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11.1.17

5 SEGREDOS DOS CASAIS FELIZES (E OS 5 ERROS QUE ELES NÃO COMETEM)


Quando escrevi o livro “OS 25 Hábitos dos Casais Felizes”, dividi-o em 5 partes. São 5 áreas da vida a dois que, segundo a ciência, nos ajudam a perceber em que circunstâncias é que uma relação tem maior probabilidade de dar certo.

O que é que os casais felizes fazem pela relação? E o que é que não fazem?

O QUE ELES FAZEM:
DESEJAR A FELICIDADE DO OUTRO

Amar alguém é fácil. Difícil é prestar muita atenção aos seus desejos, às suas vontades e sair da nossa zona de conforto só para que essa pessoa seja feliz. No princípio, condicionados pela ativação fisiológica da paixão e pelo medo da perda, fazemos este mundo e o outro para agradar à pessoa de quem gostamos. Mas à medida que o tempo passa e nos sentimos mais seguros é mais fácil centrarmo-nos em nós, nos nossos objetivos e tentarmos que a pessoa que está ao nosso lado se vá adaptando aos nossos sonhos.



É preciso ceder, abdicar e lutar por aquilo que traz felicidade à pessoa amada.

O QUE ELES NÃO FAZEM:
TENTAR MUDAR O OUTRO

«Gosto de ti mas…» não chega. «Gosto de ti mas gostava de mudar quase tudo» é meio caminho para o insucesso. Quando escolhemos alguém para estar ao nosso lado, escolhemos um “pacote de defeitos”, um conjunto de hábitos e características enervantes com que sabemos que vamos conseguir viver. E esperamos que a pessoa que amamos nos aceite tal como somos… com todas as nossas imperfeições. É legítimo que nos queixemos de alguns hábitos e é saudável que assumamos algumas mudanças em nome de um bem maior, o nosso amor. Mas se der por si a querer que a pessoa de quem gosta mude uma série de coisas, é melhor parar para refletir. Querer moldar a pessoa que está ao seu lado (e inundá-la) de queixas é frustrante, infrutífero e gerador de muito desgaste.

O QUE ELES FAZEM:
TOCAM-SE COM FREQUÊNCIA

Gostar do interior de uma pessoa não chega. Para que uma relação dê certo, é preciso gostar daquilo que os olhos veem, é preciso que haja atração física e é preciso que o amor se manifeste sob a forma de gestos.

Beijam-se, acarinham e apalpam-se com regularidade. Às vezes de forma ternurenta, outras vezes de forma apaixonada. Às vezes um beijo é um beijo. Noutras alturas um beijo é o princípio da intimidade sexual. Os casais felizes não estão sempre em sintonia – são pessoas de carne e osso, não são personagens de ficção – mas estão muitas vezes atentos ao outro e mostram-no através do toque.

O QUE ELES NÃO FAZEM:
DESPREZAR AS TENTATIVAS DE APROXIMAÇÃO

Poucas coisas doem mais do que a rejeição. Quando mostramos o nosso amor, esperamos que a pessoa de quem gostamos retribua. Se, em vez disso, ela nos der um “chega p’ra lá”, é natural que nos sintamos magoados. Se isso acontecer depois de uma discussão, a sensação de humilhação e desamparo é ainda maior. Não é fácil aceitar um beijo ou um abraço quando (ainda) estamos magoados. Mas é ainda mais difícil colocar o orgulho de lado, tentar fazer as pazes e sentir o peso da rejeição. Andar de mãos dadas ou trocar um beijo depois de uma zanga não é dizer «Tens razão». É dizer «O nosso amor é mais importante do que qualquer zanga».

O QUE ELES FAZEM:
CONVERSAR DIARIAMENTE

Quer façam duas ou três consultas, quer façam dez, todos os casais com quem trabalho aprendem a reconhecer a importância de se manterem ligados através do ritual diário das conversas a dois. Estas atualizações de final de dia funcionam mais ou menos como as atualizações de software dos nossos telemóveis e computadores: são essenciais para que tudo funcione. Os casais felizes não estão sempre a conversar sobre a sua relação. Não fazem planos diários sobre o romantismo do relacionamento. Na maior parte dos dias as conversas são bem mundanas. Dar importância ao que o outro diz, ao que mexeu com ele num determinado dia, também é dizer «Gosto de ti. Preocupo-me contigo».

