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24.6.15

7 DICAS PARA ALIMENTAR A SUA RELAÇÃO


O que é que é preciso fazer para que uma relação não esmoreça? Toda a gente ouve e diz que é preciso investir diariamente, que é preciso alimentar a relação. Mas como é que isso se faz? Que comportamentos é que devemos manter se quisermos que o amor continue a dar certo?

GESTOS DE AFETO. No início parece fácil. Estamos sob a tempestade hormonal associada à paixão e praticamente não fazemos outra coisa o dia inteiro. Beijar, abraçar, acarinhar ou pura e simplesmente tocar na pessoa de quem se gosta é uma necessidade. Mas os casais que estão juntos há muito tempo nem sempre se lembram da importância do toque. Muitas vezes lamentam-se dizendo que não têm tempo para nada. Mas há sempre tempo para mimar, há sempre tempo para mostrar através do toque o quanto se gosta de alguém. E esta é a forma mais clara (e fácil) de fazer com que uma pessoa se sinta amada.

ASSUMIR UM COMPROMISSO A DOIS. Se há um que precisa de perder peso, por que não vão os dois para o ginásio? Se um gosta de ir ao estádio ver o seu clube jogar, por que não fazê-lo a dois?


É, sobretudo, ser capaz de fazer escolhas SÓ para agradar à pessoa de quem se gosta. Ora cede um, ora cede o outro. Estes compromissos criam a certeza de que há um “nós” e essa sensação é impagável.

REVISITAR MEMÓRIAS (POSITIVAS). Numa altura em que quase todos os telemóveis permitem tirar e partilhar fotografias, já não é preciso tirar o pó aos álbuns fotográficos para revisitar memórias positivas a dois. Rever fotografias de casal/ de família ajuda a prolongar a sensação de que, apesar das dificuldades, tudo vale a pena. É especialmente terapêutico fazê-lo depois dos momentos de maior tensão/ desconexão.

ENVIAR SMS AO LONGO DO DIA. A maior parte das pessoas que conheço trabalham muitas horas por dia. Tanto, que às vezes é difícil aguentar a pressão sem desanimar. Não sendo viável ligar à pessoa de quem gosta de cada vez que acontecer alguma coisa importante, é possível recorrer às mensagens escritas. Esteja atento(a) à vida do seu parceiro. Não espere que ele(a) se queixe. Envie SMS (ou e-mails) a perguntar se aquela reunião que lhe tirou horas de sono correu bem. Elogie de forma clara e recorrente. Seja um porto de abrigo.

ASSUMIR AS DIFERENÇAS. Para que uma relação dê certo, não é preciso que duas pessoas sejam almas gémeas. Muitas vezes há um que precisa/ gosta muito de conversar e há outro que valoriza o silêncio e que, no final de um dia de trabalho, quase só fala por monossílabos. Para evitar a sensação de abandono/ rejeição é preciso assumir que as diferenças são isso mesmo: apenas diferenças.


Claro que para aí chegar pode ser preciso que cada um exponha com calma e honestidade aquilo de que precisa e aquilo que é capaz de dar. O importante é que cada um continue a sentir-se seguro, valorizado e acarinhado.

ESTAR “LÁ”. Se eu tivesse de dar uma sugestão – e apenas uma – aos casais com quem trabalho, seria esta. Quando uma pessoa se esforça por estar “lá” nos momentos importantes da vida da outra, é muito mais provável que ambos se sintam felizes, amparados, seguros. Mas o que é que isto quer dizer? Significa que é preciso parar o piloto automático e questionar-se sobre o que é importante para o outro. Significa que, de vez em quando, é importante interrogar-se sobre a possibilidade de estar a ignorar/ desvalorizar acontecimentos significativos para a pessoa de quem gosta. No dia-a-dia nem sempre é fácil estar “lá” – há vitórias da pessoa amada a que não damos o devido valor e há momentos difíceis em que não damos todo o apoio que ela merece. Prestar atenção, querer saber, colocar perguntas e criar espaço – todos os dias – para que a outra pessoa se sinta ouvida é imprescindível para que a relação continue a dar certo. Experimente, por exemplo, criar o ritual de conversar ao final do dia sobre os altos e baixos da jornada de cada um.


