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14.6.16

5 MENTIRAS QUE AS MULHERES DIZEM A SI MESMAS


Há homens que mentem. Há mulheres que mentem. Há homens e mulheres que mentem a si mesmos. Mas na minha prática clínica são muito mais frequentes os casos em que a mulher “cai” numa série de mentiras do respetivo companheiro do que o contrário. Algumas destas situações acontecem em relações sérias, outras surgem no contexto de uma amizade colorida. Em qualquer dos casos há um denominador comum: a ilusão. São muitos os pedidos de ajuda que recebo da parte de mulheres que, a dada altura, já não sabem em que é que devem acreditar. Às vezes, mesmo quando toda a gente à sua volta chama a atenção para os sinais de alarme, é mais fácil continuar a acreditar na pessoa de quem se gosta. Mas como o desgaste é enorme e, muitas vezes, já é de violência emocional que estamos a falar, surge a urgência de falar com um especialista. Hoje partilho algumas mentiras em que as mulheres apaixonadas costumam acreditar.

1 - ELE TEM MEDO DO COMPROMISSO

Este é um mito que tanto é difundido por homens que não estão interessados em manter uma relação séria como por mulheres que se recusam a enfrentar a dura realidade de estarem envolvidas com alguém que pura e simplesmente não está minimamente comprometido com elas. Perante um homem que não dê sinais claros de que queira assumir uma relação de compromisso, algumas mulheres dizem a si mesmas que isso tem a ver com traumas antigos. “Ele tem medo de voltar a magoar-se” ou “Ele já sofreu muito e agora tem dificuldade em entregar-se” são, sobretudo, frases que permitem que uma relação sem regras continue a existir.



A VERDADE:

Quase todas as pessoas já viveram um desgosto amoroso. É duro e, momentaneamente, pode levar-nos a uma postura defensiva. Mas quando voltamos a apaixonar-nos não desperdiçamos a oportunidade. Se um homem estiver realmente interessado numa mulher, vai querer assumir a relação de forma clara.

2 - VALORIZA MUITO A FAMÍLIA… E É POR ISSO QUE AINDA NÃO A APRESENTOU

Ele tem uma família muito conservadora. É muito ligado aos pais. Tem medo de os magoar. Tem uma avó que é doente e que sofreu horrores quando ele se separou da última namorada. Tretas! É evidente que qualquer pessoa tem o direito de se proteger e de proteger a família alargada. É óbvio que para muitos homens não fará sentido apresentar a nova namorada ao fim de uma semana. Mas se o tempo for passando e, por exemplo, ao fim de alguns meses a relação se mantiver mais ou menos confidencial, a campainha deve soar. É uma questão de transparência e de segurança emocional.

A VERDADE:

Cada um de nós precisa de se sentir seguro de que a pessoa que está ao nosso lado está realmente comprometida. Se a relação se mantiver secreta, não há um compromisso. Mais: de um modo geral, quando uma mulher só está com o homem de quem gosta a dois e não conhece a sua família nem sai regularmente com os amigos dele, isso pode indiciar que alguma coisa esteja a ser escondida.

3 - SÃO SÓ AMIGAS

Atualmente é difícil controlar aquilo que é publicado nas redes sociais e, mesmo que o seu namorado tenha cuidado com aquilo que publica, há sempre a possibilidade de ser identificado nas publicações de outras pessoas. Imagine que dá de caras com fotografias comprometedoras ao lado de outras mulheres. Ele vai dizer-lhe que são só amigas. Ó-B-V-I-O. Você acredita no que quiser. Mas preste atenção aos detalhes. Ele falou-lhe do que fez no dia ou na noite a que essas fotografias dizem respeito?



O mesmo tipo de alarme deve fazer-se soar sempre que você se dê conta de que o seu amor tem alimentado relações com outras mulheres na sua ausência. Ele troca mensagens privadas com outras mulheres no Facebook? Sai sozinho com algumas amigas e nem sempre se “lembra” de lhe contar?

A VERDADE:

A pessoa de quem gosta tem direito a relacionar-se com outras mulheres. Mas numa relação de compromisso é fundamental que haja honestidade. Se a este tipo de surpresas estiver associado qualquer tipo de mentira, o mais provável é que essas relações não sejam assim tão inofensivas.