O QUE ELES NÃO FAZEM:
IGNORAR O OUTRO

É cada vez mais fácil fixarmo-nos nos iPhones e afins ao mesmo tempo que verbalizamos «Podes falar. Estou a prestar atenção». Imagino como seria ir a uma consulta de Psicologia e encontrar um terapeuta vidrado no seu smartphone. Os casais felizes não desligam a televisão e o wifi todas as noites. Têm telemóveis e colecionam instantes de alguma desconexão. MAS reconhecem a importância de prestar atenção ao que o outro diz, sabem que há alturas em que é preciso conversar olhos nos olhos e não passam dia nenhum sem que isso aconteça.

O QUE ELES FAZEM:
ZANGAR-SE

Já há poucas pessoas que acreditem que é possível construir uma relação sem zangas. De uma maneira geral, quase toda a gente sabe que o conflito faz parte das relações mais íntimas. O que pode ser difícil é perceber que há formas mais inteligentes de discutir do que outras. As zangas são uma parte importante de uma relação a dois – elas mostram intimidade e, de uma maneira geral, são oportunidades de crescimento a dois. Os casais felizes zangam-se porque se expõem na medida certa sem que isso implique desrespeito ou violência. Mas também sabem fazer as pazes e escolher as batalhas a travar. Isso significa, por exemplo, que sabem tolerar e que não discutem por tudo e por nada.

O QUE ELES NÃO FAZEM:
DISCUTIR DE FORMA PERIGOSA

Há alguns anos o professor John Gottman identificou aquilo que ficou conhecido como os 4 CAVALEIROS DO APOCALÍPSE, isto é, os 4 erros que rapidamente podem levar um casal à separação:

Amuar. (Quase) toda a gente já amuou. O amuo é um sinal de tristeza, de desapontamento. Mas também é um castigo para a pessoa que está ao nosso lado. Não é por acaso que lhe chamo o “tratamento do silêncio”.



Desprezar. Poucos sinais dizem tanto sobre o afastamento de duas pessoas como o revirar de olhos. Quando um dos membros do casal sente (e mostra) desprezo pelo outro, esse é um sinal de alarme. Desconsiderar os sentimentos e os interesses da pessoa que está ao nosso lado não é amá-la verdadeiramente.

Arranque ríspido. A expressão “ferver em pouca água” é aquela que melhor descreve este hábito. Se uma pessoa mal abre a boca e leva imediatamente com a fúria da outra, o mais provável é que se sinta atacada, diminuída, desamparada. Às vezes é importante parar para ser capaz de fazer uma queixa sem que o outro seja maltratado.

Hipercrítica. Os casais felizes queixam-se… de vez em quando. Não apontam todos os erros, não agarram todas as oportunidades para emendar aquilo que acham que está errado. Inundar a pessoa que está ao nosso lado de críticas é centrarmo-nos apenas nos nossos interesses. E isso tem muito pouco a ver com uma relação feliz.

O QUE ELES FAZEM:
CONSTRUIR UM “NÓS”

Viver um dia de cada vez, sem rumo definido, pode ser aliciante. Mas, de uma maneira geral, ao fim de algum tempo sentimo-nos fartos, desnorteados. A maior parte das pessoas sentem-se indiscutivelmente mais felizes (e seguras) se existir um rumo. Numa relação é muito importante que, a par dos sonhos e da individualidade de cada um, haja objetivos a dois. A existência de um projeto a dois – que pode incluir filhos, viagens, desenvolvimento espiritual ou quaisquer outras metas – traz a sensação de pertença. No dia-a-dia os casais felizes alimentam o “Nós” em pequenos gestos – através de cedências, da partilha de bens materiais e de rituais familiares.

O QUE ELES NÃO FAZEM:
OLHAR PARA O OUTRO COMO UM PERSONAGEM

É muito fácil fechar os olhos e sonhar. Imaginarmo-nos no sítio X, ao lado da pessoa de quem gostamos, dar nome aos filhos que gostaríamos de ter, decorar mentalmente a casa dos nossos sonhos e por aí fora. E a outra pessoa? Que sonhos tem? Onde gostaria de viver? Que viagens gostaria de fazer? Que nome gostaria de dar aos filhos? Construir mentalmente um filme perfeito em que a pessoa de quem gostamos é apenas um personagem é meio caminho para que ela se sinta desconsiderada. Para que uma relação dê certo, é preciso prestar muita atenção, é preciso ceder. É preciso “perder” de vez em quando para que se possa ganhar.

Ainda não tem o livro OS 25 HÁBITOS DOS CASAIS FELIZES?

