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TEM UM PROBLEMA? SAIBA QUE SÓ HÁ 3 CAMINHOS


Se você estiver a passar por um problema sério – seja ele profissional ou familiar – é natural que dê por si a resmungar e/ou a lamentar a sua situação. É instintivo, é humano. Faz parte. Mas depois disso vem a necessidade de fazer uma escolha. Você não pode fazer como as crianças e fingir que o problema não existe. Poder até pode. Mas essa não seria uma escolha responsável.

Não há fórmulas mágicas e muito menos aplicáveis a toooodos os problemas desta vida. Mas é fundamental que você perceba que, seja qual for a natureza do seu problema, só há 3 caminhos possíveis:

                    1.       ABANDONAR A SITUAÇÃO.
                    2.       MUDAR A SITUAÇÃO.
                    3.       ACEITAR A SITUAÇÃO.


Não adianta escamotear a realidade. Você até pode sentir-se dominado pelo problema. Pode sentir-se dividido. Bloqueado. Para que o seu mal-estar desapareça, você terá de fazer uma escolha. Esta escolha. E, depois, terá de assumir as consequências. A isso chama-se ser responsável. Não vale a pena fingir que faz uma escolha e, na prática, continuar com a resmunguice e o queixume – isso não é aquilo que se espera de uma pessoa responsável. Muito menos vale ficar à espera, cruzar os braços ou torcer por um milagre – esses não são caminhos a equacionar, na medida em que não lhe permitirão avançar.


É absolutamente natural que haja medo, inseguranças de vária ordem. E esses medos são tão maiores quanto mais pessoas estiverem envolvidas no seu problema. Não é fácil tomar decisões importantes quando há filhos envolvidos, por exemplo. Não se muda de emprego ou de estado civil como quem muda de roupa – e muito menos quando a preocupação com o bem-estar das crianças vem em primeiro lugar. Mas ser pai ou mãe também é – tem de ser – lutar todos os dias pela sua própria felicidade, pelo seu bem-estar. E, na medida em que a sua vida estiver em stand-by em função de um problema que o angustia, ser-lhe-á (muito) mais difícil ser o pai ou a mãe competente que os seus filhos merecem.

Dependendo da dimensão e da importância do seu problema, MUDAR a sua situação pode implicar tarefas difíceis, penosas até. Mas daí pode depender o seu bem-estar (e o daqueles de quem gosta). Se não for esse o caso e/ou se não se sentir com capacidade para lutar, ainda restam duas saídas - ABANDONAR o barco (e permitir que a partir dessa perda possam surgir outros sonhos/ projetos) ou compreender e aprender a ACEITAR realmente aquilo que o tem incomodado. Não é fácil. Mas é possível. 

SILÊNCIO? NAAAAA…


Alguém dizia no outro dia: silêncio também é resposta. E é, claro. Até consigo identificar uma ou outra situação em que o silêncio pode ser A MELHOR RESPOSTA. Se alguém o insultar no meio da rua, escolher o silêncio não é sinal de vergonha ou embaraço. É sinal de indiferença e, nessa medida, sinal de inteligência emocional. Se uma pessoa alcoolizada se meter consigo, numa atitude mais ou menos provocatória, é a mesma coisa. Nestes casos, o seu silêncio diz, de forma clara e simples, "Eu escolho não comprar esta briga. Eu escolho não dar importância." Mas não é sempre assim. Ao contrário do que algumas pessoas defendem, o silêncio não é sempre uma resposta clara. O silêncio nem sempre diz tudo. E a indiferença que esta resposta traduz nem sempre é um sinal de inteligência.

Se alguém o insultar repetidamente, expondo-o perante outras pessoas, prejudicando as suas relações pessoais ou profissionais através de rumores, a melhor resposta não é o silêncio. É preciso uma atitude mais firme, mais proativa.

E se alguém o magoar? Pode o silêncio ser a melhor resposta? Há quem defenda que sim. Assisto todos os dias a essa escolha entre os casais com que trabalho. Não vês como estou triste? Não se nota - pelo meu silêncio - que erraste de forma grosseira, desiludindo-me?

Não, não é nada disso que o silêncio mostra. Pelo menos, não é isso que sobressai. Numa relação íntima o silêncio também pode mostrar indiferença. Só que neste caso a indiferença é venenosa. Porque ninguém espera ser tratado com indiferença pela pessoa amada. Ninguém espera ser colocado "de castigo" quando erra. Ninguém espera sentir-se desprezado (às vezes durante umas horas, outras durante alguns dias). Para dizer a verdade, ninguém merece.

