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28.1.16

CRISE DA MEIA-IDADE – EXISTE MESMO? OU É UM MITO?


Já ouviu falar da crise da meia-idade? Conhece casos de pessoas que, por volta dos 40/50 anos, decidiram comprar um carro descapotável, mudar de emprego, ou de cidade, acabar com o casamento e surpreender toda a gente à sua volta? Até há bem pouco tempo os estudos sobre a felicidade indicavam que o ser humano teria uma propensão para se sentir menos feliz a meio da vida adulta e, em muitos casos, isso traduzir-se-ia numa crise, na vontade de mudar de vida.

Mas recentemente os investigadores da Universidade de Alberta, no Canadá, concluíram que a felicidade cresce gradualmente desde a adolescência até à meia-idade. A equipa seguiu dois grupos - um com idades entre os 18 e os 43 anos e outro com idades entre os 23 e os 37 - e ambos mostraram que a felicidade aumenta até aos 30 anos com um ligeiro abrandamento perto dos 43 num dos grupos avaliados.

Recentemente voltei ao programa AGORA NÓS, na RTP1, para falar sobre este tema.


A verdade é que há outros estudos que corroboram esta ideia.


Mais do que o QI, o fator que mais influenciou positivamente a felicidade dos homens foi a proximidade e a força dos relacionamentos que eles criavam ao longo da vida - com amigos, família, cônjuges. Isto significa que uma crise, como aquelas a que estão associados os comportamentos mais impulsivos e inesperados, pode surgir em qualquer fase da vida.

Então por que nos habituamos a ouvir falar de crise da meia-idade?



Quando isto acontece, é mais fácil tentar mudar de casa, de carro ou até de aparência. Para algumas pessoas, é difícil assumir que as escolhas que fizeram anos antes não preenchem as suas necessidades e pode levar algum tempo (e alguns disparates) até que consigam reconhecer e gerir as suas emoções.

18.1.16

O QUE É QUE NÃO DEVEMOS EXPOR NO FACEBOOK (SOBRE A NOSSA RELAÇÃO)?


Há limites para tudo. Se não nos passa pela cabeça entrar no café do nosso bairro e expor a nossa intimidade conjugal, por que o faremos no Facebook? É verdade que por detrás de um ecrã é muito mais fácil ignorar as consequências (negativas) de algumas partilhas mas o preço a pagar pela impulsividade de um momento pode ser demasiado caro.

O que é que NÃO devemos partilhar no Facebook?

POSTS CUTXI-CUTXI

Guarde as grandes declarações de amor para si e para o mais-que-tudo. No máximo, faz algum sentido que mostre todo o seu orgulho junto dos amigos e familiares mais próximos.


Pior do que isso: há uma probabilidade elevada de algumas destas pessoas considerarem que a sua partilha é mais “fogo de vista” do que outra coisa. E não se iluda: o número de “gostos” numa publicação nem sempre são reveladores de genuína empatia.

FOTOGRAFIAS QUE NÃO FAVOREÇAM O MAIS-QUE-TUDO OU SEM A SUA PERMISSÃO

Já experimentou a sensação de ser identificado/a numa fotografia e ficar escandalizado/a com a sua própria imagem? É o horror! É o descalabro! Como é que alguém pode colocar uma fotografia sua com uma imagem claramente desfavorecida sem a sua autorização? Talvez não haja leis que impeçam este tipo de acontecimentos mas este tipo de escolhas são, no mínimo, questionáveis. Pense MUITO bem antes de publicar qualquer fotografia da pessoa de quem gosta. Você pode ter a melhor intenção do mundo. Pode até achar que ele/a está fantástico/a naquela foto. MAS… nada substitui a autorização clara. Ter a certeza de que a outra pessoa está confortável com a ideia é meio caminho para evitar conflitos desnecessários. É uma questão de respeito.

