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21.6.17

COMO MANTER UMA RELAÇÃO À PROVA DO FACEBOOK


O Facebook está a prejudicar as relações amorosas? Há mais traições por causa desta rede social? Que regras devem ser adotadas para manter uma relação na era do Facebook? O que é que não devemos fazer (se quisermos manter a nossa relação)?

Quase todas as pessoas que conheço – pessoal ou profissionalmente – têm conta de Facebook. A rede social criada por Mark Zuckerberg passou a fazer parte das nossas conversas, dos nossos momentos de lazer e, em muitos casos, também passou a ser motivo de tensão. Mas será assim tão demoníaca? Trouxe, de facto, mais perigos para as relações amorosas? Ou trouxe, sobretudo, maior exposição sobre aquilo que já existia?

O FACEBOOK É BOM OU MAU PARA AS RELAÇÕES?

DEPENDE.

O Facebook não é mais do que um prolongamento da nossa vida social. Há pessoas que saem de casa todos os dias com genuína vontade de trabalhar e de socializar sem desrespeitar ou prejudicar a pessoa de quem gostam. E também há quem tire a aliança do dedo mal se despeça do companheiro com o intuito de flirtar com outras pessoas. Foi sempre assim – muito antes de haver Facebook.
Há quem esteja diariamente no Facebook consciente de que há escolhas que poderiam prejudicar a pessoa amada e há quem nunca tenha gasto um minuto a pensar nisso. De uma maneira geral, quando prestamos (mesmo) atenção àquilo que a pessoa de quem gostamos sente, quando nos preocupamos com ela, acabamos por fazer escolhas que protegem a relação.

HÁ MAIS TRAIÇÕES POR CAUSA DESTA REDE SOCIAL?

SIM.

Da mesma maneira que há maior probabilidade de alguém ser infiel quando trabalha fora de casa e conhece outras pessoas. Se há algo que o Facebook trouxe foi a possibilidade de estarmos emocionalmente mais próximos de uma série de pessoas – ex-colegas, ex-vizinhos, ex-paixonetas, amigos de infância, amigos-dos-amigos ou meros desconhecidos. Este acesso fácil a tanta gente também tem favorecido os encontros românticos e as traições.



QUE REGRAS DEVEM SER ADOTADAS PARA MANTER UMA RELAÇÃO NA ERA DO FACEBOOK?

DEPENDE.

As regras devem ser construídas a dois. Há casais que só saem à noite juntos. Há casais que saem regularmente só com amigos. Há casais que nunca saem à noite. Aquilo que funciona para um casal, pode não ser ajustado para outro. Para que duas pessoas sejam felizes juntas é preciso que se exponham, que conversem serena e francamente sobre aquilo de que cada uma precisa. E é exatamente isso que deveria acontecer a propósito do Facebook.

É SAUDÁVEL CONTINUAR A SER AMIGO DO EX NO FACEBOOK?

DEPENDE.

Se houver uma relação fora do Facebook, parece-me que fará todo o sentido que a amizade se estenda a esta rede social. Se não houver qualquer ligação, talvez valha a pena questionar-se: Por que continuo a seguir aquela pessoa? Com que propósito? Que impacto é que isso tem na minha relação atual? Como é que o meu companheiro se sente em relação a esta escolha? Como em quase tudo o que diga respeito ao amor, o que importa é conversar abertamente e ser capaz de valorizar (mesmo) aquilo que a pessoa de quem gosta sente.

É SAUDÁVEL DESABAFAR SOBRE A RELAÇÃO NO FACEBOOK?

NÃO.

Consigo empatizar com a aflição que alguém sente quando as coisas correm mal na relação conjugal. Pode ser desesperante e é legítimo que haja muita vontade de desabafar e receber colo. Mas é preferível fazê-lo em privado e com alguém que genuinamente esteja disponível para ouvir e amparar. Os gostos e os comentários de “apoio” podem dar origem a algum conforto no imediato mas não compensam os prejuízos a que esta exposição está associada.



É, sobretudo, uma questão de (des)respeito. Há limites que não devem mesmo ser ultrapassados – para não humilhar, para não magoar de forma definitiva a pessoa que está ao nosso lado.

É SAUDÁVEL FAZER DECLARAÇÕES DE AMOR NO FACEBOOK?