A pessoa que escolhe o silêncio pode sempre alegar que não teve a intenção de desprezar. Que não quis colocar de castigo. Que importa? O veneno está lá, capaz de corroer e criar distâncias tantas vezes irrecuperáveis.

O mais curioso é que, para além de nociva, esta escolha nem sequer é clara na maioria das vezes. Qualquer um pode zangar-se de forma silenciosa a propósito dos erros do companheiro. Qualquer um pode amuar. Mas aos olhos de quem assiste à birra, fica difícil identificar o erro. Muitas vezes a pessoa até intui que errou. Percebe que o outro voltou a fechar-se na sua concha e tem a certeza de que esse comportamento está ligado a um comportamento seu – só não sabe qual. Pode tentar adivinhar. Fazer uma espécie de rewind ao próprio comportamento no sentido de tentar perceber onde errou. Ao fim de algumas birras o mais provável é que o exercício de autoanálise se torne cansativo e que a pessoa acabe por desistir.


Escolher o silêncio como resposta é fácil. Mas pode não ser inteligente. Difícil – mas provavelmente mais frutífero – é deitar a mágoa cá para fora de forma assertiva.

STRESS PRECISA-SE


Há quem reclame do stress intenso, normalmente associado às obrigações profissionais e à dificuldade em lidar com muita coisa para fazer e pouco tempo para cumprir prazos apertados. Mas também há quem sofra - ainda que tantas vezes de forma silenciosa - da falta de stress. Para dizer a verdade, há quem definhe de dia para dia precisamente por não ter uma razoável quantidade de stress na sua vida.

Então, que papel é este que o stress desempenha nas nossas vidas? Queixamo-nos quando é demais e nos cria a sensação de que não somos donos da própria vida e morremos aos poucos quando ele deixa de existir?

Enquanto crescemos somos continuamente expostos a um sem-número de estímulos e solicitações que, além da pressão, trazem cor à nossa vida. Ainda nem saímos da asa materna e já estamos a tentar cumprir objetivos em contexto académico ou a tentar impor a nossa vontade em contexto familiar. Com mais ou menos ansiedade, é fácil reconhecer que essas lutas são essenciais ao nosso desenvolvimento, que nos fazem avançar. O que seria de nós se não nos sentíssemos pressionados? Se não houvesse stress nas nossas vidas?

Imaginamos tantas vezes uma vida totalmente calma, sem uma única fonte de stress e não paramos para pensar na falta que, afinal, o stress pode fazer... Até ao momento em que esse dia chega e passamos a maldizer a pasmaceira dos dias.

Já parou para pensar porque é que há tantas pessoas que optam por fazer cursos, formações e voluntariado depois da reforma? Ou porque é que há quem volte a trabalhar - mesmo que seja numa área diferente - depois de passar a anos a idealizar uma reforma na praia?

A sensação de não ter stress, de não haver pressão, de não haver solicitações e estímulos pode ser devastadora, sobretudo para quem passou a vida a ter por que lutar, para quem está habituado a ter de dar resposta a mil-e-um pedidos. É uma sensação de definhamento, de involução. Como se a vida deixasse de ter cor e brilho.


Então, da próxima vez que der por si a desejar uma vida calma, pense melhor. Tenha cuidado com aquilo que deseja.

DETETOR DE SARILHOS


Muitos gostariam de possuir um afinado detetor de mentiras. Um dispositivo, uma ferramenta, uma mezinha - qualquer coisa que permitisse detetar os momentos em que o mais-que-tudo não estivesse a dizer a verdade. Precisamos de nos sentir seguros no Amor. Precisamos de ter a certeza de que aquela pessoa é confiável. Que faz as escolhas certas, mesmo quando não está sob o nosso olhar. E, mesmo que saibamos que a confiança não depende apenas de provas concretas, andamos muitas vezes concentrados em buscar provas de que o Amor do outro - e a sua fidelidade - é real.

Não há, por enquanto, um polígrafo portátil para cada relação. Tão pouco me pareceria ajustada a ideia de sujeitar a pessoa amada a qualquer interrogatório. Para ser franca, isso está mais próximo da violência emocional do que do amor romântico.

