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14.6.18

COMO AJUDAR UMA PESSOA QUE FOI TRAÍDA


Quando uma pessoa amiga ou alguém da nossa família revela que foi traída, o que é que podemos/devemos fazer para ajudar? Pode ser tentador colocarmo-nos claramente do seu lado e “contra” o companheiro. Há até quem sugira com todas as letras «Deixa-o/a!». Mas será que é disso que alguém nestas circunstâncias precisa?


A forma como olhamos para o amor e para as relações mudou muito nas últimas décadas. Quando a geração dos nossos pais casou, o divórcio e as separações não entravam na equação. Entretanto passámos do «Até que a morte os separe» para «Até que o amor acabe» e já não aceitamos viver numa relação que não nos faça felizes.



Antigamente os homens tinham “autorização” para trair e havia muitas mulheres que se sentiam obrigadas a “fechar os olhos”. Na maior parte dos casos, dependiam dos maridos para sobreviver e, mesmo que trabalhassem fora de casa, eram marginalizadas se escolhessem terminar a relação. A família, a comunidade e a Igreja exerciam muita pressão e era impensável terminar um casamento “só” por causa de uma traição.

Hoje sabemos que homens e mulheres traem e é praticamente impossível que não tenhamos sido parte de uma história de traição – entre trair, ser traído, ser filho de uma relação em que tenha havido uma traição, descobrir a traição de um amigo ou familiar ou ajudar alguém que esteja a passar por isso, quase todas as pessoas já viram a sua vida ser afetada pela infidelidade.

Se é verdade que há uns anos os conselhos que uma pessoa traída ouviria seriam para desvalorizar o assunto e seguir em frente, protegendo a família, hoje é muito mais comum que alguém nessa situação ouça «Deixa-o/a. Segue em frente. Ele/ela não te merece». Mais do que isso: a forma como olhamos para o amor e para as relações amorosas faz com que, involuntariamente, possamos estar a exercer pressão sobre a pessoa traída, ainda que no sentido inverso.



Para quem está de fora, pode ser muito mais fácil julgar, criticar, apontar o dedo a alguém que escolha voltar a investir numa relação depois da traição do que tentar compreender, amparar e ajudar no que for preciso.

A verdade é que, apesar do número crescente de separações e divórcios, a maior parte das pessoas traídas optam por tentar reconstruir a relação. Nem sempre dá certo. Nem todos os casais vão a tempo de reacender a chama da ligação. Mas na maioria das vezes há essa vontade.

Quando uma pessoa se sente devastada pela experiência da infidelidade e faz a escolha de partilhar o seu sofrimento com um familiar ou amigo, nem sempre vai em busca de conselhos. E mesmo quando pergunta «E agora, o que é que eu faço?», raramente precisa de uma resposta do tipo «Sai» ou «Fica».

Então, do que é que a pessoa que foi traída precisa?


De se sentir ouvida. Se tem um familiar ou uma pessoa amiga que está a passar pela turbulência da infidelidade, dê-lhe espaço para falar abertamente sobre o que sente. Faça perguntas que traduzam o seu genuíno interesse sobre os seus sentimentos (não sobre os detalhes da traição) e que a ajudem a organizar os próprios pensamentos. Evite fazer juízos de valor. Dê espaço para que a pessoa possa sentir-se livre para dizer que ainda gosta do companheiro, se for o caso.

De se sentir protegida. Para alguém que acabou de passar pela maior quebra de confiança da vida, pode ser especialmente desafiante confiar em quer que seja. Mostre de forma clara que, no que diga respeito a este assunto, a sua boca é um túmulo. Não comente o episódio com ninguém. Não transforme a dor de uma pessoa de quem gosta num “assunto de café”.

De se sentir apoiada. Em vez de tomar partido, ofereça o seu apoio. Diga claramente que vai estar “lá” para o seu familiar ou amigo(a). Ofereça o seu abraço, o seu colo. Mostre o seu apoio incondicional – diga claramente que o/a apoiará independentemente da sua escolha.