4 - ALGUÉM MEXEU NO TELEMÓVEL DELE

As redes sociais e os smartphones trouxeram a possibilidade de nos mantermos em contacto com as pessoas de quem gostamos de mil e uma forma diferentes. Mas é inevitável reparar no facto de a partir daí também terem surgido mil e uma formas de nos confrontarmos com comportamentos menos ajustados. Se uma mulher reparar no facto de o seu namorado continuar “online” no Facebook ou no Whatsapp, apesar de ele lhe ter garantido que estaria a trabalhar ou a dormir, é normal que se sinta alarmada. Mas se, depois de ser confrontado com estas informações, ele lhe disser que alguém mexeu no seu telemóvel, ou que a tecnologia não é infalível, o mais provável é que a mulher não queira passar por louca nem por possessiva.  

A VERDADE:

De um modo geral, a estas suspeitas juntam-se alguns comportamentos que permitem que haja a sensação da “pulga atrás da orelha”. E, se assim for, mais vale estar atenta. A tecnologia é falível e a confiança numa relação não deve ser sustentada por provas. Não vale a pena exigir que o seu namorado lhe dê a sua password de Facebook. Se ele a quiser trair, fá-lo-á independentemente disso. Mas se a par de alguma incoerência deste tipo você se der conta de que ele se apressa a apagar algumas mensagens, desliga o telemóvel quando você se aproxima, recebe mensagens a horas impróprias ou tem dificuldade em manter o visor do telemóvel voltado para si, não faça de conta de que é tudo normal. Não é.

5 - ELE JÁ TRAIU… MAS NÃO O FARÁ COMIGO

Voltamos ao princípio: algumas mulheres olham para o homem que têm ao seu lado como um coitadinho.



A VERDADE:

Eu lido com a infidelidade todos os dias. São contingências do meu trabalho como terapeuta conjugal. E sei que nem todas as pessoas que traem uma vez vão voltar a fazê-lo. Há homens (e mulheres) que já traíram e que sofreram com isso.

Quando um homem fala sobre infidelidades do passado está a dar uma demonstração de confiança? Depende da forma como descreve esses acontecimentos. Mostra arrependimento? Assume a responsabilidade? Isto é, mostra genuinamente que se deixou tocar pelo sofrimento que causou à ex-mulher ou ex-namorada? Dá sinais claros de que foi capaz de se colocar na posição da outra pessoa? E como é que geriu a situação na altura? Foi ele que contou ou foi apanhado? Se se limitou a contar aquilo que aconteceu ao mesmo tempo que justificava a sua escolha com frases do tipo “Não teve qualquer significado” ou “A relação já estava no fim”, tome cuidado. Assumir o erro pode não querer dizer que haja genuína empatia com o prejuízo causado à pessoa com quem estava na altura. Por que é que consigo haveria de ser diferente?

1.6.16

6 COISAS QUE PRECISA DE SABER SOBRE A SUA RELAÇÃO


Há coisas que você não deve fazer – pelo menos, se quiser manter uma relação feliz. Eis uma lista das coisas que ninguém lhe costuma dizer mas que importa que você saiba:

1. FALAR MAL DO SEU COMPANHEIRO PREJUDICA A SUA RELAÇÃO

É daquelas pessoas que pegam no telefone imediatamente depois de uma discussão conjugal e desatam a falar mal do companheiro? A ideia de descarregar a sua fúria com um familiar ou com uma pessoa amiga pode parecer tentadora. Afinal, você tem oportunidade de exteriorizar aquilo que estiver a sentir e, assim, até pode ser que se sinta mais calmo(a) quando tiver de voltar a encarar a pessoa de quem gosta, certo? Errado. Sempre que liga para outra pessoa para “descarregar” está, invariavelmente, a falar mal da pessoa amada, a prolongar a sua raiva. O mais provável é que do outro lado esteja alguém que gosta de si e que vai dar-lhe razão. Esse conforto pode saber-lhe bem na altura mas dificilmente o(a) ajudará a melhorar o que quer que seja na sua relação. O seu melhor amigo pode não ser capaz de o(a) ajudar a reconhecer a sua própria responsabilidade sobre as dificuldades que está a atravessar. Vai confortá-lo(a), sim. Mas a partilha de informações pessoais não vai ser útil para ninguém. O mais certo é que essa pessoa passe a olhar para o seu companheiro com alguma estranheza e algum desconforto.

2. O SEU COMPANHEIRO CASOU CONSIGO, NÃO COM A SUA FAMÍLIA

Você adora a sua mãezinha. Tem a certeza de que ela é a pessoa ideal para o aconselhar em todas as áreas da vida. Maaaaas... isso não significa que seja ajustado ir a correr para perto dela a cada tomada de decisão.


