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31.10.05

ALMA GÉMEA

Conhecemos tantas histórias de amor e, no entanto, sabemos tão pouco acerca dos factores que permitem que nos apaixonemos por determinada pessoa! Apaixonamo-nos e pronto! Nessa altura, achamos que aquele(a) é a nossa alma gémea – porque nos completa, porque nos põe a respiração ofegante, porque não nos deixa espaço para a concentração profissional e/ou porque nos faz acreditar que, afinal, o mundo não é apenas um mar de desgraças.

À medida que este estado de embriaguez se desvanece (e conseguimos, finalmente, voltar a trabalhar e a estar disponíveis para o resto do nosso mundo), apercebemo-nos das características da pessoa amada – daquelas que nos agradam e que contribuem para que a relação funcione, mas também dos seus defeitos (esses marotos, que aparentemente só servem para nos complicar a vida).

Os estudiosos da matéria apontam como factores importantes na formação do casal a atracção física, o companheirismo, a comunicação e a satisfação sexual. Isto é, a maioria das pessoas felizes com a sua relação conjugal sentem-se satisfeitas à luz destes padrões. Mas isso não significa que a pessoa amada mereça 20 Valores em cada uma das “matérias”. Pelo contrário, o conceito de alma gémea, no sentido da perfeição, está muito longe da realidade.

De facto, isso não passa de um mito divulgado, em grande medida, pelas histórias de amor retratadas na literatura, no cinema e, principalmente, na televisão. Os estudos (reais) efectuados com casais felizes apontam para outro tipo de evidências. Estas pessoas sentem-se satisfeitas, mas não descrevem os seus cônjuges como perfeitos. Em vez disso, reconhecem os seus defeitos, aprendem a gerir as diferenças, a ceder em determinados pontos, e a aceitar o outro como ele é.

É preciso reconhecer que nenhum amor é perfeito e que não existem príncipes (ou princesas) encantados, prontos para transformar a nossa vida num conto de fadas. Além disso, não imagino o tédio que seria uma vida desse tipo…

Por outro lado, a generalidade das pessoas reclama o direito de ser aceite como é. Então, por que havemos de exigir aquilo que não estamos dispostos a dar?

Um dos meus poetas preferidos – Vinicius de Moraes – dizia que “O amor é eterno enquanto dura”. Então, que tal fazer um esforço para que ele dure mais um bocadinho? Um dos caminhos para que isso aconteça passa por aceitar que nada é perfeito, muito menos uma relação conjugal. Há períodos de maior proximidade e períodos de maior afastamento, mas o todo é tão bom!

ESCURIDÃO (VAI POR MIM) – JORGE PALMA
Não estou com grande disposição
p’ra outra enorme discussão
tu dizes que agora é de vez
fico a pensar nos porquês
nós ambos temos opiniões
fraquezas nos corações
as lágrimas cheias de sal
não lavam o nosso mal

e eu só quero ver-te rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torces o nariz e lá se vai o sol

dizes vermelho, respondo azul
se vou para Norte, vais para Sul
mas tenho de te convencer
que às vezes também posso…

ter razão!
também mereço ter razão
vai por mim
sou capaz de te mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão

Se eu telefono, estás a falar
ou pensas que é p’ra resmungar
mas quando queres saber de mim
transformas-te em querubim
quero ir para cama e tu queres sair
se quero beijos, queres dormir
se te apetece conversar
estou numa de meditar

e tu só queres ver-me rir feliz
dar cambalhotas no lençol
mas torço o meu nariz e lá se vai o sol

dizes que sou chato e rezingão
se digo sim, tu dizes não
como é que te vou convencer
que, às vezes, também podes…
ter razão!
também mereces ter razão
vai por mim
és capaz de me mostrar a luz
e depois regressamos os dois
à escuridão

Atenção!
os dois podemos ter razão
vai por mim
há momentos em que se faz luz
e depois regressamos os doisà escuridão
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