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16.12.14

A IMPORTÂNCIA DO SEXO (NUMA RELAÇÃO)


De vez em quando há quem me pergunte se o sexo é assim tão importante numa relação amorosa. Como se pudéssemos dissociar a intimidade sexual de tudo o resto que caracteriza um relacionamento. Sim, há quem pergunte “Se duas pessoas se derem mesmo bem, se forem os melhores amigos, e forem felizes assim (sem sexo), qual é o problema?”. O “problema” é que isso é o que caracteriza uma amizade, não um relacionamento amoroso. É verdade que há casais felizes que já não têm sexo há anos. São amigos. Os melhores amigos. Mas a generalidade dos adultos precisa de mais do que isso.


O sexo é importante na medida em que é uma das formas de nos ligarmos à pessoa que amamos. É evidente que não é só através do sexo que se constrói uma ligação afetiva segura. Mas a verdade é que essa forma de intimidade é um laço potentíssimo. Quanto melhor as coisas funcionam a esse nível, mais felizes somos e mais seguros nos sentimos (dentro e fora da relação).


Infelizmente, para algumas pessoas (e para boa parte dos meios de comunicação social) a satisfação sexual passa sobretudo por ser capaz de experimentar técnicas novas. Há uma ênfase irrealista no desempenho, como se cada um de nós fosse mais feliz se pudesse reproduzir diariamente aquilo que mostram os filmes pornográficos. Não tenho nada contra a pornografia e, enquanto terapeuta conjugal, proponho o seu visionamento a alguns dos casais com quem trabalho. Mas a verdade é que a ciência tem mostrado que a satisfação sexual (e conjugal) tem muito menos a ver com desempenho/ performance e mais a ver com a comunicação/ ligação noutras áreas.


É verdade! Claro que algumas revistas tentam convencer-nos de que fazer sexo com a mesma pessoa durante mais de um mês é uma valente seca. Mas as investigações (e a prática clínica) mostram que é possível ter bom sexo com a mesma pessoa durante anos. Mais: quanto maior for a ligação e quanto mais aquelas duas pessoas praticarem, melhor é o sexo.

O sexo é como a dança. Já experimentou dançar sem música? Também pode ser uma experiência agradável. Mas quem já experimentou dançar ao som da música, sabe que é bem melhor. Com o sexo é a mesma coisa: Quando não há ligação emocional, o sexo pode ser bom. Mas quando há uma conexão segura, é muito melhor. E, tal como acontece com a dança, quando começamos a praticar e mal conhecemos o nosso parceiro, podem acontecer alguns percalços, algum embaraço, alguns desencontros. Com a prática vem a segurança e o entusiasmo.


Os casais mais felizes, aqueles que constroem uma ligação segura, reconhecem a importância do sexo. Usam-no como forma de se conectarem. Entregam-se sem reservas. E sentem o maior prazer que se pode sentir.

10.12.14

TERAPIA DE CASAL - ULTRAPASSAR UMA TRAIÇÃO


- Sim, traí e estou disposto a assumir toda a responsabilidade pelo meu erro.

Quando João me disse esta frase, na primeira consulta de terapia conjugal, não estava só a mentir (de novo) à mulher. Talvez estivesse também a mentir a si mesmo. Talvez quisesse dizer “Estou disposto a assumir o meu erro”. Mas a verdade é que estava, longe, muito longe, de querer assumir “toda a responsabilidade”. Duas semanas antes a mulher tinha encontrado uma mensagem comprometedora no telemóvel e, depois de vasculhar faturas, e-mails e sabe-se lá mais o quê, confrontou-o com uma certeza: João estava a ter um caso com uma colega de trabalho. Seguiram-se dias de choro, discussões, avanços e recuos. Quando chegaram até mim, ambos mostraram vontade de reconstruir a relação. Mas… João tinha muito mais condições a impor do que a mulher. Não estava disposto a cortar relações com a colega “porque ela não merecia isso”, não queria que a mulher voltasse a vasculhar o seu telemóvel nem as contas de e-mail. Quinze dias depois da primeira consulta, a mulher voltou a encontrar mensagens que davam conta da manutenção da relação extraconjugal e decidiu sair de casa.

Há quem confunda assumir a culpa pelos erros cometidos com assumir a responsabilidade.


Quando uma pessoa é infiel, é importante que seja capaz de assumir que errou. Esse é o primeiro passo para a (tentativa de) reconstrução da relação. Mas é só isso: o primeiro. Depois são precisos outros:

TERMINAR A RELAÇÃO EXTRACONJUGAL. Parece óbvio mas há quem decida tentar reconstruir o casamento (também através da terapia de casal) sem ter posto fim à relação extraconjugal. Há quem alegue que tem medo de represálias. Há quem assuma que se sente confuso. Há quem queira o melhor de dois mundos. A verdade, mais cedo ou mais tarde, vem à tona e lá se vai qualquer hipótese de salvar o casamento.

