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16.4.15

COMO MELHORAR A SUA VIDA SEXUAL


Que importância tem o sexo numa relação? Será que é possível ter uma relação feliz e duradoura sem sexo? E o que é que é preciso fazer para melhorar a vida sexual? Se olharmos para as capas de algumas revistas, as respostas parecem óbvias. A quantidade de artigos sobre sexo parece indicar que esta é a área mais importante da vida de um casal. Mais: na maior parte das vezes aquilo que nos é transmitido é que é fundamental “apimentar” a relação, sob pena de as coisas desmoronarem. É como se a ameaça da infidelidade e do divórcio tivesse de ser combatida com a constante inovação na intimidade sexual. Mas será que é mesmo assim? Será que uma relação só está segura se estivermos constantemente disponíveis para experimentar novas posições e acessórios? Será que um homem ou uma mulher devem mostrar-se disponíveis para o sexo mesmo quando não estão para aí virados?

Trabalho com casais há 15 anos e, em função disso, há algumas conclusões que me parece importante partilhar:

  • Os casais que estão felizes e que têm uma vida sexual preenchida NÃO atribuem a sua satisfação às sugestões da comunicação social. Leu um artigo que recomendava que você e o seu companheiro experimentassem fazer amor em cima da máquina de lavar na altura da centrifugação? Experimente… se quiser rir um bocado (ou arranjar uma lesão qualquer).


  • O sexo é MUITO importante numa relação. Sexo é prazer, sim. Mas também é ligação. Quanto mais nos sentirmos ligados à pessoa de quem gostamos, mais sexo queremos ter. Isso não significa que os membros do casal estejam SEMPRE em sintonia. Não estão.


  • Para que nos sintamos satisfeitos sexualmente, é preciso que consigamos construir uma conexão emocional. Precisamos de sentir que a pessoa que está ao nosso lado se preocupa com aquilo que sentimos, que dá importância às nossas necessidades afetivas.




  • Os casais que se mostram mais atentos aos sentimentos de cada um, que se expõem emocionalmente e que se mostram mutuamente disponíveis têm mais e melhor sexo do que o resto das pessoas.


  • Ao contrário do que acontece nas telenovelas e nos filmes, a maior parte dos casais passam por períodos de desconexão e de menor frequência sexual. Há períodos de maior cansaço. Há alturas em que um se sente fisicamente doente. Os casais felizes e sexualmente satisfeitos falam abertamente sobre isso.


  • A vida sexual dos casais felizes NÃO é uma sinfonia em que ambos atinjam SEMPRE o orgasmo (e em simultâneo). Às vezes o sexo é fogo e a mera busca do orgasmo. Noutras vezes há mais tempo para as carícias e para explorar a sensibilidade de cada um.


  • A maior parte dos problemas no sexo são, na verdade, problemas de comunicação. Quando pelo menos um dos membros do casal não se sente seguro (não tem a certeza de que o outro esteja realmente “lá” para si), é muito mais provável que haja mau sexo.


  • Quando tudo corre mal e a relação deixa de estar segura os homens tendem a atribuir ainda maior importância ao sexo, como se essa fosse a grande prova de amor que os faz sentir seguros. As mulheres, pelo contrário, sentem muito mais dificuldade em entregar-se de um ponto de vista sexual quando não se sentem seguras emocionalmente.



  • Para ter bom sexo é preciso estar disponível para FALAR sobre aquilo de que cada um gosta e sobre aquilo de que cada um não gosta. Os casais mais felizes falam sobre as suas fantasias e às vezes colocam-nas em prática. Mas isso não significa que, para que um sinta prazer, o outro tenha de se sujeitar a tudo.

14.4.15

SENSAÇÃO DE PÂNICO COM O FIM DA RELAÇÃO


Deito-me com o coração aos pulos. Ando demasiado acelerada para conseguir dormir. Sinto dores de estômago e suores frios. Ao mesmo tempo, digo a mim mesma “Esquece! Concentra-te em ti mesma. Ele não pode ter tanto poder sobre ti.”. Mas a verdade é que já passou algum tempo desde que ele me disse que queria separar-se e eu continuo um caco… E isto é só a parte física. Mentalmente é como se estivesse a enlouquecer. Sinto raiva e medo ao mesmo tempo. Tenho vontade de gritar com ele e choro compulsivamente. Não há nada que me anime. Não há mensagens de motivação que me acalmem. Todos me dizem que vai passar mas é como se o meu cérebro não estivesse a ser capaz de processar essa mensagem.

Reconhece-se nesta descrição? Saiba que não está sozinho(a). Estas sensações são muito mais “normais” do que você possa imaginar.


