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PROBLEMAS NO CASAMENTO DEPOIS DO NASCIMENTO DO PRIMEIRO FILHO

A chegada de um bebé – independentemente de se tratar de uma gravidez desejada e planeada – altera a dinâmica de casal, introduzindo mudanças que nem sempre são bem geridas. E se é verdade que a maior parte das pessoas que projetam ter filhos reconhecem a necessidade de se adaptarem a uma nova realidade, marcada por desafios que vão desde a privação do sono ao difícil equilíbrio entre o papel conjugal e o papel parental, também é certo que a prática pode ultrapassar em larga medida aquilo que os membros do casal foram capazes de antecipar em teoria. Para algumas pessoas o encanto do nascimento de uma criança é mesmo enevoado pelas dificuldades, criando uma sensação de frustração e de distanciamento.

De uma forma ou de outra, quase todos os casais experimentam algumas dificuldades no relacionamento aquando desta etapa. Alguns estudos apontam mesmo para a possibilidade de mais de 90 por cento dos casais passarem por um período de maior discórdia e conflito ao longo do primeiro ano de vida do bebé. Claro que nem todos os casos implicam a necessidade qualquer intervenção especializada. Na maioria das vezes as competências e os afetos acabam por sobressair e os membros do casal não só sobrevivem ao tumulto como veem a sua relação fortificada. Mas também existem (muitos) casais que – por vergonha ou por outro motivo qualquer – se esquivam a procurar ajuda terapêutica e que acabam por não ser capazes de dar a volta, distanciando-se de modo irreversível.

As dificuldades começam (ou podem começar) desde logo a propósito do desequilíbrio nos cuidados prestados ao bebé. Se estas tarefas estiverem entregues praticamente de modo exclusivo à mãe, há o risco de, a páginas tantas, a mulher dedicar TODA a sua atenção ao bebé, ao mesmo tempo que o marido, de um modo geral menos atento aos pormenores de uma relação, ignora os sinais de alarme. À medida que o tempo passa e os momentos de namoro propriamente dito se evaporam, é expectável que a relação sofra algum desgaste (mesmo que “tecnicamente” os membros do casal se esforcem por funcionar como uma equipa).

Por outro lado, se os membros do casal não se habituarem relativamente cedo a delegar pontualmente os cuidados prestados ao bebé a outras pessoas – solicitando a ajuda de amigos e da família alargada – podem vir a sentir-se atropelados pela falta de tempo para alimentar a relação. Se tivermos em consideração que a maior parte das mulheres opta por amamentar, que isso implica estar disponível para o bebé de “x” em “x” horas e que há bebés mais “fáceis” do que outros, é fácil perceber como é que um simples jantar romântico pode acabar com cada um dos membros do casal a jantar sozinho tendo de se revezar a tomar conta do bebé.

Na terapia de casais quando pergunto quando é que a relação começou a deteriorar-se ouço muitas vezes a resposta “Depois do nascimento do primeiro filho”. Para mim, enquanto terapeuta, isso é normal. Mas para aquelas pessoas é quase sempre muito difícil assumir que a vinda de uma criança (normalmente muito celebrada) possa estar associada a problemas tão sérios.

É na medida em que as pessoas estiverem dispostas
a abdicar das suas expectativas irrealistas,
assumindo as respetivas fragilidades e desapontamentos,
que abrem espaço para a necessária intervenção.

Ser pai ou mãe é, para algumas pessoas, um processo muito fácil. Há, como referi, bebés mais tranquilos, que facilitam a vida aos pais de primeira viagem. Mas também há outros mais “difíceis”, mais desafiantes. Há até aqueles que – porque choram ininterruptamente, porque mamam de hora a hora ou porque são acometidos desde cedo de algum problema de saúde - podem levar os membros do casal a um cansaço extremo. Os casais com mais do que um filho descrevem na perfeição as diferenças que existem entre bebés e o respetivo impacto para a qualidade da relação. O mais importante a reter, contudo, não diz respeito às diferenças entre bebés – porque isso ninguém controla. O mais importante é que cada família se ajuste às mudanças inerentes à chegada de um primeiro filho identificando as suas necessidades (em vez de se basear nas expectativas da pessoa “A” ou da pessoa “B”) e munindo-se dos recursos de que dispõe.

A maior parte das pessoas que são pais ou mães pela primeira vez não está preparada para tudo aquilo que o papel parental acarreta e é preciso ser capaz de dizer É NORMAL.