De esperança. Uma das coisas que uma pessoa traída pode sentir é a falta de poder, a falta de controlo sobre a própria vida. A infidelidade é muitas vezes uma surpresa e a sensação por que a pessoa traída passa é a de que ficou “sem chão”. Procure ajudá-la a acalmar-se e a reconhecer que as decisões não têm de ser tomadas naquele instante. Ele/ela tem o direito de se sentir triste, com medo e/ou com raiva e pode precisar de tempo para gerir essas emoções. Depois de a poeira assentar, o seu familiar ou amigo(a) vai dar-se conta de que tem poder para escolher o caminho que quer fazer. Não desdramatize dizendo coisas como «Isto é muito comum» ou «Acontece a toda a gente». Procure, isso sim, colocar-se na posição da outra pessoa e reconhecer as suas dificuldades. É possível voltar a ser (muito) feliz mas isso implica enfrentar o desafio de escolher o caminho que melhor se ajuste aos próprios sentimentos.

Sair ou ficar? Só a própria pessoa é capaz de determinar aquilo que se ajusta à sua realidade, aos seus sentimentos.

7.6.18

SINAIS DE QUE A RELAÇÃO PODE ESTAR A CAMINHO DO DIVÓRCIO


Quando o assunto é o amor, nem sempre é fácil ter o distanciamento que nos permita distinguir uma fase de maior tensão de uma crise mais séria. A que sinais é que devemos estar atentos? Quais são os comportamentos – nossos ou da pessoa que está ao nosso lado que podem indicar que a relação está em risco?


Não me canso de dizer que não são os problemas específicos que mais frequentemente separam um casal. É a forma como o casal discute que pode fazer a diferença entre a tensão inevitável de um problema concreto e a sensação de que já não vale a pena continuar. E se é verdade que qualquer um de nós já cometeu erros sérios no que diga respeito à comunicação conjugal, também é verdade que vamos quase sempre a tempo de emendar os nossos erros, pedindo desculpa de forma genuína e respeitando os sentimentos da pessoa que está ao nosso lado.

O MAIOR VENENO PARA UMA RELAÇÃO É…


O maior responsável pela crescente insatisfação numa relação amorosa é o desprezo. Quando o nosso comportamento mostra desprezo pela pessoa que está ao nosso lado, ela sente-se perdida. Se esses comportamentos forem frequentes, o mais provável é que a relação esteja mesmo em risco.

Não se apresse a relaxar dizendo a si mesmo que NUNCA despreza o seu companheiro. Há comportamentos a que pode não estar a prestar devida atenção e que podem estar a afetar mais a pessoa de quem gosta do que você imagina.



Não chega dizer que é «brincadeira» ou que só acontece «de vez em quando». Qualquer um destes comportamentos mostra desprezo de forma clara e isso equivale sempre a sofrimento.

A QUE OUTROS SINAIS DEVEMOS

PRESTAR ATENÇÃO?


#1: «Tanto faz»


Encolher os ombros, dizer «Tanto faz», «É-me indiferente» ou «Faz como quiseres»: todos estes comportamentos transmitem a ideia de que você está a borrifar-se para a relação e para os sentimentos do seu companheiro. A sua intenção pode não ser essa e é por isso que é tão importante que preste muita atenção aos seus comportamentos. Fazer escolhas mais conscientes é meio caminho para evitar o sofrimento da pessoa que está ao seu lado.

Se se sentir triste ou irritado(a), pode dizer «Neste momento não estou com cabeça para discutir este assunto. Talvez possamos conversar noutra altura». Não é sempre fácil manter este discernimento mas vale a pena praticar.