5.1.17

4 SINAIS DE QUE ESTÁ A LIDAR COM ALGUÉM COM PERSONALIDADE NARCÍSICA


Sente que a maior parte das pessoas não estão verdadeiramente à sua altura e queixa-se com frequência de não ser valorizado na medida certa. Sente-se especial e, ao mesmo tempo, frustrado porque poucos parecem ter as qualidades que aprecia. Na verdade, a maior parte das pessoas à sua volta estão “carregadas” de defeitos, que o enervam profundamente. As relações amorosas são desgastantes, é infinitamente mais fácil trabalhar sozinho e muitas vezes surge a sensação de que ninguém o compreende. Sente-se ultrajado com a maior parte das críticas e acredita – mesmo – que tem quase sempre razão. Este é o retrato de alguém com personalidade narcísica.



Eis algumas das características de alguém com personalidade narcísica:

ACHA QUE TEM MUITA IMPORTÂNCIA

É um VIP (very important person). Quando chega a um restaurante reclama e impacienta-se se não tiver logo lugar ou não for imediatamente atendido. É como se dissesse a si a mesmo «Será que eles não sabem quem eu sou?». Não é autoestima elevada, é centração excessiva. A pessoa está demasiado centrada em si mesma. De resto, muitas pessoas com personalidade narcísica têm, na verdade, baixa autoestima.

Como estão demasiado concentradas nas suas necessidades, não fazem perguntas sobre os outros. Não se interessam, não têm genuína curiosidade em saber dos sentimentos alheios. Alguém com personalidade narcísica é capaz de falar durante horas sobre si, sobre o que fez, sobre o que comprou, sobre os problemas que (acha que) tem e esquecer-se de perguntar sobre a outra pessoa. Às vezes inicia um telefonema com frases do tipo «Liguei para saber como estás…» e, segundos depois, dá início ao monólogo que a faz sentir bem.

FALTA DE EMPATIA

Às vezes dá a sensação de que a pessoa com personalidade narcísica só se sente bem a criticar. A baixa autoestima pode levá-la a apontar defeitos a toda a gente. Essa hipercrítica pode ser reveladora da necessidade de se superiorizar em relação aos outros – quanto mais falar mal de alguém, melhor se sentirá em relação a si mesma.

Por outro lado, como está tão centrada em si mesma, pode revelar muita dificuldade em mostrar empatia com as dificuldades de outras pessoas. Por exemplo, se souber que um vizinho está com cancro nos pulmões é capaz de dizer qualquer coisa como «Não fumasse».

HIPERSENSIBILIDADE ÀS CRÍTICAS

«Já olhaste bem para ti?» poderia ser a resposta a um simples reparo a propósito do aumento ou perda de peso.



A crítica até pode surgir num tom carinhoso, que traduza genuína preocupação ou vontade de ajudar. A pessoa sentir-se-á indignada.

MUITO CHARME… ATÉ SER CONTRARIADO

Muitas pessoas com personalidade narcísica conseguem ser muito carismáticas e, no início de uma relação, podem revelar-se cativantes. Algumas prometem este mundo e o outro mas… isso é só até serem contrariadas. A partir daí zangam-se, manipulam e, se a relação terminar, fazem-se de vítimas e não assumem a sua responsabilidade.


Não é fácil manter um relacionamento com alguém com personalidade narcísica e é fundamental reconhecer a importância de pedir ajuda especializada. É possível amar alguém assim mas é essencial mudar alguns comportamentos. Isso só acontece se a pessoa aceitar ser ajudada.

4.1.17

TENTAR AGRADAR A TODOS NÃO FAZ DE SI UMA BOA PESSOA


…Faz de si um mentiroso.

Joana emprestou dinheiro a uma amiga. Meses depois, e apesar de a amiga mostrar alguns sinais de que a sua vida estaria mais estabilizada do ponto de vista financeiro, o dinheiro ainda não tinha sido devolvido. Quando o marido lhe perguntou «Porque é que não falas com ela?», Joana respondeu «Achas? Claro que não. Pode achar que estou a pressioná-la. Ou então ainda pensa que sou eu que estou com dificuldades financeiras.». Joana tinha decidido não incomodar a amiga para não passar uma má imagem. À medida que a amiga aparecia com artigos novos, Joana sentia-se indignada, desrespeitada. Começou a evitar os seus telefonemas e a inventar desculpas para não estar com ela. Se tivesse sido capaz de dizer qualquer coisa como «Não quero pressionar-te mas gostava que me dissesses quando é que conseguirás devolver o dinheiro que te emprestei.», o que é que poderia correr mal? A amiga até poderia, de facto, sentir-se pressionada mas, desta forma, estaria a par da necessidade de Joana e teria oportunidade de cumprir o seu dever e cuidar da amizade. Pelo contrário, a falta de assertividade desgastou ainda mais a relação e permitiu que Joana se sentisse mal consigo mesma.