É NORMAL que a privação do sono deixe os membros do casal exaustos e impacientes.
É NORMAL que as diferenças entre os membros do casal sejam agora exacerbadas pelo facto de ambos estarem sistematicamente com as emoções à flor da pele.
É NORMAL que as pequenas picardias de outrora constituam focos de conflito mais aceso.
É NORMAL que ambos se sintam mais ansiosos em relação a uma série de tarefas novas.

É normal que haja algum distanciamento. De um modo geral, esse afastamento entre os cônjuges é passageiro e não implica qualquer intervenção clínica. Quando as coisas parecem fugir ao controlo, há profissionais especializados em ajudar os membros do casal a resgatar a harmonia na relação.

TRAUMAS ASSOCIADOS AO ALCOOLISMO DOS PAIS

Um dos grandes flagelos do século é, como se sabe, a depressão. Nem todas as vítimas deste transtorno recebem o tratamento adequado mas, daquelas que chegam ao meu consultório, há muitas histórias de vida com um elemento em comum – a convivência com um progenitor alcoólico. Em muitos destes casos, o pedido de ajuda não surge interligado com o passado mais ou menos violento. Porque tendemos a fixar-nos no aqui e agora, no que nos corre mal na atualidade, nas desilusões recentes, mais do que a olhar para trás, para as feridas emocionais que, estando longe de estar saradas, teimam em condicionar-nos o olhar sobre a realidade e, mais do que tudo, impedem-nos de viver em paz. Como um processo psicoterapêutico – individual ou familiar – serve precisamente para que a pessoa possa estruturar as suas emoções de forma sólida, é com relativa frequência que me deparo com os traumas associados ao alcoolismo dos progenitores.

Uma das marcas mais profundas relacionadas com este problema tem a ver com a desorganização familiar que, de um modo geral, decorre da circunstância de haver um alcoólico em casa (quando não são os dois progenitores). Essa desorganização – que nuns casos é mais evidente do que noutros – pode empurrar os filhos para uma espécie de maturidade precoce, que é tudo menos saudável. Muitas vezes sem que nenhum dos membros da família se dê conta, o filho assume o papel de cuidador do pai e/ou da mãe e é incapaz, mesmo depois de adulto, de se desvincular desse papel. Mas aquilo que pode ter funcionado como um mecanismo de sobrevivência acaba por revelar-se desajustado e comprometedor do bem-estar.

É que, a páginas tantas, o adulto filho de um alcoólico vê-se a si mesmo como a pessoa que “tem de” continuar a apagar todos os fogos ou que “tem de” resolver os problemas que não são seus. E este é um dos desafios destes processos terapêuticos: ajudar aquele adulto a desprender-se de problemas que não são seus para que, assim, possa viver a SUA vida.

Pelo meio, são frequentes as queixas de:
insatisfação e/ou desorientação profissional,
problemas no casamento
e dificuldade em manter amizades sólidas.

A pessoa pede ajuda psicológica numa altura em que a vida parece caótica (muitas vezes na sequência de uma rutura) e, com a ajuda devida, começa a perceber a origem das dificuldades. Escolher tratar essas feridas pode implicar o confronto com algumas mágoas mas representa também a oportunidade de mudar de vida e ser feliz.

SEXTING

Há relativamente pouco tempo o mundo mostrou-se chocado com a notícia de uma adolescente que se suicidara na sequência de um crime de bullying. O agressor usou uma fotografia da adolescente seminua para a chantagear, acabando por divulgar a imagem junto de colegas e amigos da jovem. Na altura voltou a falar-se da importância de criar medidas sólidas para lidar com esta nova forma de violência, o cyberbullying. Aquilo de que não se falou foi de um fenómeno paralelo e que está em franca ascensão entre os adolescentes (e não só) – o sexting.

E o que é o SEXTING?
É a troca de mensagens escritas e/ou imagens com conteúdo sexual.

Em Portugal não são conhecidos dados estatísticos mas nos EUA 4% dos adolescentes assume que já enviou imagens ou vídeos do próprio corpo nu ou seminu através do telemóvel. E o número sobe para 15% quando se trata de adolescentes que assumam já ter recebido este tipo de conteúdo de alguém do grupo de pares. Aqui, tal como no resto do mundo, quase todos os adolescentes têm um telemóvel com um tarifário que lhes permita trocar mensagens gratuitas com os amigos. Mas estarão os pais seguros acerca do conteúdo partilhado? E os adolescentes – estarão conscientes dos riscos que correm quando recorrem ao sexting? Um estudo conduzido nos Estados Unidos revela que a maior parte dos jovens acredita que este é um fenómeno que pode ser mais arriscado para os outros do que para os próprios.

