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19.2.19

A IMPORTÂNCIA DO AMOR-PRÓPRIO NOS REVESES DA VIDA


A importância do amor-próprio nos reveses da vida


Quando a vida nos confronta com obstáculos, com acontecimentos que não estavam nos (nossos) planos e/ou com situações que nos colocam à prova, há um “ingrediente” que nos ajuda a olhar para a realidade como ela é e que nos permite arregaçar as mangas e fazer as escolhas mais conscientes: o amor-próprio.


Quando fazemos um arranhão, lavamos a ferida, colocamos Betadine e, se for preciso, tapamo-la com um penso rápido. Quando nos constipamos, precisamos de bebidas quentes e de lenços. E perante a rejeição, um despedimento ou um divórcio? O que é que podemos/devemos fazer para lidar com os acontecimentos emocionalmente mais difíceis da nossa vida?

Quando alguma coisa corre mal e nos desviamos do que sonhámos ou imaginámos para nós, temos o direito de nos sentirmos tristes. É legítimo que nos deixemos abater e que nos sintamos vulneráveis.

«E agora? O que é que eu vou fazer?»

Quando gostamos de nós e reconhecemos que o nosso valor se mantém, independentemente das conquistas, dos fracassos ou dos reveses da vida, é muito mais provável que consigamos lidar com a tristeza sem que ela tome conta de nós. Falamos sobre os nossos sentimentos, sobre os acontecimentos difíceis e, mais cedo ou mais tarde, arregaçamos as mangas e vamos à luta.

Quando, pelo contrário, olhamos para estes acontecimentos como se eles nos definissem, é mais provável que nos sintamos inferiorizados, que questionemos o nosso valor. Olhamos à nossa volta e sentimo-nos insuficientes.

Quando uma pessoa olha para um insucesso como uma prova do seu pouco valor, é mais provável que se sinta engolida pela vergonha e que evite mostrar a vulnerabilidade a quem quer que seja. Fecha-se sobre si mesma, com medo de que os outros a vejam também dessa forma e, involuntariamente, contribui para um círculo vicioso perigoso.

A verdade é que, quando nos ligamos, sentimo-nos amados.

Quando aceitamos a nossa tristeza e nos expomos, estamos a dizer a nós próprios que continuamos a ser merecedores do amor das pessoas que nos rodeiam, apesar dos fracassos.


Pelo contrário, quando evitamos vulnerabilizar-nos, expomo-nos menos, recebemos menos apoio e convencemo-nos da nossa insuficiência.

Vivemos cada vez mais pressionados no sentido de mostrarmos apenas o lado positivo da vida. Nas redes sociais, tal como na vida real, vamos usando cada vez mais filtros e fugimos do lado lunar, como se não houvesse lugar para o sofrimento. Na prática, arriscamo-nos a ser a geração mais medicada, mais obesa e mais dependente de álcool e drogas – tudo para evitar olhar de frente para as dificuldades da vida.

É normal que, de vez em quando, tenhamos medo de não sermos suficientemente bons, suficientemente interessantes, suficientemente inteligentes ou suficientemente atraentes. Mas é desejável que aceitemos que, apesar de todos os erros, obstáculos, dificuldades ou situações em que nos sintamos rejeitados, a vulnerabilidade é uma forma de nos ligarmos e de nos sentirmos amados. E que a forma como lidamos com a vulnerabilidade vai influenciar a forma como olhamos para o nosso valor.

Por outro lado, é desejável que nos lembremos do poder que cada um de nós tem no sentido de ajudar as pessoas à nossa volta a lidar com os acontecimentos difíceis. A família, os amigos e todas as pessoas que constituem a nossa rede de suporte são elementos fundamentais no desenvolvimento do amor-próprio e da resiliência. Quem é que nunca ouviu frases como

«O meu professor de Matemática sempre me incentivou»,
«A minha mãe sempre acreditou em mim»
ou «A minha avó sempre disse que eu era capaz»?

Muitas vezes, a forma negativa como olhamos para nós é contrabalançada pelo olhar otimista e caloroso de quem não se cansa de nos lembrar do nosso valor. Todos nós temos o poder de fazer o mesmo em relação a quem está à nossa volta. Tem prestado atenção às pessoas que à sua volta estão a viver algum revés? Que papel acha que pode ter no sentido de as ajudar a alimentar o amor-próprio e, em função disso, ser capaz de seguir em frente?

