mesmo depois da separação, a pessoa que foi vítima de violência emocional continua a questionar-se sobre o seu comportamento, sobre os erros que cometeu e/ou sobre aquilo que poderia ter feito para salvar a relação.

Costumo dizer que, numa relação abusiva, coexistem duas realidades: aquela em que a pessoa vítima de abusos vive e que acredita ser partilhada pelo companheiro, e aquela que vai sendo construída na cabeça da pessoa que pratica os abusos. No início de qualquer relação, sentimo-nos especiais, sentimo-nos desejados e vivemos com a profunda convicção de que a pessoa que está ao nosso lado quer ver-nos felizes. Isto também acontece nas relações abusivas. Mas entre aquilo que é dito e aquilo que é feito há uma diferença substancial.



De uma maneira geral, as pessoas que são física
ou emocionalmente violentas constroem uma
espécie de guião, como num filme, e olham para
pessoa que está ao seu lado como uma personagem
que deve ser capaz de se comportar de acordo
com as suas expectativas.



Quando isso não acontece, porque cada pessoa tem vontade própria, interesses próprios, sentimentos próprios, há ameaças mais ou menos subtis, chantagem emocional, humilhações, sabotagem e outros exercícios de manipulação. Vale tudo para impor a própria vontade e fazer com que a outra pessoa se subjugue, se anule, se sinta culpada e obrigada a fazer as escolhas “certas”. Como nada disto acontece de forma clara e até, pelo contrário, vão surgindo períodos de lua-de-mel e muitos comentários manipuladores – «É para o teu bem», «Se tu gostasses mesmo de mim…», «És demasiado sensível…» –, a pessoa que é vítima de abusos emocionais nem sempre é capaz de reconhecer a realidade em que está envolvida.

7.11.19

COMO APOIAR O(A) COMPANHEIRO(A) NUM MOMENTO DIFÍCIL


Como apoiar o(a) companheiro(a) num momento difícil


Quando a pessoa que amamos está a passar por alguma dificuldade, o que é que deve ser feito? O que é que podemos fazer para a ajudar? E o que é que não devemos mesmo fazer?


Há uma coisa que todos os casais felizes têm em comum e que faz com que os níveis de confiança e de intimidade disparem. Claro que as relações felizes dependem de várias competências – não é só uma coisa. As pessoas que se sentem felizes no relacionamento prestam atenção aos sentimentos do(a) companheiro(a), esforçam-se para se manterem unidos e procuram resolver os conflitos de forma saudável. Mas há uma competência que por vezes não é tão óbvia e que faz toda a diferença em momentos de dificuldade.





AJUDAR O(A) COMPANHEIRO(A) NUM MOMENTO DIFÍCIL:
O QUE NÃO FAZER

Há quem pense que o sucesso de uma relação depende de muito trabalho, muito esforço, mas a verdade é que hoje sabemos que uma das formas mais eficazes de fortalecer uma relação tem a ver com algo que NÃO devemos fazer quando a pessoa que amamos está a passar por um momento difícil:

DAR CONSELHOS

É verdade!

É fundamental que aprendamos a apoiar a pessoa de quem gostamos sem nos apressarmos a dar sugestões para resolver o problema em causa ou a dizer o que é que ele(a) deve fazer.


Quando o(a) nosso(a) companheiro(a) partilha algo que está a mexer com ele(a), que é intenso do ponto de vista emocional, o que é que nós podemos fazer?

Em primeiro lugar, é fundamental que não façamos NADA. Basta que o(a) ouçamos com muita atenção. O silêncio, nestas alturas, é valioso.

O PODER DO SILÊNCIO

Nem sempre é fácil lidar com as emoções da pessoa de quem gostamos. Quando ele(a) mostra preocupação, tristeza, raiva ou ansiedade, é tentador partilharmos os nossos conselhos e sugestões. Depois surpreendemo-nos com a fúria dele(a) e pensamos «Qual é o teu problema? Só estava a tentar ajudar…».

Algumas pessoas têm muita dificuldade em ficar apenas a ouvir e apressam-se a oferecer soluções. Outras sofrem tanto com as dores do outro que acabam por lidar com o assunto como se o problema fosse seu. De uma maneira geral, nenhum destes caminhos funciona. Aquilo que funciona é mostrar que quer mesmo saber como pode ajudar: «O que é que eu posso fazer para ajudar?».


AJUDAR O(A) COMPANHEIRO(A) NUM MOMENTO DIFÍCIL:
COLOCAR PERGUNTAS


Depois de escutarmos com atenção o que a outra pessoa tem para dizer, as perguntas podem ajudar-nos a perceber melhor o que ele(a) está a sentir e aquilo de que precisa.

