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21.5.15

OS CASAIS E O DINHEIRO (5 PERGUNTAS IMPORTANTES)


Qual é a forma certa de gerir o dinheiro numa relação? Cada um deve ter a sua própria conta? Deve existir sempre uma conta conjunta? Será que os casais mais felizes só têm uma conta? E as despesas? Deverão ser divididas de forma simétrica? Ou de forma proporcional ao que cada um ganha? E o que é que acontece se um não trabalhar? Ou se ficar desempregado?

O dinheiro é um dos assuntos sensíveis numa relação (a par do sexo, da educação dos filhos e da relação com a família alargada). Na prática, falar de dinheiro é falar da liberdade e do poder de cada membro do casal. Mas também é falar de confiança e de segurança emocional.

Não há uma resposta “certa” para esta pergunta. Há casais felizes que têm contas conjuntas; e há casais felizes que não têm. Alguns casais optam por ter 3 contas: uma para cada um mais uma conta conjunta, onde cada um coloca uma parte do que ganha (seja para as despesas correntes, seja para poupar para um objetivo comum). Este é apenas um exemplo de um compromisso TEMPORÁRIO. O mais importante é que duas pessoas que se amam sejam capazes de conversar abertamente sobre as necessidades, as preocupações e os sonhos de cada um. É absolutamente normal que no início de uma relação haja alguns desencontros. É normal que um seja mais poupado do que o outro. É normal que um sinta mais gosto em poder comprar peças de roupa, relógios, peças para o carro ou outra futilidade qualquer todos os meses. Se a vontade de fazer com que a relação dê certo e a vontade de fazer a pessoa que está ao nosso lado feliz se sobrepuserem à crítica e aos juízos de valor, tudo se torna mais fácil. Isso significa que as conversas podem não ser sempre fáceis mas é possível chegar a acordos se cada um estiver disposto a ceder. Ceder é abdicar de alguns hábitos em nome de um bem maior: a relação, a família que se quer construir.

O desemprego é um dos desafios por que qualquer casal pode ter de passar. E na medida em que o dinheiro escasseie é normal que haja aflição. Ora, na medida em que duas pessoas se sintam inseguras (em relação à possibilidade de honrarem os seus compromissos) é muito mais provável que se descontrolem, que digam coisas sem pensar, que se magoem mutuamente. Isso não tem de ser dramático. É SEMPRE possível voltar atrás, reconhecer que se errou (por exemplo, se houver acusações injustas) e tentar olhar para o essencial. E o essencial, neste caso, é conseguir falar abertamente sobre os medos de cada um. Um casal pode sair ainda mais unido de uma situação de desemprego na medida em que um e o outro consigam falar sobre o que sentem e na medida em que essas emoções sejam reconhecidas pelo outro.

Tudo se torna mais complicado se, até aí, houver pouca prática no que diga respeito à capacidade de criar compromissos. Se estiver cada um por si, gerindo o próprio dinheiro sem ter de fazer quaisquer cedências, é natural que haja maior dificuldade de adaptação à nova realidade.

Na prática é essencial colocar algumas questões:

Como é que o seu amor se sente?
Do que é que ele(a) precisa?
O que é que você pode fazer para o ajudar (a estar mais feliz/ mais seguro(a))?
Como é que você sente em relação à possibilidade de sair da sua zona de conforto?
Que medos tem?
Quão importante é para si fazer com que a relação dê certo?

Já o disse várias vezes: um filho é um verdadeiro terramoto no ciclo de vida de um casal. Entre as noites mal dormidas, o cansaço, a mudança de rotinas, a falta de tempo para ‘não fazer nada’, os medos de cada um e as solicitações constantes de outros membros da família, é relativamente fácil que em alguns momentos ambos se sintam muito desgastados. E esta é precisamente a altura em que novos desafios financeiros surgem. Gasta-se muito mais dinheiro e, se não existirem compromissos prévios, é natural que pelo menos um dos membros do casal possa sentir-se muito alarmado. Basta que um seja mais poupado e que não haja o hábito de fazer cedências para que o facto de o outro comprar roupinhas novas para o bebé seja visto como uma ameaça (e haja nova explosão).