RECONHECER OS PONTOS SENSÍVEIS. Para uns é a sogra. Para outros é o dinheiro. Ou a política. Há pessoas que se sentem muito tristes/ ameaçadas/ amedrontadas quando se confrontam com queixas ou críticas ao comportamento da sua família alargada. Há casais que raramente se entendem a propósito de religião. Vá com calma. Reconheça os seus próprios pontos fracos, os assuntos que o(a) deixam mais tenso(a). Às vezes mais vale parar a discussão a tempo, tentar entender aquilo que está a sentir, tentar colocar-se na posição da pessoa de quem gosta e aceitar que – naquele momento – não vão chegar a um consenso. 

8.6.15

AGORA NÓS

No dia 5 de junho voltei ao programa AGORA NÓS, na RTP1, para comentar o caso de uma família assolada pelo aneurisma de um dos membros do casal:

- O que muda numa família quando um dos membros do casal fica incapacitado?

- O que acontece à relação conjugal?

Aqui está o vídeo com os meus comentários:


4.6.15

É POSSÍVEL DISCUTIR DE FORMA ‘SAUDÁVEL’?


As discussões são a parte mais difícil de uma relação. Algumas discussões doem tanto que há quem me peça ajuda “só” para parar de discutir ou, pelo menos, diminuir a intensidade das discussões. Muitos perguntam:


E as minhas respostas são sempre as mesmas. Os casais felizes discutem. E às vezes discutem de forma muito intensa. Dói sempre. Mas faz parte.

Discutir – mesmo que de forma intensa – é saudável. É o que mostra a minha experiência clínica e é o que mostram as investigações nesta área. Para dizer a verdade, são os casais que nunca discutem que mais me preocupam. Porquê? Porque, de um modo geral, isso é indicador de que pelo menos uma das pessoas está a ter demasiado cuidado, como se não se sentisse suficientemente segura para se expor.

Mas se é verdade que os casais felizes discutem, toda a gente sabe (ou calcula) que não o façam da mesma maneira que os casais que acabam por divorciar-se. É por isso que tantas vezes me deparo com a pergunta:


Há, pelo menos, 3 ‘regras’ para discutir de forma saudável. O problema é que NENHUMA DELAS FUNCIONA:

1. MANTENHA A CALMA. Quantas vezes já leu/ ouviu esta recomendação? Quantas vezes funcionou? Pedir-lhe (a si ou ao seu parceiro) para manter a calma durante uma discussão é mais ou menos como pedir a alguém que salte de paraquedas ao mesmo tempo que lê o manual de instruções – não vai resultar! É demasiado tarde. Se há discussão, é porque as pessoas já estão demasiado enervadas.

2. CENTRE-SE NUM ÚNICO ASSUNTO E PROCURE SER RAZOÁVEL. Se uma pessoa estiver stressada ao ponto de estar a discutir com o amor da sua vida, isso significa que já não há disponibilidade mental para ser razoável. A pessoa está demasiado acelerada, alarmada. Mais: muitas vezes o assunto que está a ser discutido não é o verdadeiro problema. Quantas vezes deu por si envolvido(a) numa discussão e só mais tarde conseguiu perceber o motivo? A minha experiência mostra-me que um casal pode ter uma discussão intensa sobre o facto de uma das pessoas não ter aspirado a casa quando, na realidade, o que a outra pessoa precisa é de saber se pode depender emocionalmente do parceiro.