 É dessa unidade e desse compromisso que resulta a segurança de que escolheu a pessoa certa para si. Pelo contrário, se a sua família alargada (pais, irmãos) continuarem a participar em decisões que lhe digam respeito, é legítimo que o seu companheiro se sinta relegado para segundo plano.

3. VOCÊ TEM DE PARAR DE TENTAR "MELHORAR" O SEU COMPANHEIRO

Eu sei que há defeitos irritantes, há hábitos do seu companheiro que parecem tão fáceis de alterar que é legítimo que você se sinta tentado(a) a sugerir que ele(a) o faça. Se o seu companheiro for um preguiçoso nato, que raramente chega a horas ao trabalho, é normal que você acredite que se lhe der na cabeça tudo possa ser diferente. Se ele for demasiado dependente dos pais, é legítimo que você se sinta descontente e que se queixe. Mas há coisas que não vão mudar... mesmo! Não é pessimismo, é a realidade. Nós vamos sempre a tempo de melhorar alguns hábitos MAS ninguém muda significativamente só para agradar ao mais-que-tudo.

Viver na esperança de que o seu amor possa mudar para passar a ir ao encontro do que você gostaria que ele fosse é uma escolha pouco inteligente. Você precisa de avaliar se está ou não capaz de aceitar a pessoa que está ao seu lado tal como ela é.

4. CUIDADO COM O MAU-FEITIO

Se está cansado(a) de passar horas sozinho(a) e se as suas reclamações caem sistematicamente em saco roto, talvez tenha chegado a altura de fazer uma autoavaliação.


Quando ele(a) entra em casa, o que é que costuma ouvir?
a)      Querido(a) como foi o teu dia? [interesse genuíno]
b)      Como foi o teu dia? [ao mesmo tempo que espreita o Facebook no seu telemóvel]
c)       Fizeste aquilo que te pedi de manhã? [com ar irritado]
As suas queixas são fundamentais para que a pessoa que está ao seu lado possa melhorar alguns comportamentos mas não há relação que resista à inexistência de colo e de demonstrações frequentes de afeto.

5. HÁ VIDA FORA DO CASAMENTO

Algumas pessoas estão convencidas de que a pessoa com quem casaram é responsável pela sua felicidade. Depositam nela todas as expectativas e, claro, vivem frustradas com a aparente incompetência da pessoa amada. A verdade é que numa relação feliz cada um dos membros do casal deve ser capaz de alimentar outros laços afetivos e desenvolver interesses individualmente. É dessa riqueza que também resulta algum mistério e a capacidade de manter a chama acesa. No final de cada dia, é preciso que cada um sinta que tem alguma coisa para partilhar e isso é mais fácil quando ambos cultivam interesses para além da relação conjugal.

6. SE É PRIVADO, NÃO PUBLIQUE NO FACEBOOK

Nos dias que correm é muito fácil olhar para as redes sociais como uma forma de terapia. O Facebook até nos pergunta “Em que estás a pensar?”. E as pessoas que compõem a nossa rede de amigos virtuais reagem a cada publicação sob a forma de ‘gostos’ e comentários quase sempre elogiosos. Isto é, cada publicação é uma potencial fonte de retorno positivo. Mas não há nada de positivo em descarregar a sua neura nas redes sociais. Sim, alguns amigos até podem mostrar-se aparentemente solidários com o seu mal-estar ou curiosos em relação à sua indireta.



Se se sentir incomodado(a) com algum assunto, procure resolvê-lo a dois. Ou então converse com um terapeuta. 

25.5.16

SER A OUTRA


Há mulheres que ambicionam ter uma relação amorosa “normal”, de compromisso, e que acabam por manter-se ligadas (muitas vezes durante anos) a homens casados. Queixam-se daquilo a que não têm direito, lamentam o facto de serem uma segunda escolha mas… nem sempre conseguem dizer basta. Quem são estas mulheres? Há características comuns a todas as amantes? Há vantagens associadas a ser a outra? E como é que os homens olham para as suas amantes?

Há uma pergunta com que sou confrontada muitas vezes:

❥ Quando um homem trai a sua mulher com outra, de quem é a culpa? Do homem, que é casado, ou da mulher, por saber que ele é casado e, ainda assim, ser capaz de se envolver e “destruir” aquele casamento?