O que é que cada um pode fazer? Falar abertamente sobre os principais receios, expor calmamente as suas expetativas e, se ainda não o tiverem feito, conversar sobre a história pessoal de cada um. Quais são os principais marcos (financeiros) na sua vida? Qual é a origem dos seus medos? Por que situações aflitivas já passou? Dessa partilha sincera e, sobretudo, da capacidade de cada um para prestar atenção ao que o outro sente, resultará maior união e a sensação de que juntos ultrapassarão quaisquer desafios.
Algumas pessoas gastam muito dinheiro em restaurantes. Outras têm o (caro) hábito de fumar. Há quem compre roupa e sapatos como se não houvesse amanhã. E há quem não se importe de pagar uma fortuna por um carro. É normal. Pessoas diferentes têm gostos e hábitos diferentes. Aquilo que não é assim tão saudável é que duas pessoas que se amam estejam a borrifar-se para o que o mais-que-tudo sente. Sim, é saudável que uma pessoa que seja ‘apaixonada’ por roupa possa continuar a gastar algum dinheiro naquilo que a faz feliz. Mas é fundamental que, com o tempo, se crie uma identidade de casal, um “Nós”. E isso implica escolher NÃO fazer sempre aquilo que apetece – em nome do “Nós”.

Se tem tido dificuldades em aceitar a forma como o seu amor gasta o dinheiro e/ou se ele(a) está permanentemente a criticar a forma como você o faz, experimente:

1. Anote TODOS os seus gastos ao longo de um mês. Peça ao seu amor para fazer o mesmo e conversem sobre isso. Tente evitar os juízos de valor e explique como é que você se sente (identifique os seus medos e aquilo que o/a faz feliz). Do que é que cada um está disposto a abdicar? Que itens é que são negociáveis? O que é que é essencial para cada um?

2. Faça uma estimativa anual das suas despesas (individuais e familiares). Inclua aquelas despesas pontuais que costumam desequilibrar as contas (seguros, revisão do carro, férias, etc.). Conversem sobre isso. Como é que cada um se sente em relação à forma como o dinheiro é gasto? Que mudanças gostariam de conseguir implementar?

Quando um dos membros do casal insiste em gastar dinheiro naquilo que o/a faz feliz independente do que o outro sente, é facilmente rotulado de egoísta. Na prática, pode não estar consciente do impacto das suas escolhas. Pode sentir-se (injustamente) acusado e, em função disso, não estar a ser capaz de reconhecer que, por detrás de uma queixa, estão medos e necessidades legítimas. É fundamental parar para conversar (sem ataques).
Será que os membros do casal devem participar igualmente na gestão financeira? Uma relação pode ser saudável se só um for responsável por fazer os pagamentos e tomar decisões?

Para alguns casais felizes faz sentido que ambos participem na gestão financeira. As decisões são conversadas, ambos “controlam” os movimentos bancários, ambos estão responsáveis por fazer pagamentos. Para outros é mais confortável a ideia de um dos membros do casal ter essa tarefa. Não é que um se ‘demita’ ou que o outro queira controlar tudo. Essa escolha resulta da confiança mútua e do respeito pelo que cada um sente. Às vezes há um que tem mais jeito ou que está mais à vontade com estes assuntos.


Um casal pode ter uma relação feliz e duradoura mesmo quando é a pessoa que não trabalha (ou que ganha menos) que toma a maior parte das decisões respeitantes à gestão financeira. Porquê? Porque, como sempre, o mais importante é que cada um se sinta seguro. E, para isso, é essencial que haja um profundo conhecimento mútuo, que cada um se sinta capaz de expor as suas inseguranças, os seus medos e também aquilo que o/a faz feliz. Quanto mais uma pessoa viver com a certeza de que ao seu lado está alguém que se preocupa com os seus sentimentos e que se esforça para a fazer feliz, maior é a capacidade de confiar, delegando.

20.5.15

COMO É QUE SE CONSTRÓI UMA RELAÇÃO SEGURA?


Boa parte dos casais que pedem a minha ajuda estão convencidos de que o seu problema tem um nome: Comunicação. “Problemas de comunicação”. É assim que muitos homens e mulheres olham para as dificuldades conjugais. E se é verdade que, na esmagadora maioria dos casos, existem dificuldades de comunicação, de um modo geral esse não é “o” problema. Os problemas de comunicação são uma das consequências do problema. Como assim? Eu explico: imagine que o seu filho é violentamente agredido por um colega e que, em resposta a essa agressão, empurra furiosamente a outra criança. Se você entrar no quarto e assistir apenas ao empurrão, é provável que olhe para o comportamento do seu filho como “o” problema e procure “resolvê-lo” chamando a atenção da criança. Estará, como é óbvio, a ignorar o verdadeiro problema.

