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25.5.16

SER A OUTRA


Há mulheres que ambicionam ter uma relação amorosa “normal”, de compromisso, e que acabam por manter-se ligadas (muitas vezes durante anos) a homens casados. Queixam-se daquilo a que não têm direito, lamentam o facto de serem uma segunda escolha mas… nem sempre conseguem dizer basta. Quem são estas mulheres? Há características comuns a todas as amantes? Há vantagens associadas a ser a outra? E como é que os homens olham para as suas amantes?

Há uma pergunta com que sou confrontada muitas vezes:

❥ Quando um homem trai a sua mulher com outra, de quem é a culpa? Do homem, que é casado, ou da mulher, por saber que ele é casado e, ainda assim, ser capaz de se envolver e “destruir” aquele casamento?

Cada um de nós é – sempre – responsável pelas próprias escolhas. Quando um homem trai a mulher, está a fazer uma escolha que não o dignifica nem dignifica a relação. E a mulher com quem se envolva – na medida em que saiba que é casado – também está a fazer uma escolha que não a dignifica. Isto não significa que a amante possa ser considerada a responsável pelo fim da relação ou sequer pelos danos causados à mulher. Quem tem um compromisso é o marido, não é a terceira pessoa.

❥ Por que o fazem? O que é que leva uma mulher a envolver-se com um homem que é comprometido?

De um modo geral, e por muito que custe a acreditar, uma amante procura o mesmo que qualquer outra mulher noutra relação: ser amada e sentir-se segura. Nem sempre escolhemos a pessoa por quem nos apaixonamos e pode acontecer que uma mulher se envolva com um homem antes de saber que ele é casado. Claro que cada uma de nós é responsável pelas próprias escolhas a partir do momento em que esta informação é conhecida. Algumas mulheres assumem uma posição de respeito por si mesmas e interrompem a ligação. Outras, porventura mais frágeis emocionalmente, acabam por prolongar situações que podem revelar-se desastrosas em termos emocionais.


Quanto mais amados nos sentirmos ao longo do nosso desenvolvimento, maior é a probabilidade de construirmos relações amorosas marcadas pelo respeito.

Há ainda uma pequena percentagem de mulheres que se sentem relativamente confortáveis neste papel, na medida em que é numa relação de menor compromisso e em que se sentem mais livres.

❥ E os homens? O que é que os leva a ter uma amante?

Eu trabalho com a infidelidade praticamente todos os dias e se há algo que posso afirmar com segurança é que há vários tipos de infidelidade. Há affairs sem qualquer ligação emocional, há outros em que o homem se apaixona mas não deixa de se sentir ligado à mulher e há casos em que a relação extraconjugal é, sobretudo, uma forma de terminar a relação. Para alguns homens, a amante representa, sobretudo, a possibilidade de experimentar o sexo com uma pessoa diferente sem colocar em risco (teoricamente) a relação oficial. Para outros, a amante cumpre o propósito de dar resposta às lacunas afetivas existentes no casamento. Nesses casos, normalmente o investimento afetivo é maior e o envolvimento também. Há situações em que o envolvimento não é premeditado e a pessoa apercebe-se, a propósito da relação extraconjugal, que algo está mal na relação oficial mas não há vontade de romper. E há casos em que, ainda que de forma inconsciente, a amante é apenas a “desculpa” para terminar uma relação. O que acontece nestes casos é que acaba por ser mais fácil lidar com a raiva do parceiro do que com a sua tristeza e a sua prostração.

❥ Quais são as vantagens e desvantagens de ser a outra?

Não consigo identificar reais vantagens nesta posição. Aquilo que, à primeira vista, possa ser considerado vantajoso – como a ausência de monotonia e de obrigações – é precisamente aquilo que tende a gerar desconforto, mágoa, insegurança e conflitos. De um modo geral, precisamos de saber com o que é que podemos contar, precisamos de perceber que a pessoa que está ao nosso lado está disponível para nós e que o seu mundo pára quando precisamos dela. Nada disto acontece numa relação extraconjugal.