18.2.19

CASAIS COM GRANDE DIFERENÇA DE IDADES


Casais com grande diferença de idades


A idade importa, de facto, numa relação? Ou nem sequer chega a ser assunto quando se ama realmente a outra pessoa? Como é que a família e os amigos olham para um casal quando há uma grande diferença de idades? E quando a mulher é mais velha? Quais são os maiores entraves a uma relação nestas circunstâncias? E as vantagens?


Foi com muito gosto que respondi a estas questões para a reportagem do Diário de Notícias sobre relações em que haja uma grande diferença de idades.

A idade importa, de facto, numa relação? Ou nem sequer chega a ser assunto quando se ama realmente a outra pessoa?

A diferença de idades pode ser um fator de risco para uma relação, tal como qualquer outra assimetria (financeira, por exemplo). Isso está longe de querer dizer que um casal em que haja uma diferença de idade significativa esteja condenado ao insucesso. Na prática, a satisfação conjugal vai depender de um conjunto de fatores. Um desses fatores é a forma como a rede de suporte olha para a relação. Quanto maior for o apoio dos familiares e amigos, maior é a probabilidade de a relação dar certo. Pelo contrário, quanto mais tensões e juízos de valor houver, mais vulnerável fica a relação.

Por outro lado, a diferença de idade pode não ser um problema no início da relação e transformar-se num foco de tensão mais tarde. Cada um dos membros do casal amadurece e é provável que as expectativas mudem. Por exemplo, nalguns casos o elemento mais jovem do casal pode começar por minimizar o facto de o parceiro não querer ter filhos mas, à medida que o tempo avança, a sua própria vontade pode mudar. Algumas vezes aquilo que acontece é que, depois da fase da paixão, cada pessoa reflete sobre as próprias intenções a respeito da relação e é preciso conciliar expectativas.

Porque é que ainda custa tanto a aceitar (socialmente falando) relacionamentos em que haja uma grande diferença entre os parceiros?

A aceitação da diferença é sempre um desafio. De uma maneira geral, somos educados no sentido de corresponder à norma e acabamos por criar muitas expectativas em relação às pessoas de quem gostamos. Isso é especialmente verdadeiro no que diga respeito à existência de filhos e netos.

Para os pais, é quase sempre expectável que os filhos construam relações estáveis e que dessas relações surjam netos.


Quando há uma diferença significativa de idade entre os membros do casal, há mais medos. Há o medo de a pessoa mais nova não vir a ter filhos, há o medo de essa pessoa se fartar e, mais cedo ou mais tarde, não querer estar ao lado de alguém muito mais velho, há o medo de alguém sair muito magoado da relação. De resto, o medo é aquilo que está por detrás da maioria dos preconceitos.

O tabu tende a ser maior se por acaso for a mulher o elemento mais velho da relação? Porquê?

O preconceito é maior quando a mulher é mais velha. Isso está relacionado com a questão da procriação mas também com a estereotipagem dos papeis de género. Continuamos a olhar para os homens como fontes de proteção e continuamos a olhar para as mulheres como mais vulneráveis. A aventura e a experiência continuam a estar muito mais associadas ao papel masculino. Por outro lado, há uma hipervalorização da jovialidade feminina. Nesse sentido, olhamos com mais estranheza para a possibilidade de um homem escolher ter uma relação com uma mulher mais velha.

Quais seriam os maiores entraves a um relacionamento bem-sucedido nestas circunstâncias de grande diferença etária?

Os maiores entraves são, como já referi, a pressão familiar e a dificuldade em conciliar expectativas. Quando a família alargada critica, há pelo menos um dos membros do casal que está mais vulnerável. Quando a essas críticas se junta o isolamento, a sensação de desamparo é maior.

Por outro lado, quando os membros do casal vão mostrando dificuldade em validar as necessidades de cada um, quando há posições muito antagónicas em relação ao que cada um quer, há mais conflito e o risco de rutura é significativamente maior.

E as vantagens?

As vantagens estarão relacionadas com a resiliência do próprio casal. Aquilo que quero dizer é que, tal como acontece em relação a outros acontecimentos difíceis, quando duas pessoas se unem e ultrapassam juntas determinados obstáculos, é muito mais provável que haja uma sensação de compromisso e um projeto com futuro.

Existem mais casos destes atualmente? Ou simplesmente as pessoas têm menos vergonha de assumir (as que amam alguém mais novo) e de aceitar (as que veem isto acontecer)?