As dificuldades de comunicação – os amuos, os gritos, os ataques e o descontrolo – são aflitivas, sim. Mas são apenas a resposta (instintiva) aos reais problemas. E as reais dificuldades têm outro nome: Intimidade. Quanto uma pessoa não se sente segura na relação, quando não há a intimidade emocional que deveria existir, o medo instala-se e as dificuldades de comunicação surgem.


Podemos ser as pessoas mais assertivas do mundo, usar um tom de voz calmo e não amuar nem atacar nunca. Isso valer-nos-á de muito pouco se não formos capazes de construir uma ligação segura com a pessoa que amamos.

E o que é que caracteriza – então – uma relação segura? O que é que os casais felizes têm e que possa ser chamado de “Intimidade Emocional”? Resumidamente, é uma questão de prestar atenção e procurar responder com afeto às necessidades da pessoa de quem se gosta. Se voltarmos à metáfora das crianças é mais fácil perceber do que se trata: prestar atenção implicaria NÃO agir impulsivamente, e PERGUNTAR à criança por que estava a empurrar o amiguinho. Isto é, implicaria QUERER SABER, assumir uma postura de curiosidade genuína. Responder com afeto implicaria ACOLHER as emoções da criança (neste caso, a tristeza por ter sido violentamente agredida), ainda que posteriormente houvesse uma chamada de atenção em relação à sua resposta. Responder com afeto é dizer “TENS RAZÃO para te sentires assim”. É dizer “TENS O DIREITO de te sentires assim”. É dizer “ESTOU SOLIDÁRIO(A) com o teu sofrimento”. É estar “lá”.

Numa relação amorosa também é isto que buscamos: a sensação constante de que a pessoa de quem gostamos presta atenção àquilo que sentimos e responde com carinho aos nossos pedidos de ajuda.


Mas são muito mais as vezes em que os apelos de um são acolhidos pelo outro do que as alturas em que esses apelos são ignorados ou desprezados.

18.5.15

5 DICAS PARA GERIR A ANSIEDADE


Se é daquelas pessoas que estão SEMPRE preocupadas e/ou se a ansiedade tomou conta da sua vida, é natural que se sinta cansado(a) e com vontade de mudar. Você tenta e tenta mas os pensamentos negativos nascem como cogumelos? O coração está a mil à hora e os cenários mais catastróficos tiram-lhe o sono? Estas dicas são para si:

Marque na agenda: “Hora da preocupação”.

Não adianta dizer a si mesmo “A partir de hoje vou deixar de me preocupar”. Os pensamentos têm (muita) força e não desaparecem só porque decidimos afastá-los. Mas isso também não significa que você não possa fazer nada para passar a preocupar-se menos. Se um dos seus desejos é travar a escalada de ansiedade e controlar as suas preocupações (em vez de passar os dias às voltas com pensamentos catastróficos), experimente:

1. Escolha um período específico do dia para se preocupar. Defina uma hora (ou mais) na sua agenda. Esse é o momento que você ESCOLHE dedicar às preocupações. Saber que esse tempo existe trar-lhe-á o conforto de saber que não está a evitar os problemas.

2. Adie as preocupações. Ao longo do dia é natural que dê por si a ser invadido por algumas preocupações. Anote-as (num caderno, no telemóvel ou no computador). Não dê corda aos pensamentos.

3. Olhe para a sua lista de preocupações. À hora marcada reveja as suas anotações, permita-se pensar nos problemas e em eventuais soluções. Este é o momento do dia em que você ESCOLHE preocupar-se, seja com o que for.

Identifique dois tipos de problemas: com e sem solução.

É muito importante que você aprenda a conhecer os seus problemas.


Qual é a probabilidade de acontecer aquilo de que você tem medo? Há alguma coisa que você possa fazer para evitar esse problema (para além de se preocupar)?

Se o problema tiver solução…

Perante uma situação concreta, que você PODE resolver, comece por fazer uma lista de soluções. Tente pensar “fora da caixa”. Equacione tantas alternativas quanto possível. Peça ajuda a alguém em quem confie. Duas cabeças pensam melhor do que uma (sobretudo se você estiver consumido pela ansiedade). Analise as vantagens e desvantagens de cada alternativa. Comprometa-se com uma solução e lembre-se de que NÃO há soluções perfeitas.