É evidente que é muito difícil para uma mulher apaixonada pura e simplesmente acabar uma relação quando se apercebe que o homem de quem gosta tem um compromisso de que não está capaz de abdicar. Mas as decisões difíceis têm de ser tomadas. E é obviamente muito mais danoso prolongar uma relação em que uma das pessoas não esteja a colocar a outra no topo das suas prioridades. Muitas vezes, ao fim de anos de relação há todo um trabalho de recuperação da autoestima que tem de ser feito.

Quando uma mulher se sujeita a ser a outra durante anos a fio há uma probabilidade muito elevada de gostar cada vez menos de si mesma e de isso se refletir noutras relações afetivas e familiares ou até profissionalmente. Por outro lado, o tempo vai passando e a pessoa vai tomando consciência de que há planos e sonhos que ficarão por cumprir e há até o risco de depressão.



Quando uma mulher se apercebe de que não é nem será a escolha do homem por quem se apaixonou, precisará de reconhecer a sua dor, de exteriorizar a sua tristeza e de aceitar que ela tenha de durar algum tempo. Isso não quer dizer que vá sentir-se infeliz para sempre – ninguém fica assim para sempre! O apoio dos amigos é fundamental, assim como muitas vezes a intervenção psicológica acaba por revelar-se essencial para a recuperação do otimismo e da autoestima.

24.5.16

DEPENDÊNCIA DO AMOR


A sua felicidade está inteiramente dependente da sua relação amorosa? Acha que aquilo que sente pela pessoa que está ao seu lado é tão forte que a simples ideia de esse amor acabar é desesperante? Não imagina como seria a sua vida sem essa pessoa? Sente-se dependente da aprovação dessa pessoa?

 ❥ É amor ou é dependência?

A nossa autoestima condiciona a forma como nos ligamos às pessoas de quem gostamos. Algumas pessoas parecem demasiado permeáveis à opinião do parceiro – como se só se sentissem bem quando conseguem agradar. Pelo contrário, a simples ideia de gerar desagrado pode ser desesperante. Mas é preciso ter cuidado quando falamos em dependência emocional porque arriscamo-nos a fazer um juízo de valor desfasado da realidade.

Na prática, somos todos dependentes emocionalmente de alguém, já que somos tão mais felizes na medida em que existirem ligações afetivas sólidas com outras pessoas. Precisamos da nossa família e dos nossos amigos para nos sentirmos tão seguros quanto normalmente nos sentimos. Para algumas pessoas, infelizmente, essa rede de suporte não é tão sólida, a insegurança é maior e o amor-próprio é praticamente nulo. Há nestes casos uma espécie de “fome emocional” que deixa estas pessoas mais vulneráveis à construção de relações afetivas menos saudáveis. Algumas destas pessoas – mais mulheres do que homens – estão tão fragilizadas em termos afetivos que tendem a projetar numa relação amorosa todas as suas frustrações, ambições e necessidades. É como se aquela relação não fosse apenas a mais significativa de todas e passasse a ser a sua “razão de viver”. Canalizam para aí toda a sua energia, investem tudo o que têm e muitas vezes sem esperar nada em troca, no sentido de não haver exigências realistas.



Na prática, todos nós precisamos de nos sentirmos amados para sermos capazes de gostar de nós mesmos. Mas esse afeto pode resultar das mais diversas relações. Sermos capazes de construir relações afetivas com amigos, por exemplo, é meio caminho para que possamos construir relações mais saudáveis com um companheiro. É preciso aceitar que nenhuma pessoa pode ser responsável pela nossa felicidade e não seria justo depositar num companheiro amoroso essa missão. Então, há que investir noutras frentes – noutros laços afetivos, na realização pessoal e profissional. E claro que é preciso pedir ajuda especializada quando alguém se dá conta de que um determinado padrão relacional está a trazer mais sofrimento do que outra coisa qualquer.