Em função da vontade de agradar (ou simplesmente não contrariar), acabam por não ser honestas – nem consigo, nem com os outros.

Quantas vezes saiu do cabeleireiro,
de uma loja ou de uma repartição pública
com a sensação de lhe ter sido prestado um mau serviço?
 Quantas vezes reclamou os seus direitos de forma assertiva?

Sempre que engolimos um sapo, que é como quem diz ignoramos aquilo que sentimos, o mal-estar instala-se. Esforçarmo-nos para agradar a toda a gente à nossa volta faz mal à nossa saúde e ainda degrada as relações mais significativas.

Quando Carla começou a namorar com Luís, ele estava em litígio com a empresa onde tinha trabalhado. Carla tentou apoiar o namorado mas ao fim de alguns meses sentia-se desgastada por todo o tempo a dois ser dedicado a gerir assuntos relacionados com o conflito laboral. Embora se sentisse incomodada, ficou calada. Até ao dia em que decidiu romper a relação, deixando-o surpreendido. Se Carla tivesse dito algo como «Eu sei que este assunto é muito importante para ti mas eu preciso que prestes atenção às minhas preocupações.», não estaria apenas a exteriorizar o seu mal-estar em tempo real. Também estaria a dar oportunidade ao namorado de lhe mostrar que valoriza as suas emoções e as suas necessidades.


É legítimo que desejemos que as pessoas que gostam de nós se preocupem connosco, com as nossas necessidades. Mas às vezes elas estão tão mergulhadas nos seus problemas que podem esquecer-se de perguntar como nos sentimos. Chamar a atenção, confrontar, apelar pode não ser sempre fácil mas é essencial para que nos sintamos genuinamente amados e para que construamos relações afetivas (e não só) que sejam geradoras de bem-estar.

19.12.16

ACALMAR-SE DEPOIS DE UMA DISCUSSÃO

Você está sozinha na sala e ele está enfiado no quarto. Passaram duas horas desde que a discussão terminou e a mágoa continua. «Como é que ele pôde dizer aquelas coisas? Se está à espera que eu saia daqui e o desafie para jantar, está redondamente enganado…». O seu amor-próprio fá-la criar raízes no sofá mas o estômago parece que está feito num oito e o coração quer saltar do peito. Não admira. Tem saudades do seu amor e quer que fique tudo bem. Mas como?

Ninguém gosta de discutir. Repito: ninguém. Às vezes, quando a pessoa de quem gostamos se queixa, pode dar a sensação de que só quer implicar connosco. Se se queixar com frequência e/ou se se exaltar muito durante a discussão podemos pensar que sim, que gosta de discutir. A experiência mostra-me que quanto mais acesa for uma discussão, maior é o sofrimento de quem se queixa. Por detrás dos gritos, das palavras feias e da agitação está quase sempre a sensação de abandono ou de rejeição. Claro que aquilo que é dito durante uma discussão de casal nem sempre mostra com clareza e honestidade aquilo que cada um está a sentir. Às vezes, discute-se sobre dinheiro ou sobre um jantar com os sogros quando, na verdade, lá no fundo, a discussão é sobre a força do compromisso, sobre a importância que cada um gostaria de ter na vida do outro.

À medida que as discussões se sucedem é muito fácil perder o controlo e achar que está tudo perdido. Quando se discute por tudo e por nada, quando apesar dos esforços mútuos quase não há tempo para ganhar fôlego entre discussões, pode surgir o desespero.

Todos os casais discutem e – não me canso de dizer – isso não é mau. Discutir é importante porque, de uma maneira geral, acrescenta intimidade, acrescenta revelação mútua. Mas saber fazer as pazes é fundamental. Muitas vezes aquilo que falta a um casal que se sinta em crise não é uma solução perfeita para um grande problema mas sim a capacidade de recuperar dos pequenos problemas. Repare-se que não estou a falar de RESOLVER todos os pequenos problemas. Estou, propositadamente, a falar de RECUPERAR.