3. FAÇA UMA PAUSA. Quem é que lida bem com a retirada do parceiro quando está a reclamar/ discutir? Há alguém que não se sinta ignorado quando o mais-que-tudo opta (com a melhor das intenções) por sair de cena? O cenário mais que provável é um dos ‘clássicos’ que chegam ao meu gabinete: há um que procura ‘acalmar’ a situação tentando sair de cena e há outro que procura ‘acalmar’ a sensação de abandono correndo atrás e (aparentemente) querendo manter a discussão.


Não transformar a discussão numa guerra. Discutir dói mas faz parte. Você e o seu parceiro até podem dizer (várias) coisas da boca para fora. É natural que se sintam magoados. Mas isso não tem de implicar que você ESCOLHA fazer mal ao seu parceiro.

Não querer “ganhar” a discussão”. Pergunte a si mesmo: “Eu quero ter razão ou quero ter uma relação?”. Prestar atenção ao que o seu parceiro sente pode não ser viável durante a discussão. Mas fazê-lo a posteriori ajudá-los-á a reencontrar a harmonia.

Não insultar. Não ameaçar. O grande problema das pessoas que se habituam a ultrapassar estas barreiras é que elas estão convencidas de que quando o fazem, isso não tem qualquer impacto no parceiro. Não poderiam estar mais longe da verdade. Quando uma pessoa chama nomes ao mais-que-tudo ou ameaça terminar a relação, provoca IMENSA dor. Mais: depois disto a outra pessoa já não é capaz de escutar os seus apelos e muito menos dar resposta às suas necessidades.

Tentativas de reparação. São o “ingrediente secreto” dos casais felizes. Mais do que o comportamento DURANTE as discussões, é o comportamento DEPOIS das discussões que verdadeiramente distingue os casais felizes daqueles que acabam por divorciar-se.

1. Encha-se de coragem e tente fazer as pazes.
2. Se o seu parceiro der o primeiro passo, coloque o “orgulho de lado” e mostre a sua vontade de fazer as pazes.
3. Aproveite o momento para falar sobre os seus sentimentos e NÃO sobre o comportamento do seu parceiro.
4. Procure “dar razão” ao seu parceiro acolhendo os seus sentimentos. A ideia NÃO é concordar com o que ele(a) fez e sim tentar compreender o que ele(a) sente.
5. Olhe para o seu comportamento durante a discussão. O que é que você fez/ disse que possa ter assustado o seu parceiro? O que é que pode fazer para o ajudar a voltar a sentir-se seguro? Ele(a) também errou mas não há nada que o impeça de dar o primeiro passo no reconhecimento dos erros.

2.6.15

7 SINAIS DE QUE VOCÊ ENCONTROU A PESSOA CERTA


Se tivesse uma bola de cristal, gostava de saber se a sua relação vai dar certo? A maior parte das pessoas que conheço não acreditam em “almas gémeas” – pelo menos, naquele sentido de existir no mundo alguém feito exatamente à nossa medida, capaz de nos compreender SEMPRE e que NUNCA nos desiluda. Não existem relações (nem pessoas) perfeitas. Existem relações saborosamente imperfeitas que queremos que durem para sempre. Há sinais (claros) de que a pessoa que está ao seu lado é a “tal” e de que a sua relação pode mesmo ser “para sempre”.

1. (ÀS VEZES) NEM É PRECISO DIZER NADA

Os casais mais felizes que conheço conversam muito. Dizem o que pensam e o que sentem. Não ficam à espera que o outro adivinhe. Mas muitas vezes não é preciso verbalizar nada para que um saiba exatamente o que o outro está a sentir. Se o seu amor procura estar por perto quando você se mostra vulnerável, se presta atenção e se mostra disponível para responder às suas necessidades afetivas, dando-lhe a mão quando você se sente inseguro(a), abraçando-o(a) quando você alcança uma vitória tanto quanto nos momentos em que você está triste, é a pessoa certa para si.


E isso, ao fim de algum tempo, também se revela com momentos em que ele(a) parece adivinhar os seus pensamentos.