DESCOBRIR OS PORQUÊS. Quer para quem trai, quer para quem é traído, é fundamental olhar para trás e tentar identificar as razões que levaram a que o affair acontecesse. O casal deve ser capaz de traçar um plano para lidar com as razões, as desculpas ou as circunstâncias que envolveram esse caso - porque é muito provável que elas voltem a surgir.

EVITAR FALSAS PROMESSAS. Não adianta prometer que “não voltará a acontecer” quando ainda não se sabe muito bem porque é que aconteceu. É preferível dizer (com honestidade) que quer tentar, que quer olhar para trás e entender o que se passou e que quer melhorar a relação para que não volte a haver espaço para uma terceira pessoa.

OUVIR E FALAR. Quem traiu deve estar disponível para ouvir - e para falar - sempre que o cônjuge precisar. Assumir a responsabilidade pelo erro cometido implica ajudar o companheiro a sarar as feridas e restabelecer a confiança. Há alturas em que a pessoa traída precisa de carinho e de atenção. Mas também há momentos de descrença e de raiva por tudo o que aconteceu e que faz com que nada possa voltar a ser “como era antes”.



ASSUMIR UM CAMINHO DE TRANSPARÊNCIA. Não vale a pena enveredar por meias-verdades. A confiança só será restabelecida se a pessoa que traiu quiser cuidar do companheiro, assumindo total transparência em relação às suas decisões, às suas escolhas. A pessoa traída quer ver o telemóvel? Deixe-a. Não vale a pena perguntar “para quê?”. Não adianta zangar-se. Vai ser preciso algum tempo (e transparência) para que a confiança seja reconstruída.

2.12.14

ALIENAÇÃO PARENTAL


Há algum tempo, à chegada a um canal de televisão, houve uma mulher que me perguntou “Então, sobre o que é que vem falar?”. Expliquei que estava ali para comentar uma situação de conflito entre um pai e uma mãe que, na sequência de um processo de separação, não estavam a conseguir chegar a acordo em relação à guarda da criança.


Não faço ideia se esta senhora tem filhos ou se alguma vez enfrentou um processo de divórcio. Espero que não.

Ser pai ou mãe é, acima de tudo, assumir a responsabilidade de cuidar, estar “lá”, dar resposta às necessidades (emocionais e não só) de uma criança. Amar não chega. E, seguramente, não chega dizer que se ama e que se quer o melhor para um filho. Ser pai ou mãe implica aceitar que nenhum filho é posse de alguém. Implica pôr de lado os ciúmes, os medos e as inseguranças (ou trabalhá-los em sede própria se for caso disso) e aceitar que a esmagadora maioria das crianças precisam do pai e da mãe. Sim, há casos em que a presença de um progenitor pode ser prejudicial – estou a lembrar-me de todos os adultos que batem, violam e matam, por exemplo. Mas, de um modo geral, um filho precisa de construir um vínculo seguro com o pai e com a mãe. Precisa de se sentir livre para conviver com os tios, os primos e os avós dos dois lados da família. Precisa de sentir o amor incondicional dos adultos que, ainda que não consigam manter um casamento, dão o seu melhor para que os interesses das crianças venham SEMPRE em primeiro lugar.

Quando um dos progenitores faz o que está ao seu alcance para afastar os filhos do outro – mudando de país, ou de cidade, denegrindo a sua imagem, inventando esquemas ou pura e simplesmente convencendo-se de que as crianças precisam da “estabilidade” de um único lar – não está só a castigar o ex-cônjuge. Está, sobretudo, a prejudicar GRAVEMENTE os próprios filhos.


Quando um adulto priva um filho do contacto regular com o outro progenitor, pode convencer-se de que está a proteger a criança. Não está.

24.11.14

PORQUE É QUE NÃO PARAMOS DE OLHAR PARA O TELEMÓVEL?


Há qualquer coisa de viciante nesta história de podermos usar o telemóvel para aceder a mensagens, e-mails e redes sociais. Antes de mais, é como se nunca estivéssemos verdadeiramente sós. Há sempre alguém que está online. Há sempre alguém que parece comunicar connosco. Não importa se, no final do dia, chegamos à conclusão que perdemos demasiado tempo a olhar para o smartphone. Não importa se, feitas as contas, o resultado for sempre o mesmo: demasiado tempo gasto, poucos ganhos. O que importa - e nos impede de romper com o vício - é a gratificação que obtemos a cada momento.


Mas há mais: ainda que algumas mensagens e alterações de status possam irritar-nos, o telemóvel protege-nos do conflito direto. É muito mais fácil revirar os olhos ou soprar de neura sem que o alvo da nossa fúria esteja a olhar-nos nos olhos. Tudo é mais leve, mais superficial, mais fácil de gerir.