#2: Piadas que não têm piada


Às vezes é tentador brincar com os defeitos, os erros ou as trapalhadas da pessoa que está ao nosso lado e em muitas dessas ocasiões é provável que o humor seja uma forma de aliviar a tensão e/ou de promover um momento divertido. Mas é fundamental que preste atenção à sua intenção e à forma como o seu companheiro se sente. Qual é o seu propósito? Brincar com uma situação específica ou ridicularizar o seu companheiro? Não tenha pressa para responder. Como é que o seu companheiro se sente com as suas piadas? Preste atenção, coloque perguntas. Há piadas que desgastam e geram sofrimento desnecessário.

#3: Indiretas


São as vulgarmente chamadas «bocas». Normalmente são comentários relacionados com o passado. É normal que a pessoa de quem gosta já tenha falhado consigo, já o/a tenha magoado e é natural que de vez em quando essa mágoa venha à tona. Você tem o direito de se sentir magoado MAS as indiretas só vão agravar o problema. O sarcasmo magoa sempre o seu companheiro e impede-o de responder com afeto ao que você está a sentir. Procure falar diretamente sobre os seus sentimentos.

#4: Sorriso “amarelo”


Revirar os olhos não é o único comportamento não-verbal que traduz desprezo. Está a ver aquele sorriso de quem está a gozar com a cara de outra pessoa e que traduz «Podes dizer o que quiseres porque eu estou a borrifar-me» em vez de transmitir simpatia? Este tipo de comportamentos gera sempre MUITO sofrimento.

#5: «És tão sensível»


«És tão sensível», «Que florzinha de estufa», «Não te posso dizer nada», «Estás a exagerar» são exemplos claros de desprezo pelos sentimentos do seu companheiro.



Diga «Não percebo porque é que te sentes assim» e coloque perguntas que o/a ajudem a colocar-se na posição da pessoa que ama.

Alguns destes comportamentos podem estar muito enraizados nos hábitos de um casal – ou porque foram apreendidos ainda na infância, na família de origem, ou porque não havia a consciência de que poderiam ser tão danosos. Tomar consciência do que está a acontecer até pode ser doloroso para a pessoa que tem mostrado desprezo mas é o primeiro passo para a mudança para melhor. Definir de forma clara a intenção de respeitar os seus sentimentos e os sentimentos da pessoa que está ao seu lado e comprometer-se com escolhas diferentes não significa que não vai voltar a errar. Significa que quer fazer melhor, que vai prestar mais atenção e que vai fazer o que estiver ao seu alcance para lá chegar.

4.6.18

TERMINAR UMA RELAÇÃO E MANTER A LIGAÇÃO NAS REDES SOCIAIS: “ORBITING”


Suficientemente longe para não ter de haver conversas nem encontros marcados mas suficientemente perto para continuar a acompanhar o que a outra pessoa faz, sobretudo através das redes sociais – já foi alvo de “orbiting”?


Joana e David saíram juntos meia dúzia de vezes. No princípio, correu tudo bem e Joana achava que as coisas estavam encaminhadas para que pudessem avançar para um namoro. Tinham combinado passar uma parte das férias juntos, falavam muito sobre a família alargada de cada um (ambos eram divorciados) e Joana sentia-se feliz. Depois da primeira discussão, David deixou de responder às mensagens de Joana e durante várias semanas não houve mais encontros. Como não havia um compromisso oficial, Joana sentiu-se desconfortável com a ideia de “cobrar” qualquer resposta e interiorizou que a relação tinha acabado. Entretanto, David continuava a fazer “gosto” nas publicações de Joana no Facebook e via TODAS as suas publicações nos “stories” do Instagram. «No princípio achei que era por acaso, já que quando abrimos uma publicação no “stories” a aplicação salta de utilizador em utilizador mas depois passei a prestar mais atenção e reparei que ele era quase sempre das primeiras pessoas a ver aquilo que eu publicava». Cerca de um mês depois de terem deixado de sair juntos, encontraram-se no ginásio e David sugeriu que poderiam «combinar alguma coisa». Voltaram a sair mais duas vezes «mas não funcionou». Joana sentia que havia coisas por resolver e voltaram a discutir. «O David voltou a afastar-se sem dizer nada e agora já é normal para mim constatar que continua a seguir-me com entusiasmo nas redes sociais».

