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24.11.05

A ROTINA NÃO ESCOLHE IDADES

Eram novos… muito novos. Tão novos que a aliança no anelar esquerdo parecia um objecto “estranho”. Mas se a juventude não os impedira de avançar para o casamento, também não os protegeu de uma das suas rasteiras – a rotina. Durante o namoro ambos gostavam de sair – a dois ou com amigos – mas pouco tempo depois de darem o nó essa realidade parecia demasiado distante. Os passeios sem destino pré-estabelecido deram lugar a visitas frequentes e monótonas ao supermercado. As saídas à noite foram totalmente substituídas pelo aluguer de vídeos. E o facto de terem sido os primeiros do seu grupo de amigos a casar antecipou a ruptura com os disparates próprios da sua idade.

Não foi difícil concluir que estavam a abdicar de coisas a mais em nome de uma estabilidade duvidosa. O bem-estar idealizado dera lugar a incompreensão mútua, discussões que não estavam nos planos e um afastamento assustadoramente veloz.

Quando confrontados com a abdicação dos interesses da vida de solteiros, estavam de acordo num ponto: tinham-no feito com a melhor das intenções. Pelos vistos, não fora suficiente ou não estariam, passado tão pouco tempo, numa consulta de terapia conjugal.

Ao contrário do que algumas pessoas temem, o casamento (ou a união de facto) nem sempre implica a mudança radical de hábitos. As dificuldades financeiras são um obstáculo indesmentível mas ultrapassável. Só não vale contribuir activamente para que a rotina se instale.

Se os compromissos assumidos impossibilitam o casal de sair tanto como antigamente, também não devem servir de justificação para que as sete noites da semana sejam passadas à frente da televisão. Qualquer casal – mesmo com a ajuda da Blockbuster – morrerá de tédio.

E, se não houver dinheiro para fins-de-semana no Algarve, inventem-se novos programas: passeios na praia, caminhadas na serra ou jogging não custam dinheiro. O importante é que os membros do casal unam esforços para conseguir manter os seus interesses.

Isso só é possível se o projecto a dois que adveio do amor mútuo continuar a ser alimentado. Assim, o cansaço provocado pela componente profissional não deve servir de plataforma para que expressões do tipo “Vai tu” sejam sistematicamente utilizadas como resposta às solicitações do cônjuge, sob pena de os membros do casal começarem a percorrer caminhos paralelos.

A vida a dois é (também) feita de cedências em nome da relação amorosa. Mesmo que um dos membros do casal não goste particularmente de desporto, deverá fazer pelo menos uma tentativa no sentido de encontrar uma actividade desportiva que possa ser desenvolvida a dois.

E se só um dos dois for apreciador de saídas nocturnas, isso não deve implicar que tenha que o fazer sempre sozinho.

Mas atenção: no meio destes esforços também deve sobrar tempo para a individualidade de cada um. Não é por acaso que se costuma dizer que, no amor, 1+1=3. O casamento não equivale à construção de uma só entidade – isso seria demasiado redutor. O amor implica expansão – passa a existir o Eu, o Tu e o Nós. E cada fragmento é tão importante quanto os outros.
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