Mas cada um de nós possui o seu próprio detetor de mentiras. Mais: cada um de nós possui um detetor de sarilhos. Basta que estejamos (mesmo) atentos e que desenvolvamos a nossa sensibilidade. Estar atento é não ignorar os apelos e queixas do mais-que-tudo. É dar resposta quando ele(a) diz que precisa de atenção. É parar de implicar quando a pessoa amada diz que se sente híper-criticada. É dar afeto sempre, de forma clara, espontânea e frequente. Mas também é pensar bem antes de dizer qualquer coisa que pura e simplesmente "não cheira bem". Se há o risco de ferir, se há o risco de o outro se sentir atacado, o melhor é ficar calado. Repensar. Refrear. Para evitar sarilhos, está a ver?

As pessoas com detetor de sarilhos apurado não se limitam a perceber que há algo errado no comportamento do parceiro quando, depois de anos a vir almoçar a casa, a escolha muda e coincide com a chegada de uma colega nova. Não se limitam a perceber que há desculpas esfarrapadas que cheiram a esturro e às quais fechar os olhos seria um sinal de infantilidade e falta de amor-próprio. Não se limitam a olhar para fora. Olham, em primeiro lugar, para dentro. Para o seu comportamento, para aquilo que podem fazer para prevenir o aparecimento de problemas sérios.


VOCÊ É UMA PESSOA INTROVERTIDA?


Há dias uma senhora queixava-se a propósito do feitio do marido: “Ele não é uma pessoa extrovertida… Eu gosto muito mais de conviver com outras pessoas do que ele. Não é uma “people-person”. Sem querer, estava a rotular o marido de antissocial, como se a sua introversão pudesse, no fundo, significar que não gosta de estar com outras pessoas.

As pessoas mais introvertidas sabem que dificilmente serão as mais populares da turma/ do emprego/ do ginásio. E, nalguns casos, lamentam o facto de não serem capazes de assumir comportamentos que lhes permitam “brilhar”. Mas, lá no fundo, sabem que isso está longe – muito longe – de significar que não gostem de estar ao lado de outras pessoas. Então, o que as distingue?

Gostam de estar sozinhas? Gostam. Quando alguém assume que gosta de estar sozinho arrisca-se a ser visto como antissocial. “O quê? Vais ao cinema sozinho? Tens algum problema?”. Não há problema nenhum. As pessoas mais introvertidas valorizam o tempo que passam sozinhas. Em muitos casos, precisam desse tempo para se revigorarem. Quando têm uma hora livre, preferem passá-la a ler ou a jogar computador sozinhas em vez de irem até ao café para estar com outras pessoas. Mas isso não significa que queiram estar sozinhas sempre. Ou que não valorizem as suas relações afetivas e os momentos em família ou entre amigos. Valorizam.

Por não se sentir à vontade com a ideia de ser o centro das atenções, a pessoa introvertida é a última a levantar a mão e voluntariar-se para o que quer que seja. Não significa que não seja uma pessoa solícita e disponível. Muito menos significa que se trate de alguém egoísta e autocentrado. O que acontece é que, no meio do grupo, a pessoa acaba por sentir-se envergonhada e tem muita dificuldade em tomar a iniciativa e, assim, ser o protagonista da situação. Muitas vezes sente-se prejudicado porque gostaria de viver uma experiência nova mas, por timidez, não é capaz. Noutras arrepende-se porque teria oportunidade de mostrar o seu valor e retrai-se (se você for uma pessoa introvertida lembrar-se-á da angústia de saber a resposta colocada pelo professor e não ser capaz de levantar a mão).

Claro que esta falta de iniciativa também faz com que uma pessoa introvertida dificilmente emita a sua opinião. Pode tratar-se de uma discussão familiar ou de um debate académico. A pessoa só diz o que pensa ou sente se for questionada. Por mais acesa e interessante que esteja a discussão, é muito frequente que a pessoa introvertida se mantenha calada, como se o assunto lhe passasse ao lado. Em muitas destas situações arrisca-se a passar por alguém que tem a mania da superioridade ou que pura e simplesmente não quer saber do assunto. Mas no fundo é o medo que a impede de dizer o que quer que seja. O medo da avaliação. O medo de magoar os outros. O medo de ser mal interpretado. Por medo, a pessoa arrisca-se a que quem estiver à sua volta não só não a conheça como faça juízos de valor sobre o seu comportamento.