Nos meios urbanos há cada vez maior aceitação em relação a esta e outras diferenças. Isso está obviamente relacionado com o grau de exposição a esta realidade. Reconhecemos que há cada vez mais formas novas de família, que há uma multiplicidade de formas de sermos felizes e que há inúmeros casos de “sucesso”. Por outro lado, também estamos – todos – cada vez mais expostos, sobretudo através das redes sociais, às críticas (às vezes anónimas) e, desse ponto de vista, a pressão para alguns casais pode ser maior.

A reportagem “O AMOR NÃO ESCOLHE IDADES (OU SERÁ QUE SIM)?” pode ser lida na íntegra aqui.

11.2.19

PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO NO CASAL


Problemas de comunicação no casal

Quando falamos de comunicação, quais são os comportamentos que mais prejudicam uma relação? Que escolhas é que estão associadas à deterioração de um casamento ou de uma relação de compromisso? E quais são as soluções para cada um destes comportamentos?


Uma das razões por que me sinto constantemente entusiasmada a propósito do meu trabalho como terapeuta conjugal está relacionada com as ferramentas que a investigação nesta área da Psicologia tem trazido. Quando falamos em comunicação no casal, é fácil adivinhar a importância do tema: os casais que comunicam melhor reconhecem e verbalizam mais facilmente os seus sentimentos e aquilo de que precisam para se sentirem unidos e felizes. Não é por acaso que muitos dos casais que me pedem ajuda reconhecem que existem problemas de comunicação que os estão a impedir de se sentirem satisfeitos.

Problemas de comunicação no casal


Pode parecer bizarro mas este é o resultado de várias décadas de investigação liderada pelo professor John Gottman.

4 erros que destroem uma relação


Uma das conclusões desta equipa de investigação está relacionada com o impacto da comunicação na deterioração da relação. O professor John Gottman identificou aquilo a que chamou os 4 cavaleiros do apocalipse, isto é, os comportamentos que mais comummente estão associados a separações e divórcios:


#1: Hipercrítica

Todos os casais discutem e, inevitavelmente, fazem queixas. Mas uma coisa é queixarmo-nos de comportamentos específicos e sermos capazes de continuar a mostrar apreço pela pessoa de quem gostamos. Outra, bem diferente, é fazer críticas que constituam um ataque pessoal.

Quando pelo menos um dos membros do casal se sente constantemente criticado e quando essas críticas tomam a forma de generalizações, é mais provável que, mais cedo ou mais tarde, haja uma rutura.

Solução: Fazer queixas/ apelos.

Uma das “fórmulas” que proponho frequentemente no consultório e que permite que qualquer pessoa manifeste o seu desagrado de forma emocionalmente inteligente é a seguinte:

ABC

A – «Quando…» (descrição clara e objetiva da situação/ comportamento/ episódio)
B - «… eu senti-me» (identificação dos sentimentos)
C - «Preferia que…/ Preciso que…» (reconhecimento das próprias necessidades)

O que é que acontece quando alguém ouve frases como estas:

«É sempre a mesma coisa. Quantas vezes é que é preciso dizer-te para chegares a horas?»

Invariavelmente, sente-se atacado(a) e, instintivamente, defende-se, acabando por deixar a outra pessoa ainda mais enfurecida. É relativamente fácil para qualquer casal entrar nestes círculos viciosos.

Pelo contrário, quando alguém diz:

«Quando tu chegas atrasado, eu sinto-me ignorado(a). Preciso que me envies uma mensagem a avisar»

aumenta MUITO a probabilidade de ambos se sentirem ouvidos e amparados.

É evidente que o desgaste associado à repetição de qualquer comportamento que nos magoa aumenta a probabilidade de nos sentirmos inundados emocionalmente e de, em função disso, nos “saltar a tampa”. Os casais mais felizes são aqueles que nunca erram nem os que, ao fim de vários anos, não cometem erros antigos. São, isso sim, aqueles que fazem escolhas emocionalmente inteligentes, aqueles que insistem em verbalizar as suas necessidades e que reconhecem que só assim continuarão a sentir-se ligados.

#2: Postura defensiva

A postura defensiva não é mais do que a tentativa de reverter a culpa. Na prática, quando uma pessoa se sente atacada, é mais provável que se defenda, colocando o foco no comportamento do outro. Qualquer um de nós já o fez de forma instintiva, ignorando os danos que estão associados a este comportamento.