Se o problema não tiver solução…

Os problemas que não dependem de si, aqueles que escapam ao seu controlo, são, provavelmente, aqueles que mais mexem consigo. As pessoas mais ansiosas vivem “ocupadas” com este tipo de problemas. Aquilo que você provavelmente não sabe é que esta preocupação crónica também é um mecanismo de defesa que lhe permite fugir de algumas emoções. É verdade! Enquanto você se preocupa, não sente.

Permita-se sentir. Sentir tudo. Algumas emoções podem parecer confusas. Às vezes até parece que “não faz sentido” sentir algumas coisas – raiva, tristeza ou medo, por exemplo. Mas quanto mais você prestar atenção àquilo que REALMENTE está a sentir, maior é a probabilidade de se ver livre da ansiedade por que tem passado.

Aceite a incerteza.

As pessoas mais ansiosas vivem numa constante necessidade de ter tudo controlado. Talvez por isso nem sempre se permitam olhar para as emoções. Mas a verdade é que é possível viver com a incerteza. Na prática, aceitar que aquilo que controlamos é mesmo muito pouco pode ajudar a controlar a ansiedade. Pergunte a si mesmo(a): É possível ter TUDO sob controlo? Quais são as vantagens e desvantagens de me preocupar com este assunto? O que é que mudaria na minha vida se eu não me preocupasse (tanto)? Anote as suas respostas. Dê a si mesmo(a) a oportunidade de questionar as escolhas que tem feito.

Preste atenção às pessoas que estão à sua volta.

As pessoas que estão à sua volta condicionam o seu humor, a sua capacidade para lidar com os problemas e a resposta que você dá às suas necessidades afetivas (e não só).


Faça um diário das suas emoções. Anote tudo e preste atenção aos seus sentimentos. Quem são as pessoas que habitualmente o(a) fazem sentir-se em baixo? Há pessoas demasiado negativas ou tóxicas na sua vida? O que é que você pode fazer para se sentir melhor? Quem são as pessoas que habitualmente o(a) colocam para cima?

Já ouviu falar de mindfulness?

As preocupações – sobretudo as mais intensas – estão quase sempre relacionadas com acontecimentos do passado e do futuro. Não têm a ver com o presente. E, no entanto, pela energia que roubam, impedem-nos de viver o momento atual. Aprender a centrar-se no aqui e agora pode ajudá-lo a controlar a ansiedade e a usufruir de todo o prazer e de toda a alegria que a sua vida lhe pode dar. Há exercícios específicos que permitem treinar e aprimorar esta capacidade. Nenhum deles dá frutos da noite para o dia. Requerem muita disciplina, muita dedicação e algum tempo. E podem trazer-lhe muita serenidade.


Faça uma pausa no seu dia de trabalho. Tire 10 minutos para fazer uma meditação em modo mindfulness, isto é, em modo “atenção plena”. Coloque os headphones com um som calmante (www.calm.com) e procure focar-se “apenas” na respiração. Não tente mudar nada. Preste atenção. Os pensamentos – sobretudo aqueles que estiverem relacionados com as suas preocupações teimarão em reaparecer. Não faz mal. Não se zangue. Afaste-os serenamente. E volte a centrar-se na sua respiração.

Como é que isto se faz?

Treinando todos os dias. No início pode ser útil dizer a si mesmo(a) “Inspira” e “Expira”, só para ter a certeza de que está focado na respiração.

Como é que isto o pode ajudar?


São muitos os estudos que mostram que as pessoas que treinam a atenção plena sentem-se mais relaxadas, mais focadas, mais produtivas.

14.5.15

PORQUE É QUE OS ADOLESCENTES PRATICAM BULLYING?


Tão fortes que eles são. Ameaçam, batem, ridicularizam, humilham. E não mostram um pingo de compaixão pelas suas vítimas. São miúdos. São só miúdos. Como podem ser tão violentos? Como podem assumir comportamentos capazes de arrepiar, chocar ou enojar o comum dos mortais? Quais são as causas do bullying entre adolescentes?

