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15.9.09

IMPORTÂNCIA DA RESILIÊNCIA EM RELAÇÃO À GRIPE A

Já aqui falei sobre o conceito de resiliência psicológica. De forma muito resumida, somos tão mais resilientes quanto maior for a nossa capacidade para encarar os obstáculos da vida como desafios geríveis e/ou contornáveis, e não como dramas dos quais somos vítimas. Ora, estando a Gripe A na ordem do dia, e porque tenho ouvido muitas pessoas cujas preocupações estão centradas nas consequências desta pandemia, faz todo o sentido que aborde o tema. Como convivo diariamente com famílias, lido com os seus medos, particularmente no que toca à saúde e ao bem-estar das suas crianças.

Ora, como se sabe, o medo e a preocupação são mecanismos de resposta a situações potencialmente ameaçadoras. Eles protegem-nos de riscos desnecessários, mas, a partir de determinados níveis, também podem tornar-se patológicos. Sempre que nos preocupamos excessivamente e/ou permitimos que o medo tome conta de nós, arriscamo-nos a perder o controlo sobre a nossa vida, comprometendo a tomada de decisões importantes.

Mais do que nunca, importa que sejamos capazes de encontrar estratégias que nos permitam manter o controlo sobre as nossas emoções, evitando que os níveis de ansiedade e de stress comprometam o nosso quotidiano. Ser resiliente em relação à Gripe A implica reconhecer que há alguns passos que se pode dar no sentido de reduzir os níveis de ansiedade, mantendo níveis de bem-estar aceitáveis. Manter um raciocínio claro e gerir as emoções permitir-nos-á, por exemplo, continuar a trabalhar normalmente enquanto as crianças vão à escola.

Antes de mais, importa que estejamos todos atentos às múltiplas recomendações que as entidades de saúde têm divulgado. Sabermos que podemos e devemos cobrir a boca quando tossimos ou espirramos – com um lenço ou com o ombro – ou que a lavagem frequente e correcta das mãos aumenta a nossa protecção constituem ferramentas importantes. Esse conhecimento dá-nos poder, aumenta a sensação de que há uma parte do desafio que está sob o nosso controlo, apesar de toda a incerteza que envolve a doença.

Mas existem outras ferramentas importantes:

• Manter a cabeça fria. É importante que sejamos capazes de manter as nossas rotinas, particularmente aquelas que potenciam a nossa saúde – manter uma alimentação equilibrada ou cuidar da higiene do sono são hábitos que nos permitem mantermo-nos mais estáveis, também do ponto de vista emocional.

• Manter a objectividade. Apesar de existirem muitas vítimas mortais em todo o mundo, esta é uma doença que, de um modo geral, acarreta poucos riscos. A maior parte das pessoas recupera em casa, sem que seja necessário recorrer ao internamento.

• Encarar os factos. A informação é importante, mas só se resultar de fontes credíveis. Dar importância a rumores e boatos, ao diz-que-disse, não só é inútil como pode revelar-se uma opção desastrosa. É importante travar qualquer espiral de ansiedade. Não dar ouvidos às histórias que dão conta do primo-que-tem-um-amigo a quem já aconteceu um grande drama pode proteger-nos de preocupações inúteis. Lembremo-nos que, de um modo geral, esta é uma doença que implica que fiquemos resguardados durante meia dúzia de dias e que, no fim desse período, o mais provável é que tudo volte ao normal.

• Fazer perguntas. De nada adianta ruminar acerca do que poderá acontecer, por exemplo, em termos profissionais, em caso de adoecimento. Para algumas pessoas, é legítimo que haja alguma preocupação em relação às medidas a tomar em relação à empresa onde trabalham, pelo que faz todo o sentido que as dúvidas dêem azo à colocação de todas as perguntas. Da comunicação clara e honesta resultarão níveis de tranquilidade e segurança imprescindíveis à manutenção das rotinas profissionais.
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