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25.3.10

TERAPIA DE CASAL – DISCUSSÕES PERIGOSAS #3

Já aqui o disse inúmeras vezes: de todos os padrões comportamentais com que me deparo em sede de terapia conjugal, é com os casais que não discutem que mais me preocupo. Depois de aqui ter descrito a perigosidade associada às discussões do tipo “braço-de-ferro” ou ao padrão comportamental do tipo “toca e foge”, é tempo de me centrar naqueles casais que entram no consultório como se tivessem vestido uma armadura – a única coisa que se ouve é um silêncio monumental. A dor é tanta que ambos adoptam uma postura de autodefesa e de negação, como se não precisassem de nada, como se não sentissem nada. A este padrão chamo “Desistência”.

Este distanciamento extremo é quase sempre o resultado penoso do prolongamento do padrão comportamental “toca e foge”. O que acontece é que há um momento a partir do qual o cônjuge que costumava queixar-se, reclamar, gritar para chamar a atenção do outro, deixa de o fazer. Depois de tantas tentativas – que levavam a que o outro se fechasse cada vez mais sobre si mesmo com medo de aumentar o problema – a pessoa que antes estava sempre zangada desiste de lutar e remete-se também ao silêncio. Se nada for feito, o cônjuge “agressivo” acabará por chorar a perda da relação, afastar-se-á e, mais cedo ou mais tarde, quererá separar-se.

Os dois membros do casal sentem que perderam a intimidade emocional, mas, ao mesmo tempo, não sabem como sair do ciclo vicioso, pelo que se sentem impotentes. Nenhum dos dois faz qualquer tentativa de aproximação. Nenhum dos dois quer correr riscos.

Quando este ciclo se instala, o grande problema é a falta de esperança. Ambos acabam por interiorizar a ideia de que “são incompatíveis” ou de que têm “defeitos inatos” que os impedem de ser felizes. Acabam, por isso, por esconder-se, podendo (sobre)viver assim durante alguns anos – sem quaisquer sinais de afecto, sem o contacto visual prolongado que caracteriza as relações amorosas, sem carícias, sem o toque (que vai diminuindo com o tempo, até que desaparece por completo).

Não raras vezes, são os filhos que chamam a atenção dos pais para o enraizamento do problema. Ou são os problemas emocionais dos filhos que os fazem olhar para o casamento com outros olhos, reconhecendo que alguma coisa tem mesmo de ser feita. Podem não existir discussões acesas, mas o mal-estar é intenso e, legitimamente, os filhos não se sentem bem dentro de casa. Se forem adolescentes, esforçar-se-ão por fugir deste ambiente vazio em termos afectivos.

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