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18.1.18

VALE A PENA DAR UMA SEGUNDA OPORTUNIDADE À RELAÇÃO?


Entrevista concedida à revista Notícias Magazine.

Quando um casal se separa (seja o intuito uma separação definitiva ou um ‘dar um tempo’) e, posteriormente, decide voltar a dar uma segunda hipótese à relação, o que é que tem de ter em conta para que as coisas resultem?

Aquilo que faz com que alguém queira dar uma segunda hipótese à relação são quase sempre os sentimentos. Não é porque a pessoa de quem gostamos errou ou traiu a nossa confiança que deixamos de gostar dela. Para muitas pessoas, há problemas que se vão tornando insuportáveis e isso fá-las avançar para uma rutura. Quando a tristeza e, sobretudo, a raiva, ganham grandes proporções, a rutura pode parecer inevitável. Com a separação vem quase sempre a diminuição da raiva e isso pode fazer com que o afeto, que ainda existe, sobressaia. Muitas vezes é tentador recomeçar “do zero”, como se não tivesse havido problemas. Converso com muitos casais que me dizem que tentaram fazê-lo, sem sucesso. A verdade é que, de uma maneira geral, o que quer que tenha estado na origem da rutura precisará de ser alvo da atenção do casal para que a relação possa dar certo. Não basta reconhecer que ainda há amor. A vontade de ser feliz a dois não chega quando há problemas que ficaram por resolver.

É legítimo que um casal queira evitar discussões e dê o seu melhor para aproveitar esta segunda oportunidade para ser feliz. Mas o que é que acontece quando não prestamos atenção às nossas mágoas? Elas aparecem, com toda a sua força, e tomam conta de nós.

Se um dos membros do casal traiu a confiança do outro, vai ser preciso tempo e, sobretudo, muitos esforços, para que essa confiança seja resgatada. Ignorar estas necessidades e tentar simplesmente passar uma borracha sobre o passado é quase sempre meio caminho para o insucesso e, portanto, para uma nova rutura.



Se havia comportamentos de um dos membros do casal que estavam a condicionar o bem-estar e a felicidade do outro, dar uma segunda oportunidade à relação passará invariavelmente por tentar encontrar novas soluções de compromisso e isso só se consegue com diálogo e disponibilidade para prestar muita atenção aos sentimentos da pessoa de quem gostamos. Voltar para uma relação com uma postura de evitação de problemas ou, pior, de inflexibilidade, é garantia de uma nova rutura.

Há quem defenda que se o casal quer, de facto, continuar junto, não faz sentido separar-se em primeiro lugar. Em que aspeto pode uma separação ser vantajosa numa fase em que o relacionamento apresenta sinais claros de desgaste? (ou seja, no fundo, uma separação temporária pode ajudar a fazer um ‘reset’ à relação?)

A única vantagem que associo a uma separação temporária está relacionada com a diminuição da raiva e da ansiedade, o que potencia a capacidade de cada um para valorizar os sentimentos do outro. Só esta postura de genuína curiosidade em relação ao impacto que o nosso comportamento tem nos sentimentos da pessoa amada é que pode consolidar a reaproximação.

Diz o ditado popular que ‘toda a gente merece uma segunda oportunidade’, mas há situações nas quais as pessoas têm dificuldade em fazê-lo. Como fazer este equilíbrio entre não desacreditar as pessoas ao primeiro problema e, por outro lado, não correr o risco de voltar a investir numa relação que correu mal?

Pelo meu gabinete passam muitos casais a que chamo de “casa-separa”. São quase sempre pessoas muito desgastadas, cujos níveis de sofrimento estão associados à dificuldade em reconhecer os verdadeiros problemas da relação. Por exemplo, nas situações em que haja abuso emocional, a vítima tende a assumir uma postura excessivamente otimista em relação ao abusador. Olha para os períodos de “lua-de-mel”, em que há efetivos sinais de ligação emocional, como sinais claros de que é possível ser feliz ao lado daquela pessoa. Mas esta felicidade tem sistematicamente um prazo cada vez mais curto porque não há um compromisso com a mudança. A pessoa que maltrata tem dificuldade em admiti-lo, defende-se e acredita que pode continuar a fazê-lo.



Se algum destes passos falhar, a relação também continuará a falhar.

Tentar uma relação, seja de que tipo for, uma segunda vez, implica uma certa dose de abertura e coragem? (não é fácil dizer ‘não quero mais’, mas é ainda mais difícil admitir ‘ afinal quero tentar outra vez’) Que riscos existem quando uma segunda tentativa falha?