«Então, e tu?»

Este é um exemplo claro de postura defensiva. Quando a pessoa de quem gostamos nos acusa do que quer que seja e respondemos com «Então, e tu?», até podemos ser capazes de identificar 143 exemplos reais de erros que ele(a) cometeu MAS isso é tudo o que a relação não precisa naquele momento.

Quando nos queixamos, precisamos de perceber que a outra pessoa valoriza a nossa queixa, os nosso sentimentos e as nossas necessidades. Não precisamos que sacuda a água do capote apontando-nos o dedo.

Solução: Assumir a responsabilidade.

Quando aceitamos a queixa e reconhecemos o nosso erro, abrimos caminho para que a pessoa de quem gostamos se sinta ouvida e amparada.

Problemas de comunicação no casal


Pelo contrário, quando pedimos desculpa ganhamos ainda mais legitimidade para fazermos as nossas queixas (no momento certo).

#3: Indiferença

Muitas vezes, em função da crescente tensão, pelo menos um dos membros do casal acaba por fugir ao conflito assumindo uma postura de aparente indiferença em relação à discussão. Algumas pessoas referem-se a este comportamento do(a) companheiro(a) como um amuo: «Quando começo a falar, ele(a) amua» ou «Falo para o boneco…».

Na prática, aquilo que acontece é que a pessoa está tão enervada que (já) não é capaz de entrar na discussão. Involuntariamente, acaba por deixar a outra pessoa ainda mais enfurecida e desamparada. É um círculo vicioso em que ambos se sentem profundamente aflitos.

Solução: Autoacalmar-se.

A dada altura da investigação, a equipa do Professor John Gottman pediu aos casais participantes para interromperem as respetivas discussões para que o equipamento de gravação pudesse ser reparado. Durante meia hora, era proposto que os casais aguardassem numa sala e não conversassem sobre aqueles tópicos. A única coisa que faziam durante esse tempo era folhear algumas revistas disponíveis na sala de espera.

Quando regressavam à sala de observação, voltavam ao assunto sobre o qual estavam a discutir. Aquilo que os investigadores verificaram foi que aquela meia hora a folhear revistas era suficiente para que os casais voltassem aos assuntos geradores de tensão com uma postura MUITO diferente – mais calmos, mais unidos.

No auge de uma discussão, nem sempre é fácil darmo-nos conta de que podemos parar para colocar as coisas em perspetiva. Quando nos permitimos parar, relaxar e voltar posteriormente aos assuntos que precisam de ser discutidos, é mais provável que consigamos empatizar e ligar-nos.

Para algumas pessoas isso pode passar por sair e caminhar um bocado. Para outras, pode ser mais eficaz ver um pouco de televisão ou ler qualquer coisa que prenda a atenção. O importante é que cada pessoa consiga fazer regularmente a escolha intencional de se autoacalmar.

#4: Desprezo

Nada é tão letal para uma relação amorosa como a manifestação de desprezo.



Há um comportamento específico que está associado ao fim de uma relação:

Revirar os olhos.

Poucos comportamentos dizem tanto sobre uma relação como este. Quando uma pessoa revira os olhos, está a dizer que não se interessa, que está farta. E isso é gerador de mágoa, de desamparo.
Há outros comportamentos que mostram desprezo: insultar, ridicularizar, tratar o outro com sarcasmo.

Solução: Apreciar.

Só há uma forma de continuarmos a valorizar a nossa relação e a pessoa que está ao nosso lado: lembrando, com regularidade, as qualidades que fizeram com que nos apaixonássemos por aquela pessoa. Quando prestamos atenção, de forma intencional, às pequenas coisas que o outro faz, e não apenas aos erros que comete, é muito mais provável que consigamos queixar-nos sem rebaixar, sem ferir, sem ameaçar a relação.

29.1.19

A IMPORTÂNCIA DO SEXO NUMA RELAÇÃO


A importância do sexo numa relação

Quão importante é o sexo numa relação de compromisso? O sexo é o mais importante numa relação? Qual é o problema de viver sem sexo? É possível ter uma relação feliz se uma das pessoas não estiver feliz do ponto de vista sexual?




Há casais que vivem sem sexo. Há casais que se sentem profundamente insatisfeitos em relação à sua sexualidade sem que isso abale a convicção de que ficarão juntos para a vida toda. Sobrevivem, apesar da insatisfação. Mas a verdade é que isso não funciona para a maioria dos casais de hoje.

