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17.3.08

INSÓNIA

Maria tem 61 anos e há muito tempo que depende de ansiolíticos (calmantes) para dormir. Sempre teve dificuldades em manter um sono regular e restaurador, mas a situação agravou-se com a chegada da menopausa. Acordava várias vezes de noite, suada e com o coração “a mil”. Agora são sobretudo as preocupações que lhe roubam o sono: a precariedade profissional do filho, a (falta de) saúde do marido e a quebra nos negócios da família deixam-na ansiosa. Mesmo com os comprimidos, tem acordado muito cedo e de forma sobressaltada.
João tem 29 anos e é a primeira vez que se queixa de insónias. Nunca sentiu dificuldade em adormecer, nem tem memória de nenhum período em que acordasse nervoso. Ultimamente os problemas com a chefia directa têm-no deixado tão ansioso que o simples facto de abordar o tema o deixa acelerado. “A cabeça está sempre às voltas, à procura de soluções”, diz. À noite é comum sentar-se ao computador – ora para trabalhar, ora para navegar na Internet – e, como tem sentido sérias dificuldades em adormecer, as horas à frente do ecrã têm sido prolongadas até altas horas da madrugada.

Sónia, 35 anos, trabalha por turnos. Nem sempre consegue dormir as oito horas a que se habituou nos tempos de estudante, o que a deixa mais irritável. Os problemas no casamento vieram agudizar a situação. Às vezes, quando se vai deitar, olha para o marido – que dorme profundamente – e interroga-se sobre a sua serenidade: “Como é que ele pode dormir tranquilo quando as coisas estão neste ponto? Ele dorme, e eu fico sentada na cama a olhá-lo, irritada!”.


Existem vários “tipos” de insónias, mas as queixas podem resumir-se aos seguintes transtornos: dificuldade em adormecer, acordar frequentemente durante a noite (com dificuldade em voltar a adormecer), acordar “antes da hora” ou sentir que, por mais horas que se durma, o sono não é restaurador.

Este distúrbio do sono atinge pessoas de ambos os sexos e de todas as idades, contudo, a prevalência é maior nas mulheres (em particular durante a menopausa) e nos idosos. Pode tratar-se de uma situação pontual (insónia situacional), associada a um ou mais episódios de tensão, ou de um sintoma de alguma perturbação psicológica – ansiedade, pânico ou depressão, por exemplo.

Independentemente de qualquer tipologia, a insónia provoca inúmeros problemas durante o dia: fadiga, mal-estar, ardor nos olhos, dificuldades de concentração, irritabilidade, falta de energia.

O tratamento é variável e ajustado a cada situação: É importante averiguar as causas da insónia. Do mesmo modo que já existem terapêuticas eficazes no tratamento dos sintomas da menopausa, e que melhoram a qualidade do sono nas mulheres desta faixa etária, também existem respostas úteis às outras causas de insónia.

No que diz respeito à insónia transitória ou situacional, os cuidados com a higiene do sono podem fazer toda a diferença.

Higiene do Sono


Nem sempre preparamos convenientemente o nosso corpo para uma noite tranquila de sono, desvalorizando o peso de alguns comportamentos. Por exemplo, eis algumas das coisas que podem prejudicar o nosso sono:

  • Tomar café (ou outras bebidas que contenham cafeína) à noite ou ingerir grandes quantidades desta substância ao longo do dia;
  • Beber álcool antes de dormir – apesar de provocarem algum relaxamento, as bebidas alcoólicas impedem-nos de conseguir um sono profundo, deixando-o entrecortado;
  • Fumar próximo da hora de deitar;
  • Horários variáveis de deitar e de acordar;
  • Passar longos períodos (diurnos) na cama;
  • Fazer exercício físico próximo da hora de deitar;
  • Planear, na cama, as actividades do dia seguinte;
  • Ver televisão na cama – ainda que para muitas pessoas esta actividade seja sedativa, a verdade é que facilmente nos entusiasmamos e desregulamos os nossos horários;

Utilizar o computador (em particular o e-mail) próximo da hora de deitar.

Nalguns casos pode ser aconselhável tomar um ansiolítico. Mas esta terapêutica raramente é eficaz se houver problemas psicológicos associados. Nalguns casos até pode ser perigosa, já que pode provocar dependência (algumas pessoas aumentam progressivamente a dose do seu medicamento, ignorando os riscos psicofisiológicos). Tal como acontece com os antidepressivos, o uso de ansiolíticos deve depender de acompanhamento médico adequado.

Se a insónia estiver associada a uma perturbação ansiosa, alcoolismo ou depressão, o tratamento deverá incluir a psicoterapia.

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