Não concordo com a ideia de que seja mais difícil admitir que se quer tentar outra vez. Normalmente há medo – legítimo e saudável – de que possa não dar certo mas é quase sempre o amor que nos faz dar esse passo. E, por amor, somos capazes de quase tudo. Como referi antes, os riscos estão sobretudo associados ao não reconhecimento dos problemas e, em função disso, ao desgaste e ao sofrimento que surgem quando a pessoa que deu uma nova oportunidade se dá conta de que está tudo na mesma.

As maiores dificuldades em dar uma nova oportunidade a uma relação estão muitas vezes associadas à família alargada e às crianças. É fundamental que os adultos se lembrem de que cada rutura é uma perda para os filhos, da mesma maneira que cada reaproximação implica a elevação de expectativas. As crianças precisam de estabilidade, segurança e clareza.

Por outro lado, a família alargada nem sempre apoia estas tentativas de reaproximação, sobretudo na medida em que tenham existido erros sérios. Esta postura crítica pode condicionar a vontade de dar uma segunda oportunidade à relação.

17.1.18

AS PALAVRAS PROIBIDAS NUMA DISCUSSÃO DE CASAL


Entrevista concedida à Revista Sábado a propósito das palavras proibidas numa discussão conjugal.

- Existem palavras proibidas nas discussões?

As palavras “proibidas” são todas as que traduzam desrespeito, desinteresse ou desprezo pelos apelos e necessidades do companheiro. As discussões são normais e podem ser saudáveis, na medida em que permitam que cada um se exponha e revele o que pensa, o que sente e aquilo de que precisa. Mas podem constituir formas de afastamento na medida em que pelo um dos membros do casal sinta que o outro não se preocupa, não valoriza os seus sentimentos ou, pior, os despreza. Incluo obviamente os insultos, os ataques à personalidade naquilo a que chamo de desrespeito.

- O que pode piorar uma discussão?

Há expressões que, não sendo proibitivas, podem agravar a tensão conjugal: sempre e nunca, por exemplo. Na prática, quando centramos a nossa crítica em generalizações e não num comportamento específico, é mais fácil que a outra pessoa se sinta injustiçada e atacada e isso dificulta o rumo da discussão.

- É possível travar uma discussão com apenas uma frase?

Há muitas frases que podem travar a escalada de uma discussão. Chamo-lhes tentativas de reparação e quase todos os casais as proferem. Dizer coisas como “Estamos demasiado enervados, talvez seja melhor conversarmos noutra altura” ou “Talvez tenhas razão mas preciso de me acalmar porque neste momento não consigo ver as coisas dessa maneira” são tentativas legítimas de aliviar o conflito. Infelizmente, nem sempre são bem-sucedidas porque a aflição pode impedir-nos de as reconhecer como tentativas de reparação e podem ser interpretadas como fugas.

Na prática, o que importa é mostrar que nos importamos, que valorizamos o apelo da outra pessoa e pedir, com afeto, que haja a possibilidade de cada um esfriar a cabeça para que se possa voltar a conversar.

- Se tivesse de eleger aquelas palavras recorrentes que só pioram as discussões dos casais, quais seriam?

Como referi antes, o Sempre e o Nunca são bons exemplos. Mas quero chamar a atenção para algo que não é uma palavra e que é um verdadeiro detonador de uma discussão:



Há outros comportamentos não-verbais que podem agravar as coisas: o amuo ou uma postura demasiado defensiva, em que uma das partes se recusa a assumir qualquer responsabilidade.

- Como se deve gerir estes conflitos?

Começando por aceitar que as discussões fazem parte de uma relação íntima e aceitando que, nessas alturas, haja sentimentos de rejeição e tristeza. Olhar com normalidade para estes momentos facilita a reaproximação.



Isso traduz-se em pedidos de desculpa em que assumem a responsabilidade pelos erros que cometeram ao longo da discussão e abre espaço para que o companheiro faça o mesmo. Mesmo debaixo de tensão é possível mostrar à pessoa de quem gostamos que nos preocupamos com o que ela sente, que valorizamos as suas necessidades. O afeto pode estar presente até nas discussões.

- Existem palavras que nunca se dizem no início da relação, quando estão no auge da paixão?