DEPENDE.

Não há gesto mais romântico do que ir ao encontro da vontade da pessoa de quem se gosta. Que sentido fará oferecer um ramo de rosas vermelhas a alguém que não goste que as flores sejam arrancadas das respetivas raízes? Mostrar publicamente o seu afeto só fará sentido se a pessoa de quem gosta se sentir confortável com essa exposição. Por outro lado, é fundamental que uma declaração de amor seja, acima de tudo, genuína. A bajulação e a tentativa de mostrar aos outros que tem uma relação perfeita são formas de desviar a atenção do que é verdadeiramente importante.

É SAUDÁVEL REVELAR A PASSWORD AO COMPANHEIRO?

DEPENDE.

Há casais que só têm uma conta bancária. E há casais que não têm uma conta conjunta nem os códigos de acesso à conta do cônjuge. É possível ser feliz de muitas maneiras. Cada pessoa tem o direito à sua privacidade, à sua individualidade e, à partida, a password do Facebook não acrescenta nada à felicidade conjugal. MAS há situações que podem ser geradoras de dúvida, ansiedade, insegurança. Nesses casos, aquilo que deveria sobressair é a GENUÍNA preocupação com os sentimentos do cônjuge.



Isso pode passar por escancarar a conta de Facebook com o propósito de recuperar a confiança.

É SAUDÁVEL FLIRTAR NO FACEBOOK?

NÃO.

Quanto maior for a nossa consciência a propósito dos nossos sentimentos, dos sentimentos da pessoa de quem gostamos e dos riscos associados a cada comportamento, maior é a probabilidade de fazermos as escolhas que protejam a nossa relação. Sempre que alguém opte por galantear outras pessoas (no Facebook ou cá fora) com o objetivo de obter a gratificação imediata dos jogos de sedução ou com vontade de materializar uma relação extraconjugal, é de uma quebra de confiança que estamos a falar. Conversar às escondidas com outras pessoas pode parecer uma escolha inofensiva mas é quase sempre uma forma de infidelidade emocional.

É SAUDÁVEL PASSAR O SERÃO A OLHAR PARA O FACEBOOK?

DEPENDE.


A maioria das pessoas que conheço precisam de “limpar a cabeça” de um dia de trabalho através de atividades que distraiam e reduzam o stress. Para muitos, a televisão cumpre esse propósito. Para outros, é o Facebook. Não há nada de errado em passar algum tempo ligado a esta rede social, mesmo que o seu companheiro esteja ao seu lado. Aquilo que não é saudável é que isso aconteça SEMPRE e que não haja aquilo a que chamo de rituais românticos. É fundamental que diariamente haja tempo e disponibilidade para conversar, para saber sobre o dia da pessoa de quem gostamos e para FAZER ATIVIDADES A DOIS. 

5.6.17

ADULTOS FILHOS DE ALCOÓLICOS


Somos um país de bebedores excessivos. E com muitos alcoólicos. Estima-se que cerca de 10% dos portugueses sejam consumidores excessivos de álcool. Quantas famílias convivem diariamente com este inimigo? Quantas crianças? E o que é que lhes acontece ao longo do seu desenvolvimento? Que tipo de adultos estaremos a formar? Receberão o apoio a que têm direito?

Recebo muitos e-mails de filhos de alcoólicos – quase sempre desesperados, sem saber a quem recorrer. Aqueles que chegam ao meu consultório fazem-no normalmente muitos anos depois dos episódios traumáticos por que passaram. Os pedidos de ajuda estão relacionados com sintomas de depressão, isolamento, falta de autoestima, episódios de pânico e violência. Só depois de alguma exploração chegamos à origem dos problemas.

Estes adultos emocionalmente instáveis foram crianças cuja infância foi literalmente roubada. Habituaram-se a defender-se como podiam das explosões de violência, assistiram a cenas de pancadaria, viajaram de carro aos ziguezagues e com o coração aos pulos, foram vítimas de violência emocional e humilhações públicas, cresceram sob os olhares reprovadores dos vizinhos e viveram cada festividade como mais uma hipótese de crise. Como é que podemos esperar que sejam cônjuges ou progenitores felizes?