INDIRETAS

(Quase) toda a gente já deu de caras com posts mais ou menos enigmáticos em que, apesar de não haver uma reclamação formal, fica patente o descontentamento de uma pessoa em relação ao mais-que-tudo. E não é agradável. Você não “precisa” de saber que a sua colega de trabalho teve um arrufo com o marido. É possível que não se importe de aceder a este tipo de mexericos mas de certeza que a pessoa visada ODEIA este tipo de exposição.


CRISES DE CIÚMES

Está a ver o que aconteceu recentemente com Ivete Sangalo? Você não quer que as pessoas à sua volta tenham pena de si ou sintam vergonha alheia. E o seu mais-que-tudo vai detestar a ideia de ser o bobo da corte do momento. É possível que você se sinta insatisfeito/a com um ou outro comportamento da pessoa que ama. Sentir ciúmes é normal e manifestá-los (em privado) é saudável. Mas… NADA justifica uma chamada de atenção em público. Este puxão de orelhas é só uma forma de você dizer ao mundo que você não foi capaz de se controlar.

FRAGMENTOS DE DISCUSSÕES

O que ele/a disse. Os disparates que fez. A sua raiva. Tudo isto deve MESMO ser vivido em privado. Depois de um momento de tensão, é natural que você se sinta vulnerável/ magoado/a/ indignado/a. E também é normal que precise de algum apoio. Apesar disso, NÃO busque a solidariedade através de uma plataforma tão pública como o Facebook.



12.1.16

PORQUE TIRAMOS TANTAS SELFIES?


(Quase) Toda a gente tira selfies. Como vivemos na era das redes sociais, deparamo-nos com elas a todo o momento – no Facebook, no Instagram, no Whatsapp ou até por e-mail. Será este um sinal de narcisismo? Afinal, o que leva tantas pessoas a tirarem autorretratos e a divulgá-los?

Pode até parecer que este é um fenómeno novo, ligado à excessiva valorização da imagem e à sobrevalorização das redes sociais mas, na verdade, um olhar atento sobre a questão mostra que foi (quase) sempre assim. O ser humano tem uma preocupação natural com a imagem que transmite e tenta – desde sempre – controlar essa imagem.


A principal razão por detrás de tantas selfies está relacionada com o facto de a forma como nos vemos ter menos a ver com aquilo que realmente somos e mais com a forma como os outros nos veem. 

Tirar selfies de determinada maneira potencia que os outros nos vejam como gostaríamos que nos vissem. Qualquer um de nós pode tirar fotografias em que mostre sobretudo uma imagem divertida. Ou sensual. Ou aventureira. Ou pura e simplesmente melhorada.

Por outro lado, a maior parte de nós acaba por gostar de ver selfies. E isso também está estudado. Sentimo-nos naturalmente atraídos por rostos. E a publicidade, por exemplo, há décadas que faz uso desta informação.

Quando olhamos para um perfil de Facebook, olhamos em primeiro lugar para a fotografia de perfil se se tratar de um rosto. Mais: estas fotografias estão associadas a uma probabilidade maior (38%) de fazermos “Gosto” e a uma probabilidade maior (32%) de fazermos um comentário.

Este feedback é obviamente gratificante. Tanto que a maior parte das pessoas que publicam selfies revelam que esse comportamento aumenta a sua autoestima e a sua autoconfiança. Isto é particularmente evidente entre adolescentes.


Em primeiro lugar, há estudos que mostram que um número elevado de selfies tende a prejudicar as relações menos íntimas. O que é que isto quer dizer? Que quando alguém publica muitos autorretratos tende a ser visto como alguém mais narcisista e distante.

Mas há mais dados importantes a considerar antes de publicar a sua próxima selfie:



É preciso que ela conte uma história ou revele um pormenor interessante. Senão são apenas vistas como narcísicas. A mensagem não deve ser apenas “Olhem para mim”. Claro que o que é interessante para uns pode não ser para outros. Ainda assim, mostrar um traço de eyeliner desenhado de forma exemplar, uma selfie com o seu filho no primeiro dia de escola dele ou uma careta no meio do trânsito serão sempre melhores opções do que fotografar-se a si mesmo a sorrir para a câmara. 