A esmagadora maioria dos adolescentes reconhece que a possibilidade de uma fotografia ou um vídeo com conteúdo sexualmente explícito irem parar à Internet através das redes sociais é potencialmente devastadora mas minimiza os riscos associados à troca de mensagens deste tipo entre duas pessoas. Como se as duas coisas não estivessem ligadas.

O que a investigação mostra é que, tal como acontece com outros comportamentos de risco, uma significativa percentagem dos adolescentes conhece os perigos mas acredita que a exposição maior só acontece “aos outros”, prevalecendo ideias irracionais como “Eles são uns totós…Eu sei com quem posso partilhar estas coisas”.

A verdade é que o sexting traz novos desafios com profundas implicações sociais para os adolescentes, já que este tipo de partilha pode de facto traduzir-se num tipo de exposição para o qual a maior parte dos jovens não está preparada. Mais do que traçar limites sobre o que é ou não é socialmente adequado, importa que possamos refletir sobre estratégias que promovam o desenvolvimento de competências sociais entre os adolescentes. Para que, na hora H, estes saibam fazer escolhas emocionalmente inteligentes, que não ignorem um facto importante:

Qualquer mensagem de sexting pode deixar de estar confinada
a duas pessoas romanticamente envolvidas, o que implica que,
quem envia este tipo de conteúdo, esteja vulnerável
a que esse conteúdo acabe nas mãos de um predador,
gerando danos psicológicos prolongados.

ACONSELHAMENTO PRÉ-MATRIMONIAL

A terapia de casal está comummente associada a crises conjugais, problemas sérios na relação, situações de rutura iminente. Além disso, e porque esta forma de ajuda clínica implica quase sempre algum esforço financeiro, associamo-la mais frequentemente a casais de meia-idade, com alguma estabilidade profissional ou financeira. A ideia de duas pessoas apaixonadas, prestes a dar o nó, recorrerem a um terapeuta conjugal para se prepararem para o casamento pode, por isso, parecer um capricho. Teoricamente esta é, no entanto, uma das aplicações da terapia de casal. De resto, a celebração religiosa do casamento inclui em muitos casos alguma forma de aconselhamento pré-nupcial. Para os católicos, por exemplo, esta orientação é feita por equipas CPM (Centros de preparação para o Casamento). E se para alguns noivos estas sessões de reflexão representam sobretudo uma formalidade necessária para o cumprimento da cerimónia solene, para outros acaba por funcionar como uma oportunidade para pensar em questões importantes de um ponto de vista diferente. Se, nesse percurso, os noivos tiverem a sorte de se cruzar com equipas motivadoras e desafiantes, aquilo que inicialmente era encarado como um mal necessário ou uma seca pode transformar-se numa mais-valia com frutos que podem ser colhidos ao longo do matrimónio.

Independente de o aconselhamento pré-matrimonial resultar de uma imposição da instituição religiosa, de uma atitude consciente e responsável de quem está prestes a assumir o compromisso mais importante da sua vida ou até na sequência de dúvidas e inseguranças a respeito desse passo, esta é SEMPRE uma oportunidade para parar e ponderar sobre uma escolha que é, de facto, muito relevante para a generalidade de nós. Se tivermos em consideração o número crescente de divórcios e o facto de nem todos os casamentos resultarem de uma decisão amadurecida da parte dos noivos, então torna-se mais fácil perceber a pertinência desta ajuda.

Infelizmente, para algumas pessoas casar é apenas celebrar o amor ao lado de familiares e amigos. Daí que, quando alguém anuncia que decidiu casar, seja mais fácil pensar de imediato nos pormenores da festa e respetivos preparativos. Preparação para o casamento equivale, em muitos casos, a meses de dedicação à conceção da festa perfeita. Não tendo nada contra a festa do dia do casamento – de resto, esta é uma oportunidade para dar continuidade à construção de memórias positivas na vida a dois -, cumpre-me o dever de chamar a atenção para o que são os desafios do casamento.