Cada um de nós é – sempre – responsável pelas próprias escolhas. Quando um homem trai a mulher, está a fazer uma escolha que não o dignifica nem dignifica a relação. E a mulher com quem se envolva – na medida em que saiba que é casado – também está a fazer uma escolha que não a dignifica. Isto não significa que a amante possa ser considerada a responsável pelo fim da relação ou sequer pelos danos causados à mulher. Quem tem um compromisso é o marido, não é a terceira pessoa.

❥ Por que o fazem? O que é que leva uma mulher a envolver-se com um homem que é comprometido?

De um modo geral, e por muito que custe a acreditar, uma amante procura o mesmo que qualquer outra mulher noutra relação: ser amada e sentir-se segura. Nem sempre escolhemos a pessoa por quem nos apaixonamos e pode acontecer que uma mulher se envolva com um homem antes de saber que ele é casado. Claro que cada uma de nós é responsável pelas próprias escolhas a partir do momento em que esta informação é conhecida. Algumas mulheres assumem uma posição de respeito por si mesmas e interrompem a ligação. Outras, porventura mais frágeis emocionalmente, acabam por prolongar situações que podem revelar-se desastrosas em termos emocionais.


Quanto mais amados nos sentirmos ao longo do nosso desenvolvimento, maior é a probabilidade de construirmos relações amorosas marcadas pelo respeito.

Há ainda uma pequena percentagem de mulheres que se sentem relativamente confortáveis neste papel, na medida em que é numa relação de menor compromisso e em que se sentem mais livres.

❥ E os homens? O que é que os leva a ter uma amante?

Eu trabalho com a infidelidade praticamente todos os dias e se há algo que posso afirmar com segurança é que há vários tipos de infidelidade. Há affairs sem qualquer ligação emocional, há outros em que o homem se apaixona mas não deixa de se sentir ligado à mulher e há casos em que a relação extraconjugal é, sobretudo, uma forma de terminar a relação. Para alguns homens, a amante representa, sobretudo, a possibilidade de experimentar o sexo com uma pessoa diferente sem colocar em risco (teoricamente) a relação oficial. Para outros, a amante cumpre o propósito de dar resposta às lacunas afetivas existentes no casamento. Nesses casos, normalmente o investimento afetivo é maior e o envolvimento também. Há situações em que o envolvimento não é premeditado e a pessoa apercebe-se, a propósito da relação extraconjugal, que algo está mal na relação oficial mas não há vontade de romper. E há casos em que, ainda que de forma inconsciente, a amante é apenas a “desculpa” para terminar uma relação. O que acontece nestes casos é que acaba por ser mais fácil lidar com a raiva do parceiro do que com a sua tristeza e a sua prostração.

❥ Quais são as vantagens e desvantagens de ser a outra?

Não consigo identificar reais vantagens nesta posição. Aquilo que, à primeira vista, possa ser considerado vantajoso – como a ausência de monotonia e de obrigações – é precisamente aquilo que tende a gerar desconforto, mágoa, insegurança e conflitos. De um modo geral, precisamos de saber com o que é que podemos contar, precisamos de perceber que a pessoa que está ao nosso lado está disponível para nós e que o seu mundo pára quando precisamos dela. Nada disto acontece numa relação extraconjugal.

É evidente que é muito difícil para uma mulher apaixonada pura e simplesmente acabar uma relação quando se apercebe que o homem de quem gosta tem um compromisso de que não está capaz de abdicar. Mas as decisões difíceis têm de ser tomadas. E é obviamente muito mais danoso prolongar uma relação em que uma das pessoas não esteja a colocar a outra no topo das suas prioridades. Muitas vezes, ao fim de anos de relação há todo um trabalho de recuperação da autoestima que tem de ser feito.

Quando uma mulher se sujeita a ser a outra durante anos a fio há uma probabilidade muito elevada de gostar cada vez menos de si mesma e de isso se refletir noutras relações afetivas e familiares ou até profissionalmente. Por outro lado, o tempo vai passando e a pessoa vai tomando consciência de que há planos e sonhos que ficarão por cumprir e há até o risco de depressão.



Quando uma mulher se apercebe de que não é nem será a escolha do homem por quem se apaixonou, precisará de reconhecer a sua dor, de exteriorizar a sua tristeza e de aceitar que ela tenha de durar algum tempo. Isso não quer dizer que vá sentir-se infeliz para sempre – ninguém fica assim para sempre! O apoio dos amigos é fundamental, assim como muitas vezes a intervenção psicológica acaba por revelar-se essencial para a recuperação do otimismo e da autoestima.