6.1.16

ATÉ ONDE DEVE IR A INTIMIDADE DE UM CASAL?


É desejável que ambos se sintam à vontade para partilhar a casa-de-banho? É saudável que um se sinta à vontade para soltar gases à frente do outro? A Revista Cristina convidou-me para escrever um texto sobre o assunto.

Não há duas relações amorosas iguais, da mesma maneira que não há duas pessoas que funcionem exatamente da mesma maneira. Cada pessoa é um mundo, cheio de particularidades, de manias e de virtudes. E cada história de amor é única, especial e tem os seus desafios. Felizmente, hoje sabe-se muito mais do que alguma vez se soube sobre o amor e sobre o que faz com que uma relação dê certo. E, da mesma maneira que nenhum psicólogo (sério) ousaria dissociar a satisfação conjugal da intimidade física e emocional, é importante não confundir intimidade com desleixo. Há quem diga que há diferenças entre estar “à vontade” e estar “à vontadinha”. Mas o que é que isto quer dizer? Os casais mais felizes são aqueles que conseguem assumir-se tal como são, sem constrangimentos nem amarras.


Isto não quer dizer que seja fácil conviver (quanto mais aceitar) os defeitos da pessoa amada. Não há milagres: para amar e ser feliz para sempre é preciso “escolher” um pacote de defeitos. Viver uma relação feliz e duradoura é possível. Talvez não seja para toda a gente. Porque dá trabalho. Porque requer esforço, adaptação, cedências. Implica ter a inteligência emocional para aceitar que não há pessoas perfeitas e para distinguir entre os defeitos com os quais seremos capazes de lidar e aqueles aos quais jamais nos adaptaremos. Não é fácil mas é tremendamente compensador.



Talvez não seja a afirmação mais sexy ou mais romântica que se possa fazer mas é uma das conclusões de décadas de investigação associada à análise dos casamentos felizes e duradouros: a base de uma relação feliz é a amizade. O fator que mais influencia a satisfação sexual e o amor romântico é a amizade – tanto nos homens como nas mulheres.


É absolutamente verdade que uma relação também depende da atração física, da sedução e da vontade de continuar a surpreender agradavelmente a pessoa que está ao nosso lado. Mas não nos confundamos: uma coisa é querer seduzir e agradar, procurando explorar aquilo de que o outro gosta e respeitando aquilo de que o outro não gosta; outra coisa é defendermo-nos, escondermo-nos, vivermos com medo de que o nosso companheiro, aquele que escolhemos e em quem deveríamos confiar, aceda às nossas fragilidades ou ao nosso pior lado.

Se um homem se apaixonar por uma mulher que, de entre outras qualidades, cuida da sua imagem e se arranja diariamente, é expectável que lhe agrade a ideia de, vinte anos depois, poder verificar que ela continua a maquilhar-se, pentear-se e perfumar-se diariamente. Isso está longe – muito longe! – de querer dizer que a sua satisfação diminui nos dias em que ela está adoentada, desmaquilhada e despenteada. Ou que goste menos dela porque, aos sábados, enquanto trata da sua parte das tarefas domésticas, circula pela casa de fato-de-treino e cabelo apanhado. Isto é intimidade! É baixar a guarda. É deixar de viver com o coração aos pulos na ânsia de agradar ao outro e perceber que, no amor, há espaço para as imperfeições de cada um. Talvez lhe fizesse muito mais confusão a ideia de a mulher deixar de cuidar de si depois de algum tempo de relação. Mas isso tem outro nome: desleixo. Tomar a relação como garantida.



Para a esmagadora maioria das pessoas talvez não faça sentido expor um novo namorado aos sons e odores associados a uma visita à casa de banho. No início do namoro é até expectável que alguém opte por evitar comidas de que goste com medo da flatulência. E que uma cólica intestinal equivalha a uma crise de ansiedade. Com a passagem do tempo e com a consequente intimidade emocional crescente, é expectável que cada um conheça profundamente a forma como o outro se sente e que, como em quase tudo na vida a dois, se passe a fazer escolhas que traduzam esse conhecimento.