Porque nem todas as pessoas se preparam para o que vem depois da festa ou da lua-de-mel.

Porque nem todas as pessoas resistem aos primeiros embates, às primeiras crises.

Na verdade, todas as teorias românticas que nos condicionam o pensamento e contribuem para a elevação de expetativas nos levam a acreditar que é possível amar a mesma pessoa a vida toda sem percalços. Nos filmes a história acaba quase sempre quando o romance está no auge, nos livros as crises são maravilhosamente superadas pela intensidade dos sentimentos dos protagonistas e na vida real… as dificuldades sucedem-se e a frustração acumula-se.

A terapia de casal é, por isso, muito mais do que a resposta profissional para casamentos à beira do fim. É, ou pode ser, uma ferramenta poderosíssima no sentido de permitir que os noivos partam para o casamento com mais competências, com mais segurança, em suma, com mais defesas para os tempos difíceis que também compõem a vida a dois. Teoricamente não está ao alcance de todos – precisamente porque implica algum esforço financeiro. Na prática, não só é um bom investimento, como é significativamente mais barata do que boa parte dos pormenores à volta dos casamentos. Infelizmente, em Portugal gasta-se muito dinheiro na preparação da festa do casamento – tanto que algumas famílias chegam mesmo a endividar-se em nome das convenções sociais – mas recua-se quando os gastos envolvem coisas como a terapia.

E o que é que se espera de um processo terapêutico nestas circunstâncias? Antes de mais, que os membros do casal reflitam, a dois, sobre o caminho percorrido até aí, identificando os recursos que compõem a sua relação, mas também as fragilidades. Por outro lado, é fundamental que sejam capazes de meditar sobre os compromissos inerentes ao passo que pretendem dar. Se é verdade que, para a maior parte das pessoas, o casamento é muito mais do que um contrato assinado por duas pessoas, na prática é muito importante que os noivos assumam que, com a vontade de celebrar publicamente o seu amor, deve vir a capacidade para cumprir com algumas obrigações (obrigações, sim!), bem como a capacidade para ceder, recuar, “dar o braço a torcer”. Ao longo desta caminhada, como acontece quase sempre noutros processos de terapia de casal, são desafiados a olhar para áreas da vida a dois tão sensíveis como a gestão do dinheiro, a intimidade sexual ou as relações com a família alargada.

CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING

A expressão, apesar de ‘estrangeira’, passou rapidamente a fazer parte do léxico dos portugueses. A violência entre pares sempre existiu mas, nos últimos tempos, ganhou um nome, que é estudado por profissionais, e que é, infelizmente, o conceito por detrás de algumas notícias dramáticas com final infeliz. Em função precisamente do mediatismo que o bullying vem tendo, há um interesse cada vez maior da parte de pais, professores e outros agentes de educação no sentido de compreender o fenómeno e, assim, se poder intervir de forma sólida e precoce.

Uma das questões mais relevantes nesta matéria diz respeito ao IMPACTO do bullying. Às marcas que ficam em função desta forma de violência. E se é verdade que a maior parte das pessoas já é capaz de perceber que, pelo menos nalguns casos, o assédio e a perseguição das vítimas podem ser catastróficos, nem todas as pessoas estão sensibilizadas para o facto de este ser um problema que, mesmo que receba a devida atenção dos adultos envolvidos, pode deixar marcas muito duradouras.

Por exemplo, poucos pais e professores têm consciência de que as crianças que são vítimas de bullying podem transformar-se em adultos com perturbações tão sérias como a depressão, ansiedade generalizada, ataques de pânico, agorafobia ou ideação suicida. Estas não são consequências irreais. São o resultado de investigações fidedignas nesta área. Um estudo divulgado recentemente baseou-se em dados recolhidos ao longo de 20 ANOS e mostrou de forma muito clara os efeitos do bullying a longo prazo, desmentindo a ideia de que este é um problema passageiro, que as vítimas ultrapassam com relativa celeridade.

Os estragos em termos emocionais não desaparecem só porque a pessoa se afasta das situações violentas ou quando deixa de ser vítima de bullying. Ficam “lá”.

Estes resultados - surpreendentes ou não – devem servir para que (todos) deixemos de olhar para este problema como uma parte da infância e da adolescência, como se fosse algo normal.