Estas são algumas das características dos adultos filhos de alcoólicos:

Ansiedade elevada. É como se a pessoa estivesse permanentemente num estado de vigilância máxima, sempre atenta perante a possibilidade de algo correr mal e/ou de alguém poder transformar-se numa pessoa perigosa.


Dificuldade em confiar. Nas relações amorosas podem sentir maior dificuldade em entregar-se mas muitas vezes essas também podem transformar-se em relações de dependência excessiva.

Violência emocional. Precisamente porque muitos destes adultos foram crianças vítimas e/ou expostas a inúmeras formas de violência, estão mais vulneráveis a relações amorosas marcadas pela violência emocional.

Depressão. Há quase sempre muitas feridas por sarar. Há a tristeza e o luto associados à inexistência de uma família “normal” mas também em relação à perda física dos familiares (que tantas vezes têm doenças físicas associadas ao consumo abusivo de álcool), à perda de confiança, à inexistência de rituais como festas de aniversário ou férias em família.



Vergonha. A vergonha associada à exposição do alcoolismo ao longo da vida da criança e/ou adolescente transforma-se muitas vezes em sentimentos de inadequação e de inferioridade. É como se a pessoa olhasse para si mesma com muito menos valor do que realmente tem e tivesse um medo constante do que os outros possam pensar.

Sentimentos de culpa. Não raras vezes estes são adultos que não sabem lidar com a própria felicidade. Não conseguem estar felizes por saberem que os pais tiveram ou têm vidas mais miseráveis ou degradantes. Estes sentimentos acabam quase sempre por condicionar as relações amorosas.

Excessiva responsabilidade. Como cresceram em ambientes familiares em que as responsabilidades familiares nem sempre estavam asseguradas, estas crianças e adolescentes aprendem muito cedo a chamar a si responsabilidades que não deveriam ser suas. Na idade adulta estão muitas vezes envolvidos nos assuntos de toda a família, habituados a apagar todos os fogos.

Comportamentos de risco. A adrenalina associada a estes ambientes familiares pode transformar-se num padrão viciante. Estes adultos muitas vezes procuram-na trabalhando excessivamente, assumindo padrões de condução perigosos, consumindo substâncias, envolvendo-se em zaragatas ou gastos excessivos.


Quando alguém pede ajuda psicológica, de uma maneira geral, fá-lo para dar resposta àquilo por que está a passar naquele momento – seja porque se sente ansioso, deprimido ou em risco de divórcio. Muitas vezes, é só em contexto terapêutico que o adulto se dá conta de que aquilo por que está a passar está relacionado com os traumas associados ao alcoolismo dos progenitores.

24.5.17

11 FRASES QUE NÃO DEVE DIZER AO SEU COMPANHEIRO (NUNCA!)


1.       A TUA MÃE É…

Complete a frase com um adjetivo negativo. A crítica até pode ser baseada em factos reais – o resultado é o mesmo: magoará a pessoa de quem gosta. E não adianta dizer a si mesmo coisas como «O meu companheiro é o primeiro a criticar a mãe». Não é a mesma coisa. Quando ele diz «A minha mãe é uma chata», aquilo que está realmente a dizer é «Eu gosto muuuuuuito da minha mãe mas hoje ela fez algo que me chateou». Quando VOCÊ diz «A tua mãe é uma chata», aquilo que o seu companheiro ouve é qualquer coisa como «A tua mãe é insuportável. Há poucas pessoas piores do que ela». Isto é, sente-se magoado, atacado, injustiçado e o mais provável é que contra-ataque, dando início a uma discussão perigosa.

2.       TANTO FAZ

Quando alguém diz «Tanto faz» ou, em alternativa, encolhe os ombros, aquilo que está a transmitir é «Não quero saber». A indiferença magoa. Quando o seu companheiro faz uma pergunta, isso significa que está a contar consigo, que é importante para ele ouvir a sua opinião. Pode ser a respeito da cor da gravata a usar numa cerimónia ou acerca de assuntos bem mais importantes. Sempre que você reage com indiferença, a pessoa de quem gosta acumula desamparo.

3.       É SEMPRE A MESMA COISA

Há palavras que têm o poder de destruir uma conversa.



