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19.1.15

AMAR UM HOMEM CASADO


Leonor pediu a minha ajuda para terminar uma relação que rotulou, logo na primeira consulta, de "doentia". Há quase 10 anos que estava envolvida com um homem casado e estava cansada. "É de loucos! Eu sei que ele não se vai separar. Já terminámos inúmeras vezes. Mas acabo por voltar. Preciso de ajuda para me libertar disto". E o que é "isto"? É uma relação desequilibrada, marcada por constantes expetativas irrealistas, sonhos que teimam em não acontecer. A vida de Leonor é a vida de muitas mulheres que reconhecem que vivem de "migalhas", que se sentem permanentemente sós e carentes e que têm muita dificuldade em dar a volta.


A maior parte das mulheres que me procuram nestas circunstâncias são bem-sucedidas profissionalmente, têm amigas, uma rede de suporte mas... Também têm quase sempre sérias dificuldades relacionadas com a autoestima. Às vezes, em função dos cargos que desempenham ou até da beleza que as caracteriza, parecem mulheres seguras, capazes de fazer escolhas melhores.

Um olhar mais minucioso sobre os seus sentimentos permite quase sempre identificar uma bagagem emocional recheada de vulnerabilidades.

São quase sempre as feridas emocionais que carregam - e que muitas vezes se esforçam por camuflar - que as empurram para estes relacionamentos destrutivos.

É a carência. A necessidade de se sentirem amadas. A ânsia de se sentirem valorizadas por alguém que teima em não dar a atenção que evidentemente merecem. Vivem num ciclo vicioso marcado por tentativas de agradar à pessoa de quem gostam, comparações infrutíferas com a esposa (“O que é que ela tem que eu não tenho?”), deterioração da autoestima, sentimentos de culpa e solidão (nem que seja porque os verdadeiros momentos especiais são SEMPRE passados com a esposa).


  • Olhar para trás e identificar as próprias feridas emocionais (eventos difíceis, muitas vezes ocorridos na infância, que contribuíram para estas vulnerabilidades).
  • Identificar as armadilhas da relação com um homem casado (as promessas, os "bons momentos", a falsa segurança, a sensação de conexão que teima em não se traduzir numa relação de compromisso).
  • Reconhecer o próprio poder (desdramatizar o fim da relação, trabalhar a autoestima e as outras relações afetivas).
  • Perspetivar o futuro (porque quando nos libertamos do que nos faz mal é muito mais fácil olhar para a frente e fazer as escolhas que nos aproximem realmente daquilo que merecemos).


14.1.15

AGORA NÓS - ALIENAÇÃO PARENTAL

Ontem estive no programa AGORA NÓS, na RTP 1,
para falar sobre ALIENAÇÃO PARENTAL. Raquel é acusada pelo ex-companheiro de ter raptado a filha.


FAMÍLIAS DE ACOLHIMENTO


A propósito da minha participação no programa AGORA NÓS onde voltámos a falar de Alexandra, a menina russa que vivia com uma família de acolhimento portuguesa e que há seis anos comoveu o país por ser forçada a viver com a família biológica, lembrei-me de um tema que nunca abordei aqui: o luto nas famílias de acolhimento. Como se sabe, estas famílias de coração são quase sempre lares temporários para crianças em risco que, mais cedo ou mais tarde, regressam às respetivas famílias ou são encaminhadas para adoção. Aquilo de que poucas vezes ouvimos falar é do sofrimento por que tantas vezes estas pessoas passam na altura em que têm de se despedir das crianças de quem cuidaram (e a quem, inevitavelmente, se ligaram).


A primeira dificuldade que estas famílias enfrentam é mesmo esta: para quem está de fora, pode parecer estranho falar-se do luto comparável à perda de física de alguém. Mas é exatamente disso que se trata porque, seja qual for a duração do acolhimento, é inevitável que se criem laços que, de um momento para o outro, são desfeitos. Alguns pais e mães de acolhimento reconhecem que começaram a sofrer logo no dia da chegada da criança. Porquê? Precisamente por saberem que um dia teriam de dizer adeus. Essa consciência não os impede de dar todo o amor e a segurança de que as crianças precisam, pelo que é de altruísmo e afeto verdadeiro que falamos quando falamos destas pessoas.

A segunda grande dificuldade associada a este processo diz respeito à impossibilidade de se concluir o luto. Ao contrário do que acontece aquando da morte de um familiar ou amigo, nestes casos a pessoa de quem se gosta continua viva… mas deixa de poder haver contacto. Para algumas destas pessoas é como se tivessem passado pela terrível experiência de desaparecimento de um filho.