É mais ou menos isso que acontece quando a pessoa introvertida escolhe circular de auscultadores nos ouvidos - no ginásio, na faculdade ou nos corredores do emprego. A pessoa gosta de estar consigo mesma e alia uma atividade que lhe dá prazer a uma escolha útil – assim não “tem de” socializar. Não “tem de” fazer conversa de circunstância. Claro que aquilo que a perturba é, sobretudo, o facto de não saber fazer conversa de circunstância. O que é muito diferente de não querer fazê-lo (nunca). O problema é que o hábito de circular (quase) sempre de auscultadores nos ouvidos pode passar a mensagem errada. Arrogância. Superioridade.

A pessoa teme a avaliação ao ponto de ser particularmente sensível à expressão facial dos outros. Se um colega estiver de “cara feia”, o mais provável é que a pessoa introvertida evite estabelecer contacto visual, como se aquela expressão pudesse ter alguma coisa a ver consigo. Claro que o medo é irracional mas é igualmente intenso e é por isso que a pessoa tende a fugir. O resultado é sempre o mesmo – mostra-se esquiva, pouco presente e transmite a ideia de que não gosta de estar perto de outras pessoas. Na verdade é precisamente o oposto. A pessoa pode querer estar com outras pessoas mas teme a avaliação. E o medo é significativamente maior quando as outras pessoas estão aparentemente zangadas ou tensas.

O verdadeiro introvertido faz poucos telefonemas e envia poucos e-mails. Se tiver uns minutos livres antes de voltar para o emprego não faz um telefonema para passar o tempo. É provável que tema incomodar alguém, pelo que, se pegar no telefone, será para se entreter sozinho. Ainda em relação ao telefone, o mais provável é que o use pouco e que, se tiver algum assunto a resolver – profissional ou não – dê preferência ao e-mail.


De um modo geral, é difícil saber como se sente, em determinado momento, uma pessoa introvertida – se está nervosa, preocupada, entusiasmada ou feliz. A menos que haja uma relação suficientemente próxima, suficientemente íntima. Nalguns casos, esta reserva é uma desvantagem – os outros podem sempre construir uma imagem errada a respeito daquela pessoa. Mas em muitas outras também pode revelar-se uma vantagem – na medida em que a pessoa se protege da exposição desnecessária ou até de cometer uma gaffe. O mais importante é que a própria pessoa reconheça se há ou não necessidade de, em certos contextos, sair da sua zona de conforto e arriscar um padrão de comportamento diferente. Em suma, decida se a sua introversão está ou não a ser um problema.

TRAIÇÃO NO ESCRITÓRIO


A infidelidade não bate à porta de todos os casais. Mas aqueles que já passaram pela experiência sabem que o local de trabalho de cada um é um dos sítios mais perigosos do mundo. Independentemente de trabalharmos numa agência de seguros, numa escola, ou numa repartição de finanças, é relativamente fácil sentirmo-nos próximos daqueles com quem somos obrigados a partilhar o espaço durante 40 (ou mais) horas por semana. É muitas vezes ao lado de colegas de trabalho que recebemos notícias importantes. É ao seu lado que vibramos quando as notícias são animadoras. E é dessas pessoas que recebemos o apoio possível quando as notícias são tristes. Cria-se uma certa intimidade e, mesmo que aquelas pessoas não sejam visitas-de-casa, são, em muitos casos, autênticos amigos. Amigos que o mais-que-tudo às vezes nem conhece. Amigos que são só nossos e que, de repente, podem passar a ser muito mais do que isso.

Quando é que uma relação profissional corre o risco
de se transformar numa relação extraconjugal?
O que é que é possível fazer para garantir que isso não aconteça?

Antes de mais, talvez valha a pena assumir uma postura humilde e aceitar que, se não houver os devidos cuidados, qualquer um pode cair em tentação. Porque este não é um problema que só aconteça aos outros.

Então, que cuidados são esses?