As generalizações são poderosas porque transformam uma queixa legítima, a propósito de uma situação específica, num ataque à personalidade da pessoa de quem se gosta. E quando alguém se sente atacado tende a reagir com agressividade e/ou através de uma postura defensiva. Nestes casos, aquilo que a pessoa ouve é qualquer coisa como «Tu não prestas».

4.       O MEU EX ERA MELHOR DO QUE TU

As comparações são profundamente injustas. Todas as pessoas têm qualidades e defeitos e a pessoa que está ao seu lado não está à espera que você a veja como um símbolo da perfeição. Aquilo que é expectável é que você consiga lidar com a maior parte dos seus defeitos e que seja capaz de valorizar MESMO as suas qualidades. Quando compara o seu companheiro com outra pessoa, está a mostrar desprezo por essas qualidades e aquilo que ele ouve é qualquer coisa como «Tu não és suficientemente bom para mim».

5.       NÃO COMAS ISSO

«Não vistas aquilo». «Não fales dessa maneira».


Quer estar ao lado de alguém com o direito a personalidade própria ou precisa de exercer o seu poder sobre outra pessoa, controlando-a? Nenhuma relação saudável pode ser baseada neste tipo de comportamentos (controladores), sob pena de um dos membros do casal se sentir cada vez mais infeliz.

6.       JÁ OLHASTE BEM PARA TI?

Há muitas formas de mostrar o seu desagrado a propósito das escolhas do seu companheiro. À medida que os anos passam, algumas pessoas assumem uma postura mais descuidada em relação ao seu aspeto físico, fazem escolhas que não traduzam genuíno investimento na relação ou pura e simplesmente crescem de forma diferente da do companheiro. Se existir vontade de continuar na relação, é fundamental que as críticas não sejam confundidas com exercícios de humilhação. A crítica é saudável – mesmo numa relação amorosa. Mas é fundamental que a pessoa que é criticada continue a sentir-se MESMO amada. Olhe para o seu companheiro como um membro da sua equipa e não como um inimigo. Mostre de forma clara o seu afeto, mesmo quando tiver de o criticar.

7.       SE TU GOSTASSES MESMO DE MIM…

Esta frase grita CHANTAGEM EMOCIONAL por todos os lados. Isto é, traduz desrespeito, abuso emocional.

Há muitas alturas em que aquilo que você quer é muito diferente daquilo que o seu companheiro quer. Numa relação saudável, para que ambos ganhem é preciso que ambos estejam dispostos a perder. Às vezes cede um, às vezes cede o outro. Você tem todo o direito de dizer «Isto é MESMO muito importante para mim» ou «Eu gostava MESMO que tu…», mostrando de forma clara as suas necessidades. Mas não tem o direito de manipular o seu companheiro fazendo com que ele se sinta culpado por fazer determinada escolha ou por pensar de determinada maneira. Fazer chantagem emocional é dizer «Aquilo que eu sinto é mais importante do que aquilo que tu sentes».

8.       QUE EXAGERO!

Eu costumo dizer que todas as emoções são válidas. Cada um de nós tem o direito de sentir TUDO. Não temos é o direito de nos comportarmos de qualquer maneira. O seu companheiro tem o direito de sentir tristeza, medo ou raiva a propósito de uma situação que, na sua ótica, seja banal. Aqui é que está o problema: quando alguém considera que a sua ótica é que é a correta, está a desrespeitar o companheiro. Você não tem o direito de definir as emoções da pessoa que está ao lado. Não tem o direito de dizer o que é que é suposto que ele sinta em determinada situação. Tem o direito de dizer «Eu sentir-me-ia de maneira diferente» e tem, sobretudo, a oportunidade de mostrar genuíno interesse e curiosidade em relação aos motivos por que ele(a) se sente de maneira diferente.

9.       NÃO PRECISO DE TI

Às vezes, no auge de uma discussão, dizem-se coisas sem pensar. Mas há limites que não devem mesmo ser ultrapassados. Se o seu companheiro assumiu um comportamento que o(a) magoou, é natural que sinta a necessidade de mostrar a sua tristeza e/ou a sua raiva mas isso não deve implicar que qualquer uma destas emoções tome conta de si empurrando-o(a) para comportamentos impulsivos. Mostrar desprezo e desapego em relação ao seu companheiro desta forma é gerador de uma sensação avassaladora de rejeição, medo e desamparo. E mesmo que algum tempo depois fique aparentemente tudo bem, há marcas que não se apagam.