No início da paixão estamos numa estado de hipervigilância que nos impede quase sempre de sermos absolutamente claros e honestos em relação aos nossos sentimentos, sobretudo quando há desagrado. Temos medo de perder e isso pode impedir-nos de verbalizar o que sentimos. Mas o cuidado que existe – para não magoar de forma gratuita a pessoa que amamos – pode generalizar-se ao resto do tempo.

- Concorda que quando se usa a palavra divórcio – durante uma discussão acalorada – será difícil para o casal recompor-se depois disso?

Há vários estudos que mostram que o uso da palavra divórcio é um dos indicadores de que um casal possa estar próximo da rutura. Na prática, há um que pode estar tão saturado que fala nisso em tom de desespero e há outro que a ouve e que se sente cada vez mais rejeitado, aflito e desamparado. Nessa medida, quem ouve a palavra divórcio tem cada vez menos energia, motivação e criatividade para responder com afeto aos apelos do companheiro. É como se já não valesse a pena.

- E aquelas expressões – “não és a minha mãe”- só pioram?

Pioram porque são generalizações, são ataques pessoais e que não se centram nem no comportamento específico nem nos sentimentos.

- E o recurso muitas vezes à expressão: “desculpa, mas tu”, também causa problemas?



Um pedido de desculpas deve traduzir aquilo a que chamo de curiosidade gentil em relação ao mal-estar que causámos ao outro. Deve traduzir genuína preocupação e interesse.

- Qual é o melhor conselho que tem para os casais resolverem os conflitos?

Tentar a reaproximação tão cedo quanto possível e aceitar essas tentativas de reaproximação, sem rancor. Quanto mais depressa os membros do casal permitirem que as manifestações de afeto regressem e os acalmem, maior será a probabilidade de serem capazes de ultrapassar o que quer que tenha dado origem à discussão com afeto e criatividade.

4.1.18

8 SINAIS DE QUE UMA RELAÇÃO ESTÁ À BEIRA DO FIM


Não é fácil terminar uma relação, especialmente quando há filhos. A pressão familiar («Nunca houve um divórcio nesta família.»), o medo de ficar sozinho e os sentimentos de culpa podem atrasar a decisão e há muitos casos em que os “sinais de perigo” estão todos lá mas os membros do casal não conseguem reconhecê-los e um dia é tarde demais. 

Nem todas as relações terminam debaixo de discussões acesas. De resto, não é a fúria que nos afasta das pessoas que amamos. É o desinteresse. Uma pessoa pode mostrar contínuo desinteresse em relação às necessidades afetivas do companheiro e nem dar por isso. Quais são- então – os sinais de alarme a que temos mesmo de prestar atenção?

1 - JÁ NÃO HÁ SEXO

É a intimidade física que distingue uma relação amorosa das outras relações afetivas e a diminuição significativa ou inexistência de relações sexuais é um sinal claro de que alguma coisa não está a correr bem. É claro que há alturas de maior proximidade e alturas de maior afastamento. O nascimento de um filho, situações de doença, desemprego ou outros acidentes de percurso podem implicar que haja mais cansaço e menor disponibilidade para os afetos. Se houver diálogo e os membros do casal se sentirem emocionalmente próximos, essas são fases ultrapassáveis.

A inexistência de gestos claros de afeto (beijos, abraços) é normalmente indicadora de um problema sério.

2 - JÁ NÃO HÁ DIÁLOGO

Quando acontece alguma coisa importante – quer seja um problema no trabalho ou uma conquista pessoal – é ao nosso companheiro que queremos contar. Isto é o que acontece num casamento feliz. Se este papel passou a ser desempenhado sobretudo por pessoas exteriores à relação, isso pode querer dizer que pelo menos um dos membros do casal não se sente ouvido, amparado. É claramente um sinal de alarme. O facto de existirem conversas banais sobre as responsabilidades partilhadas ou afazeres domésticos pode levar a que algumas pessoas ignorem a dimensão do problema.

3 - A DISTÂNCIA (FÍSICA E EMOCIONAL)
CRESCE DE DIA PARA DIA



Quase todos os casais passam por pequenas crises, períodos de afastamento e desamparo. Essas situações são difíceis de gerir mas também são oportunidades de crescimento a dois. Quando há diálogo e genuína vontade de ir ao encontro das necessidades afetivas da pessoa que amamos, o mais provável é que estas crises sejam oportunidades para estreitar ainda mais a relação. Mas se a sensação de mal-estar já dura há muito tempo, é fundamental considerar a hipótese de recorrer à ajuda especializada. Alguns casais procuram ajuda 6 ou 7 anos depois de os problemas aparecerem e muitas vezes é tarde demais porque há um que já fez o divórcio emocional.