SEGREDINHOS? NÃO, OBRIGADO
Não há nada de errado no facto de você almoçar fora todos os dias com as mesmas pessoas. Tão pouco há algo de errado no facto de você simpatizar mais com uma ou duas pessoas e preferir a sua companhia à hora de almoço. Mas há muita coisa errada quando você opta por não dizer ao seu parceiro que tem almoçado sempre com a mesma pessoa. Inicialmente você até pode ter a melhor das intenções – proteger a sua relação dos ataques de ciúmes do seu cônjuge. Você olha para o seu colega como um colega e nada mais e acha que faz bem em não contar nada em casa. O problema é que quando você escolhe manter segredo, há uma barreira que começa a erguer-se. Entretanto, há uma ligação emocional que cresce de dia para dia e que se transformará facilmente num apoio importante nos dias de maior tensão conjugal. Sem dar por isso, é ao seu colega-que-entretanto-já-não-é-só-um-colega que você recorre para se animar quando há problemas em casa. É com ele que você vive momentos agradáveis depois de um arrufo com o mais-que-tudo. E é com esta pessoa que você prefere estar quando o seu casamento viver dias difíceis.

ONDE É QUE ESTÃO AS FRONTEIRAS?
É normal que você não se lembre de partilhar com o seu cônjuge toooodos os pormenores das conversas que vai tendo com os seus colegas de trabalho. E o mais provável é que ele agradeça que você não o faça. Aquilo que não é saudável (para o seu casamento) é que você opte deliberadamente por proteger a sua amizade com o colega de escritório como se o seu parceiro fosse um adversário. Há um ou outro detalhe da vida dos seus colegas que não deve ser partilhado na medida em que implicaria uma exposição desnecessária. Mas quando você desenvolve uma amizade íntima com alguém do trabalho e, em nome da confiança que essa pessoa depositou em si, escolhe ocultar tudo do seu cônjuge, estará provavelmente a proteger a relação errada.

FALAR MAL DO MAIS-QUE-TUDO? NUNCA!
Quando uma relação profissional ganha o estatuto de amizade é relativamente fácil criar-se a confiança necessária para que as duas pessoas se sintam à vontade para desabafar sobre os seus problemas. Incluindo os problemas conjugais. À medida que essa confiança cresce, é possível que uma das partes se sinta confortável ao ponto de falar mal do próprio cônjuge. De repente, a mulher do seu colega não é apenas egoísta porque não o ajudou a arrumar a cozinha em noite de jogo. É a egoísta que nunca o apoia. A egoísta que nunca o ouve. A egoísta que nunca o elogia. E você dá por si a empatizar com ele. E há um dia em que, depois de uma discussão, você também desabafa. E também fala mal do seu cônjuge. Tudo acontece gradualmente. Mas você sabe exatamente como é que este filme acaba, não sabe?


Se quiser proteger-se de uma traição no local de trabalho não é preciso entrar mudo e sair calado todos os dias. Basta que imagine como é que o seu mais-que-tudo se sentiria se assistisse às suas conversas com os seus colegas. Sentir-se-ia tranquilo? Ou alarmado? Orgulhoso de si? Ou preocupado?

QUÃO CHATOS DEVEM SER OS PAIS?


As paredes do meu consultório já viram de (quase) tudo: pais chatíssimos, tão chatos que chegam a ser desrespeitadores da liberdade a que os filhos também têm direito, pais chatos assim-assim e pais que nunca chateiam. Os pais que são mesmo muito chatos têm sempre alguma coisa para dizer. Têm sempre uma pergunta na ponta da língua – tens frio? Tens fome? Tens febre? Tens medo de alguma coisa? Tens a certeza que não tens medo? Precisas de falar? Eu gostava que falasses abertamente comigo – tens a certeza que não há nada que me queiras contar? Estes pais estão quase sempre empenhadíssimos em serem os melhores do mundo. Não é que lutem por uma medalha ou pelo reconhecimento externo. Querem ser os melhores do mundo aos olhos dos filhos, que amam acima de tudo. E, em função desse amor, que às vezes os consome de ansiedade, esquecem-se que também já foram adolescentes, que também já tiveram de lutar pela própria autonomização. Esquecem-se que o silêncio nem sempre significa desamor nem sequer distanciamento. Têm dificuldade em lidar com o desconhecido e com os segredos que agora são partilhados com outros confidentes. Às vezes desesperam por já não ser possível controlar cada passo ou amparar cada queda das suas crias. E, mesmo que nem sempre se apercebam, contagiam os filhos com os seus medos, com a sua ansiedade. Querem que eles sejam felizes, seguros e saudáveis mas têm dificuldade em dar-lhes o espaço de que precisam para se transformarem em adultos.