 Há características de personalidade ou eventos de vida comuns às pessoas que sofrem de dependência emocional?

Há nestes casos alguns elementos em comum. Falamos de mais mulheres do que homens (tanto, que nos habituámos a ouvir falar de “mulheres que amam de mais”), falamos muitas vezes de pessoas que passaram por experiências difíceis na infância – às vezes de abuso emocional e violência; noutros casos de negligência afetiva.


Nalgumas situações estamos a falar de mulheres que desde muito cedo (12-13 anos) se ligaram a um namorado na tentativa de obter nessa relação aquilo que não obtinham em casa. Às vezes falamos de relações muito fusionais, asfixiantes, em que as necessidades da própria pessoa estão sistematicamente em segundo plano porque o que importa é garantir a sobrevivência da relação.


Se se identifica com este padrão de relacionamento, peça ajuda. Lembre-se de que para viver um grande amor é fundamental tratar do seu amor-próprio. 

23.5.16

3 “SEGREDOS” PARA UMA RELAÇÃO DAR CERTO


Há tempos perguntaram-me – a propósito de uma peça jornalística – o que é que é essencial para que uma relação dê certo. Para ser mais precisa, pediram-me que identificasse os 3 requisitos mais importantes para que uma relação pudesse ser feliz e duradoura. E o meu “Top 3” foi/é este:

❥ ACEITAR A PESSOA AMADA TAL COMO ELA É


Já o disse muitas vezes:


É aceitar que todas as pessoas têm falhas e que, da mesma maneira que há defeitos com os quais não saberíamos lidar (e por isso jamais casaríamos com a pessoa X ou com a pessoa Y), há outros – de que não gostamos – aos quais conseguimos adaptar-nos. Não basta reconhecermos e dizermos a nós mesmos que não há pessoas perfeitas nem relacionamentos perfeitos. É preciso que, na prática, nos adaptemos à imperfeição. É preciso interiorizar que há comportamentos da pessoa que amamos que nos irritam, que nos fazem saltar a tampa e que lamentavelmente não vamos conseguir mudar. A melhor parte desta escolha é a possibilidade de vivermos uma história de amor com alguém que esteja disposto a aceitar-nos exatamente como nós somos, isto é, alguém que nos ature apesar das nossas imperfeições.

Algumas pessoas idealizam de tal maneira as relações amorosas que não são capazes de lidar com os erros do companheiro. Fazem comparações com outras pessoas e convencem-se de que “os maridos das outras” são efetivamente melhores. Na prática aquilo que acontece é que os casais mais felizes são aqueles que aprenderam a lidar com os respetivos pacotes de defeitos.

Deixarmos de exigir que a pessoa que está ao nosso lado seja igual a nós é meio caminho para que aprendamos a valorizar as suas qualidades e tudo aquilo que essa pessoa acrescenta à nossa vida.

❥ DESEJAR (GENUINAMENTE) O MELHOR PARA ELA


Não há amor sem genuína vontade de agradar, de fazer o bem. Quando se gosta de alguém, queremos o melhor para essa pessoa e, às vezes, isso envolve cedências, sacrifícios e abnegação. Quando um pai ou uma mãe abdica de uma saída noturna para poder acompanhar os filhos à natação a um sábado de manhã isso é amor. E quando uma pessoa deixa de fazer algo de que gosta só para que o mais-que-tudo seja feliz na concretização de um objetivo isso também é amor. Algumas pessoas vivem os relacionamentos medindo cada esforço a régua e esquadro: “Ontem fui eu que fiz o frete de ir a casa dos teus pais! Hoje és tu que tens de me acompanhar ao centro comercial…”. Nesses casos não há genuína vontade de agradar.