O que é que faz com que uma pessoa deixe de querer responder às mensagens de outra pessoa mas mantenha a vontade de a seguir de perto nas redes sociais?

NINGUÉM É 100% PERFEITO NEM 100% HORRÍVEL


Quando conhecemos uma pessoa e nos interessamos por ela, é natural que nos foquemos no que ela tem de melhor. À medida que a conhecemos, vamo-nos deparando com características que nos desagradam, vamo-nos confrontando com hábitos que podem forçar-nos a sair da zona de conforto e vamo-nos questionando «É mesmo isto que eu quero?» - pelo menos, se estivermos minimamente interessados numa relação de compromisso.

Algumas pessoas permanecem neste impasse: por um lado, sentem-se atraídas por um conjunto de características da outra pessoa e idealizam à volta da possibilidade de ela ser “a tal” mas, por outro lado, sentem-se desagradadas em relação a alguns comportamentos e isso leva-as a afastarem-se. É precisamente por não se sentirem capazes de fazer uma escolha assertiva – que até poderia passar por expor o seu desagrado e dar oportunidade à outra pessoa de mudar alguns comportamentos – que acabam por se manter neste limbo.



UMA QUESTÃO DE RESPEITO


Já o disse outras vezes: o facto de hoje existirem redes sociais, aplicações de telemóvel como o Tinder ou sites de encontros criou um paradoxo curioso – há cada vez mais oportunidades para conhecermos pessoas novas e é cada vez mais difícil comprometermo-nos com uma escolha. É como se, perante as centenas de alternativas que reconhecemos que existem nos sentíssemos cada vez menos dispostos a fazer sacrifícios.



Isto faz com que para algumas pessoas seja mais fácil dispersar a atenção desta forma, acabando por não fazer uma escolha clara e honesta. Em ambiente clínico procuro chamar sempre a atenção para a possibilidade de cada um de nós fazer as escolhas que traduzam o respeito pelos nossos sentimentos e pelas nossas necessidades afetivas. Nestes casos, isso pode passar por fazer a escolha de seguir em frente, apesar de a outra pessoa ter a intenção de manter a ambivalência.



Todas as relações implicam que duas pessoas se revelem e acedam a características e hábitos menos positivos. É a conversar – com clareza e honestidade – que as pessoas se entendem. Nenhuma relação será perfeita, nenhuma pessoa corresponderá EXATAMENTE àquilo de que precisamos. E, mais cedo ou mais tarde, teremos de escolher. Qualquer pessoa é livre de fazer a escolha de manter a dúvida – o “Orbiting” é só mais uma forma de manter alguém continuamente na expectativa – mas qualquer pessoa tem o poder de fazer as escolhas que traduzam genuíno respeito por si mesma.

Para algumas pessoas, seguir em frente e deixar de alimentar expectativas numa relação pode passar por “desamigar” a outra pessoa das redes sociais. Para outras, pode passar pela colocação de perguntas com a intenção de definir de forma mais clara os limites da relação. A cada uma compete fazer as escolhas que a aproximem de um estado emocional mais pacífico sem desrespeitar os outros.

28.5.18

O QUE FAZER PARA UMA RELAÇÃO DAR CERTO

Todos os dias nos damos conta de que o amor, por mais intenso que seja, pode não ser suficiente para que uma relação dê certo. Pelo meu gabinete passam frequentemente pessoas cuja relação terminou apesar de, teoricamente, ter os “ingredientes” certos. E há muitos casais com quem tenho trabalhado – e que se sentem em crise – que são vistos por familiares e amigos como casais-modelo. O que é que caracteriza uma relação feliz e sólida? O que é que nos torna mais fortes do ponto de vista conjugal e menos suscetíveis a uma rutura?