ENSINAR AS CRIANÇAS A DIZER NÃO


Uma das preocupações de qualquer pai ou mãe diz respeito às (más) influências a que os filhos estão expostos. E ainda que diariamente deem o seu melhor no sentido de transmitirem os valores essenciais e a importância de algumas escolhas, quase todos reconhecem que há estímulos e ameaças a mais e que os sermões e palestras são manifestamente insuficientes.

Bem mais importante do que repreender/ censurar determinados comportamentos, será tentar dotar as crianças de algumas competências sociais que lhes permitam fazer escolhas inteligentes e afastar-se de comportamentos de risco. Isso passa, por exemplo, por ajudá-las a definir limites e a dizer “Não” a potenciais ameaças. Ao ensiná-las a ser mais assertivas, os pais estarão a promover a sua autoconfiança, a ajudá-las a sentir-se suficientemente seguras para serem capazes de se afirmar, por exemplo, perante o grupo de pares.

E há um manancial de situações por onde os pais podem começar a treinar a assertividade dos filhos, chamando a atenção para a importância das “boas” escolhas:

  • Alimentação saudável / Alimentação fast food.
  • Ser simpático com os colegas / Desprezá-los.
  • Seguir as regras / Desrespeitá-las.
  • Acabar os trabalhos de casa a tempo / Deixar a tarefa a meio.
  • Dizer a verdade / Mentir.
  • Ouvir os professores / Conversar enquanto os professores falam.

Como é que isso se faz?

1 - Ajudando-as a refletir sobre as consequências de cada escolha antes de responderem a uma solicitação e ajudando-as a identificar diferentes formas de dizer “Não” a situações potencialmente perigosas. Para isso, é fundamental que a própria criança seja incentivada a identificar situações em que já tenha sido “aliciada” para fazer algo que, na verdade, não queria fazer ou que, pelo menos, saiba que não deveria fazer como:

  • Gozar com um colega.
  • Fumar.
  • Roubar.
  • Beber álcool.
  • Infringir regras parentais/ escolares.

2 - Depois é preciso ajudar a criança a reconhecer o seu próprio desconforto perante determinados pedidos/ propostas de colegas e amigos, explicando a importância de PARAR  PARA PENSAR NAS CONSEQUÊNCIAS  do “Sim”.

3 - Importa mostrar como é que a criança pode assumir uma postura assertiva que a afaste dos problemas. Por exemplo, no caso de ser desafiada a gozar com um colega, a criança poderia olhar diretamente para o(a) colega (estabelecer contacto visual) e dizer, de forma firme, “Eu não vou fazer isso”. Mas não basta explicar como é que se faz. Na verdade, o treino de competências é mais eficaz quando a criança é desafiada a “representar” uma ou mais situações. Aquilo a que em Psicologia se chama “role playing”, e que não é mais do que a encenação de algumas situações que nos aproximem da realidade, é uma ajuda fundamental para que crianças e adultos treinem comportamentos novos.

4 – Na medida em que a criança conhecer diversas formas de dizer “Não”, sentir-se-á mais capaz de reagir a situações de pressão social. E existem, de facto, muitas formas diferentes de o fazer:

  • Dizer “Não” ou “Não, obrigado” tantas vezes quanto for necessário (Não, não te posso emprestar dinheiro porque o que tenho é para o meu almoço; Não, obrigado, eu não fumo).
  • Chamar os bois pelos nomes :) (Isso é roubar e eu não alinho nisso).
  • Falar sobre/ fazer outras coisas (Viste o jogo ontem?; Vamos antes andar de bicicleta).
  • Fazer perguntas (O que é que me estás a pedir para fazer? Porque é que eu haveria de fazer isso? Qual é o teu problema?).
  • Justificar (Eu não quero meter-me em problemas; Eu penso de maneira diferente; Se eu fizesse uma coisa dessas ia sentir-me mal).
  • Usar o humor (Deves estar a gozar… Se eu bebesse essa cerveja ia estragar o meu corpinho; Claro… começo a fumar, sou apanhado e os meus pais põem-me de castigo por 10 anos, o que é tudo o que eu preciso).

E se nada resultar e os “amigos” continuarem a insistir, é importante que a criança aprenda a IGNORÁ-LOS e que se afaste.

Se os pais forem capazes de antecipar algumas das situações potencialmente perigosas a que a generalidade das crianças são expostas e/ou partirem de exemplos que os filhos viveram recentemente, a probabilidade de sucesso aumenta substancialmente. Por outro lado, se os pais tentarem passar a mensagem ao mesmo tempo que falhem em ser eles próprios assertivos, a probabilidade de sucesso decresce drasticamente.