10.   DESCULPA, MAS…



Quando alguém escolhe assumir os próprios erros – por exemplo, na sequência de uma discussão -, não está a “dar-se como culpado”. Está, isso sim, a dizer «Eu escolho assumir a minha responsabilidade em nome de um bem maior: a nossa relação» ou «Eu preocupo-me genuinamente com a mágoa que te provoquei». Mas se esse pedido de desculpas for apenas uma estratégia para atirar à cara do companheiro todos os seus erros, o resultado será quase de certeza catastrófico.

11.   EU NÃO PRECISO DE DIZER QUE GOSTO DE TI


Se há algo que caracteriza uma relação feliz e duradoura é a vontade genuína de fazer feliz a pessoa que está ao nosso lado. Isso requer descentração, requer interesse (verdadeiro) pelas suas necessidades. Envolve a capacidade de sair da zona de conforto “só” para agradar aquela pessoa. Implica querer dar o melhor e não apenas aquilo que apeteça. A maior parte das pessoas que conheço precisam de se sentir amadas. Precisam regularmente de gestos, palavras, escolhas específicas que gritem «Gosto de ti».

16.5.17

COMO MELHORAR A AUTOESTIMA


Pelo meu gabinete já passaram muitos profissionais de sucesso e pessoas habituadas a serem vistas como “animais sociais” que, na verdade, têm sérios problemas de autoestima. Há quem confunda autoestima com popularidade, boa aparência física ou sucesso profissional mas uma pessoa com uma boa autoestima é, sobretudo, alguém que gosta de si mesmo apesar de todas as falhas e imperfeições. E se é óbvio que esta capacidade de aceitação se traduz normalmente numa postura mais otimista e mais frutuosa em termos sociais e profissionais, também é importante salientar que há muito boa gente que aparenta gostar de si mesmo e que, em privado, sofre com baixa autoestima.

As pessoas com uma boa autoestima sentem-se bem na sua pele, valorizam-se na medida certa, orgulham-se das suas capacidades e das metas atingidas. Reconhecem que não são perfeitas e conhecem os seus defeitos mas não permitem que estes tenham um peso irracional sobre as suas vidas.

COMO É QUE ALGUÉM PODE
MELHORAR A AUTOESTIMA?

1. FAÇA UMA LISTA. OU MELHOR, DUAS.

Ninguém pode melhorar se não se conhecer realmente bem. Pegue numa folha e faça duas listas: identifique 10 qualidades e 10 defeitos que o definam. Se tem baixa autoestima, é provável que sinta alguma dificuldade em identificar as qualidades. Pense naquilo que as outras pessoas costumam dizer sobre si, nos elogios que fazem (e em que você nem sempre acredita).

2. DEFINA METAS (REALISTAS).

Olhe para a lista de defeitos e defina os seus objetivos. Comprometa-se publicamente com essas mudanças. Por exemplo, se quiser perder peso, fale com os seus familiares e amigos, dando-lhes a conhecer o seu plano. Mas não exagere: esqueça as comparações com outras pessoas e defina passos concretizáveis.

3. ACEITE AQUILO QUE NÃO FOR CAPAZ DE MUDAR.



Seja genuinamente gentil consigo – tanto quanto, provavelmente, conseguiria ser com qualquer outra pessoa à sua volta. Não fuja de nenhuma das suas falhas. Tente praticar a aceitação.

4. MEDITE.

Há cada vez mais estudos que comprovam a eficácia da meditação em modo mindfulness na elevação do nosso bem-estar. Parar, de propósito, para prestar atenção ao momento presente com estes exercícios ajudá-lo-á a aceitar aquilo que não controla e a olhar para a sua vida de uma forma mais positiva.

5. ARRUME(-SE).

Já reparou no efeito que uma casa arrumada provoca em nós? Sentimo-nos mais calmos, mais bem-dispostos e até mais criativos. Estabeleça rotinas que lhe permitam manter o seu espaço (pessoal e profissional) organizado. Aproveite e implemente rotinas que o ajudem a cuidar do seu corpo: faça exercício físico com regularidade, alimente-se bem e dê prioridade ao seu sono. Se não é usual praticar exercício, aceite o facto de, pelo menos numa fase inicial, não sentir grande prazer com essa atividade. Discipline-se e… dê tempo. O mais provável é que comece a ver resultados e passado algum tempo perceba que as endorfinas que liberta enquanto faz desporto o ajudam a sentir-se muito melhor.