«O que é que te preocupa?»
«Então, estás a dizer que tens medo que…?»
«Deixa-me ver se percebi: estás aborrecido(a) com…?»

Quase todas as perguntas são válidas, sobretudo se traduzirem genuíno interesse, mas há perguntas mais eficazes do que outras. Mais do que tentar saber «Porquê?» é importante tentar conhecer os detalhes que nos ajudem a colocar-nos na posição da pessoa que amamos («Quando? Como? Quem?»).

Os conselhos e as sugestões podem ser dados, mas apenas se forem solicitados.

5.11.19

COMO ELIMINAR PENSAMENTOS NEGATIVOS


Como eliminar pensamentos negativos

O que é que podemos fazer para nos livrarmos dos pensamentos negativos? Que estratégias são mais eficazes para acalmar a nossa mente e conseguir prestar atenção ao momento presente?


Imagine que está prestes a viajar de avião e tem alguém ao seu lado que não pára de o(a) tentar assustar com comentários do género «Se o avião cair, tu não vais sobreviver. Há cada vez mais acidentes com aviões. E se acontecer desta vez? Lá em cima não controlamos nada. Se calhar o melhor é não ires a lado nenhum.». O que é que faria? O mais provável é que desse por si a encher-se de medo e raiva e que, num ato de desespero, mandasse calar a pessoa ao seu lado. Afinal, a última coisa de que qualquer pessoa precisa é de alguém que injete pensamentos negativos antes de um momento importante. E se os "comentários" não vierem de fora? E se a voz crítica que o(a) assusta estiver na sua mente? Hoje partilho algumas ferramentas para eliminar os pensamentos negativos.




Pensamentos negativos: o crítico interno


Quando a nossa voz interior nos inunda de negatividade, não é apenas medo que sentimos. De uma maneira geral, conseguimos ser muito duros connosco, conseguimos deturpar a realidade e puxar-nos para baixo como ninguém, trazendo sentimentos de inutilidade, desvalor e insuficiência.

Se estivesse a preparar-se para uma reunião importante com o seu chefe e a sua mente “decidisse” inundá-lo(a) de pensamentos negativos como «És incompetente. O teu chefe vai perceber e despedir-te.», o mais provável é que o medo dominasse a sua comunicação, limitando o seu desempenho e levando-o(a) a ouvir um ou outro comentário que o(a) faria ter ainda mais certezas da sua “incompetência”.

A nossa mente é maravilhosa, mas também é capaz de nos confrontar com grandes armadilhas.


É crucial que reconheçamos o nosso próprio crítico interno e que, tão cedo quanto for possível, sejamos capazes de dizer


PÁRA!


Isso mesmo: se não permitimos que outras pessoas nos puxem para baixo, por que havemos de dar ouvidos ao nosso crítico interno?

Estratégias para acabar com os pensamentos negativos


#1: Dizer PÁRA tão cedo quanto for possível para evitar que os pensamentos entrem na nossa consciência e comecemos a remoer. Podemos fazê-lo mesmo que seja só mentalmente, mas se for viável podemos dizer oralmente.

Há uma ferramenta que nos ajuda a reconhecer estes pensamentos exatamente como eles são, isto é, “apenas” pensamentos, em vez de os tomarmos como reais: a meditação mindfulness.

Ouço muitas vezes frases como «Eu não tenho jeito para meditar» ou «Eu não consigo meditar», que traduzem sobretudo desconhecimento e algumas ideias feitas sobre esta ferramenta terapêutica. A verdade é que a meditação mindfulness não tem nada de esotérico ou religioso e também não requer propriamente esforço ou alguma capacidade especial. Para meditar, basta que tiremos alguns minutos por dia (todos os dias) e que observemos o momento presente.

Partilho aqui uma meditação guiada, com a duração de 10 minutos, que pode fazer toda a diferença para quem procura acalmar a mente e eliminar os pensamentos negativos:





Lembro que é a prática regular que traz frutos. Da mesma maneira que precisamos de ir ao ginásio com regularidade para desenvolver os nossos músculos, é crucial que nos disciplinemos para trabalhar o “músculo” do cérebro.


#2: Rodeie-se de positividade. Faça coisas que o(a) fazem feliz – e discipline-se para que estes “balões de oxigénio” o(a) ajudem a manter o otimismo. Quando escolhemos dedicar algumas horas por semana a fazer as coisas de que gostamos, é muito menos provável que nos entreguemos aos pensamentos negativos.

Rodear-se de positividade também passa por prestar atenção ao seu discurso e escolher falar sobre as coisas positivas que vão pontuando o seu dia.