É essa sensação que toma conta de nós quando uma relação acaba sem que estivéssemos à espera. E também é essa a sensação por que podemos passar quando enfrentamos discussões acesas com a pessoa amada. Independentemente das características de cada um, há algo que nos une: esta necessidade de nos ligarmos a outras pessoas. Dependemos emocionalmente das pessoas que amamos, em particular da pessoa que escolhemos para viver ao nosso lado, e quando algo corre mal, sentimo-nos ameaçados.

Quando você discute com a pessoa que ama e ela dá sinais de que “não quer saber” do que você está a sentir, o seu corpo reage: você sente-se tenso, confuso, irritado. A rejeição deixa-o acelerado e com a clara sensação de pânico.

Isso acontece porque o nosso cérebro processa aquela discussão (ou a rutura) como uma ameaça.



Não me canso de dizer que o fim de uma relação é um acontecimento de extrema dor, só ultrapassado pela perda física de alguém próximo. Quando a pessoa a quem nos sentimos ligados vai embora (ou dá sinais de que o possa fazer), sentimos que as nossas necessidades afetivas estão ameaçadas e é possível que atuemos de forma instintiva, permitindo que as emoções tomem conta de nós. Isso é assustador. Parece que o mundo vai acabar. Sentimo-nos a enlouquecer.

Mas a ciência mostra que não há nada de anormal nesta reação. A quebra de uma ligação tão intensa como aquela que se espera que exista numa relação amorosa é avassaladora, sim. Mas há (sempre) boas notícias:

  • A primeira é que ninguém está realmente sozinho neste processo. A pessoa que se sente em pânico com o fim da sua relação pode achar que é a única no mundo a passar por tamanha dor. Pode achar que ninguém a compreende. Mas a verdade é que estas sensações são comuns a outras pessoas em todo o mundo. E há um efeito tranquilizador associado à certeza de que aquilo que sentimos É NORMAL.
  • Ainda que soe a cliché, a segunda boa notícia também pode ter um efeito calmante: VAI PASSAR. A sensação de pânico é real e assustadora mas o tempo ajuda quase sempre a atenuar a dor. E, mais cedo ou mais tarde, a pessoa acaba por ultrapassar este momento difícil. Acaba por aceitar que o sofrimento faz parte e que, gradualmente, é possível voltar a sonhar.
  • Mesmo quando o tempo passa e o sofrimento teima em não abrandar, é possível fazer alguma coisa. Algumas pessoas sentem maior dificuldade em gerir as suas emoções. O tempo vai passando e elas continuam a sentir-se perdidas, tristes e zangadas. Os amigos já não conseguem ouvi-las falar do ex. A família alargada acha que é tempo de seguir em frente. Mas a tarefa parece impossível. Estas dificuldades também SÃO NORMAIS e podem ser enfrentadas através da terapia. Aceitar o próprio sofrimento e querer fazer alguma coisa para o superar é meio caminho para que isso aconteça. Às vezes envolve mais tempo e a procura de ajuda especializada.


10.4.15

HOMEM MATA FILHO DE 6 MESES

Hoje voltei ao programa AGORA NÓS, na RTP1, para falar sobre a notícia que está a chocar o país: o caso do homem que matou o filho de 6 meses.

Aqui está o vídeo com os meus comentários:


8.4.15

10 SINAIS DE QUE VOCÊ PODE ESTAR A SER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA EMOCIONAL


Quase toda a gente sabe até onde é que a violência emocional pode ir. Sobretudo, na medida em que – mais cedo ou mais tarde – haja violência física. Mas nem todas as pessoas são capazes de reconhecer os primeiros sinais. Nem todas as vítimas são capazes de entender em tempo real a dimensão de alguns comportamentos. Sabem que há “coisas” de que não gostam mas vão fechando os olhos, vão desculpando, vão dizendo a si mesmas que “é normal”. E vão sucumbindo a relações cada vez mais tóxicas e destrutivas. Aprender a reconhecer os sinais de violência emocional é essencial para que cada pessoa possa avaliar a sua própria relação e, assim, fazer escolhas saudáveis.

    1. HISTORIAL DE AGRESSIVIDADE E VIOLÊNCIA.
Você sabe que a pessoa de quem gosta já foi violenta com outras pessoas – ou porque ele(a) lhe contou, ou porque houve outras pessoas que lhe disseram. Mas ele(a) é tão carinhoso(a) consigo que essas histórias parecem descabidas e você acaba por ignorar este sinal de alarme. Diz a si mesmo(a) que isso é coisa do passado, que só aconteceu num determinado contexto e não acredita que possa acontecer consigo.