6. PRESTE ATENÇÃO ÀS REDES SOCIAIS.



Quantas vezes dá por si a dizer a alguém que são só mais 5 minutos e, entretanto, esteve uma hora a olhar para contas de Instagram com fotografias de vidas aparentemente perfeitas que contribuem para que se sinta mal consigo mesmo? Não há nada de errado em passar algum tempo nas redes sociais. Procure fazê-lo de forma consciente. Os exercícios de mindfulness podem ajudar.

7. FAÇA OUTRA LISTA.

Identifique as atividades que lhe dão prazer e… vá à luta. Gira o seu tempo de modo a dar prioridade àquilo que pode genuinamente contribuir para que se sinta bem na sua pele. Isso pode passar pelo desporto, por sair com amigos ou por voltar a candidatar-se a um curso superior. Seja honesto em relação àquilo que o faz sentir-se vivo.

8. SEJA (GENUINAMENTE) GENTIL.

Já reparou que aqueles que rotulamos de “boas pessoas” são normalmente pessoas mais serenas? Prestar (mesmo) atenção às pessoas que estão à sua volta e dar o seu melhor para estar presente nas suas vidas acrescentando apoio moral, afeto e interesse genuíno ajudá-lo-á a descentrar-se de si mesmo na medida certa.



Pense na hipótese de fazer voluntariado.

9. PEÇA AJUDA.


Não há como negar: às vezes, os pensamentos negativos estão tão enraizados e descontrolados que é muito difícil dar a volta sozinho. Há pessoas que se esforçam mesmo muito e o máximo que conseguem é fingir uma autoestima que na verdade não têm. Se for esse o caso, peça ajuda especializada. Faça aquilo que tem de ser feito para que possa usufruir do direito a ser feliz (tal como é).

10.5.17

COMO ULTRAPASSAR O FIM DE UMA RELAÇÃO


Foi através do Facebook que Sílvia soube que o namorado a traía. E também foi através desta rede social que, semanas depois, ficou a saber que o agora-ex-namorado estava de férias em Cabo Verde. Como é que a pessoa com quem viveu durante oito anos podia estar aparentemente feliz depois do fim do relacionamento? E por que é que ela continuava de rastos, como se o futuro pudesse apenas trazer mais tristeza e sofrimento?

Há quem diga que, independentemente das circunstâncias de uma separação, é preciso fazer o luto e que, teoricamente, isso equivale a algum recolhimento. No entanto, todos nós conhecemos pessoas que saltam de relacionamento em relacionamento aparentemente sem tempo (ou disponibilidade) para reparar no próprio sofrimento.


Será uma questão de autoestima? Terá a ver com o facto de não se sentirem assim tão apaixonadas durante a relação? O que é que cada pessoa pode fazer para ultrapassar o fim de uma relação?

1 – EVITAR COMPARAÇÕES

É um cliché mas é verdade: há muitas formas de lidar com o sofrimento. Há quem não consiga parar de chorar e se sinta embaraçado por mostrar tristeza e vulnerabilidade nas situações mais inesperadas. Mas também há quem fuja a sete pés do contacto com a própria dor e adote o estilo «para frente é que é o caminho». Mesmo que haja alguém aparentemente perito em saltar de relação em relação sem sofrimento, aceite que esse não é o seu caso. As comparações têm o condão de nos puxar (ainda mais) para baixo. O segredo é: realidade, realidade, realidade. Se, na realidade, se sente um caco, não vale a pena tentar sentir outra coisa.

2 – DEIXAR QUE O TEMPO ATUE

É provável que alguns familiares e amigos já lhe tenham dito que «o tempo cura tudo». É verdade que não é sempre assim, é verdade que até há quem precise do empurrãozinho de um psicólogo para recuperar forças MAS, de uma maneira geral, o luto que está associado ao fim de uma relação envolve tempo.