No final de um dia de trabalho, é positivo que haja alguém ao nosso lado com quem possamos desabafar sobre as dificuldades que tivemos de enfrentar. Mas é muito importante que nos habituemos também a prestar atenção e falar sobre o que correu bem. Há inúmeras evidências de que esta prática nos ajuda a eliminar os pensamentos negativos e a promover o nosso bem-estar.

Para quem tem filhos, pode ser muito positivo tentar introduzir a rotina de, no final do dia, convidar as crianças a lembrar os pontos mais positivos do seu dia e, assim, tentar educa-las para o otimismo.

#3: Praticar a gratidão. Já escrevi sobre isso AQUI. Quando nos disciplinamos no sentido de prestar atenção e registar por escrito as pequenas coisas pelas quais nos sentimos gratos, há inúmeras mudanças que acontecem no nosso corpo e na nossa mente. Estas memórias positivas não só nos ajudam a afastar o pessimismo, como melhoram a nossa saúde física e mental e as nossas relações afetivas.

#4: Distanciar-se de pessoas negativas. Há pessoas que têm o “condão” de ver tudo negro à sua volta e de contagiar os outros com esse negativismo. Veem problemas em todas as soluções, reconhecem perigos em todos os sonhos e são exímias em puxar-nos para baixo. Preste particular atenção à forma como algumas pessoas falam sobre os outros nas suas costas. É provável que façam o mesmo consigo. Lembre-se de que as pessoas positivas gostam genuinamente de ajudar os outros. Procure rodear-se de pessoas que estejam interessadas em protege-lo(a) e incentivá-lo(a) a ser feliz.

#5: Praticar a autocompaixão. Também já escrevi sobre esta ferramenta AQUI. Praticar a autocompaixão consiste em sermos capazes de adotar um discurso genuinamente empático, solidário, amável e compassivo connosco, tal como faríamos com um(a) bom(boa) amigo(a), se ele(a) estivesse na nossa situação. Trata-se de sermos capazes de reconhecer os nossos sentimentos, de lembrarmos que o sofrimento, a imperfeição e as dificuldades fazem parte da vida de TODOS os seres humanos e de assumirmos palavras que puxem para cima e não para baixo.

Como em quase tudo na vida, é mais fácil falar do que fazer. Praticar a autocompaixão requer o compromisso connosco e a disciplina de repetirmos os exercícios com frequência até que sejamos mesmo capazes de substituir o crítico interno por uma voz que calorosamente nos incentive a dar o nosso melhor.

25.10.19

COMO ACABAR COM AS DISCUSSÕES


Como acabar com as discussões

Se está sistematicamente a discutir com o(a) seu(sua) companheiro(a) sobre o mesmo assunto, há uma forma de parar com o círculo vicioso. E não é o que você está a pensar.


Há casais que chegam até ao meu consultório com uma queixa comum: independentemente do amor que os une, há discussões que se repetem, sem que consigam chegar a uma solução. Pelo meio, há quase sempre muito sofrimento, muitas tentativas de resolver o problema e muita tensão.

Eis um exemplo:

Pedro diz que ele e a mulher raramente discutem, mas quando o fazem, é sempre pelo mesmo motivo. Ele é muito mais sociável do que a mulher e, se pudesse, aceitaria a maior parte dos convites que recebe para estar com familiares e amigos. Rita, a mulher, raramente quer sair com outras pessoas e não gosta de receber familiares e amigos em casa. «O que é que nós podemos fazer para resolver isto?», perguntava-me.




A frustração de Pedro é comum a muitas outras pessoas. Na prática, sempre que os membros do casal têm perspetivas muito diferentes sobre um assunto importante, isso transforma-se num desafio (e num potencial problema). Para Pedro, a questão resumir-se-á da seguinte forma: «Não percebo o que é que se passa com ela. Qual é o problema de receber pessoas em casa ou sair para jantar?».

Como é que algo aparentemente tão simples se transforma num problema que leva a que duas pessoas que se amam discutam de forma acesa e frequente, como se estivessem a fazer um braço-de-ferro infantil?


Discussões que se repetem: um problema comum


É possível que se identifique com o problema de Pedro e Rita. Talvez não seja habitual discutir sobre este assunto específico, mas talvez dê por si a pensar «Eu também costumo discutir com o(a) meu(minha) companheiro(a) sobre um assunto que se resolveria facilmente se ele(a) não fosse tão casmurro(a)»Quase todos os casais se identificam com este padrão.


Uma das coisas que os estudos com casais revelaram
foi que cerca de setenta por cento dos problemas
conjugais se encaixa na categoria de problemas
perpétuos. Na prática, quando escolhemos um(a)
companheiro(a), também escolhemos um conjunto
de problemas para os quais não vamos
encontrar uma solução.



