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27.6.06

ALMA GÉMEA II


Por causa DESTE texto, há muitas pessoas que chegam a este blogue depois de uma pesquisa sobre a expressão “Alma Gémea”. Há uns meses a SIC estava a transmitir uma novela com o mesmo nome, pelo que parte das pesquisas estariam, aos meus olhos, explicadas. Mas a história terminou e as pesquisas continuaram. Uma análise mais atenta – não é para isso que existe o Statcounter? – revelou informações interessantes (usando um eufemismo).

Há MESMO quem acredite na existência de almas gémeas. Mais: há quem recorra à Internet e pesquise “Como encontrar a alma gémea”, “Como reconhecer a alma gémea quando se encontra” ou “Almas gémeas evidenciais”.

O confronto com o tal texto – e, a partir de agora, com este – deve constituir, de alguma forma, uma desilusão aos referidos internautas. Mas outra coisa não seria de esperar quando o link que lhes calha é o de uma psicóloga ou, pior, de uma terapeuta conjugal.

Felizmente, para a maioria das pessoas satisfeitas com o casamento (ou com a sua união), a pessoa amada é a sua alma gémea. Mas apenas no sentido da partilha de sentimentos, de experiências e de sonhos. O facto de duas pessoas se amarem e projectarem um futuro a dois faz com que cada uma se sinta a alma gémea da outra. A isso chama-se amor romântico.

Mas o amor não é cego e muito menos burro. Como a inteligência emocional é um factor importante numa relação conjugal, a maioria das pessoas reconhece que não existe apenas uma “alma” para amar, e muito menos uma “alma gémea”. Claro que ninguém olha para o cônjuge como alguém substituível, mas o fim de uma relação que já foi “o máximo” não pode representar o fim da linha.

A verdade é que quando amamos deixamos de olhar para potenciais candidatos(as) a namorados(as). Mas uma separação, um divórcio ou uma viuvez abrem espaço para uma nova leitura do mundo. Aquando do luto, é normal que alguém olhe para o amor com pessimismo e que considere que “nunca mais” voltará a amar ninguém. Pelo menos, não da mesma maneira. Mas depois da dor vem a esperança e, quase sempre, a felicidade.

Este processo de maturação permite-nos desenvolver competências como a tolerância, a flexibilidade e a descentração, essenciais numa relação amorosa.

Se passarmos a vida inteira à procura da “outra metade da laranja”, podemos passar ao lado de um grande amor com uma metade de outra coisa qualquer…