2. RELATÓRIOS DIÁRIOS.
No princípio você acha graça ao facto de ele(a) lhe contar TUDO o que fez durante o tempo em que não esteve consigo. E acaba por fazer o mesmo – conta cada detalhe, relata cada diálogo mantido com outras pessoas, descreve todas as horas do seu dia em pormenor. E sente que a vossa relação é pautada pela honestidade e pela segurança. Mas progressivamente há uma escalada e, a páginas tantas, você percebe que tem a OBRIGAÇÃO de contar tudo. Se não o fizer, há amuos e exercícios de manipulação - “Tu não confias em mim”, “Estás a esconder alguma coisa”, “Sabes que eu fico inseguro(a) e não queres saber”.

3. DEPENDÊNCIA EXCESSIVA.
A pessoa de quem gosta mostra-se carente, vulnerável e está sistematicamente a precisar do seu apoio. Parece uma vítima (dos pais, do chefe, do mundo em geral) que precisa MUITO do seu colo. Tanto que você se sente na obrigação de passar horas a ouvi-la. Presencialmente ou ao telefone. E se você precisar de fazer outras tarefas ou de desligar o telefone? Lá vem a manipulação – “Tu não gostas de mim”, “Não queres saber como eu me sinto”, “Estás a ser egoísta”. A verdade é que esta pessoa não pode ser contrariada.

4. TOMA DECISÕES SEM O(A) CONSULTAR.
No princípio são coisas aparentemente sem importância. Você tinha combinado ir jantar a casa dos seus pais e a pessoa de quem gosta informa que já comprou bilhetes para o cinema porque se “esqueceu” do outro compromisso. Na prática, você acaba por estar SEMPRE a fazer os programas e as atividades definidos pela outra pessoa. Aquilo que você sente ou precisa não é valorizado.

5. APONTA DEFEITOS EM TODAS AS DIREÇÕES.
Mostra-se seguro, carinhoso e confortável consigo mas assume-se sistematicamente desconfortável na presença de pessoas de quem você gosta.


E diz-lhe que a única pessoa que lhe interessa é você. Este “amor que nunca mais acaba” não é mais do que uma tentativa (infelizmente muitas vezes bem-sucedida) de o(a) afastar das pessoas que gostam de si (e que podem ajudar a identificar os sinais de violência emocional).

6. INVADE A SUA PRIVACIDADE.
Faz-lhe a surpresa de aparecer no seu local de trabalho e você acha que aquele é um gesto romântico. Mas entretanto começa a aparecer de surpresa noutros locais (no centro comercial para ter a certeza de que você está com quem disse que iria estar, por exemplo). Telefona-lhe à hora de almoço e pergunta-lhe onde é que você está, com quem está e a que horas voltará para o trabalho. Mexe no seu telemóvel, nas suas contas de e-mail e redes sociais.

7. PRESSÃO SEXUAL.
No princípio você sente-se desejada. Ele chega a casa, você está a dormir e ele acorda-a para fazer amor.


E quando você cede, dá início à escalada. Já não importa aquilo que você sente. O importante é provar que está inocente. Então, se ele quiser que haja sexo de manhã, é de manhã. Se ele achar que uma vez por dia não é suficiente, você volta a mostrar-se disponível.

8. DESCONTROLA-SE E A CULPA É SUA (OU DOS OUTROS).
Há um dia em que lhe “salta a tampa” e é extremamente agressivo consigo. Depois pede-lhe desculpa, oferece-lhe presentes e promete-lhe o mundo. No meio desta lua-de-mel, não é capaz de assumir plenamente a sua responsabilidade. Pelo contrário, é capaz de dizer que só se descontrolou porque você fez alguma coisa errada. E é assim em tudo: na condução, são SEMPRE os outros que têm culpa, no trabalho também. Ele(a) é uma vítima (e não vai mudar).

 9. PEDE-LHE SEGREDO.
Um agressor emocional esforça-se por manter a imagem de cordeirinho. Publicamente é simpático com toda a gente. Quando erra de forma grosseira, minimiza os seus erros e explica-lhe que “isso” diz respeito à vossa intimidade. Afinal, ninguém precisa de saber dos maus tratos de que você tem sido vítima. Essas são coisas “normais” de casal.

10. NÃO PODE VIVER SEM SI.
Quando os erros se acumulam e você começa a dar-se conta de algo estranho, vêm os períodos de lua-de-mel. Nesta altura, não basta prometer-lhe este mundo e o outro. O agressor emocional enfatizará o seu mal-estar, dir-lhe-á que não consegue viver sem si e pode até ameaçar suicidar-se se a relação terminar. O objetivo é sempre o mesmo: fazer com que você se sinta culpado(a).

AGORA NÓS - SEXUALIDADE E AS REDES SOCIAIS

Ontem voltei ao programa AGORA NÓS, na RTP1, para falar sobre SEXUALIDADE E AS REDES SOCIAIS.


Gonçalo Correia tem 18 anos e publicou um video na Internet assumindo a sua bissexualidade e aconselhando todos a lutar contra o preconceito!

Aqui está o vídeo com os meus comentários:


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