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6.1.06

APOIO EMOCIONAL

Cônjuge 1 – Eu estou a zelar pelos teus interesses.
Cônjuge 2 – Mas esses não são os meus interesses!

Quando alcançamos pequenas ou grandes vitórias, é com as pessoas que amamos que queremos comemorar. Do mesmo modo, quando passamos por momentos difíceis, é para junto dessas pessoas que nos apetece correr. Independentemente dos obstáculos que tenhamos que enfrentar, ou das “bofetadas” que a vida nos dê, é confortante saber que há alguém que nos ouve, que nos compreende e que nos apoia.

O apoio emocional é um pilar importante do nosso bem-estar e pode advir das mais diversas relações – dos amigos, da família de origem, do cônjuge, dos filhos – dependendo do grau de intimidade.

De uma maneira geral, espera-se que a relação conjugal seja a mais íntima, pelo que é do nosso cônjuge - marido, mulher, namorado(a), companheiro(a) – que esperamos receber maior apoio ou, se possível, todo o apoio. Afinal, esta variável do bem-estar individual é, também, uma das fatias do amor romântico.

Quanto maior for a união e a empatia entre os membros do casal, maior a probabilidade de cada um conhecer os sinais que denunciam as fragilidades do outro. Entre duas pessoas que se amam e que se conhecem profundamente, pode bastar um olhar para que o outro saiba o que fazer. Mas isto não quer dizer que os casais felizes “adivinham” pensamentos e dispensam a partilha de experiências! Se cada um se fechar sobre si mesmo nos momentos de tensão, dificilmente haverá sintonia ou apoio.

A experiência terapêutica tem demonstrado que a maior parte das pessoas se esforça por agradar o companheiro e valoriza o apoio emocional. As dificuldades sentidas a este nível estão relacionadas com equívocos de comunicação. Antes de mais, para que possamos ajudar alguém, é preciso que saibamos de que forma é que essa pessoa precisa de ser ajudada. As melhores intenções do mundo podem ser inúteis se, em vez de terem em consideração aquilo de que o outro precisa, tiverem como ponto de partida aquilo que NÓS consideramos como mais eficaz. (Até que ponto é que, no exemplo acima, o cônjuge 1 conheceria os interesses do outro?)

Por outro lado, os casais que “reclamam” a necessidade de maior apoio emocional são muitas vezes vítimas dos seus próprios juízos de valor. Assim, sem darem conta, numa situação de tensão, adoptam mais rapidamente uma posição avaliadora do comportamento do cônjuge do que propriamente de apoio.

Nenhuma relação amorosa depende da bajulação para que possa ser considerada satisfatória. Pelo contrário, a crítica assertiva é um elemento construtivo do bem-estar conjugal. Mas, num momento de stresse, PRIMEIRO há que mostrar empatia e apoio.

Imaginemos uma situação: O Sr. X discutiu com o seu director e teme ser despedido. Desanimado, decide partilhar a experiência com a sua mulher. Se a primeira reacção que obtém for algo do género “ESTÁS DOIDO? QUERES METER-NOS EM SARILHOS? NÃO SOUBESTE FICAR QUIETO?”, o rumo da conversa será, quase de certeza, a discussão.

Neste caso, seria certamente expectável que, apesar dos riscos financeiros que daí pudessem advir, a Sr.ª X fosse capaz de OUVIR ATENTAMENTE o marido e, no final, pudesse fazer uma avaliação. Outro tipo de verbalização - “O que foi que aconteceu?” ou “Acredito que não estejas a sentir-te bem. Conta-me.” – acompanhada de um gesto carinhoso evitaria a escalada de ansiedade.

Apoiar a pessoa que amamos implica que sejamos capazes de colocar-nos na sua posição, conheçamos as suas necessidades e actuemos de maneira a preenchê-las.
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