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22.9.08

IMPACTO DAS DISCUSSÕES CONJUGAIS NO DESEMPENHO ESCOLAR DOS FILHOS

De um modo geral, todos os pais se preocupam com a estabilidade emocional dos seus filhos. Ainda que essa possa não ser uma preocupação recorrente, há cuidados a que a generalidade dos progenitores não deixa de dar atenção. Talvez porque todos os adultos já foram crianças e tiveram oportunidade de assistir a discussões entre o pai e a mãe; ou porque os problemas de comunicação na família estão regularmente na ordem do dia. O que é certo é que, de geração em geração, esforçamo-nos por ser melhores pais e dedicamos boa parte da nossa atenção à preservação do bem-estar das crianças.

Para alguns pais, discutir à frente das crianças é “proibido”. Em muitos desses casos são as marcas de infância que os impedem de equacionar a possibilidade de os filhos assistirem a uma briga conjugal. As recordações do sofrimento provocado pela instabilidade familiar ao longo do desenvolvimento de um ou até dos dois membros do casal não estarão ainda saradas e todos os esforços vão no sentido de implementar comportamentos diametralmente opostos aos dos avós. O princípio dominante será “Não posso permitir que os meus filhos passem por aquilo que eu passei”, desvalorizando a importância da resolução de conflitos.

Quando os pais discutem, as crianças, inevitavelmente, sofrem e preocupam-se. Mas o sofrimento e a preocupação dão lugar à tranquilidade desde que os filhos percebam que os progenitores são capazes de resolver os problemas sozinhos e que cada briga é sucedida de uma reconciliação. O conflito não é mau em si mesmo e a verdade é que nenhuma criança pode viver numa redoma: mais cedo ou mais tarde, confrontar-se-á com o facto de que a zanga faz parte da vida e daí não tem que resultar uma postura desesperante.

Mais: os pais que se esforçam por não discutir à frente dos filhos ignoram muitas vezes o peso da linguagem não verbal. Como já referi antes, as crianças são particularmente sensíveis a esta fatia da comunicação, pelo que é muito difícil enganá-las no que diz respeito à percepção do nosso estado emocional. Quando o “papá” e a “mamã” tentam fingir uma harmonia que, na realidade, não existe, podem estar a transmitir às crianças uma mensagem perigosa: a de que elas não têm o direito de intervir relativamente aos problemas. Neste caso, a probabilidade de as crianças sofrerem caladas é muito maior.

Escusado será dizer que as discussões sistemáticas podem passar a ser uma forma de violência sobre as crianças, em particular quando os pais entram em escalada e o descontrolo substitui o apaziguamento. Não raras vezes a raiva associada às discussões tolda a percepção dos progenitores, que acabam por ignorar a presença dos filhos. Cada vez mais, os psicólogos são confrontados com os problemas emocionais de crianças expostas à violência conjugal – na maioria dos casos, a violência psicológica é dominante, mas também existem muitas situações de violência física (e não é sempre o pai a bater na mãe).

Hoje sabemos que as crianças que se preocupam muito com o relacionamento dos progenitores têm uma probabilidade maior de desenvolver problemas psicológicos. O facto de os filhos se preocuparem com os conflitos conjugais tem influência directa no desempenho escolar – por exemplo, quanto maior for essa preocupação, maior será a dificuldade em prestar atenção às tarefas académicas. Além disso, o próprio relacionamento com o grupo de pares (amiguinhos) pode ser condicionado.

A angústia provocada pelos problemas familiares leva a que estas crianças se deixem inundar por pensamentos negativos, que as impedem de manter os níveis de atenção necessários ao desempenho das actividades académicas. Esses pensamentos são a forma que os filhos encontram para lidar com as dificuldades percepcionadas em casa.

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