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18.11.09

TERAPIA CONJUGAL PARA HOMOSSEXUAIS



Uma parte significativa do meu trabalho é dedicada à terapia de casal e aí a esmagadora maioria dos pedidos de ajuda é feita por casais heterossexuais com filhos. Pontualmente surgem pedidos de ajuda de casais homossexuais. No primeiro telefonema ou e-mail surge quase sempre a dúvida: “Atende casais homossexuais?”. À primeira vista, poder-se-ia pensar que esta dúvida antecipa a possibilidade de do outro lado estar um terapeuta preconceituoso. Afinal, o preconceito ainda existe e não adianta negá-lo. Mas a verdade é que a pergunta é pertinente também porque nem todos os terapeutas familiares estão aptos a trabalhar com casais homossexuais – e isso nada tem a ver com preconceito. Tem, isso si, a ver com a sensibilidade e formação profissional de cada terapeuta, cujos recursos podem não abranger esta fatia da população. Nesta matéria, como noutras, é importante que o profissional possa assumir humildemente os seus próprios limites, sob pena de a boa vontade não ser suficiente para ajudar quem precisa.


Mas o que procuram os casais homossexuais quando recorrem à terapia conjugal? Resumidamente, o mesmo que os casais heterossexuais: ultrapassar os conflitos e outros problemas de comunicação que os impedem de se sentirem satisfeitos na sua relação. Fazem-no porque não querem perder aquela pessoa, porque sentem que a relação está em perigo. E, tal como acontece com as famílias tradicionais, há casos em que o pedido de ajuda é feito quando a relação está à beira da ruptura. E aí o recurso à terapia de casal é a derradeira tentativa para salvar a relação.


Então, que diferenças existem nestes processos terapêuticos? E haverá diferenças entre a terapia conjugal com um casal de homens e com um casal de lésbicas? Sim, há diferenças. Para começar, existem diferenças significativas na forma como homens e mulheres são educados e isso tem repercussões na forma como nos relacionamos enquanto adultos – sejamos nós heterossexuais ou homossexuais. As meninas são genericamente educadas no sentido de darem importância às emoções e aprendem quase sempre a geri-las mais cedo do que os rapazes. Pelo contrário, a educação dos meninos continua a focalizar-se no encorajamento da autonomia, não da intimidade emocional. Daí que, de um modo geral, as mulheres (lésbicas) se sintam mais confortáveis em iniciar e manter relações amorosas do que os homens (gays). Mas se as queixas dos casais masculinos estão muitas vezes relacionadas com lacunas na comunicação e com a negligência em relação aos afectos (por oposição à realização pessoal), no caso das lésbicas existe o risco inverso. O emaranhamento destas relações leva-as muitas vezes a perder a própria identidade, a negligenciar os objectivos e as realizações pessoais. Claro que estas são generalizações – existem muitos homossexuais (homens) perfeitamente competentes no que diz respeito à comunicação conjugal, por exemplo.


Tal como acontece com os casais heterossexuais, os problemas apresentados por estes casais estão muitas vezes relacionados com o sexo e com a gestão financeira. Mas existem questões específicas associadas aos casais homossexuais e que os podem conduzir a este tipo de ajuda: problemas relacionados com a homofobia, adopção e inseminação artificial, incapacidade de um dos membros do casal para assumir “publicamente” a sua orientação sexual, dificuldades de relacionamento (aceitação) com a família alargada ou indefinição na forma como cada um dos membros do casal vê a sua sexualidade.


Entre os casais masculinos é fundamental conhecer as regras associadas à sua sexualidade. Alguns destes casais são assumidamente monogâmicos; outros mantêm uma relação aberta, não marcada pela exclusividade logo desde o início; outros oscilam entre diferentes formas de viver a sua sexualidade. Por exemplo, alguns casais começam por manter uma relação monogâmica e, a partir de determinada altura, passam para uma relação de não exclusividade sexual.


A verdade é que, tal como acontece com as famílias tradicionais, quando um casal homossexual percebe que o seu dia-a-dia é marcado por discussões recorrentes sobre o mesmo problema sem que haja uma solução à vista, ou que os desentendimentos já se estenderam aos detalhes menos importantes, minando toda a comunicação, está na altura de considerar a ajuda da terapia conjugal.

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