4 - UM DOS MEMBROS DO CASAL FANTASIA
COM UMA VIDA SEM O COMPANHEIRO

Se der por si a imaginar-se FELIZ num cenário futuro sem o seu companheiro, isso é um sinal claro de que alguma coisa não está bem (e precisa de ser resolvida rapidamente). Estas fantasias fazem parte do processo de desvinculação emocional durante o qual muitas vezes a pessoa tenta convencer-se de que os problemas conjugais já não a afetam assim tanto.

5 - JÁ NÃO HÁ DISCUSSÕES

Quando um dos membros do casal desiste de discutir isso pode querer dizer que, aos seus olhos, já não vale a pena lutar. Os conflitos que ficam por resolver vão criando mágoa, ressentimento, desamparo e desligação emocional. Virarmo-nos para as necessidades afetivas da pessoa que amamos nem sempre é fácil. As discussões geram tensão mas mostram que ainda há ligação.

6 - HÁ “VENENOS” NA COMUNICAÇÃO

Uma das conclusões a que a ciência chegou é que é possível identificar comportamentos específicos na comunicação de um casal que mostrem que a relação está a caminhar para o fim. John Gottman chamou-lhes os 4 cavaleiros do apocalipse porque qualquer um destes comportamentos têm poder para destruir uma relação:

- Postura hipercrítica. Todos criticamos, todos nos queixamos. Mas há uma diferença significativa entre os casais que se queixam mas que se respeitam e valorizam mutuamente e aqueles que estão FREQUENTEMENTE a atacar, culpar e fazer generalizações do tipo «É sempre a mesma coisa» ou «Nunca fazes nada certo».

- Postura defensiva.



As pessoas que raramente ou nunca pedem desculpa e que respondem às críticas do companheiro com frases do tipo «Então e tu?» ou «Só fiz isso porque tu…», acabam por criar no outro a sensação de desinteresse.

- Desprezo. Há poucas coisas tão destruidoras para uma relação como a certeza de que a pessoa que amamos despreza as nossas necessidades. Revirar os olhos quando o companheiro se queixa é um sinal inequívoco de desprezo. Virar costas também. A sensação de rejeição que estes hábitos provocam pode ser irreparável.

- Amuo. Quase todas as pessoas amuam pontualmente. Isso acontece quando se sentem magoadas ou rejeitadas. Amuar com frequência e com a intenção de impedir que os assuntos sejam conversados é mais uma forma de desligação emocional.

7 - HÁ (OU ESTÁ PRESTES A HAVER)
UMA INFIDELIDADE EMOCIONAL

Se um dos membros do casal não se sentir feliz, é fácil sentir-se cada vez mais próximo emocionalmente de outras pessoas. Daí a que uma pessoa em particular passe a roubar a sua atenção e constituir uma prioridade, pode ser um pequeno passo. E as redes sociais vieram acelerar o processo. De repente, há alguém que faz “likes” todos os dias e que nos dá a possibilidade de nos sentirmos valorizados como há muito tempo não acontecia.

8 - OS FINS-DE-SEMANA JÁ NÃO SÃO
SINÓNIMO DE DIVERSÃO A DOIS

Se a simples ideia de um fim-de-semana bem passado já não inclui um programa romântico e/ou na maior parte do tempo livre cada um acaba por divertir-se à sua maneira (por exemplo, um fica a ver televisão e o outro a jogar computador), isso deve ser visto como um sinal de alarme. Uma relação amorosa é muito mais do que uma relação de companheirismo. Ainda que todos os deveres e responsabilidades familiares “funcionem”, é preciso que os membros do casal continuem a conseguir divertir-se juntos para que continuem a sentir-se ligados.

Quase todas as dificuldades conjugais podem ser resolvidas. Muitas vezes, a inexistência de conversas francas acerca do que cada um sente cria a sensação de desamparo e a crença de que já não há solução. Mas quando os assuntos são abordados de forma clara e cada um revela a extensão do seu sofrimento, é mais provável que ambos se preocupem e façam aquilo que está ao seu alcance para salvar a relação.