Pelo contrário, os pais que nunca (mas mesmo nunca) chateiam não sabem o que isso é. Vivem o papel parental de forma descontraída, sem medos. Dão aos filhos todo o espaço do mundo e reconhecem que esse espaço é fundamental para que eles errem, para que se magoem e, claro, para que aprendam com os erros e se transformem em adultos felizes, seguros e saudáveis. Não fazem muitas perguntas. Para dizer a verdade, há um momento – algures no pico da adolescência – a partir do qual deixam de fazer perguntas. Não é que não se interessem ou não queiram saber. Procuram não exercer pressão. Dão liberdade para que o adolescente escolha outros confidentes. Afinal, eles sabem que aos olhos de um jovem de 14 anos os conselhos dos amigos são bem mais relevantes do que os dos pais. Têm ainda muito presentes os sermões com que os seus próprios pais os brindavam e fazem o que está ao seu alcance para não serem vistos desta forma antiquada. Estes pais não têm a ambição de receber a faixa de “Pais mais cool do planeta”. Mas dão o seu melhor no sentido de a palavra “cool” poder ser usada pelos filhos para os descrever. Estão tão empenhados nessa tarefa que às vezes se esquecem de colocar perguntas importantes como “Está tudo bem?” ou “Precisas de alguma coisa?”. Assumem que existem confidentes mais interessantes e esquecem-se de que a adolescência é um período difícil e que nem todos os jovens podem gabar-se de ter verdadeiros amigos. Já não se lembram das dificuldades porque passaram enquanto andavam na escola ou de quão reconfortantes podem ser as palavras de alguém mais velho, capaz de desdramatizar os problemas e devolver a esperança. Orgulham-se por serem pais capazes de respeitar o espaço dos filhos e ignoram que as horas que o adolescente passa trancado no quarto possam ser horas de angústia e solidão. Estão convencidos de que a música em altos berros é uma manifestação típica de quem está a crescer e a rebelar-se e esquecem-se que os adolescentes também choram. Como tiveram pais chatos, não sabem o que é ser adolescente e sentir saudades de ser criança. Não sabem que há adolescentes com saudades dos próprios pais. Que há jovens que precisam, acima de tudo, que os pais continuem a mostrar-lhes que estão “lá”, que se preocupam e que vão continuar a interessar-se e a querer dar colo mesmo que eles se transformem em adultos.


Os pais assim-assim não são perfeitos. Nem sequer são chatos na medida certa. Mas só porque não há uma medida universalmente certa. Os pais medianamente chatos sabem que os filhos estão a crescer e que isso implica que às vezes tenham de dizer “Larga-me da mão. Deixa-me viver a minha própria vida”. Mas também sabem que estes gestos e palavras de rebeldia não equivalem – não podem equivaler – a um afastamento total. Sabem que não são os melhores amigos dos filhos mas não sofrem por isso. O seu papel é outro – o de cuidadores. E ainda que os filhos revirem os olhos quando as perguntas são (sentidas como) invasivas, eles sabem que o mais importante é passar a mensagem “Eu estou aqui. Eu vou estar sempre aqui”. 

COMO GANHAR UMA DISCUSSÃO


Há quem dê um dedo para não ter de entrar numa discussão. Mas a mesma pessoa é capaz de perder as duas mãos só para ganhar a discussão – mesmo que isso implique que ela se eternize. Quantas vezes não deu por si a discutir assuntos irrelevantes só para não ter de dar o braço a torcer? Aqui estão algumas dicas para quem queira ganhar uma discussão:

VENÇA-O(A) PELO CANSAÇO. Você começou por apresentar um argumento em que acreditava e, no meio da discussão, apercebeu-se de que estava errado? Não volte atrás. Não dê parte fraca. Não peça desculpas. Insista, insista, insista. O seu interlocutor vai acabar por concordar consigo. É possível que ele(a) também comece a gostar menos de si mas isso não deve ser um problema. Afinal, o importante é ganhar a discussão.

ATAQUE. Insulte a outra pessoa. Chame a sua atenção para os cinquenta mil erros que ela já cometeu. Não se fique por um exemplo. Estavam a discutir sobre uma queixa dela? Não há problema! O importante é que você esqueça os seus erros e contra-argumente com um conjunto de acusações. Desvalorize a queixa, desvalorize os sentimentos da outra pessoa. A única pessoa importante na sua vida é você – é por isso que existem divórcios.