Mesmo entre os casais mais felizes, só 30 por cento dos problemas conjugais são questões solucionáveis.

 O que está (realmente) por trás das discussões.


De um modo geral, quando os membros do casal se sentem “presos” a discussões que se repetem, é preciso analisar aquilo que está por detrás do assunto em questão. Uma discussão pode ser muito mais profunda do que parece e alguns braços-de-ferro são apenas a face visível do problema.

É por isso que, antes de tentar encontrar soluções de compromisso para resolver o problema, é preciso tentar perceber as reais necessidades de cada um primeiro.

A primeira coisa a fazer é travar quaisquer tentativas de convencer o(a) companheiro(a) de que a sua opinião é a correta ou a mais razoável.


Ainda que você acredite que tem razão (como Pedro acreditava que a sua opinião era a mais razoável), procure questionar:

Quais são as verdadeiras necessidades que estão aqui em jogo?
Do que é que eu preciso?
Do que é que o(a) meu(minha) companheiro(a) precisa?
Porque é que este assunto é tão importante para mim/ para ele(a)?

Quando investimos o nosso tempo, trazemos a nossa genuína curiosidade para a reflexão e mostramos disponibilidade para escutar a pessoa que amamos, é mais provável que nos sintamos conectados e que, em função disso, consigamos chegar a algum compromisso.

No caso de Pedro e Rita, quando a mulher recusava estar com outras pessoas, Pedro sentia-se confuso e preterido: «Lá vem ela, sempre a tentar fazer as coisas à sua maneira, sem querer saber dos meus sentimentos. É como acontecia na minha infância – os meus pais impunham uma série de regras estúpidas e eu limitava-me a ter de obedecer». Por outro lado, Rita sentia-se inundada de ansiedade: «Cada reunião com amigos é uma fonte de stress para mim. A minha mente é invadida por mil questões – será que a casa está arrumada? Vou estar à altura das conversas? Vou conseguir ser suficientemente interessante? É como se estivesse sistematicamente a voltar aos tempos de escola e ao ambiente feroz em que cresci».

As experiências que vamos vivendo vão-nos moldando e, mesmo que alguns assuntos deixam de ser traumáticos, acabam por condicionar a nossa personalidade e as nossas preferências.

A maior parte dos casais acabam por descobrir diferenças significativas na forma como se sentem e na forma como gerem determinados assuntos. É provável que essas diferenças surjam repetidamente, porque as nossas preferências são relativamente estáveis e não são melhores nem piores do que as da pessoa que está ao nosso lado, são apenas diferentes.

Estas tentativas de melhorar a comunicação funcionam melhor se os membros do casal procurarem que ambos se sintam ouvidos e compreendidos. Para isso, é fundamental que cada um dê o seu melhor para que, de forma paciente, possa escutar o(a) companheiro(a) até que ele(a) se sinta realmente compreendido(a).



É importante tentar conhecer a história completa
antes de se apressar a dar a conhecer o seu lado.
Lembre-se de que NÃO há um lado
certo e um lado errado.



Tanto no caso de Pedro e Rita como na maioria dos casais, os dois lados do conflito são válidos. É preciso aceitar as diferenças porque dessa aceitação (e da genuína empatia) resulta invariavelmente menos tensão e maior disponibilidade para encontrar soluções de compromisso.

Na prática, quando conhecemos os sentimentos profundos da pessoa que está ao nosso lado e as suas necessidades afetivas, é mais provável que pensemos «Sei que isto é importante para ele(a) e estou disposto(a) a sair da minha zona de conforto para o(a) deixar mais feliz/ mais seguro(a)». Nalgumas situações é um que cede; noutras será o(a) companheiro(a) e as decisões vão sendo tomadas caso a caso.

Rita jamais será a pessoa sociável que Pedro gostaria que fosse e vice-versa. Mas isso não significa que Rita não possa ceder em situações específicas que sejam claramente importantes para o marido. E até pode fazê-lo com prazer. A ideia é: «Sei que isto é importante para ti e, por isso, faço esta escolha».

Da mesma maneira, haverá alturas em que Pedro pode optar por respeitar a natureza da mulher: «Sei que ela teve uma semana stressante e prefere passar o fim-de-semana em casa em família. Talvez possamos combinar alguma coisa com os nossos amigos noutra altura».

Uma das estratégias que pode ajudar a decidir, caso a caso, é perguntar:

De 1 a 10, que importância é que isto tem para mim/ para o(a) meu(minha) companheiro(a)?

Esta pequena reflexão pode ajudar a desbloquear os braços-de-ferro. Lembre-se de que não é uma questão de decidir quem ganha e quem perde. É uma questão de determinar aquilo que cada um pode fazer para ajudar o outro a ser mais feliz.

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