2. VOCÊ SENTE-SE SEGURO(A)

Não é preciso uma bola de cristal. Se a pessoa que está ao seu lado for a pessoa certa, você sabe. Há uma sensação constante de segurança. Não é que não haja problemas e que você esteja sempre nas nuvens, como nas comédias românticas. O que acontece é que você não sente medo. Não está preocupado com aquilo que tem de fazer para não perder o seu amor. Não vive alarmado(a). Não tem motivos para desconfiar. Quando pensa na pessoa que está ao seu lado, sente-se tranquilo(a).

3. HÁ QUÍMICA

Não é o número de relações sexuais por semana que determina o grau de satisfação conjugal. Para os casais felizes o sexo é importante, sim. Afinal, é mais uma forma de as pessoas mostrarem o seu amor, é mais uma forma de se ligarem. Há alturas em que o sexo é mais fogoso, há outras em que os membros do casal são mais carinhosos e há alturas em que o sexo é muito menos frequente. Há uma constante: os casais felizes tocam-se muito.


Os gestos de afeto são um excelente preditor do sucesso de uma relação.

4. CONHECE OS SEUS “PODRES”

Conhece bem o seu amor? E tem a certeza de que ele(a) sabe tudo sobre si? Então, é provável que esta seja a pessoa certa para si. Numa relação feliz e duradoura não há barreiras, não há máscaras. Pelo contrário, há a sensação (boa) de que cada um pode ser quem é, de forma transparente. Você não sente qualquer necessidade de se esconder, de disfarçar o que sente. Sabe que a pessoa que escolheu o(a) aceita tal como é e que gosta de si apesar dos seus defeitos ou “podres”.

5. DESAFIA-O(A)

Nenhuma relação é um mar de rosas permanente. Numa relação feliz e duradoura também há discussões, momentos de tensão e de desconexão. Não há desrespeito, não há maus-tratos. Há divergências sérias. Há momentos em que um se sente profundamente irritado com o comportamento do outro. E há a certeza de que juntos “resultam” melhor. Se a pessoa que está ao seu lado o irrita algumas vezes mas é, simultaneamente, aquela que o(a) faz sair da sua zona de conforto e o(a) ajuda a ser uma pessoa melhor, aproveite. É, provavelmente, a pessoa certa para si.

6. PARTILHAM OBJETIVOS

Não há almas gémeas e, de um modo geral, as relações felizes são construídas por pessoas diferentes, com feitios diferentes, gostos diferentes e hábitos diferentes. As diferenças não são um problema. Pelo menos, na medida em que haja um rumo, um projeto a dois.


Os casais felizes não perdem de vista o que é essencial para eles. Partilham valores, sonham a dois e lutam (a dois) pela concretização desses sonhos.

7. TEM UMA MISSÃO


No meio dos momentos de tensão é difícil reparar nas boas intenções da pessoa que está ao seu lado. Afinal, ele(a) às vezes também pode parecer egoísta (Quem não o é de vez em quando?). Mas, de um modo geral, você sente que o seu amor tem uma missão: fazê-lo(a) feliz. Se prestar atenção às escolhas dele(a) e reparar que há (muitos) momentos em que ele(a) só fez determinadas escolhas porque eram importantes para si, esta é a pessoa certa. Os casais mais felizes são formados por pessoas que se empenham genuinamente em fazer a pessoa que está ao seu lado feliz. Isso muitas vezes implica “perder” em termos individuais em nome de um bem maior (a relação). Implica ceder. Implica deixar de fazer o que apetece. “Só” para ver a pessoa de quem se gosta feliz.

21.5.15

OS CASAIS E O DINHEIRO (5 PERGUNTAS IMPORTANTES)


Qual é a forma certa de gerir o dinheiro numa relação? Cada um deve ter a sua própria conta? Deve existir sempre uma conta conjunta? Será que os casais mais felizes só têm uma conta? E as despesas? Deverão ser divididas de forma simétrica? Ou de forma proporcional ao que cada um ganha? E o que é que acontece se um não trabalhar? Ou se ficar desempregado?

