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16.12.05

QUANTO TEMPO DURA UM PROCESSO PSICOTERAPÊUTICO?

O Sr. A. telefonou-nos com um pedido “urgente”: pretendia que uma pessoa da sua família fizesse DEZ consultas de psicoterapia individual em pouco mais de duas semanas. Lera algures na Internet que, em média, um processo psicoterapêutico requeria cinco a dez consultas e, como pretendia viajar dali a pouco tempo, estava disposto a pagar o “pacote”.

Como é natural, explicámos-lhe que isso não seria possível. Uma psicoterapia não pode ser equiparada a outros serviços, pelo que a ideia de um “pacote” está fora de questão.

De um modo geral, os portugueses estão pouco familiarizados com as diferentes aplicações da Psicologia e com os diferentes formatos psicoterapêuticos. Mas isso não explica este tipo de expectativas. Alguém acredita que um técnico possa implementar fórmulas milagrosas e, assim, resolver aquilo que a própria pessoa não foi capaz de resolver ao longo de meses ou anos? Se sim, é importante desmistificar essa ideia.

Se uma pessoa tiver um acidente e recorrer a uma clínica de fisioterapia, sabe que a recuperação acarreta um número estimado de consultas, esforço, sacrifícios e… tempo. E também sabe que esse tempo pode variar em função do tipo de lesão e da resposta do organismo. Ora, como é possível esperar que as coisas sejam mais fáceis quando se trata de saúde mental?

Diferentes dificuldades psicológicas requerem processos terapêuticos diferentes e, eventualmente, formatos/modelos terapêuticos distintos. Assim, existem, por exemplo, psicoterapias breves e psicoterapias longas, em função do modelo teórico vigente e das técnicas utilizadas. Mas nenhum psicólogo/psicoterapeuta pode garantir a resolução de dificuldades sérias de um dia para o outro.

Outra característica que pode separar os vários formatos terapêuticos é a periodicidade das consultas. Embora muitas pessoas apenas conheçam o modelo psicodinâmico das duas consultas por semana, este intervalo não é aplicável a todos os serviços de Psicoterapia.

No serviço onde trabalho as consultas são separadas por intervalos de duas a três semanas (a decisão é tomada pela própria pessoa, ou pela família, no final de cada consulta). Nesse intervalo é esperado que as tarefas terapêuticas propostas sejam cumpridas e que a reflexão iniciada na consulta se possa estender.

Sendo o intervalo uma das regras de ouro do modelo terapêutico com que trabalho – no qual acredito e com o qual tenho obtido bons resultados -, jamais poderia ceder a um pedido como o do Sr. A.

Quanto à duração do processo, ela é variável. Estatisticamente podemos subscrever a média de cinco a dez consultas. Mas isso são apenas números. E as pessoas (ou as suas dificuldades) não podem ser reduzidas a números, como diria Saint-Exupéry.

Existem processos psicoterapêuticos bem sucedidos que não chegam a necessitar de cinco consultas. Ao mesmo tempo, existem dificuldades que não são ultrapassáveis em (apenas) dez consultas. O que não é expectável é que ao fim de cinco consultas a pessoa (ou a família) se sinta exactamente na mesma (muito menos ao fim de dez).
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