Mas a maior parte das relações felizes e duradouras que conheço envolvem genuíno altruísmo. Às vezes há um que é mais altruísta do que o outro. E há a questão das fases da vida. Se um estiver prestes a concluir um importante projeto profissional ou académico, é natural que seja o outro a ceder mais vezes. Mas o objetivo não é amealhar pontos que possam converter-se em crédito no futuro. O objetivo é (mesmo) agradar.

Amar alguém também é lutar a dois pelos sonhos dessa pessoa. É vibrar em conjunto porque aquilo que faz a pessoa de quem gostamos feliz acaba por fazer-nos também felizes.

❥ TER UM PROJETO A DOIS


Há quem diga que os opostos se atraem e que quanto mais diferentes forem os membros de um casal, melhor. Mas a experiência mostra-me que é preciso que exista uma boa base. Na prática, a probabilidade de uma relação dar certo e de duas pessoas continuarem a escolher estar juntas é maior quando ambas estão a olhar na mesma direção. Quando há um rumo. Isso não significa que as pessoas queiram sempre a mesma coisa ou que não possam divergir sobre assuntos importantes. Todos os casais vão – mais cedo ou mais tarde – descobrir que há assuntos sobre os quais não conseguem concordar. Mas para que uma relação dê certo é fundamental que haja objetivos a dois. É preciso que ambos sintam que – para além dos sonhos de cada um – há sonhos que são do casal, pelos quais ambos estão dispostos a lutar e que acabam por contribuir para aquilo a que eu chamo a identidade de casal. É aquela história de olharmos à nossa volta e sermos capazes de dizer que “os Silva” adoram viajar, “os Melo” se pudessem teriam 6 ou 7 filhos ou “os Sousa” vão a todas as provas desportivas.

1+1=3, isto é, numa relação feliz há os sonhos e os projetos da pessoa X, os sonhos e os projetos da pessoa Y e há os sonhos e os projetos do casal. Quando um casal deixa de ter projetos a dois é muito mais provável que haja desconexão e sensação de vazio. Pelo contrário, os casais que continuam a definir metas a dois e que batalham juntos para as alcançar tendem a sentir-se mais unidos. No dia-a-dia esta identidade de casal é visível nos momentos de descontração.



Isso (também) passa por reconhecer que nenhuma relação deve cair na monotonia. Fazer atividades novas a dois, estar disponível para sair da zona de conforto e experimentar um desporto diferente ou para ir ver um espetáculo inovador é permitir que o vigor e o entusiasmo continuem a caracterizar a relação.

22.2.16

QUAIS SÃO AS QUEIXAS DOS HOMENS NUMA RELAÇÃO?


A Revista Máxima convidou-me para comentar uma lista de queixas dos homens portugueses em relação às mulheres/ à relação conjugal.

FALTA DE TEMPO PARA O SEXO OU PARA A RELAÇÃO E ENTRADA NA ROTINA - «É TUDO MECÂNICO».

As rotinas são, na verdade, essenciais para a esmagadora maioria dos casais, sobretudo depois do nascimento dos filhos. Não devem é ser confundidas com monotonia. A existência de rotinas implica que haja planeamento e, na maioria dos casos, evitam o stress. Permitem que saibamos com o que é que podemos contar e que não percamos o fio à meada no que toca às nossas responsabilidades. Aos membros do casal também compete assumirem a importância do namoro na relação.


Isso pode incluir alguma “ginástica” mas implica sobretudo tratar os momentos a dois como importantes no meio da lista de todos os afazeres. Exemplos:

- Criar rituais de relaxamento diários – 15 ou 20 minutos de conversas diárias permitem que os membros do casal continuem a prestar atenção ao que “mexe” com cada um;

- Criar o hábito de sair a dois todas as semanas – sair sem os filhos e tentar fazer programas novos traz vigor a qualquer relação. Não “vale” substituir este compromisso por programas familiares que incluam os filhos.

ELA SÓ LIGA AOS FILHOS/TRABALHO/AMIGAS/ETC.