Não tem a ver apenas com a duração da relação. Tem, sobretudo, a ver com as expectativas criadas, com os laços e com as circunstâncias da rutura. No princípio, o sofrimento pode parecer insuportável e inultrapassável. Podem até existir dias em que a esperança despareça. Mas gradualmente é expectável que o desespero diminua e volte a sentir algum ânimo.

3 – IGNORAR O EX NAS REDES SOCIAIS

(Per)Seguir o ex nas redes sociais está (muito) longe de ser uma boa ideia. É verdade que algumas pessoas escolhem mostrar o seu sofrimento nas publicações de Facebook mas, de uma maneira geral, ninguém publica fotografias de kleenex no Instagram. Dar de caras com fotografias do seu ex numa discoteca ou numa praia paradisíaca não contribuirá para a sua felicidade. A sua ansiedade também não vai baixar enquanto continuar a verificar – de 5 em 5 minutos – se ele(a) está online no whatsapp. A nossa mente prega-nos muitas partidas e enquanto ruminamos à volta do que a outra pessoa está ou não está a fazer acabamos cansados e infelizes. Não há rigorosamente nada que você possa fazer para controlar os passos do seu ex. Desviar a atenção do rasto que ele deixa nas redes sociais será uma fonte de libertação.

4 – EVITAR O ISOLAMENTO

Chegar a casa e sentir a liberdade para chorar desalmadamente pode ser terapêutico. Fechar-se em casa e dizer a si mesmo(a) que só voltará a sair com amigos, ir ao ginásio ou passear quando se sentir feliz outra vez é uma péssima ideia. Contrariar a vontade de se isolar é uma ferramenta importante para fugir a um estado depressivo, pelo que é preferível dar o seu melhor para continuar a realizar as atividades que sempre fez. Talvez possa até inscrever-se naquele curso que sempre quis fazer mas para o qual não tinha tempo. Distraia-se, mantenha-se-ativo(a). Daqui a algum tempo orgulhar-se-á de si mesmo(a).

5 – NÃO MENDIGAR

Se a relação terminou apenas por vontade da outra pessoa, é natural que sinta a tentação de telefonar ou enviar mensagens a tentar – de forma direta ou indireta – uma reaproximação. Não o faça. Não é uma questão de orgulho. É uma questão de autoestima. A pessoa de quem (ainda) gosta pode fácil e involuntariamente fazer escolhas que deem a ilusão de que há alguma hipótese de reconciliação. O problema é que depois vem novo confronto com a realidade e o mais provável é que sinta que esteja constantemente a levar tareias. Há casais que se separam e que mais tarde se reconciliam. Preste atenção ao que o seu ex lhe diz. Se a decisão for definitiva, não mendigue.

6 – APRENDER COM OS ERROS

Não esteja à espera de ser capaz de amadurecer dez anos imediatamente depois do fim da relação. O luto envolve tempo, lembra-se? Não é só tristeza aquilo que a maior parte das pessoas sentem. Também há quase sempre espaço para a raiva e para a negação. Dê a si mesmo(a) a oportunidade de sentir TUDO e lembre-se de que, mais cedo ou mais tarde, olhará para aquilo que aconteceu com outro discernimento. Quando a poeira começar a assentar, olhe para os seus comportamentos, para a forma como lidou com as suas emoções ao longo da relação, para aquilo que disse, para forma como o disse e para a maneira como lidou com as necessidades do seu ex. Essa autoanálise trar-lhe-á ferramentas importantes para viver um grande amor.

7 – NÃO TER PRESSA

A maior parte das pessoas que conheço querem ser felizes no amor.




E é natural que comece a fazer esforços para conhecer alguém. Não se precipite. Se ainda se sente ligado(a) ao seu ex, se ainda se sente carente e vulnerável, é provável que esteja menos capaz de olhar para realidade como ela é. Isso coloca-lo(a)-á numa posição muito arriscada, à mercê de quem não lhe queira bem. Evite reaproximar-se de antigos namorados, tenha cuidado com os galanteios das redes sociais e preste muita atenção às intenções de quem se mostre aparentemente atraído pela sua vulnerabilidade. Quando se sentir preparado(a), vai voltar a sentir borboletas no estômago e o (seu) mundo vai voltar a ser muito animado. Não tenha pressa em ser escolhido(a) e permita-se escolher a pessoa certa para si.
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