A INTIMIDADE NUMA RELAÇÃO


Quando se fala em intimidade, é natural que se confundam conceitos. A própria palavra é geradora de imagens mentais muito distintas. Para alguns, falar-se em relações íntimas implica que nos refiramos à componente sexual. Mas para outros uma relação íntima é, antes de mais, marcada pela proximidade emocional. Na verdade, intimidade é, ou pode ser, tudo isso.

No meu trabalho com casais deparo-me diariamente com dificuldades desta natureza, com repercussões também ao nível da sexualidade. Na generalidade dos casos, é preciso explorar os recursos em várias áreas da conjugalidade para que se possa tratar as feridas que existem e que se manifestam no campo sexual. Mas não é fácil explorar as limitações existentes em termos emocionais. E, sobretudo, nem sempre é fácil colocar os membros do casal em sintonia na busca da conexão perdida.

Porque, de forma simples, intimidade conjugal é isso mesmo:
CONEXÃO.

Ser-se íntimo do nosso cônjuge é ser capaz da partilha física e emocional. E, em função dessa partilha, sentirmo-nos ligados àquela pessoa. Claro que também é possível sentirmo-nos intimamente conectados a amigos e familiares. Mas a generalidade das pessoas casadas ambiciona sobretudo sentir uma conexão inigualável com a pessoa amada.

Esse laço não é perfeito e constante.
Há períodos de maior proximidade e outros de maior afastamento.
Há até momentos de desconexão, de desamparo,
que se espera que sejam rapidamente ultrapassados.

O laço que une os membros de um casal também não é uma ligação que dependa SOBRETUDO da componente sexual. Mas na generalidade dos casos é preciso que haja entrega e satisfação a esse nível para que duas pessoas casadas (ou enamoradas) se sintam conectadas.

A intimidade conjugal (também) depende da partilha verbal e não-verbal.
Dos gestos.
Das expressões faciais.
Do toque.
E das palavras que se escolhe para dar resposta às solicitações do cônjuge.

O que é que acontece quando nos esquecemos da força das nossas escolhas? O que é que acontece quando deixamos de investir na intimidade da nossa relação? Expomo-la a ameaças externas. Expomo-la à frustração, ao ressentimento, à mágoa, à distância e, claro, ao aparecimento de outras pessoas que, de uma forma ou de outra, chamem a atenção para essas lacunas.

Na terapia de casais é fácil perceber a ligação entre o nível de intimidade e a eficácia da comunicação. Quanto mais pobre for a comunicação, menos íntima é a relação. E maior é a insatisfação. É por isso que o investimento na comunicação clara, assertiva, emocionalmente inteligente é tão importante em terapia. Técnicas terapêuticas à parte, é crucial colocar os membros do casal a “deitar cá para fora” aquilo que sentem, aquilo de que precisam. E, quando aprendem a fazê-lo, quando se sentem seguros para tal, as oportunidades de voltarem a ligar-se crescem. Às vezes isso implica recuar no tempo, revisitar momentos menos bons, enfrentar os erros cometidos. Mas implica também que cada um possa voltar a sentir-se acolhido, compreendido, amado. Essas mudanças, como quaisquer outras verdadeiramente significativas, não acontecem da noite para o dia – muito menos quando o pedido de ajuda surge depois de anos de estagnação e/ou de desgaste. Mas é possível atingir níveis mais profundos de intimidade (e conexão) na medida em que ambos estejam dispostos a sair da sua zona de conforto e a arriscar novos comportamentos. Em terapia de casal isso quer dizer:

Assumir que há um problema e mostrar vontade de o enfrentar;
Comprometer-se com algumas mudanças;
Ser capaz de prestar (mais) atenção à pessoa amada, de valorizar as suas necessidades mais importantes (sobretudo quando estas são diferentes das do próprio);
Ser capaz de mostrar empatia/ solidariedade de forma verbal e não-verbal;
Ser capaz de condescender em relação aos erros do cônjuge, em vez de “remoer” eternamente sobre eles;
Mostrar de forma clara quão importante a pessoa amada é.

DIFERENTES FORMAS DE DIZER NÃO

Quase todas as pessoas já passaram pela experiência de dizer sim quando gostariam de ter dito não.