O dinheiro é um dos assuntos sensíveis numa relação (a par do sexo, da educação dos filhos e da relação com a família alargada). Na prática, falar de dinheiro é falar da liberdade e do poder de cada membro do casal. Mas também é falar de confiança e de segurança emocional.

Não há uma resposta “certa” para esta pergunta. Há casais felizes que têm contas conjuntas; e há casais felizes que não têm. Alguns casais optam por ter 3 contas: uma para cada um mais uma conta conjunta, onde cada um coloca uma parte do que ganha (seja para as despesas correntes, seja para poupar para um objetivo comum). Este é apenas um exemplo de um compromisso TEMPORÁRIO. O mais importante é que duas pessoas que se amam sejam capazes de conversar abertamente sobre as necessidades, as preocupações e os sonhos de cada um. É absolutamente normal que no início de uma relação haja alguns desencontros. É normal que um seja mais poupado do que o outro. É normal que um sinta mais gosto em poder comprar peças de roupa, relógios, peças para o carro ou outra futilidade qualquer todos os meses. Se a vontade de fazer com que a relação dê certo e a vontade de fazer a pessoa que está ao nosso lado feliz se sobrepuserem à crítica e aos juízos de valor, tudo se torna mais fácil. Isso significa que as conversas podem não ser sempre fáceis mas é possível chegar a acordos se cada um estiver disposto a ceder. Ceder é abdicar de alguns hábitos em nome de um bem maior: a relação, a família que se quer construir.

O desemprego é um dos desafios por que qualquer casal pode ter de passar. E na medida em que o dinheiro escasseie é normal que haja aflição. Ora, na medida em que duas pessoas se sintam inseguras (em relação à possibilidade de honrarem os seus compromissos) é muito mais provável que se descontrolem, que digam coisas sem pensar, que se magoem mutuamente. Isso não tem de ser dramático. É SEMPRE possível voltar atrás, reconhecer que se errou (por exemplo, se houver acusações injustas) e tentar olhar para o essencial. E o essencial, neste caso, é conseguir falar abertamente sobre os medos de cada um. Um casal pode sair ainda mais unido de uma situação de desemprego na medida em que um e o outro consigam falar sobre o que sentem e na medida em que essas emoções sejam reconhecidas pelo outro.

Tudo se torna mais complicado se, até aí, houver pouca prática no que diga respeito à capacidade de criar compromissos. Se estiver cada um por si, gerindo o próprio dinheiro sem ter de fazer quaisquer cedências, é natural que haja maior dificuldade de adaptação à nova realidade.

Na prática é essencial colocar algumas questões:

Como é que o seu amor se sente?
Do que é que ele(a) precisa?
O que é que você pode fazer para o ajudar (a estar mais feliz/ mais seguro(a))?
Como é que você sente em relação à possibilidade de sair da sua zona de conforto?
Que medos tem?
Quão importante é para si fazer com que a relação dê certo?

Já o disse várias vezes: um filho é um verdadeiro terramoto no ciclo de vida de um casal. Entre as noites mal dormidas, o cansaço, a mudança de rotinas, a falta de tempo para ‘não fazer nada’, os medos de cada um e as solicitações constantes de outros membros da família, é relativamente fácil que em alguns momentos ambos se sintam muito desgastados. E esta é precisamente a altura em que novos desafios financeiros surgem. Gasta-se muito mais dinheiro e, se não existirem compromissos prévios, é natural que pelo menos um dos membros do casal possa sentir-se muito alarmado. Basta que um seja mais poupado e que não haja o hábito de fazer cedências para que o facto de o outro comprar roupinhas novas para o bebé seja visto como uma ameaça (e haja nova explosão).