INSEGURANÇA

Podem parecer fortes mas na maior parte das vezes os agressores não passam de pessoas inseguras que procuram valorizar-se e impor-se através destes atos de violência. Fazem-no EM GRUPO porque sozinhos muitas vezes sentem que não valem nada. Não são capazes de o admitir, claro. Nem esta insegurança desculpa alguma coisa. Mas ajuda a perceber. Quando tratam um colega de escola como se fosse lixo, sentem-se melhor consigo mesmos: poderosos, capazes.

FAMÍLIA DISFUNCIONAL

Nem todos os agressores vêm de famílias onde reine a violência. Nem uma família disfuncional é sinónimo de que uma criança ou um adolescente se transforme num agressor.


Mas os estudos mostram que grande parte dos agressores vêm de famílias caóticas, onde os afetos não são manifestados de forma clara. São miúdos que são frequentemente expostos a maus tratos.

PODER

Estes adolescentes precisam de sentir que têm o controlo. Buscam a sensação de poder. Há uma gratificação associada à possibilidade de exercerem o domínio sobre outra pessoa. São miúdos impulsivos, que se descontrolam com facilidade e que se sentem gratificados quando a vítima mostra medo e se esconde, por exemplo.

RECOMPENSA

Sem querer, as vítimas “recompensam” os agressores. As vítimas NÃO TÊM CULPA de nada. Mas sempre que um miúdo entrega o dinheiro do almoço, ou o telemóvel ou outra coisa qualquer – por medo – está a recompensar o agressor. Quem agride vê o seu comportamento gratificado. E também se sente recompensado pela popularidade ganha. O facto de haver quem assista a toda esta VIOLÊNCIA e lhe gabe os feitos acaba por ser uma forma de valorização.



FALTA DE EMPATIA

Na maior parte destes casos os agressores NÃO se interessam pelos sentimentos dos outros. Pode custar a acreditar mas alguns adolescentes pura e simplesmente não sentem empatia com o sofrimento alheio. Pelo contrário, podem regozijar-se com isso. Quando batem, humilham e ameaçam não se deixam influenciar pelo que a vítima possa estar a sentir. Isso NÃO significa que não saibam que o que estão a fazer está errado. SABEM.

FALTA DE CONTROLO

Estes adolescentes não sabem controlar as próprias emoções. Qualquer adolescente já experimentou a sensação de raiva intensa. É normal. Mas a maior parte dos miúdos acabam por controlar essa raiva. Mesmo quando se sentem muito frustrados, a maior parte dos adolescentes ESCOLHEM parar antes de fazer mal a alguém. Quando não há esta capacidade para gerir as próprias emoções, qualquer pequena frustração ou provocação pode levar a uma reação explosiva. A vítima pode passar pelo agressor e tocar-lhe sem querer. O facto de pedir desculpas não muda nada. O agressor pode descontrolar-se e pontapeá-la ou esmurrá-la.

FALTA DE SUPERVISÃO


Os adolescentes que crescem em famílias em que falte disciplina e supervisão têm uma probabilidade maior de se transformarem em agressores de outros colegas. A ausência de limites claros é tão violenta (e destrutiva) quanto um ambiente familiar marcado pela punição física e pelo autoritarismo.

6.5.15

4 SUGESTÕES PARA LIDAR COM A SUA SOGRA


Não seria justo dizer que todos os casais têm problemas de relacionamento com as sogras. Mas a verdade é que muitas das pessoas que me pedem ajuda acabam por maldizer a relação com a família alargada do mais-que-tudo e com a sogra em particular. Nalguns casos a aflição é tão grande e as mágoas acumuladas são tantas que o casal chega a falar em divórcio. Nesses casos, a conversa é quase sempre a mesma: “Ou ela, ou eu”. Quando uma pessoa se sente continuamente invadida, desrespeitada, manipulada ou humilhada é fácil permitir que a raiva tome conta de si.

Tenho de ser franca: estes conflitos são MUITO mais frequentes entre noras e sogras. E quando os conflitos se acumulam, é relativamente fácil perder-se o controlo da situação. Mas há vários passos que cada pessoa pode seguir para construir uma relação mais harmoniosa.