12.12.17

O QUE FAZER PARA QUE UMA RELAÇÃO SOBREVIVA AO NASCIMENTO DO PRIMEIRO FILHO? [VÍDEO]

O nascimento do primeiro filho tem tanto de maravilhoso quanto de turbulento e nem sempre é fácil continuar a alimentar a relação conjugal.

O que é que cada um pode fazer para que
-entre fraldas e choros -
a relação sobreviva?

11.12.17

O NATAL DOS PAIS SEPARADOS


Ninguém está preparado para viver o Natal longe dos filhos mas esta é a (dura) realidade de muitos pais e mães. Se a “época mais bonita do ano” já é, muitas vezes, uma fonte de stress, imagine-se como é lidar com as emoções (e os conflitos) associados a todas as decisões que é preciso tomar depois da separação.

Hoje partilho algumas sugestões que espero que possam ajudar a transformar o Natal num conjunto de memórias positivas:

1- FOQUE-SE NO ESSENCIAL:
O BEM-ESTAR DAS CRIANÇAS

Não há volta a dar: por mais angustiado que se sinta, é fundamental que se lembre que as crianças são naturalmente mais vulneráveis do que os adultos. Tem o direito de estar triste mas nunca se esqueça de que as decisões que tomar podem ajudar a transformar o Natal dos seus filhos numa experiência positiva. Fazer o que estiver ao seu alcance para os ajudar a estarem tranquilos – seja onde for – ajudá-lo-á a sentir-se bem consigo mesmo.

2- PRESTE (MUITA) ATENÇÃO ÀS NECESSIDADES DOS SEUS FILHOS

Alguns pais e mães optam por estar com as crianças em anos alternados, o que implica que haja muitos adultos que tenham de passar esta quadra sem os filhos. Noutros casos, a divisão é menos “drástica” e as crianças acabam por passar o dia 24 com um e o dia 25 com o outro. Seja qual for o formato escolhido, é fundamental que os adultos assumam aquilo a que eu chamo de uma postura de curiosidade gentil em relação às crianças.



Preste menos atenção ao formato escolhido por outras famílias e tente conhecer as verdadeiras necessidades das suas crianças.

3- PLANEIE COM ANTECEDÊNCIA

Se este ano é o seu ano sem filhos ou se estiver sem eles durante uma parte da quadra, procure planear com antecedência aquilo que vai fazer durante esse período. Se se tratar do primeiro ano, é natural que seja particularmente doloroso. Não fuja à sua dor nem finja que está tudo 100 por cento bem. Assuma a sua tristeza – mesmo com as crianças – e faça as escolhas que lhe permitam lidar com ela. É natural que deseje “hibernar” durante alguns dias e isolar-se de todos MAS isso pode implicar que a tristeza se intensifique. Não há nada pior para alimentar um estado depressivo do que o isolamento. Contrarie a vontade de estar sozinho e faça planos com familiares e amigos. Comprometa-se e encare estes rituais como uma forma de lidar com a nova realidade.

4- CRIE NOVAS TRADIÇÕES

É possível que se sinta triste por já não poder colocar em prática todas as tradições que existiam antes da separação. Centre-se nas memórias que é possível proporcionar aos seus filhos. Talvez possam alargar o período festivo até ao fim de semana seguinte e juntar a família de novo; talvez seja viável criar o ritual de trocar “selfies” natalícias. O que importa é que se foque naquilo que está ao seu alcance no sentido de os seus filhos se sentirem genuinamente tranquilos e felizes.

5- EVITE OS CONFLITOS

É natural que haja (muita) tensão e, mesmo que haja boa vontade dos dois lados, é fácil criar discussões a propósito de atrasos, falhas de comunicação ou dificuldade em cumprir com o que fora acordado. Se se focar na possibilidade de transformar cada Natal numa experiência positiva para os seus filhos, ser-lhe-á mais fácil evitar o confronto com o seu Ex na presença das crianças. Procure definir os termos do acordo por mensagem ou por e-mail e faça o que estiver ao seu alcance para promover a paz. Não é preciso ser amigo do seu ex-companheiro. Aquilo que é preciso é evitar que as crianças sofram.

É muito fácil entristecer-se por já não ser possível manter todos os rituais que, na sua memória afetiva, estão associados a um Natal “perfeito”. Lembre-se de que para os seus filhos o que importa não é ter um Natal perfeito mas sim ter um Natal especial, à medida da realidade familiar. O que é que está ao seu alcance para os ajudar a transformar cada Natal num conjunto de memórias especiais?
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