De um modo geral, as mulheres tendem a virar-se para outras relações afetivas ou profissionais na medida em que não se sintam escutadas/ compreendidas na relação. A maior parte das mulheres gosta/ precisa de falar sobre o seu dia de forma detalhada. A maior parte dos homens não tem este hábito e a partilha tende a ser monossilábica (“O teu dia correu bem?” – “Sim”/ “Não”). Para quebrar estes ciclos viciosos é preciso que ambos reconheçam a importância de conversar diariamente sobre o mundo de cada um obedecendo a algumas regras:

- Estas conversas devem acontecer no final do dia e a duração é em média de 20/ 30 minutos. Ninguém dispõe de muito mais tempo do que isto nem é desejável que a pessoa que está ao nosso lado seja o nosso “saco de pancada”.

- É fundamental que ambos saibam ouvir e dar colo antes de dar sermões/ ralhetes.

- Nestas conversas é fundamental fomentar um clima de união e companheirismo. Isso é mais fácil se houver interesse genuíno, se ambos colocarem perguntas e se evitarem os juízos de valor.

- Desviar o olhar do telemóvel, do PC e da televisão é essencial para que ambos se sintam realmente acolhidos.

- Nem sempre é fácil expressar solidariedade mas aquilo de que cada um precisa é de sentir que as suas emoções são validadas e que a pessoa que está ali ao lado está verdadeiramente empenhada em mostrar o seu afeto.

GOSTAVAM QUE A MULHER OS MIMASSE MAIS.

Quando a rotina se instala é fácil esquecermo-nos de mimar a pessoa que está ao nosso lado. Não é mesmo nada agradável chegar a casa e levar com um conjunto de queixas/ acusações/ ataques. Perguntar “Trouxeste aquilo que te pedi esta manhã?” ainda antes de um beijinho ou de um abraço é o mesmo que tomar a outra pessoa como garantida. A falta de tempo é uma desculpa que podemos dar a nós mesmos mas que de nada nos serve.


Uma festinha no rosto da pessoa que amamos mostra carinho, atenção e disponibilidade.

TUDO GIRA À VOLTA DOS PROBLEMAS FAMILIARES OU DAS TAREFAS DOMÉSTICAS.

A maior parte das conversas conjugais versam sobre questões triviais como as tarefas domésticas, as listas de supermercado ou os problemas com os filhos. Aquilo que permite que um casal se sinta em sintonia e com vontade de conversar sobre outros tópicos é precisamente a atenção que cada um é capaz de investir nos assuntos mais pequeninos. Quando, no meio do supermercado, há um que pergunta se ainda há arroz lá em casa e o outro responde “Não sei, mas, pelo sim, pelo não, vou ali buscar dois pacotes”, aquilo que está a fazer é a dizer, de forma indireta, “Quando tu me chamas, eu viro-me para ti e dou importância ao que tu dizes”. Encolher os ombros e virar o olhar para o outro lado equivale a dizer “Quero lá saber…”. Precisamos de nos sentir amparados, escutados na maior parte do tempo. É essa atenção e disponibilidade que permitem que nos sintamos ligados e que escolhamos sair da nossa zona de conforto para agradar à pessoa amada.

ELA TOMA TODAS AS DECISÕES EM CASA (O QUE COMEM, COMO DECORAM A CASA, QUAL A MELHOR ALTURA PARA TER FILHOS, ETC.).