O que é que cada um pode fazer? Falar abertamente sobre os principais receios, expor calmamente as suas expetativas e, se ainda não o tiverem feito, conversar sobre a história pessoal de cada um. Quais são os principais marcos (financeiros) na sua vida? Qual é a origem dos seus medos? Por que situações aflitivas já passou? Dessa partilha sincera e, sobretudo, da capacidade de cada um para prestar atenção ao que o outro sente, resultará maior união e a sensação de que juntos ultrapassarão quaisquer desafios.
Algumas pessoas gastam muito dinheiro em restaurantes. Outras têm o (caro) hábito de fumar. Há quem compre roupa e sapatos como se não houvesse amanhã. E há quem não se importe de pagar uma fortuna por um carro. É normal. Pessoas diferentes têm gostos e hábitos diferentes. Aquilo que não é assim tão saudável é que duas pessoas que se amam estejam a borrifar-se para o que o mais-que-tudo sente. Sim, é saudável que uma pessoa que seja ‘apaixonada’ por roupa possa continuar a gastar algum dinheiro naquilo que a faz feliz. Mas é fundamental que, com o tempo, se crie uma identidade de casal, um “Nós”. E isso implica escolher NÃO fazer sempre aquilo que apetece – em nome do “Nós”.

Se tem tido dificuldades em aceitar a forma como o seu amor gasta o dinheiro e/ou se ele(a) está permanentemente a criticar a forma como você o faz, experimente:

1. Anote TODOS os seus gastos ao longo de um mês. Peça ao seu amor para fazer o mesmo e conversem sobre isso. Tente evitar os juízos de valor e explique como é que você se sente (identifique os seus medos e aquilo que o/a faz feliz). Do que é que cada um está disposto a abdicar? Que itens é que são negociáveis? O que é que é essencial para cada um?

2. Faça uma estimativa anual das suas despesas (individuais e familiares). Inclua aquelas despesas pontuais que costumam desequilibrar as contas (seguros, revisão do carro, férias, etc.). Conversem sobre isso. Como é que cada um se sente em relação à forma como o dinheiro é gasto? Que mudanças gostariam de conseguir implementar?

Quando um dos membros do casal insiste em gastar dinheiro naquilo que o/a faz feliz independente do que o outro sente, é facilmente rotulado de egoísta. Na prática, pode não estar consciente do impacto das suas escolhas. Pode sentir-se (injustamente) acusado e, em função disso, não estar a ser capaz de reconhecer que, por detrás de uma queixa, estão medos e necessidades legítimas. É fundamental parar para conversar (sem ataques).
Será que os membros do casal devem participar igualmente na gestão financeira? Uma relação pode ser saudável se só um for responsável por fazer os pagamentos e tomar decisões?

Para alguns casais felizes faz sentido que ambos participem na gestão financeira. As decisões são conversadas, ambos “controlam” os movimentos bancários, ambos estão responsáveis por fazer pagamentos. Para outros é mais confortável a ideia de um dos membros do casal ter essa tarefa. Não é que um se ‘demita’ ou que o outro queira controlar tudo. Essa escolha resulta da confiança mútua e do respeito pelo que cada um sente. Às vezes há um que tem mais jeito ou que está mais à vontade com estes assuntos.


Um casal pode ter uma relação feliz e duradoura mesmo quando é a pessoa que não trabalha (ou que ganha menos) que toma a maior parte das decisões respeitantes à gestão financeira. Porquê? Porque, como sempre, o mais importante é que cada um se sinta seguro. E, para isso, é essencial que haja um profundo conhecimento mútuo, que cada um se sinta capaz de expor as suas inseguranças, os seus medos e também aquilo que o/a faz feliz. Quanto mais uma pessoa viver com a certeza de que ao seu lado está alguém que se preocupa com os seus sentimentos e que se esforça para a fazer feliz, maior é a capacidade de confiar, delegando.
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