24.5.16

DEPENDÊNCIA DO AMOR


A sua felicidade está inteiramente dependente da sua relação amorosa? Acha que aquilo que sente pela pessoa que está ao seu lado é tão forte que a simples ideia de esse amor acabar é desesperante? Não imagina como seria a sua vida sem essa pessoa? Sente-se dependente da aprovação dessa pessoa?

 ❥ É amor ou é dependência?

A nossa autoestima condiciona a forma como nos ligamos às pessoas de quem gostamos. Algumas pessoas parecem demasiado permeáveis à opinião do parceiro – como se só se sentissem bem quando conseguem agradar. Pelo contrário, a simples ideia de gerar desagrado pode ser desesperante. Mas é preciso ter cuidado quando falamos em dependência emocional porque arriscamo-nos a fazer um juízo de valor desfasado da realidade.

Na prática, somos todos dependentes emocionalmente de alguém, já que somos tão mais felizes na medida em que existirem ligações afetivas sólidas com outras pessoas. Precisamos da nossa família e dos nossos amigos para nos sentirmos tão seguros quanto normalmente nos sentimos. Para algumas pessoas, infelizmente, essa rede de suporte não é tão sólida, a insegurança é maior e o amor-próprio é praticamente nulo. Há nestes casos uma espécie de “fome emocional” que deixa estas pessoas mais vulneráveis à construção de relações afetivas menos saudáveis. Algumas destas pessoas – mais mulheres do que homens – estão tão fragilizadas em termos afetivos que tendem a projetar numa relação amorosa todas as suas frustrações, ambições e necessidades. É como se aquela relação não fosse apenas a mais significativa de todas e passasse a ser a sua “razão de viver”. Canalizam para aí toda a sua energia, investem tudo o que têm e muitas vezes sem esperar nada em troca, no sentido de não haver exigências realistas.



Na prática, todos nós precisamos de nos sentirmos amados para sermos capazes de gostar de nós mesmos. Mas esse afeto pode resultar das mais diversas relações. Sermos capazes de construir relações afetivas com amigos, por exemplo, é meio caminho para que possamos construir relações mais saudáveis com um companheiro. É preciso aceitar que nenhuma pessoa pode ser responsável pela nossa felicidade e não seria justo depositar num companheiro amoroso essa missão. Então, há que investir noutras frentes – noutros laços afetivos, na realização pessoal e profissional. E claro que é preciso pedir ajuda especializada quando alguém se dá conta de que um determinado padrão relacional está a trazer mais sofrimento do que outra coisa qualquer.

 Há características de personalidade ou eventos de vida comuns às pessoas que sofrem de dependência emocional?

Há nestes casos alguns elementos em comum. Falamos de mais mulheres do que homens (tanto, que nos habituámos a ouvir falar de “mulheres que amam de mais”), falamos muitas vezes de pessoas que passaram por experiências difíceis na infância – às vezes de abuso emocional e violência; noutros casos de negligência afetiva.


Nalgumas situações estamos a falar de mulheres que desde muito cedo (12-13 anos) se ligaram a um namorado na tentativa de obter nessa relação aquilo que não obtinham em casa. Às vezes falamos de relações muito fusionais, asfixiantes, em que as necessidades da própria pessoa estão sistematicamente em segundo plano porque o que importa é garantir a sobrevivência da relação.


Se se identifica com este padrão de relacionamento, peça ajuda. Lembre-se de que para viver um grande amor é fundamental tratar do seu amor-próprio. 

23.5.16

3 “SEGREDOS” PARA UMA RELAÇÃO DAR CERTO


Há tempos perguntaram-me – a propósito de uma peça jornalística – o que é que é essencial para que uma relação dê certo. Para ser mais precisa, pediram-me que identificasse os 3 requisitos mais importantes para que uma relação pudesse ser feliz e duradoura. E o meu “Top 3” foi/é este:

❥ ACEITAR A PESSOA AMADA TAL COMO ELA É


Já o disse muitas vezes:


É aceitar que todas as pessoas têm falhas e que, da mesma maneira que há defeitos com os quais não saberíamos lidar (e por isso jamais casaríamos com a pessoa X ou com a pessoa Y), há outros – de que não gostamos – aos quais conseguimos adaptar-nos. Não basta reconhecermos e dizermos a nós mesmos que não há pessoas perfeitas nem relacionamentos perfeitos. É preciso que, na prática, nos adaptemos à imperfeição. É preciso interiorizar que há comportamentos da pessoa que amamos que nos irritam, que nos fazem saltar a tampa e que lamentavelmente não vamos conseguir mudar. A melhor parte desta escolha é a possibilidade de vivermos uma história de amor com alguém que esteja disposto a aceitar-nos exatamente como nós somos, isto é, alguém que nos ature apesar das nossas imperfeições.

