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26.10.05

AS CRIANÇAS NÃO SÃO JOGUETES!

Há uns tempos, numa estação de Metro, ouvi uma conversa entre uma senhora e a filha, uma criança de seis ou sete anos. Não estive ali mais de dois minutos, mas foi o suficiente para que a conversa me entristecesse. A mãe dizia:

“Claro que o pai não gosta de ti! Se gostasse, tinha vindo buscar-te no fim-de-semana, não achas?”.

Deduzo que aquela senhora estivesse a atravessar um processo de divórcio. Mesmo que já estivesse oficialmente separada, de certeza que ainda não tinha ultrapassado o “divórcio emocional”. Pior: não conseguiu impedir que o seu “luto” magoasse a filha.

A propósito de divórcios, apesar de todas as outras taxinomias, costumo dividi-los em divórcios construtivos e divórcios destrutivos.

Nos divórcios construtivos os ex-cônjuges colocam a preservação do bem-estar dos filhos acima de qualquer outra coisa. A aceitação da perda permite-lhes maior flexibilidade e capacidade de negociação a dois (sem envolver outras pessoas). Ou seja, estes pais conseguem diferenciar o papel conjugal do papel parental, o que implica que JAMAIS se ofendam mutuamente para conseguir manipular as suas crianças.

Os divórcios destrutivos são marcados pelo uso dos filhos como joguetes. As emoções das crianças são (ainda que inconscientemente) manipuladas com o objectivo de atingir o ex-cônjuge. A dificuldade em lidar com a perda conduz a uma guerra financeira interminável e a jogos de poder em que os filhos são as principais vítimas. Estas pessoas dificilmente conseguem negociar civilizadamente, pelo que recorrem a alianças mais ou menos perversas com amigos e familiares, no sentido de conseguir o “exército” mais poderoso.
Embora reconheça que o divórcio é suficientemente avassalador para que os adultos “percam a cabeça”, não posso aceitar que o bem-estar das crianças seja ameaçado. É para resolver este tipo de dificuldades que existem os gabinetes de Terapia familiar / Mediação Familiar. Vale a pena pedir ajuda!

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