O sexo é mais uma forma de nos ligarmos à pessoa que amamos e é mais uma forma de nos sentirmos vivos e entusiasmados.

Antigamente, casávamos e só depois do casamento havia sexo. Agora experimentamos, conhecemos mais do que uma pessoa e só depois de termos a convicção de que podemos ser felizes ao lado da pessoa “X” é que partimos para uma relação de compromisso. E o sexo é uma variável importante nessa equação.

A importância do desejo


O desejo está diretamente ligado à nossa satisfação conjugal. Precisamos de sentir desejo pela pessoa que está ao nosso lado e precisamos de nos sentir desejados. E a estabilidade das famílias está dependente dessa satisfação.

Na prática, se um dos membros do casal não se sentir suficientemente feliz, suficientemente estimulado, suficientemente desejado, é mais provável que a família se desfaça – seja através de uma separação, seja na sequência de uma traição.


A verdade é que qualquer relação está mais vulnerável ao aparecimento de uma terceira pessoa se pelo menos um dos membros do casal não sentir desejo suficiente pelo outro ou não se sentir desejado – mesmo que não ande propriamente à procura desse envolvimento.

Do que precisamos para nos sentirmos satisfeitos sexualmente?


Há muitas pesquisas nesta área que nos mostram a importância da intimidade emocional na satisfação sexual. De uma maneira geral, precisamos de sentir que há segurança emocional, que há coesão, para que nos sintamos satisfeitos também do ponto de vista sexual.

MAS…

Curiosamente, também precisamos daquilo a que chamo de uma “distância de segurança” em relação à pessoa que amamos. Aquilo que quero dizer é que uma das queixas mais frequentes associadas à diminuição do desejo sexual está relacionada com o “excesso” de segurança emocional. Na prática, qualquer relação amorosa depende do equilíbrio entre:

Estabilidade
Segurança
Previsibilidade
Liberdade
Aventura
Mistério

Precisamos de uma dose razoável de rotina, tanto quanto precisamos de novidade. E esse é um dos maiores desafios para qualquer relação de compromisso.

Se um destes eixos falhar, sentimo-nos insatisfeitos. Se não houver previsibilidade, se não soubermos com o que é que podemos contar, sentimo-nos inseguros e isso afeta a satisfação sexual. Se não houver mistério e novidade, sentimo-nos entediados e a relação vai esmorecendo.

O que é que podemos fazer para nos sentirmos mais satisfeitos sexualmente?


Há 3 coisas que nem sempre valorizamos na medida certa e que condicionam a nossa satisfação sexual e conjugal:

#1 – GERIR AS EXPECTATIVAS

Nos dias de hoje é frequente colocarmos demasiadas expectativas nos ombros da pessoa que escolhemos para viver ao nosso lado. Queremos que seja o melhor amante, o melhor amigo, o companheiro, o psicólogo, etc. Sabemos que não há relações perfeitas MAS estamos frequentemente à espera que ele(a) preencha TODAS as nossas necessidades. E, como se isso não bastasse, sentimo-nos inundados pelas comparações que involuntariamente fazemos com tudo o que está à nossa volta. As redes sociais são autênticas montras de vidas-mais-que-perfeitas que, invariavelmente, nos levam a questionar o valor da pessoa que escolhemos.

Sermos capazes de apreciar as características – físicas e psicológicas – que fizeram com que nos apaixonássemos pela pessoa que está ao nosso lado não é tarefa fácil. Em teoria, reconhecemo-las. Na prática, pode ser preciso um esforço intencional.

#2 – DESFOCAR DA PERFORMANCE, FOCAR NA EXPERIÊNCIA

O sexo continua muito associado ao desempenho, à performance. Para os homens, a pressão é terrível. Quando nos focamos no número de orgasmos, no número de vezes que fazemos sexo e, sobretudo, quando nos comparamos com outras realidades, desviamo-nos do essencial. Quando nos centramos nos genitais, esquecemo-nos de uma realidade incontornável:

Nós fazemos amor com o corpo todo.

Quantas vezes sentimos prazer sem termos tocado na pessoa que desejamos? Quantas vezes nos sentimos vivos e excitados “apenas” na sequência de uma troca de olhares? Nós também fazemos amor com os olhos, com as mãos e com o resto do nosso corpo.