Depois há quem os tente confortar dizendo coisas como “Mas tu sabias que este dia ia chegar…”. Sim, é verdade que quem acolhe temporariamente uma criança sabe que o dia da partida pode chegar. Mas isso não faz com que doa menos! Quando uma criança tem uma doença incurável, o pai e a mãe também sabem que o dia da despedida chegará… A dor não é menor. É óbvio que, nestes casos, há a felicidade de saber que a criança está viva e saudável, apesar de estar longe. Mas até isso por vezes é questionável, já que o regresso à família biológica pode implicar que a criança volte a estar exposta a algumas privações ou até às mais diversas formas de violência. Como pode uma família de acolhimento conformar-se com o afastamento quando tem medo que o seu filho do coração esteja a passar dificuldades?

Por outro lado, e tal como acontece no luto “normal”, é importante ter em consideração que os membros do casal podem viver o seu luto de formas diferentes. É muito frequente que um queira falar ininterruptamente sobre os seus sentimentos, sobre a sua perda, enquanto o outro deseje sobretudo que a vida volte à normalidade o mais depressa possível. Cada um tem direito ao seu ritmo e a lidar com as próprias emoções à sua maneira. Mais: não se pode dizer que um esteja a sofrer mais do que o outro. Os mecanismos de defesa é que podem ser diferentes.


O que é verdadeiramente importante é que os familiares e amigos ofereçam toda a ajuda possível. Estando lá, mostrando-se disponíveis para ouvir, ouvir e ouvir, mais do que dar conselhos. E, sobretudo, é fundamental que não tentem desdramatizar uma situação que, vista de fora, é muito menos dolorosa. 

13.1.15

AGORA NÓS

Ontem estive no programa AGORA NÓS, na RTP 1,
para falar sobre o caso de Alexandra, a menina russa que há seis anos comoveu o país.



16.12.14

A IMPORTÂNCIA DO SEXO (NUMA RELAÇÃO)


De vez em quando há quem me pergunte se o sexo é assim tão importante numa relação amorosa. Como se pudéssemos dissociar a intimidade sexual de tudo o resto que caracteriza um relacionamento. Sim, há quem pergunte “Se duas pessoas se derem mesmo bem, se forem os melhores amigos, e forem felizes assim (sem sexo), qual é o problema?”. O “problema” é que isso é o que caracteriza uma amizade, não um relacionamento amoroso. É verdade que há casais felizes que já não têm sexo há anos. São amigos. Os melhores amigos. Mas a generalidade dos adultos precisa de mais do que isso.


O sexo é importante na medida em que é uma das formas de nos ligarmos à pessoa que amamos. É evidente que não é só através do sexo que se constrói uma ligação afetiva segura. Mas a verdade é que essa forma de intimidade é um laço potentíssimo. Quanto melhor as coisas funcionam a esse nível, mais felizes somos e mais seguros nos sentimos (dentro e fora da relação).


Infelizmente, para algumas pessoas (e para boa parte dos meios de comunicação social) a satisfação sexual passa sobretudo por ser capaz de experimentar técnicas novas. Há uma ênfase irrealista no desempenho, como se cada um de nós fosse mais feliz se pudesse reproduzir diariamente aquilo que mostram os filmes pornográficos. Não tenho nada contra a pornografia e, enquanto terapeuta conjugal, proponho o seu visionamento a alguns dos casais com quem trabalho. Mas a verdade é que a ciência tem mostrado que a satisfação sexual (e conjugal) tem muito menos a ver com desempenho/ performance e mais a ver com a comunicação/ ligação noutras áreas.


É verdade! Claro que algumas revistas tentam convencer-nos de que fazer sexo com a mesma pessoa durante mais de um mês é uma valente seca. Mas as investigações (e a prática clínica) mostram que é possível ter bom sexo com a mesma pessoa durante anos. Mais: quanto maior for a ligação e quanto mais aquelas duas pessoas praticarem, melhor é o sexo.

O sexo é como a dança. Já experimentou dançar sem música? Também pode ser uma experiência agradável. Mas quem já experimentou dançar ao som da música, sabe que é bem melhor. Com o sexo é a mesma coisa: Quando não há ligação emocional, o sexo pode ser bom. Mas quando há uma conexão segura, é muito melhor. E, tal como acontece com a dança, quando começamos a praticar e mal conhecemos o nosso parceiro, podem acontecer alguns percalços, algum embaraço, alguns desencontros. Com a prática vem a segurança e o entusiasmo.


Os casais mais felizes, aqueles que constroem uma ligação segura, reconhecem a importância do sexo. Usam-no como forma de se conectarem. Entregam-se sem reservas. E sentem o maior prazer que se pode sentir.
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