Na prática, isso significa que há alturas em que, apesar de (ainda) não haver consenso para o problema que deu origem à discussão, há um que escolhe colocar o orgulho de lado e fazer uma TENTATIVA DE REAPROXIMAÇÃO e há outro que RESPONDE COM AFETO só para que fique tudo bem outra vez. Isso nem sempre significa que haja pedidos de desculpas e muito menos que o assunto seja retomado. O que é retomado é a RELAÇÃO.

Quando duas pessoas que se amam escolhem reaproximar-se depois de uma discussão, estão a transmitir mutuamente a mensagem de que o seu amor é um bem muito maior do que aquilo que deu origem ao momento de tensão. Sem se darem conta, ao retomarem a normalidade possível – conversando sobre outros assuntos, fazendo uma refeição a dois e, sobretudo, trocando gestos de afeto, estão a acalmar-se mutuamente. Estes passos têm um efeito milagroso em qualquer um de nós. Depois da tristeza e da ansiedade geradas por uma discussão, sabermos que a pessoa de quem gostamos continua a estar “lá” e a mostrar que gosta de nós é exatamente aquilo de que precisamos para relaxar e, mais cedo ou mais tarde, conseguirmos falar sobre o que motivou a briga.

Como os membros do casal nem sempre têm os mesmos timings, pode acontecer que um tome a iniciativa de sair do sofá em direção ao quarto, faça uma festinha e o outro… continue amuado. Não vale a pena desesperar. O mais provável é que, nesse momento, se sinta rejeitado mas é importante relativizar. Claro que, para quem escolheu abdicar do orgulho e dar o primeiro passo, não é fácil lidar com a rejeição. Mas às vezes é só uma questão de tempo. É uma questão de permitir que o outro se acalme e faça ele mesmo uma tentativa de aproximação.

Depois de uma discussão acesa, se se sentir nervoso(a)/ agitado(a), procure acalmar-se:

Relaxe através da respiração. Feche os olhos e procure centrar-se na respiração através do exercício 4-7-8:

1 - Expire pela sua boca completamente deixando todo o ar sair com um som tipo "chhhhhh".
2 – Mantenha a ponta da língua a tocar o “céu” da boca durante TODO o exercício.
3 - Feche a boca e inspire silenciosamente pelo nariz contando até ao número 4.
4 - Pare a sua respiração, mantenha o ar nos pulmões e conte mentalmente até ao número 7.
5 - Expire completamente pela boca com um som "chhhhhh" contando até ao número 8.
6 - Esta foi a primeira respiração. Agora faça de novo até se sentir mais calmo(a).

Se se sentir dominado(a) pela tristeza, procure distrair-se:

- Veja um filme / leia um livro.
- Saia de casa – vá ao supermercado, ao café ou ao ginásio.
- Converse com um familiar ou um amigo (não necessariamente sobre a discussão).

Quando se sentir mais calmo(a), procure conversar com o seu companheiro sobre as seguintes questões:

1 – O que é que faz com que eu me irrite rapidamente? / O que é que faz com que tu te irrites rapidamente?
2 – Como é que eu costumo queixar-me? / Como é que tu costumas queixar-te?
3 – Eu vou acumulando a minha irritabilidade? / Tu vais acumulando a tua irritabilidade?
4 - Há alguma coisa que eu possa fazer para te sentires mais calmo durante a discussão? / Há alguma coisa que tu possas fazer para me acalmar durante a discussão?

5 – O que é que cada um de nós pode fazer para interromper uma discussão quando alguém já está muito irritado? Que sinais podemos emitir e que não sejam sinais de abandono?

28.11.16

OS BEBÉS TRAZEM INFELICIDADE PARA AS RELAÇÕES?


«Eu adoro a minha vida, adoro o meu marido e não quero que nada mude.». Esta foi a frase que Carolina repetiu até à exaustão sempre que alguém lhe perguntava por que é que ainda não tinha filhos. Embora nunca tivesse colocado de lado a hipótese de engravidar, o medo de que a chegada de um bebé pudesse virar tudo do avesso fê-la adiar esse passo durante anos. Quando me pediu ajuda, continuava feliz ao lado de Francisco mas o casal tinha finalmente decidido ter filhos. Ao contrário do que costuma acontecer, o pedido de ajuda não surgiu em resposta a qualquer crise na relação. Era, isso sim, uma atitude preventiva. Carolina e Francisco queriam apetrechar-se de ferramentas que os protegessem da chegada de um bebé. Embora não estivessem pessimistas em relação ao futuro que escolheram, também não estavam dispostos a correr o risco de a sua relação ruir depois do nascimento do primeiro filho. «Toda a gente nos diz que, depois do nascimento de um bebé, muda TUDO. A maior parte das pessoas que conheço faz questão de abrir bem os olhos na altura em que pronuncia esta palavra: TUDO. Não me considero uma pessoa catastrofista e reconheço que há muitos casos de sucesso mas estaria a mentir se dissesse que me sinto segura. Temos dois casais amigos com filhos pequenos que acabaram de se separar, um dos meus primos está à beira do divórcio e toda a gente diz que, com crianças, o tempo a dois praticamente desaparece.».