Desde que escrevi “OS 25 HÁBITOS DOS CASAIS FELIZES”, pedem-me muitas vezes para resumir o conteúdo e identificar as escolhas mais importantes, aquelas que podem mesmo fazer a diferença entre uma relação feliz e uma relação em risco. Eu arrisco dizer que estes pedidos tanto podem traduzir a genuína vontade de perceber o que é que cada um pode fazer para que uma relação continue a ser uma fonte de felicidade para ambos como podem implicar a vontade de reduzir o trabalho ao mínimo essencial. E as relações dão (mesmo) trabalho.

É verdade que a longevidade já não é o que era e que a ideia de um casamento para a vida toda pode não servir para toda a gente. Mas a maior parte das pessoas que conheço ainda se esforçam (muito) para que as suas relações continuem a dar certo. 



Tal como escrevi há dias no Instagram, nos dias de hoje só há uma coisa que mantém uma família unida: a felicidade do casal. Se pelo menos um dos membros do casal não estiver feliz, a família passa a estar em risco de rutura. E isso é sempre gerador de sofrimento.

Algumas pessoas casam – ou vivem juntas – e esquecem-se da importância de continuar alimentar a relação. Sentem-se felizes com a escolha que fizeram e sentem-se confiantes de que a pessoa que está ao seu lado não irá a lado nenhum. A verdade é que a maior parte das pessoas que se comprometem têm a intenção de continuar naquela relação mas à medida que o tempo passa, à medida que as rotinas se instalam e à medida que a vida de todos os dias se parece cada vez menos com aquilo que idealizaram, pode tornar-se mais difícil acreditar que seja para sempre.

O DIÁLOGO É SEMPRE IMPORTANTE.


Mesmo que os membros do casal estejam em “comprimentos de onda” diferentes, quando um se queixa e o outro presta atenção, torna-se mais fácil identificar as mudanças que é preciso implementar para resgatar o entusiasmo em falta. Pelo contrário, quando uma pessoa se queixa e a outra desvaloriza os apelos, confiante de que tem tudo o que a outra pessoa precisa para ser feliz, a probabilidade de haver sarilhos é muito maior.



Se eu tivesse de identificar aquilo que,de uma maneira geral,caracteriza uma relação feliz e duradoura,identificaria: 


ADMIRAÇÃO


Não é só uma questão de respeito. É mesmo uma questão de sermos capazes de (continuar a) apreciar as qualidades da pessoa que está ao nosso lado, valorizando-as na medida certa em vez de as tomarmos como garantidas. Quando mantemos uma postura de genuína curiosidade em relação à pessoa que está ao nosso lado, damo-nos conta de que há sempre algo para descobrir, há sempre mais exemplos da sua inteligência, da sua bondade, do seu altruísmo ou de outra característica qualquer. Os defeitos também hão de dar a cara mas teremos sempre a oportunidade de escolher entre focarmo-nos no que há de positivo ou focarmo-nos no que há de negativo.

CONFIANÇA


Por mais apaixonados que estejamos, não há verdadeira felicidade nem vontade de continuar ao lado de uma pessoa se não tivermos a certeza de que ela se preocupa connosco e se esforça por nos proteger. Não é só uma questão de fidelidade- embora também seja. É sobretudo uma questão de valorizar genuinamente os sentimentos da pessoa amada e fazer escolhas – a dois – que respeitem as necessidades afetivas de cada um. É um conjunto de escolhas que trazem a sensação de que, haja o que houver, a relação é um porto seguro.

PARTILHA


O dia-a-dia de uma família – com ou sem filhos – pode ser uma verdadeira confusão. E é importante viver com a certeza de que há alguém com quem possamos partilhar essas responsabilidades. Uma das queixas que oiço com mais frequência das mulheres com quem trabalho é a de que se sentem imensamente sós por não terem ao seu lado alguém com quem possam desabafar, alguém com quem possam estabelecer uma ligação emocional. Se a isso aliarmos a correria, os afazeres e a acumulação de papéis, é fácil perceber a distância que existe nalguns casamentos.

