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14.11.05

INTERNET E INFIDELIDADE

Ele andava estranho... Passava muitas horas “agarrado” ao computador. Dizia-se deslumbrado com os jogos que descobrira na Internet. Aproveitava todo o tempo livre para se trancar no sótão. Aos poucos, este passatempo foi roubando tempo aos outros interesses. A vida conjugal e familiar há muito que se transformara numa coisa menor.

Um dia ficou doente. À entrada do hospital, os seus objectos pessoais foram entregues è mulher. Enquanto a equipa médica o acompanhava, o telemóvel tocou. A mulher, nervosa, leu a mensagem que se destinava ao marido.

Era uma mensagem de amor. Aquela “estranha” queria saber quando é que os dois pombinhos voltariam a encontrar-se.

A angústia provocada pela síncope do marido deu lugar a um turbilhão de emoções sem nome. O “pobre marido doente” tinha uma amante. E agora?

Em casa, vasculhou com os filhos todas as pastas do computador. Ela não percebia nada de informática, mas não foi difícil encontrar conversas inteiras, gravadas a partir das salas de chat que o marido frequentara.

Embora a Internet em geral e as salas de chat em particular sejam muitas vezes apontadas como causadoras de problemas conjugais, esta linearidade não pode ser um dado adquirido. Infelizmente, também não é possível dizer que este tipo de casos sejam raros. Não são.

Mesmo que o casamento esteja bem, as conversas via Internet acarretam quase sempre uma dose de entusiasmo incontornável. Afinal, aí raramente há juízos de valor, podemos mostrar a nossa melhor faceta, vencer a timidez e... desligar a janela sem ter que dar justificações a ninguém.

O pior é quando este passatempo é utilizado para colmatar as lacunas do relacionamento conjugal. Daí às dificuldades sérias é um ápice. No princípio pode não haver o objectivo de iniciar uma relação extraconjugal. Mas a verdade é que as discussões com o cônjuge podem abalar a auto-estima tanto quanto estas conversas virtuais a farão subir em flecha.

Como a maior parte dos programas de conversação incluem o registo das conversas, muitas vezes são os filhos (mais familiarizados com este tipo de tecnologia) que descobrem a facadinha. Que dor! O que é que um adolescente faz nesta altura? Por que emoções passará?

As situações mais comuns continuam a ser aquelas em que o cônjuge traído intercepta – quase sempre por acaso – uma SMS. Então, vem a revolta e a sensação de estupidez. “Os sinais estavam lá e eu não vi. Ou será que não quis ver?”.

Têm chegado casos destes ao consultório. É preciso trabalhar a confiança, reconstruir a relação.

O que mais me angustia são os miúdos. É tão duro quando são eles a dar de caras com os erros dos adultos!
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