Há uma ideia preconcebida de que os membros do casal devem participar equitativamente em todas as decisões mas isso não corresponde sempre à verdade. Aquilo que é verdadeiramente importante é que cada um se sinta escutado e que, em relação ao que é importante, a opinião de ambos seja considerada. Um homem pode até gostar da ideia de a sua mulher ser responsável por toda a decoração da casa, desde que as escolhas dela reflitam o conhecimento que ela tem sobre os gostos dele. Para alguns casais, faz mais sentido que seja o marido a tratar das compras de supermercado e da confeção das refeições enquanto que noutros casos o que resulta é que seja ela a cozinhar e ele a tratar da loiça. A implementação destas rotinas pode levar algum tempo e também deve refletir aquilo para o qual cada um tem maior habilidade. Já em relação a decisões tão estruturantes como a compra de uma casa ou a vinda de um filho aquilo que é crucial é que cada um possa falar abertamente sobre como se sente. Muitas vezes a posição de um assemelha-se mais a uma imposição porque não há conversas francas sobre os medos que estão por detrás disso.

PARA ELA NUNCA NADA ESTÁ BEM FEITO, NUNCA NADA É SUFICIENTE PARA A AGRADAR.

As mulheres são, de um modo geral, mais atentas aos pormenores e também mais críticas. Sem se aperceberem, podem cair no erro do hipercriticismo. Achando que estão “apenas” a chamar a atenção para aspetos importantes da relação, podem estar a inundar o companheiro com críticas que permitem que se sinta desmoralizado e sem valor. É fundamental que saibamos:

- Dosear as críticas. Por cada crítica/ chamada de atenção, devem existir, pelo menos, 5 interações positivas (elogios, gestos de afeto, atenção, interesse genuíno).

- Criticar o comportamento e não a pessoa.


- Relevar. Nenhuma relação sobrevive se não soubermos relevar alguns comportamentos. Mesmo que queiramos fazer tudo bem, vamos falhar e precisamos que a pessoa de quem gostamos aceite algumas dessas falhas sem se queixar.

TEREM DESEJOS SEXUAIS INCOMPATÍVEIS (UM DOS PARCEIROS QUER TER SEXO COM MAIS FREQUÊNCIA QUE O OUTRO E DE UMA FORMA MAIS ERÓTICA, POR EXEMPLO).

Esta queixa está quase sempre associada a outras dificuldades de comunicação e a uma diferença de género. Quando tudo corre mal e a relação deixa de estar segura, os homens tendem a atribuir ainda maior importância ao sexo, como se essa fosse a grande prova de amor que os faz sentir seguros, e as mulheres, pelo contrário, sentem muito mais dificuldade em entregar-se de um ponto de vista sexual quando não se sentem seguras emocionalmente.

O sexo é uma área sensível da vida a dois. Quando uma pessoa diz ou faz qualquer coisa que magoe, agrida ou envergonhe o mais-que-tudo, é provável que ele(a) se retraia, que não se sinta capaz de investir como antes. E esse desinvestimento é particularmente evidente na vida sexual.


Não é que não o ame. Não é que não queira dar a volta aos problemas. É, sobretudo, uma forma de bloqueio. Aquilo que por norma a mulher ignora é que este afastamento é extremamente doloroso para o marido, que acaba por sentir-se rejeitado, só, desamparado.

Quanto mais abertamente um casal for capaz de conversar sobre sexo, maior tende a ser a sua satisfação (sexual e emocional). Isso implica que, sem juízos de valor, ambos estejam dispostos a querer saber o que é que agrada ao outro.

Depois, é fundamental aceitar que há períodos de maior proximidade e períodos de maior afastamento.

FALTA DE “SAFADEZA” (ELES QUEREM UMA ATITUDE MAIS DESAVERGONHADA POR PARTE DAS MULHERES). ELAS DEIXAM DE SE ESFORÇAR PARA PARECEREM SEXY E PARA APIMENTAR A RELAÇÃO.

O sexo, tal como a satisfação conjugal em geral, envolve entrega, criatividade e inovação. É muito fácil deixar que uma relação esmoreça quando se deixa de ter curiosidade em relação ao mais-que-tudo, quando deixamos de cuidar de nós e quando enveredamos pelo caminho do desmazelo. Ser “sexy” não é copiar as capas de revistas nem experimentar todas as posições do kamasutra. Mas pode implicar sair da zona de conforto, prestar atenção àquilo de que o outro gosta e às mudanças que vão acontecendo ao longo do tempo. Se não ouvimos as mesmas músicas ao fim de dez anos, porque haveríamos de querer sempre a mesma coisa do ponto de vista dos afetos? Experimentar, querer saber é não tomar o outro como garantido.