Toda a gente sabe que os bebés dão trabalho. Aquela que é muitas vezes vista como a fase mais bonita da vida de um casal é, também, a altura em que o sono escasseia, as tarefas multiplicam-se e ambos vivem com a sensação de que o tempo voa. Para culminar, de um modo geral, as conversas e os momentos a dois são substituídos por turnos em que cada um está a alimentar/ adormecer/ limpar/ entreter o bebé. Mas será que há motivos para alarme?



As estatísticas dizem que sim. 67 por cento dos casais com filhos pequenos (até aos três anos) mostram-se insatisfeitos com a relação. Só 33 por cento dos casais se mantêm felizes depois do nascimento das crianças.

A minha experiência clínica, tal como a investigação nesta área, mostra-me que a maior parte das dificuldades por que os casais com filhos pequenos passam está relacionada com a deterioração da comunicação. Todos os casais discutem – com ou sem filhos - mas quando não há filhos há mais tempo para recuperar, para fazer as pazes, para falar sobre o que correu mal. E, sobretudo, há tempo para fazer coisas divertidas a dois entre discussões e, assim, manter um saldo positivo na relação. No primeiro ano de vida de um bebé os membros do casal dormem quase sempre muito pior, acumulam um conjunto de tarefas novas e tentam sobreviver nos respetivos empregos fora de casa. A vida muda, quase sempre para melhor, mas há mais exigências e menor disponibilidade para os afetos. Em muitos casos, a mulher vê o desejo sexual diminuir de forma drástica – fruto do cansaço, das alterações hormonais e da dedicação ao papel parental – e o marido sente-se abandonado. Como não há muito tempo para o romance e as noites mal dormidas trazem consigo mais irritabilidade, é possível que ambos digam muitas coisas sem sentido, que ambos se sintam magoados e que haja algum afastamento.

O que é que distingue os casais que sobrevivem com sucesso a todas estas dificuldades? O que é que caracteriza aqueles 33 por cento da população para quem a chegada de um bebé parece não produzir grandes danos à relação?


Desenganem-se aqueles que acham que o segredo é ter dinheiro para contratar dez empregados. Se fosse assim, as celebridades não se divorciariam, certo?

A verdade é que há psicólogos que se dedicam a acompanhar a vida de casais desde o noivado até à chegada dos filhos e as investigações nesse âmbito têm permitido tirar conclusões importantes. Hoje sabemos que os casais que resistem ao nascimento dos filhos (com felicidade) são aqueles que continuam a dedicar tempo à relação conjugal. Isso significa que fazem aquilo que está ao seu alcance para continuar a criar aquilo a que chamo de momentos de conexão. Na prática:

  • Esforçam-se diariamente para que haja conversas a dois que lhes permitam manter-se a par do que acontece no dia-a-dia de cada um (às vezes são só 15 minutos);
  • Procuram “dar colo” quando o outro se queixa (em vez de revirar os olhos e dizer “Não tenho tempo para isto”);
  • Continuam a conversar sobre tópicos “extra-bebé” (ainda que 99 por cento das conversas girem à volta deste assunto);
  • Esforçam-se por alimentar a relação através de gestos de afeto (um beijo de 5 segundos faz milagres por qualquer relação e só “rouba”… 5 segundos);
  • Aproveitam todas as oportunidades para estar sozinhos e namorar (ir ao supermercado enquanto os avós ficam com o bebé pode não ser tão romântico como um jantar à luz de velas mas saber-lhes-á pela vida se decidirem acarinhar a relação em vez de prolongar a última discussão com amuos);
  • Reconhecem que ambos precisam de tempo para si (uma hora para ir ao ginásio, ao café ou para ficar trancado no quarto sem fazer nada saberá a céu na terra se o parceiro ficar a tomar conta do bebé sem interrupções).



Nem todas as relações sobrevivem ao nascimento de um bebé. A de Carolina sobreviveu à chegada de dois.
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