REPARAÇÃO


Saber pedir desculpa e saber aceitar um pedido de desculpas são das competências mais valiosas numa relação. Todas as famílias têm problemas sérios, todos os casais atravessam períodos de alguma desconexão. Às vezes é o cansaço, a falta de dinheiro, o malabarismo de ter de cuidar da casa, dos filhos, do emprego, dos pais, dos gatos e dos amigos. Outras vezes é só a vida a acontecer e as imperfeições de cada um a aparecer. As discussões fazem parte de uma relação normal. Mas é essencial que cada um faça o que estiver ao seu alcance para retomar rapidamente a normalidade, o toque, o afeto. Isso implica esquecer que se tem razão e fazer alguma tentativa de reparação.



SONHO


Ficarmos (mesmo) contentes com tudo o que de positivo aconteça na vida da pessoa de quem gostamos parece coisa fácil. Mas os sonhos e as ambições da pessoa que amamos nem sempre se alinham com as nossas próprias vontades e às vezes até podem fazer com que nos sintamos ameaçados ou vulneráveis. Por outro lado, cada um de nós muda (muito) com o tempo e às vezes somos surpreendidos com mudanças na vida da outra pessoa que são mais difíceis de gerir. Os casais mais felizes são aqueles em que cada pessoa tem a liberdade para continuar a dar voz aos seus sonhos.

TOQUE


A frequência dos gestos de afeto é, provavelmente, o sinal mais claro do amor que une duas pessoas – tanto que os casais apaixonados podem ser vistos como “chatos” por quem está à sua volta. Pelo contrário, a inexistência (ou a diminuição significativa) de gestos de afeto é um dos sinais mais claros de que uma relação pode estar em risco.



À medida que os gestos de afeto diminuem, sentimo-nos muito menos motivados para fazer o que quer que seja em nome da relação. Sentimo-nos menos capazes de responder aos apelos da pessoa que está ao nosso lado, com menos vontade de dar importância aos seus sentimentos.

O toque é o sinal mais claro de que estamos ligados a alguém e quando ele existe apesar das discussões e dos momentos de desconexão, sentimo-nos amados, seguros e motivados.

23.5.18

O SEXO NUMA RELAÇÃO DURADOURA



Ter uma relação apaixonada e duradoura, onde haja o toque, o desejo e a conexão dos primeiros tempos é um dos objetivos de vida da maior parte das pessoas. Mas a rotina, os compromissos, o stress, os filhos, o cansaço e, claro, a falta de tempo podem atrapalhar a vida de qualquer casal, condicionando a satisfação sexual. O que é que cada pessoa pode fazer para melhorar a vida sexual? Quais são os hábitos que nos ajudam a manter a chama acesa?


As duas queixas mais frequentes nos homens (a propósito da relação) são: «Há demasiadas discussões» e «Há pouco sexo». Já as mulheres queixam-se de duas coisas diferentes: «Ele não está lá para mim» e «Não há intimidade (emocional) suficiente». Mas será que estas queixas são assim tão diferentes? Na minha prática clínica tenho confirmado aquilo que a ciência nesta área tem mostrado: A satisfação emocional está diretamente relacionada com a satisfação sexual. Homens e mulheres precisam de se sentir ligados e buscam essa conexão. O que acontece é que os homens sentem mais a intimidade emocional quando há proximidade sexual. E as mulheres sentem mais a intimidade sexual quando há conexão emocional.

O QUE É QUE OS CASAIS FELIZES FAZEM PARA SE SENTIREM SATISFEITOS EM RELAÇÃO AO SEXO?


Pode achar-se que é tudo uma questão de experimentar coisas novas – e também é. Mas não é só isso que nos permite sentirmo-nos satisfeitos sexualmente.