DEMASIADOS COMPLEXOS E INIBIÇÕES POR PARTE DA MULHER NA HORA DO SEXO (QUEREM FAZÊ-LO DE LUZES APAGADAS, ETC.).

Esta queixa está quase sempre relacionada com uma educação demasiado conservadora e/ou com alguns traumas. Ultrapassar estes constrangimentos implica, antes de mais, que ambos aceitem que o sexo é uma parte importante da vida a dois. Esta é mais uma área através da qual conseguimos dizer à pessoa amada “Gosto de ti. És importante para mim.”. Se houver problemas nesta área da conjugalidade eles devem ser encarados como quaisquer outros: com apoio, com carinho, com companheirismo e com seriedade. Não vale a pena fingir que não existem sob pena de, mais cedo ou mais tarde, eles tomarem outras proporções. Primeiro é preciso conversar abertamente sobre o que cada um sente e sobre aquilo de que cada um precisa. E, quando um não se sente capaz de dar aquilo de que o outro precisa, pode ser importante recorrer à ajuda especializada.

RITUAIS EXCESSIVOS DE “ACASALAMENTO” (JANTAR FORA, MENSAGENS, ETC.).


As mensagens trocadas ao longo do dia, os jantares fora e outros “mimos” são formas de expressar a importância que determinada pessoa tem na nossa vida. A maior parte das mulheres precisa de sentir que é importante para o marido, precisa de sentir esta atenção. Claro que se essa necessidade se transformar numa cobrança e/ou se implicar que a outra pessoa passe a ter inúmeros comportamentos que não façam parte da sua personalidade, estaremos a falar provavelmente de um problema. Numa relação feliz é fundamental que aceitemos que a pessoa que está ao nosso lado tem defeitos, não é perfeita e, sobretudo, que não é um príncipe cuja única missão na vida é fazer-nos felizes. Aceitar a pessoa de quem gostamos tal como ela é é meio caminho para uma relação de sucesso.

16.2.16

COMO ULTRAPASSAR A CRISE DOS 7 ANOS NO CASAMENTO (OU OUTRA QUALQUER)


“Ao fim de sete anos de casamento começaram os problemas: o sexo deixou de existir, o meu marido deixou de mostrar qualquer carinho por mim e os dias iam passando sem que eu me sentisse amada e muito menos desejada. As coisas foram andando e quando estávamos prestes a completar 10 anos de casamento o impensável aconteceu: envolvi-me com outra pessoa.”

Quantas vezes já ouviu falar da crise dos 7 anos de casamento? Por que será que há aparentemente tantas relações que ao fim deste tempo sofrem sérias ameaças (e muitas chegam mesmo a terminar)?

O motivo tem um nome: habituação. Nós habituamo-nos a todas as situações.


É por isso que tantas vezes ao fim de 5, 6 ou 7 anos de casamento as pessoas habituam-se uma à outra e começam a sentir que a relação se transformou numa coisa entediante. Em muitos desses casos esta habituação manifesta-se com desinteresse sexual, sensação de que já não se está apaixonado e/ou envolvimento com uma terceira pessoa. Infelizmente, as taxas de divórcio não mentem: muitas pessoas despertam para esta dura realidade quando pelo menos uma delas já está decidida a terminar a relação.

Este tipo de crise conjugal leva a que algumas pessoas julguem que a felicidade só pode ser encontrada fora do casamento – pelo menos, fora daquele casamento. Mas, de um modo geral, voltam a casar e, ao fim de algum tempo, o problema repete-se.