Por medo.
Por pena.
Por se sentirem culpadas.
Ou pura e simplesmente porque não estão habituadas a ser assertivas.

Quanto mais vezes isso acontece, maior a probabilidade de a pessoa se sentir frustrada, irritada. Na prática, sempre que acedemos a fazer o que quer que seja contrariando a nossa vontade ou os nossos princípios, é assim que nos sentimos: desiludidos! Daí que seja crucial treinar a assertividade, sair da zona de conforto, arriscar mudar. Para algumas pessoas isso passa sobretudo pela monitorização do próprio comportamento, por estar atento às próprias necessidades e fazer um esforço no sentido da firmeza. Mas para outras o processo pode ser mais complexo e moroso, envolvendo a necessidade de intervenção psicoterapêutica.

Em qualquer caso, e como tenho referido, ser assertivo é muito mais do que ser frontal a qualquer preço. Na prática, ser frio e direto está mais próximo da agressividade do que da assertividade. Por outro lado, mostrar “demasiada” empatia ou solidariedade para com o interlocutor também pode aproximar-nos de uma postura mais passiva e menos assertiva.

Se nos focarmos apenas numa das manifestações da assertividade – a capacidade de dizer não – é possível identificar diferentes tipos de discurso. Sim, existem diferentes formas de dizer não:

O “NÃO” DIRETO.

Quando alguém nos pede para fazer uma coisa que não queremos fazer, é importante dizer simplesmente que não. A ideia é que o façamos SEM LAMENTOS NEM PEDIDOS DE DESCULPA. O “problema” é da outra pessoa e é crucial que façamos o que está ao nosso alcance para impedir que ele/ela transforme a questão num problema nosso. Este tipo de “NÃO” é particularmente ajustado em resposta a vendedores.

O “NÃO” SOLIDÁRIO.

Esta forma de dizer “Não” envolve a capacidade para empatizar com o pedido e/ou as necessidades do interlocutor, ainda que o discurso tenha de terminar com a recusa do que estiver a ser solicitado. Um exemplo: Eu sei que precisas de desabafar mas não vou poder almoçar contigo hoje.

O “NÃO” JUSTIFICADO

Este tipo de discurso implica uma BREVE mas honesta justificação a respeito dos motivos por que temos de dizer “Não”. Um exemplo: Não vou poder almoçar contigo hoje porque o meu chefe quer que lhe entregue o relatório até ao fim do dia.

O “NÃO” MOMENTÂNEO

Este “Não” corresponde, de forma resumida, a sermos capazes de dizer Hoje não ao mesmo tempo que assumimos o compromisso de aceder ao que nos é pedido noutra altura. Este não é um “Não” definitivo, redondo. Deixa espaço para um “Sim”, só que no futuro. Escusado será dizer que, para evitar ressentimentos e frustrações, é crucial que o usemos APENAS se o “Sim” que prometemos for genuíno. Um exemplo: Não vou poder almoçar contigo hoje mas podemos encontrar-nos na próxima semana.

O “NÃO” INTERROGADOR

Este também não é um “Não” definitivo. É uma forma de questionar se existem alternativas que nos permitam ir ao encontro do que nos é pedido. Um exemplo: Não vou poder almoçar contigo hoje. Podemos encontrar-nos noutro horário?

O “NÃO” À DISCO RISCADO

Este “Não” é ajustado em muitas situações. Basicamente, limitamo-nos a proferir a mesma frase vezes sem conta (como num disco riscado). Não há mais nenhuma explicação. Só a repetição da recusa. É um discurso particularmente útil para pedidos (pessoas) persistentes. Um exemplo:
Pessoa A: Não, não vou poder almoçar contigo.
Pessoa B: Oh, vá lá. Não demora nada.
Pessoa A: Não, não vou poder almoçar contigo.
Pessoa B: Vem lá. Eu pago.
Pessoa A: Não, não vou poder almoçar contigo.
(…)
Pessoa A: Não, não vou poder almoçar contigo.

A TARDE É SUA - VÍDEO

Partilho hoje o vídeo da minha participação
 no programa A TARDE É SUA no dia 1 de Abril.
O tema foi "ANTES SÓ DO QUE MAL ACOMPANHADA".

A TARDE É SUA


Hoje volto ao programa A TARDE É SUA, na TVI,
para comentar o tema
“ANTES SÓ DO QUE MAL ACOMPANHADA”.