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22.3.10

CANNABIS E PSICOSE

Há muito tempo que o consumo de cannabis e marijuana vem sendo associado a sintomas psicóticos, apesar de existir alguma controvérsia em relação a alguns estudos. Segundo uma pesquisa recente, os jovens adultos que consomem cannabis há vários anos têm uma probabilidade maior de sofrer alucinações ou delírios ou de corresponder aos critérios para diagnóstico de psicose.

Neste caso, foram avaliados mais de 3000 jovens com idade média de 21 anos e os investigadores verificaram que 17,7 por cento relataram que consumiam cannabis há três anos ou menos, 16,2 por cento há quatro a cinco anos e 14,3 por cento há seis ou mais anos.  No total, 65 participantes do estudo receberam um diagnóstico de "psicose não afectiva", como a esquizofrenia, e 233 tiveram pelo menos um indicador de alucinações durante a entrevista de diagnóstico. 

Quanto mais longo é o período que decorre desde o primeiro consumo de cannabis, maior é a probabilidade de aparecerem sintomas de psicose. Quando comparados com os jovens que nunca consumiram esta substância, as pessoas que consomem cannabis há pelo menos 6 anos (isto é, que começaram a fazê-lo por volta dos 15 anos) são duas vezes mais propensas ao desenvolvimento de uma psicose não afectiva e quatro vezes mais propensas a sofrer de delírios*.

Mas a relação entre psicose e o consumo de cannabis está longe de ser simples. Os jovens que sofrem de alucinações muito cedo são mais propensos ao uso frequente e prolongado de cannabis. As pessoas mais vulneráveis aos sintomas psicóticos (isto é, que têm sintomas isolados de psicose) são mais propensas ao consumo de cannabis, o que pode posteriormente contribuir para o risco acrescido de desenvolvimento de uma perturbação psicótica não afectiva.

* A esquizofrenia e o delírio são perturbações diferentes que podem partilhar certas características, como a paranóia, a desconfiança e o pensamento irreal. No entanto, a esquizofrenia é uma perturbação mental grave e relativamente frequente que se associa com a psicose (uma perda de contacto com a realidade) e com uma diminuição no desenvolvimento geral de funções. Em contrapartida, a perturbação delirante é mais rara e causa uma incapacidade parcial ou mais circunscrita. Fonte: Manual Merck.

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