NÃO ESTEJA À ESPERA DE UM VEREDITO

A maior parte das mulheres que me pedem ajuda a propósito deste problema – em terapia de casal ou individualmente – estão à espera de uma decisão. Esperam que o marido tome uma atitude mais ou menos drástica, que ponha a mãe no “devido lugar”. E esquecem-se do essencial: esta não é uma pessoa qualquer. Esta é a pessoa que durante duas ou três décadas (às vezes mais) mostrou de forma clara o amor incondicional pelo filho; esta é a pessoa que diariamente esteve “lá”. A cuidar, a amparar, a dar o melhor de si. E é amor aquilo que o filho/marido sente pela mãe. Como é que ele se sente perante a possibilidade de tomar medidas drásticas? Como é que ele se sente perante a ideia de dizer ou fazer alguma coisa que magoe a própria mãe? Mal… Muito mal.

É absolutamente legítimo que uma pessoa queira ver o seu espaço respeitado. É natural que alguém se queixe quando a sogra tenta ultrapassar os limites do razoável. Mas é fundamental que não percamos de vista o mais importante numa relação amorosa: fazer a pessoa que está ao nosso lado feliz. É praticamente impossível ser-se feliz no casamento na medida em que exijamos a quem está ao nosso lado que ignore os sentimentos de uma das pessoas mais importantes da sua vida.


Ele(a) também ama os pais, os irmãos, os sobrinhos e os tios. Não faça exigências que não tenham em consideração esse amor.

PRESTE ATENÇÃO AOS SENTIMENTOS (DO MAIS-QUE-TUDO)

Fazer um pedido de ajuda ou uma chamada de atenção torna-se infinitamente mais fácil se você mostrar DE FORMA CLARA que quer saber dos sentimentos da pessoa que está ao seu lado. Não chega dizer “Eu sei que é difícil para ti…” e desatar a fazer reivindicações que possam ser sentidas como ataques à mãe dele. É preciso assumir uma postura de genuína curiosidade e empatia. É preciso perguntar “Como é que TU te sentes?”, “Do que é que TU tens medo?”, “O que é que TU gostarias de fazer?”. E é preciso tentar colocar-se no lugar do seu amor, ser sensível às dificuldades.

CONTROLE-SE

Você pode achar que tem assumido uma postura correta no meio de toda esta história. Pode até  considerar que tem assumido uma postura demasiado permissiva e que, em função  disso, só  tem perdido. Mas a experiência mostra-me que nestes casos quanto maior for a mágoa maior é a probabilidade de a sua passividade dar lugar a explosões de agressividade. Refiro-me a situações em que as emoções (raiva) tomem conta de si e acabem por levá-la a dizer coisas que magoem (muito) o mais-que-tudo. E são esses comentários que poderão deitar tudo a perder. Porque quando você se descontrola e se centra na sua sogra, faz acusações e desvia-se do essencial: aquilo que você sente. Quando o seu amor a ouve dizer que a mãe  dele é isto e aquilo, passa a sentir-se ameaçado. E defende-se (defendendo a mãe). Já não consegue prestar atenção ao que você sente porque está ferido. Não acredita nas suas boas intenções, não confia na sua vontade de o fazer feliz.


Há frases que poderiam ser ditas a propósito de outras pessoas mas não em relação a uma das pessoas que o seu companheiro mais ama na vida.

Quando se sentir dominada pela raiva, o melhor é não dizer nada. Procure acalmar-se. Converse sobre o assunto quando estiver segura de que as suas queixas não a impedirão de respeitar o seu amor. Nessa altura evite as acusações e peça-lhe que seja solidário com o que você sente.

Experimente:

"Quando a tua mãe  (...) eu sinto-me (...). Podes ajudar-me?" Ou "Eu sei que não foi por mal mas quando a tua mãe  (...) eu senti-me (...) e era importante para mim que prestasses atenção e resolvessemos o assunto para que a situação não se repita.".

SEJA GENTIL


Ser gentil não é fechar os olhos ao comportamento da sua sogra. É ser genuinamente sensível ao que ela sente. Lembre-se de que as emoções da sua sogra são legítimas (o comportamento é que pode não o ser). Tente entendê-la. Tente ajudá-la no que estiver ao seu alcance. Quanto maior for a sua capacidade de se ligar afetivamente à família do seu amor, maior será a sua legitimidade para apontar o dedo. Se, pelo contrário, você estiver sempre a apontar os erros e, aos olhos do seu companheiro, a única coisa que você mostra for raiva, será muito mais difícil acreditar que você está de boa-fé.
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