Algumas pessoas idealizam de tal maneira as relações amorosas que não são capazes de lidar com os erros do companheiro. Fazem comparações com outras pessoas e convencem-se de que “os maridos das outras” são efetivamente melhores. Na prática aquilo que acontece é que os casais mais felizes são aqueles que aprenderam a lidar com os respetivos pacotes de defeitos.

Deixarmos de exigir que a pessoa que está ao nosso lado seja igual a nós é meio caminho para que aprendamos a valorizar as suas qualidades e tudo aquilo que essa pessoa acrescenta à nossa vida.

❥ DESEJAR (GENUINAMENTE) O MELHOR PARA ELA


Não há amor sem genuína vontade de agradar, de fazer o bem. Quando se gosta de alguém, queremos o melhor para essa pessoa e, às vezes, isso envolve cedências, sacrifícios e abnegação. Quando um pai ou uma mãe abdica de uma saída noturna para poder acompanhar os filhos à natação a um sábado de manhã isso é amor. E quando uma pessoa deixa de fazer algo de que gosta só para que o mais-que-tudo seja feliz na concretização de um objetivo isso também é amor. Algumas pessoas vivem os relacionamentos medindo cada esforço a régua e esquadro: “Ontem fui eu que fiz o frete de ir a casa dos teus pais! Hoje és tu que tens de me acompanhar ao centro comercial…”. Nesses casos não há genuína vontade de agradar.


Mas a maior parte das relações felizes e duradouras que conheço envolvem genuíno altruísmo. Às vezes há um que é mais altruísta do que o outro. E há a questão das fases da vida. Se um estiver prestes a concluir um importante projeto profissional ou académico, é natural que seja o outro a ceder mais vezes. Mas o objetivo não é amealhar pontos que possam converter-se em crédito no futuro. O objetivo é (mesmo) agradar.

Amar alguém também é lutar a dois pelos sonhos dessa pessoa. É vibrar em conjunto porque aquilo que faz a pessoa de quem gostamos feliz acaba por fazer-nos também felizes.

❥ TER UM PROJETO A DOIS


Há quem diga que os opostos se atraem e que quanto mais diferentes forem os membros de um casal, melhor. Mas a experiência mostra-me que é preciso que exista uma boa base. Na prática, a probabilidade de uma relação dar certo e de duas pessoas continuarem a escolher estar juntas é maior quando ambas estão a olhar na mesma direção. Quando há um rumo. Isso não significa que as pessoas queiram sempre a mesma coisa ou que não possam divergir sobre assuntos importantes. Todos os casais vão – mais cedo ou mais tarde – descobrir que há assuntos sobre os quais não conseguem concordar. Mas para que uma relação dê certo é fundamental que haja objetivos a dois. É preciso que ambos sintam que – para além dos sonhos de cada um – há sonhos que são do casal, pelos quais ambos estão dispostos a lutar e que acabam por contribuir para aquilo a que eu chamo a identidade de casal. É aquela história de olharmos à nossa volta e sermos capazes de dizer que “os Silva” adoram viajar, “os Melo” se pudessem teriam 6 ou 7 filhos ou “os Sousa” vão a todas as provas desportivas.

1+1=3, isto é, numa relação feliz há os sonhos e os projetos da pessoa X, os sonhos e os projetos da pessoa Y e há os sonhos e os projetos do casal. Quando um casal deixa de ter projetos a dois é muito mais provável que haja desconexão e sensação de vazio. Pelo contrário, os casais que continuam a definir metas a dois e que batalham juntos para as alcançar tendem a sentir-se mais unidos. No dia-a-dia esta identidade de casal é visível nos momentos de descontração.



Isso (também) passa por reconhecer que nenhuma relação deve cair na monotonia. Fazer atividades novas a dois, estar disponível para sair da zona de conforto e experimentar um desporto diferente ou para ir ver um espetáculo inovador é permitir que o vigor e o entusiasmo continuem a caracterizar a relação.
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