Uma das coisas mais interessantes que as investigações na área das relações amorosas nos permitiram conhecer foram os hábitos que nos ajudam a sentirmo-nos genuinamente vivos e entusiasmados numa relação – mesmo ao fim de décadas.

Hoje sabemos que os casais que se sentem sexualmente satisfeitos – em qualquer parte do mundo – costumam:

Dizer aquilo que sentem um pelo outro regularmente.
Beijar-se de forma apaixonada sem “motivo”.
Trocar presentes românticos.
Saber exatamente aquilo que alimenta o desejo do companheiro
(e o que é que o apaga).
Trocar gestos de afeto – mesmo em público.
Divertir-se a dois.
Abraçar-se com frequência.
Fazer do sexo uma prioridade
(em vez de colocar o assunto no fim da lista de “coisas a fazer”). 
Ser amigos um do outro.
Conversar abertamente sobre a sua vida sexual
(aquilo de que cada um gosta, as fantasias).
Sair a dois com regularidade.
Fazer férias a dois
(às vezes são fins-de-semana).
Preocupar-se um com o outro de forma intencional.

O QUE É QUE FAZ COM QUE O SEXO VÁ PIORANDO?




Há casais com filhos pequenos, pais a precisar
de ajuda e empregos exigentes para quem o sexo
vai deixando de ser uma prioridade. E há casais
nas mesmas circunstâncias que continuam a
alimentar a relação – apesar de todo o trabalho
que isso dá - e a sentir satisfação sexual.



Hoje sabemos que os casais que descrevem sentir-se menos satisfeitos do ponto de vista sexual costumam:

Passar pouco tempo juntos durante a semana de trabalho.
Centrar-se excessivamente no trabalho (eles) e nos filhos (elas). 
Conversar sobretudo sobre as “coisas que há para fazer”.
Dar prioridade a tudo menos à relação.
Afastar-se e levar vidas paralelas.
Prestar pouca atenção à importância de se preocuparem um com o outro.

OS CASAIS FELIZES TAMBEM TRAEM


Já o escrevi AQUI. Há uma diferença muito significativa entre não termos discussões acesas com o companheiro e sentirmo-nos vivos e entusiasmados na relação. Qualquer pessoa que esteja casada (ou comprometida) há 10 ou 20 anos sabe que é muito fácil haver companheirismo sem que haja chama. Para que o entusiasmo se mantenha, é fundamental que nos mantenhamos MESMO atentos àquilo que a outra pessoa vai revelando – às suas preocupações (mesmo aquelas que nos parecem ridículas), aos seus sonhos, às suas ambições, àquilo que a entusiasma.



Se nos centrarmos apenas naquilo que nos dá
prazer (dentro e fora da intimidade sexual), sem
curiosidade em relação àquilo de que o outro
gosta, se nos acomodarmos à ideia do que já
conhecemos e se confiarmos na “história” da
relação, desvalorizando a importância da novidade
e o facto de todos nós mudarmos ao longo do tempo,
é muito mais provável que tenhamos sarilhos.



Manter uma relação viva dá trabalho. Implica uma postura de curiosidade constante, implica a vontade de agradar (mesmo que isso implique sair algumas vezes da nossa zona de conforto), implica que nos revelemos sem medo e implica que mantenhamos os olhos abertos.

Algumas pessoas dão por si a querer experimentar coisas novas – dentro e fora da intimidade sexual – mas sentem medo de partilhar estas mudanças com o companheiro. Têm medo de ser julgadas, têm medo de se sentirem rejeitadas, têm medo que isso as afaste. Mas as coisas tendem a acontecer ao contrário. Se insistirmos em tentar calar as mudanças que vão acontecendo dentro de nós e se as escondermos da pessoa em quem teoricamente mais confiamos, tenderemos a sentir-nos cada vez mais afastados dela.

Manter uma relação com a chama acesa também passa por reconhecer que a segurança emocional precisa de andar de mãos dadas com a liberdade de experimentar, inovar. E, isso sim, faz-nos sentir vivos.
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