Quanto mais disponíveis estivermos para conhecer as fantasias da pessoa de quem gostamos, aquilo que a estimula, aquilo que “liga” o seu desejo, e quanto mais nos revelarmos exatamente na mesma medida, maior será a probabilidade de construirmos uma relação viva, entusiasmante.

#3 – REALIZAR NOVAS EXPERIÊNCIAS A DOIS

Não há relação que sobreviva, com entusiasmo e vivacidade, à monotonia. Uma relação excitante – também do ponto de vista sexual, está dependente da proatividade dos dois membros do casal. Uma relação é tão mais entusiasmante na medida em que as duas pessoas não estejam paradas à espera de sentir prazer debaixo dos lençóis. Quando ambos reconhecem a importância da novidade e tomam a iniciativa de fazer programas a dois para se divertirem e através dos quais possam continuar a explorar, a conhecer coisas novas a dois, maior é a probabilidade de a relação se manter viva.

18.1.19

PROBLEMAS DE RELACIONAMENTO COM A SOGRA


Problemas de relacionamento com a sogra

É muito mais do que um cliché a propósito do qual se têm feito inúmeras piadas ao longo de séculos: a relação entre noras e sogras é uma fonte de tensão para uma larga maioria dos casais. Na prática, 60 por cento das mulheres reconhecem que a relação com a sogra traz problemas ao casamento. Por oposição, apenas 15 por cento dos homens apresentam esta queixa.




Para a maioria dos casais com quem trabalho, a comunicação torna-se mais difícil quando o marido acha que a mulher está a ser injusta, desvaloriza as queixas e vai rotulando de “normais” os comportamentos (da mãe) com que conviveu toda a vida.

E do que é que noras e sogras se queixam?


A esmagadora maioria das noras queixam-se dos ciúmes das sogras. A esmagadora maioria das sogras sentem-se excluídas pelas noras.

Depois há assuntos específicos que podem ser desencadeadores de conflito e tensão para toda a família:

PROXIMIDADE

De um lado, a queixa é «Agora raramente vejo o meu filho» e do outro é «A minha sogra está demasiado presente na nossa relação».

De uma maneira geral, as mães têm a esperança/ a expectativa de que os filhos possam manter o mesmo nível de contacto e proximidade que havia antes da relação de compromisso. Esperam que a relação amorosa não os impeça de continuar a almoçar ou jantar juntos com regularidade; que os filhos possam socorre-las para mudar uma lâmpada ou outra coisa qualquer, mesmo que seja fora-de-horas; e sentem-se preteridas com as mudanças. Mas quando há um casamento ou uma união de facto, é expectável que algumas rotinas se desvaneçam (para dar lugar às rotinas do novo casal) e isso nem sempre é fácil de gerir. De um lado, há uma mãe que estava habituada a poder contar com o filho para quase tudo e a toda a hora e do outro está uma mulher que se sente desconsiderada quando as rotinas do casal são interrompidas por hábitos antigos.

No meio está normalmente um homem que quer agradar a ambas e que pode sentir-se muito pressionado. Não é fácil dizer «Não», sobretudo a alguém de quem gostamos muito. E também não é uma questão de determinar quem tem razão.

O mais importante é reconhecer que, independentemente da pressão, o casal precisa de criar as suas rotinas, os seus rituais de conexão e que isso não tem de implicar um corte radical com a família de origem.


Às vezes aquilo que é preciso é questionar «O que é que é mais importante agora?» e aceitar que, para que respeitemos as nossas necessidades, precisaremos de dizer «Não» às pessoas de quem gostamos.

DINHEIRO

Alguns pais e mães têm muita vontade de ajudar os filhos do ponto de vista financeiro – emprestando ou dando dinheiro, ajudando com algumas compras ou até aconselhando-os a poupar ou a investir. E está tudo bem desde que, se isto acontecer depois de o filho estar numa relação de compromisso, a ajuda for aceite pelo casal. Se o filho acordar com os pais qualquer forma de ajuda que interfira com o orçamento familiar sem que a decisão tenha sido tomada a dois, o compromisso do casal fica mais vulnerável.

Uma das coisas que fortalece uma relação é a possibilidade de nos sentirmos ouvidos e a certeza de que as decisões importantes são fruto dessa vontade de integrar os sentimentos e a vontade de cada um.

Para um filho, pode não haver qualquer problema associado ao facto de a mãe lhe dar dinheiro, MAS é fundamental que possa interessar-se sobre a forma como a mulher se sente.