Pelo meio ainda há a possibilidade de, com tantas consultas ao telemóvel, sermos os primeiros do nosso grupo de amigos a saber do acontecimento X e a publicá-lo no Facebook. E também há algo de gratificante nisso.

É como se de cada vez que enviamos uma mensagem, publicamos uma fotografia ou escrevemos no nosso mural estivéssemos a ligar-nos às pessoas de quem gostamos. E é isso que muitas vezes dizemos a nós próprios: as mensagens e publicações são uma bênção da tecnologia para nos aproximar de familiares e amigos.


Que urgência é esta de nos ligarmos a quem está longe ao ponto de desvalorizarmos a ligação a quem está fisicamente presente?

Quando nos viciamos nos likes e elogios que recebemos via iPhone, arriscamo-nos a sobrevalorizar o superficial e a descurar o essencial. É que, no final do dia, não é de mimos virtuais que precisamos para nos sentirmos felizes e amparados. É de quem nos beije com amor, de quem nos toque com entusiasmo, de quem nos olhe nos olhos e nos mostre que está lá. Mas isso só acontece quando investimos nos relacionamentos e paramos de olhar para o telemóvel.

18.11.14

HOMENS E MULHERES: SERÃO MESMO DE PLANETAS DIFERENTES?


Sou homem... Gosto de sexo. Foi assim que Francisco respondeu à minha pergunta (“O que é que promove o seu desejo sexual?”). Como se a mulher, por ser mulher, não gostasse tanto. Ela tratou logo de esclarecer que também gosta. Como muitos outros casais com quem tenho trabalhado, os problemas foram-se avolumando até ao ponto de quase tudo ser motivo para braços-de-ferro. Passaram a discutir por tudo e por nada. Não admira, por isso, que a insatisfação se tenha estendido à sexualidade.


O que é que acontece quando não nos sentimos tão amados como antes? O que é que acontece quando a pessoa que escolhemos para partilhar uma vida não está tão atenta às nossas necessidades afetivas como precisamos? O que é que acontece quando ele(a) deixa de estar "lá"? Sentimo-nos sós, desamparados. Às vezes zangamo-nos. Às vezes até disparatamos – em terapia é muito fácil perceber que quanto maior for a sensação de abandono, maior será a probabilidade de alguém fazer ou dizer disparates.

Não importa se os problemas começaram por simples arrufos com a mãe dele ou com pequenas discussões a propósito das tarefas domésticas. Se há um que vai pedindo ajuda ou a atenção do outro e não a recebe, é normal que a distância emocional se instale. E daí aos problemas na intimidade sexual pode ser um instante. Claro que quando a mulher se queixa porque se sente sobrecarregada com a lida da casa e pede ajuda não está propriamente a dizer que, se o problema não for resolvido, não há sexo para ninguém. Quando o marido critica a presença constante da sogra lá em casa está só a reivindicar a definição mais clara de alguns limites e não tem consciência de que esse foco de tensão também possa refletir-se – mais cedo ou mais tarde – na cama do casal.

Numa relação amorosa homens e mulheres procuram as mesmas coisas. Para que nos sintamos seguros (e felizes), é preciso que a pessoa de quem gostamos:

- ESTEJA DISPONÍVEL para nós, mesmo quando há alguma insegurança. A última coisa de que alguém precisa é de ouvir frases como “lá estás tu” ou “isso são coisas da tua cabeça”. Estar disponível é prestar atenção, é mostrar interesse, é querer saber, é “estar lá” sempre que é preciso e mostrar que somos importantes.

- RESPONDA às nossas necessidades dando prioridade àquilo que sentimos e tentando dar provas de proteção e conforto, mesmo que isso implique ir “contra” a vontade da família alargada ou de qualquer outra pessoa. Esta capacidade de resposta faz com que nos sintamos especiais e amparados.

- ASSUMA O COMPROMISSO de estar ao nosso lado. Isso implica olhar com atenção, tocar, mostrar o afeto com frequência e estar emocionalmente presente.

Quando um se sente triste ou inseguro e as discussões começam a fazer parte do dia-a-dia, podem surgir algumas diferenças de género:



É como se as mulheres precisassem de se sentir emocionalmente seguras para que consigam entregar-se sexualmente. Se não há segurança, não há desejo. A maior parte dos homens também precisam de estar emocionalmente seguros para viver a sexualidade em pleno mas… não só são capazes de sentir desejo sexual quando há dificuldades no relacionamento como olham para a inexistência de desejo sexual como um entrave à intimidade emocional. Neste caso, é a diminuição do desejo que é sentida como um sinal de perigo. Se não há desejo, não há segurança.


Quando, em terapia, cada um tem oportunidade de se expor e de dizer ao outro aquilo de que precisa, tudo se torna mais fácil e simples: ambos precisam de se sentir amados. Desejados. E de sentir que as suas necessidades afetivas são valorizadas na medida certa.
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