Apesar de tudo isto, há casais aparentemente mais fortes, mais resilientes, que se mostram capazes de enfrentar estes períodos de maior afastamento e desconexão e que conseguem dar a volta, recuperando a satisfação conjugal e a vontade de dar continuidade àquele projeto de vida. O que é que os distingue? Que estratégias podem ser seguidas por outros casais para que a crise dos 7 anos (ou qualquer outra) possa ser ultrapassada?

CONVERSAS DIÁRIAS

Antes de mais, e como já tenho referido noutros textos, é fundamental que os membros do casal possam reconhecer a importância de encontrar tempo – e disponibilidade emocional – para conversar todos os dias sobre aqueles assuntos mundanos, pequeninos, que fazem parte do dia-a-dia de cada um. Eu chamo-lhes as conversas diárias sobre o mundo de cada um. Os casais mais felizes – e que continuam a achar que o casamento vale a pena – são aqueles que se mostram capazes de, a um ritmo diário, prestar muita atenção ao que o outro diz, mesmo quando se trata de assuntos aparentemente insignificantes. Eles sabem que o que é aparentemente irrelevante para um pode ser muito significativo para o outro. E escolhem ouvir atentamente e responder com afeto. Muitas vezes brincam com as situações, desdramatizando-as. Noutras alturas assumem apenas a postura de ombro amigo. E noutras procuram ajudar a resolver o que houver para resolver. Constroem, a dois, a sensação de que um está sempre “lá” para o outro e de que a vida a dois é muito mais rica e interessante do que qualquer outra escolha.

AJUDAR A CONCRETIZAR SONHOS

Quando duas pessoas conversam frequentemente sobre aquilo que cada uma sente e pensa – seja a propósito das próprias condições de trabalho, do estado do país ou de uma promoção que nunca mais chega – é mais fácil que haja conexão e satisfação conjugal. Por outro lado, também se torna mais fácil que o casamento se transforme numa saborosa aventura a dois, em que um conhece suficientemente bem o outro e faz o que estiver ao seu alcance para o ajudar a concretizar os seus objetivos.


A IMPORTÂNCIA DO TOQUE

É impressionante como os gestos de afeto são “milagrosos” numa relação afetiva. O toque da pessoa que amamos é reconfortante, é uma fonte inesgotável de segurança. Não é só o toque durante a intimidade sexual – a manifestação regular dos afetos sob a forma de gestos espontâneos de carinho e interesse fazem com que tudo faça indiscutivelmente mais sentido a dois. Os casais mais satisfeitos com a sua relação são aqueles que não se esquecem de alimentar a relação desta forma – dentro e fora da cama, como escrevi AQUI.

A IMPORTÂNCIA DA NOVIDADE

Não há como escamotear a realidade: a novidade é excitante.


E nem sempre é fácil garantir essa sensação quando se está com a mesma pessoa há 10 ou 20 anos. É por isso que os casais mais felizes também são aqueles que reconhecem a importância de não cair na monotonia. Planear umas férias a dois em sítios diferentes do habitual, concretizar saídas sem filhos e até sem os amigos do costume para fazer algo pela primeira vez, planear momentos a dois ou até surpreender a pessoa de quem se gosta com gestos românticos são estratégias que podem ser ajudar – e muito – a construir uma relação duradoura.

SABER PERDOAR


Tenho-o referido muitas vezes: ninguém é perfeito e, para que uma relação dê certo, é fundamental que saibamos escolher o “pacote” de defeitos que somos capazes de tolerar. A pessoa de quem se gosta vai falhar, vai magoar-nos, vai fazer escolhas erradas. Tal como nós. E há alturas em que esses erros podem revelar-se dolorosos e difíceis de gerir. É preciso falar sobre os assuntos difíceis e é preciso saber perdoar. Não vale a pena querer ter sempre razão. Libertarmo-nos através do genuíno perdão é uma das formas de continuarmos a viver um amor que nos preencha.
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