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18.1.06

MODELOS DE ORGANIZAÇÃO FAMILIAR


Cada família tem características que a diferenciam das outras e que condicionam o modo como os seus membros vêem o mundo e as relações afectivas. Durante muito tempo, os hábitos e padrões de relacionamento transmitidos pelos pais constituem o único modelo de referência para os filhos. A formação de um novo casal implica um processo de adaptação mútua e a implementação de um novo modelo.

De facto, podem existir diferenças profundas entre os membros do casal, mas isso não deve implicar a anulação de um modelo em benefício do outro. A vida a dois é feita de cedências e aprendizagens, logo desde o início. Como cada um dos cônjuges acredita nas vantagens do modelo em que cresceu, quanto mais diferenças houver entre os dois “estilos”, maior a necessidade de fazer ajustes.

Por exemplo, em termos da organização dos papéis familiares, em Portugal continuam a co-existir três modelos diferentes: o patriarcal, o democrático e o igualitário.

O modelo patriarcal é caracterizado pela divisão rígida dos papéis. Nestas famílias o homem é responsável por garantir o sustento financeiro e a mulher desempenha as funções relacionadas com a lida da casa e com os cuidados prestados aos filhos. Este formato implica quase sempre desequilíbrios em termos do poder. Por exemplo, apesar de a mãe passar mais tempo com os filhos, nem sempre é vista como uma figura de autoridade. Pelo contrário, as decisões mais importantes passam quase sempre pelo pai. A taxa de divórcio é muito baixa nestas famílias devido à dependência financeira da mulher.

As famílias que se enquadram no modelo democrático adoptam uma divisão sexual do trabalho, o que implica que a generalidade das tarefas domésticas estão a cargo da mulher. No entanto, ambos trabalham fora de casa e, por isso, partilham a autoridade, os direitos e os bens familiares. Os filhos reconhecem os dois progenitores como decisores, no entanto, é veiculada a ideia de que algumas tarefas só podem ser efectuadas pelas mulheres da casa. A emancipação da mulher implica o fim da insolubilidade do casamento.

O modelo igualitário é caracterizado pela integração total da mulher no mercado de trabalho. A dupla jornada laboral (dentro e fora de casa) implica uma divisão equitativa dos deveres do lar, bem como a igualdade de direitos familiares. Estes casais investem frequentemente no seu percurso académico e reconhecem a necessidade de implementar sistemas de entreajuda para a concretização das tarefas domésticas e cuidados prestados aos filhos.

As dificuldades de adaptação mais frequentes estão relacionadas com o facto de muitos homens não reconhecerem vantagens no modelo igualitário, apesar de quase todas as mulheres trabalharem fora de casa. A relutância em corresponder a modelos considerados retrógrados pode não ser bem aceite por quem não está habituado a desempenhar determinadas tarefas. No entanto, a acumulação de funções acarreta uma pressão exagerada sobre a mulher, com repercussões na satisfação conjugal.

Mas isto não significa que os membros do casal estejam condenados a discutir eternamente. Apesar destas dificuldades iniciais, a maior parte dos casais consegue desvincular-se dos padrões enraizados até aí e desenvolver padrões de organização satisfatórios. Este processo depende dos esforços de ambos e do reconhecimento de que o bem-estar familiar não é compatível com inflexibilidade. Para que ambos ganhem, é preciso que ambos cedam.
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