Quando os membros do casal se habituam a comportar-se como uma equipa coesa, quando há um «Nós» que sobressai nos assuntos mais estruturantes, a relação sai a ganhar.

CRIANÇAS

Mesmo quando a relação entre noras e sogras é pacífica, há uma probabilidade maior de haver tensão aquando do nascimento do primeiro filho. O nascimento de uma criança é quase sempre gerador de um turbilhão de sentimentos, quase sempre muito positivos. Por um lado, os pais e mães descobrem que há um amor incondicional que nunca tinham sentido e, por outro, os avós descobrem mais uma forma de amar alguém que invariavelmente não vai estar tão presente nas suas vidas como desejariam. Na prática, é a profunda vontade de estar presente que faz com que haja tensão.

As avós tendem a queixar-se de não verem os netos tanto quanto gostariam mas também vão dando “palpites” sobre a forma como acham que as crianças deveriam ser educadas e nem sempre conseguem dar-se conta de que as mães possam sentir-se invadidas ou desrespeitadas.


A intenção é quase sempre a melhor e é fundamental que o casal consiga definir limites claros que permitam que os avós possam participar sem que ninguém se sinta desrespeitado.

MANIPULAÇÃO

Nalguns casos, a tensão é muito mais do que um problema de comunicação. A verdade é que há famílias em que a relação entre noras e sogras é caracterizada por mentiras, comportamentos manipuladores e dissimulação. Às vezes, há um comportamento na presença do filho/ marido e há outro completamente diferente quando ele não está presente. Noutros casos, há esforços claros para convencer o marido/filho a afastar-se. Ainda que algumas destas situações requeiram ajuda terapêutica, é mais provável que os adultos se entendam se houver algumas conversas em que todos os adultos possam revelar-se de forma clara e honesta, expondo as situações que lhes desagradam e reivindicando com respeitando a atenção de que precisam.

REGRAS PARA MELHORAR A RELAÇÃO ENTRE
NORAS E SOGRAS


Não insultar. Não fazer ataques pessoais. Se cada pessoa for capaz de olhar para situações específicas e, a partir daí, identificar os seus sentimentos e as suas necessidades, é mais provável que a comunicação flua. Em vez de dizer «Ela é (…)» é preferível dizer «Quando (…) eu senti-me (…) Preciso que (…)».

Definir soluções a dois. Os assuntos mais importantes devem ser alvo de reflexão a dois – sempre. Aquilo que importa é que os sentimentos e as necessidades de cada membro do casal sejam valorizados e respeitados e que as soluções encontradas para cada assunto sejam soluções de compromisso. Às vezes é um que tem de ceder; outras vezes é o outro.

É o filho que deve falar. A relação entre mãe e filho é uma relação mais afetuosa do que a relação nora-sogra algum dia poderá ser. E é esse afeto que pode ajudar na altura de definir limites e dizer «Não». As decisões devem ser tomadas a dois. O casal é uma equipa. E o filho é o porta-voz da equipa: «Nós decidimos que…».

Ajudar não é definir. Todos os casais podem beneficiar da ajuda da família alargada, sobretudo quando há filhos pequenos. Mas ajudar é ajudar – não é definir regras. Os avós têm muito para dar – aos netos mas também aos filhos e noras.

Estabelecer regras em relação ao essencial. Nenhuma família ganha com a inexistência de regras mas é mais difícil sentirmo-nos genuinamente felizes se houver regras rígidas para tudo e se não houver flexibilidade e permeabilidade à opinião de quem está à nossa volta. Se os membros do casal forem assertivos em relação aos limites que são verdadeiramente importantes para si e assumirem uma postura de disponibilidade e aceitação da participação da família alargada em relação aos assuntos mais triviais, é mais provável que a família se sinta coesa.

Criar rituais de conexão. Na tentativa de encontrar uma solução para cada problema, esquecemo-nos muitas vezes do mais importante: os afetos. São eles que nos ajudam a reconhecer o que é que é mesmo importante, que batalhas devemos travar e quais as lutas que é preferível deixar pelo caminho. Para que uma família possa aprender a gerir conflitos e lidar com situações de tensão, é crucial que haja “balões de oxigénio”, momentos de genuína conexão, relaxamento, cumplicidade, gargalhada. Criar esses momentos, esses rituais, está ao alcance de todos. Quando almoçamos ou jantamos em casa da nora/ da sogra uma vez por semana/ por mês com a intenção de estarmos juntos, também estamos dizer «gosto de ti/si».

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