Sejamos claros e honestos: nem todas as pessoas se sentem à vontade com a ideia de partilharem o espaço da casa de banho nas alturas em que tenham de fazer as suas necessidades. Mas isso também não significa que uma pessoa que prefira fazê-lo sozinha se escandalize quando o mais-que-tudo, sem querer, solta um gás. Imaginemos que há um episódio em que o namorado solta um gás e a namorada ri da situação e tenta confortá-lo dizendo-lhe que é uma situação natural. Pode acontecer que ele se sinta tão à vontade que passe a escolher fazê-lo a toda a hora. Se ela se sentir incomodada, é importante que se queixe, explicando como é que se sente nesta situação.

Assim, é fácil cair-se em círculos viciosos, em que um continua a errar sem saber – no sentido de desconhecer que está a incomodar o outro.

Algumas pessoas cometem o erro de passar da hipervigilância - a ansiedade inicial característica de quase todos os relacionamentos e que faz com que tentemos mascarar os nossos defeitos e procuremos corresponder a todas as expectativas do mais-que-tudo – ao desmazelo. Amar e manter uma relação feliz é prestar atenção ao que o outro sente. É assumir que não se pode agradar sempre mas é fazer o que estiver ao nosso alcance para continuar a fazer a pessoa que está ao nosso lado feliz. É baixar a guarda, sim. Mas não é – não pode ser – tomar a outra pessoa como garantida e passarmos a borrifar-nos para o que ela sente.

3.12.15

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: SÃO ELAS QUE PERMITEM?


Quando pensamos no que é uma relação marcada pela violência, imaginamos um homem aos gritos, a ameaçar e a bater regularmente na mulher ou na namorada. E, involuntariamente, perguntamo-nos:

“Porque é que ela permite aquele tipo de coisas?”

Como se, de alguma maneira, a violência doméstica fosse “só” isto e a responsabilidade daquela situação pudesse ser atribuída, pelo menos de forma parcial, às vítimas. De resto, são as próprias vítimas que quando finalmente se libertam de relações abusivas fazem afirmações do tipo “Eu permiti…”.

O que estas afirmações ignoram é o veneno que quase sempre caracteriza a violência doméstica e que é capaz de destruir a autoestima de qualquer mulher (e consequentemente a sua capacidade para sair da relação): a violência emocional.

Na minha experiência clínica deparo-me infelizmente com muitos destes casos em que o marido (ou namorado) frequentemente – mas quase nunca em público – aterroriza, critica, pressiona e culpa a mulher até que ela desista do que quer que, aos olhos dele, não deva ser feito. Pode ser uma saída com amigas, um serão com a família alargada ou um jantar com os colegas de trabalho. Este tipo de pressão começa quase sempre de forma gradual mas vai aumentando até ao ponto de a mulher se sentir quase sempre forçada a fazer-lhe a vontade. Este terror vai quase sempre ao ponto de abranger a intimidade sexual.


Por que o fazem? Porque à medida que a pressão aumenta também crescem os sentimentos de culpa. A mulher está cada vez mais isolada, cada vez mais entregue aos comentários tóxicos do companheiro e convence-se mesmo de que ela tem culpa. Estes maridos e namorados violentos conseguem fazer com que estas mulheres sintam que têm sempre a culpa: primeiro, são culpadas por fazerem com que eles se chateiem e, mais tarde, quando a relação termina, elas acham que tiveram culpa porque permitiram os abusos. Como se as escolhas que elas fizeram ao longo da relação fossem escolhas livres, voluntárias, e não condicionadas pelo medo que lhes foi imposto.


Estes homens convencem-nas de que elas são desprezíveis sempre que não cedem às suas exigências. Fazem-no através de insultos e ameaças, às vezes de forma implícita.


Quando uma mulher começa a ser vítima de violência, deixa de ser uma participante voluntária da relação. É uma vítima de bullying que é levada a fazer escolhas em que não acredita, que nunca imaginou fazer.
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