ATAQUE AS PESSOAS DE QUEM O SEU MAIS-QUE-TUDO GOSTA. Não importa se a conversa é sobre finanças pessoais, a educação dos filhos ou o sexo dos anjos. Seja em que circunstância for, lembre-se de atacar os pais dele(a). A culpa tem de ser de alguém que não seja você e a raiva do momento será um ótimo acelerador para que você deite cá para fora toda a neura em relação à sua sogra. Você vai sentir um efeito libertador associado a esta verbalização. Tão libertador que, no dia seguinte, é possível que esteja à procura de casa.


INTERROMPA-O(A) muitas vezes. Tantas quantas for possível. Já tentou elaborar um raciocínio enquanto é interrompido três vezes antes de terminar uma frase? Pois… profira frases como “Já sei o que é que vais dizer…”. A intenção é conseguir que a outra pessoa se enfureça e perca a capacidade de concentração. Assim, ser-lhe-á mais fácil dominar a discussão e conseguir que o seu interlocutor desista… de si.

HOMEM QUE É HOMEM…


Para mim, homem que é homem chora. Chora quando está triste porque perdeu o pai. Chora quando está comovido com a presença de todos os amigos na sua festa-surpresa. Chora quando está agoniado de saudades do filho que emigrou. Chora quando se lembra do sofrimento por que a mãe passou antes de vencer o cancro. Homem que é homem não mistura as suas emoções com quaisquer provas de masculinidade. Para dizer a verdade, homem que é homem nem precisa de prestar provas da sua masculinidade. Não tem medo dos nomes que lhe possam chamar. Lamechas. Maricas. Isso de chamar nomes é coisa de meninos e homem que é homem tem mais com que se importar.

Homem que é homem está atento àquilo que sente e exterioriza na medida certa, com as pessoas certas e no momento oportuno as suas emoções. Sabe pedir colo, pede ajuda, mostra-se vulnerável. Escolhe as pessoas certas para estar ao seu lado e conta com elas. É claro que homem que é homem também sabe dar colo, está lá para ajudar quando é preciso, é alguém em quem se pode confiar e com quem se pode contar.

Homem que é mesmo homem não mascara os seus sentimentos. Não se faz de forte. Não finge que está tudo bem nem atira a poeira para debaixo do tapete. Sabe que isso lhe faria mal. Sabe que o melhor remédio para as suas dores continua a ser o amparo e o abraço daqueles de quem gosta. Sabe ser feliz.

NÃO NAMORE PARA CASAR


Conheço relativamente bem este tipo de pessoas: estão numa relação estável – leia-se, duradoura – e sonham casar. Para elas, não faz sentido outro passo que não aquele. O casamento é a meta. A sua meta. E mesmo que boa parte deste sonho tenha sido idealizado por quem está de fora da relação – pais e sogros – não se pode desresponsabilizá-las. Elas escolheram namorar para casar. Não namoram para serem felizes e muito menos para fazer o outro feliz. Não namoram para conhecer a fundo a pessoa com quem um dia podem vir a casar. Não namoram para construir um NÓS. Namoram para casar.

Às vezes a fixação à volta do (dia do) casamento é tanta que – pasme-se – até se esquecem de namorar. Vão preparando a casa, compram os tarecos no IKEA escolhem roupas caras para o grande dia ao mesmo tempo que fazem ouvidos-de-mercador às queixas e caras-feias da pessoa amada. Quem as veja a dias da cerimónia não diria que se tratam de duas pessoas enamoradas. Para dizer a verdade, muitas vezes não são. São duas pessoas inseguras a respeito dos seus sentimentos, que não fazem a mínima ideia daquilo que o outro sente e que, muitas vezes, não param para pensar no que vem – ou deveria vir – no dia a seguir à cerimónia.

É verdade que a maior parte dos contos de fadas terminam com “… e foram felizes para sempre”. Mas não seria expectável que um adulto confundisse a própria vida com histórias de encantar. Depois admiram-se. Com o facto de um estar sempre amuado. Com o facto de o outro não estar nem aí para o romance. Estavam à espera de quê?

Não tenho nada contra o casamento (ou não fosse eu uma mulher casada). Mas, para mim, o casamento não deve ser uma meta. Deve ser um marco, sim. Mas não uma meta. Porque depois do (dia do) casamento há toda uma vida para viver. E essa vida só faz sentido que seja a dois se se tiver investido a dose certa no namoro…


NÃO NAMORE PARA CASAR.
CASE PARA CONTINUAR A NAMORAR.