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4.5.10

TERAPIA DE CASAL – VALE A PENA?



A pergunta pode parecer ridícula. Mas afinal, o que têm a ganhar com esta ajuda os casais que lutam há meses ou anos por reconstruir a sua relação? O que é que um profissional pode fazer para que o tumulto dê lugar à harmonia, para que as guerras dêem lugar a demonstrações de amor? E se já não houver amor?

Uma das regras do amor dita que “só é preciso uma pessoa para acabar com um casamento, mas são precisas duas para fazê-lo dar certo”. Infelizmente, nem todos os casais pedem ajuda a tempo de uma reconstrução. É verdade que a maior parte dos pedidos de ajuda em terapia conjugal estão associados a níveis elevados de desespero e de desorientação e que muitos casais consideram que esta é a derradeira tentativa, mas isso não significa que tenham deixado de se amar. Significa, isso sim, que estão a sofrer e que não estão a ser capazes de gerir a situação familiar. Nalguns casos, a terapia conjugal não funciona porque os membros do casal não estão fortemente empenhados em salvar o casamento, não estão dispostos a fazer a sua parte para trabalhar a relação. Limitam-se a culpar-se mutuamente, incapazes de ver além das mágoas acumuladas. Noutros casos, um dos membros do casal já fez o corte emocional, já desistiu de lutar pela relação, mas procura esta ajuda porque se sente incapaz de assumir a decisão e dar os passos no sentido da ruptura física.

Então, em que altura deve ser feito o pedido de ajuda? A partir do momento em que os membros do casal se sentem presos a círculos viciosos dos quais não conseguem sair sozinhos, importa considerar a hipótese de recorrer à terapia conjugal.



Alguns precisam apenas de algumas sessões para ultrapassar as dificuldades e para voltarem a sentir-se capazes de enfrentar sozinhos os seus problemas; outros precisam de mais tempo (e de um plano terapêutico com muito mais consultas) para que voltem a sentir-se seguros.

Mas o que é feito num processo de terapia conjugal? Não podendo um psicólogo fazer com que uma pessoa volte a apaixonar-se por outra, quais são as suas competências? Como pode ajudar? Para além da promoção de competências relacionadas com a comunicação, e da avaliação rigorosa da história de vida de cada um dos membros do casal, um terapeuta conjugal procura trabalhar a capacidade de cada pessoa para compreender as necessidades afetivas do cônjuge. Quanto melhor conhecermos as feridas emocionais da pessoa que escolhemos para viver ao nosso lado e quanto mais nos esforçarmos por perceber a forma como ele(a) se sente em função dos nossos comportamentos, maior é a probabilidade de o casamento dar certo.

Nenhum processo de terapia conjugal é baseado na tentativa de mudar a personalidade de um dos membros do casal. Mais: as pessoas não podem mudar a sua essência básica, mesmo que se esforcem, pelo que é inútil desejar/ exigir que o cônjuge o faça. Claro que algumas mudanças são viáveis e muitas vezes imprescindíveis, mas trata-se de mudanças comportamentais, não nucleares.

“Aceitar o outro tal como ele é” pode parecer um chavão, mas é um dos princípios fundamentais de uma relação amorosa de sucesso. Não podemos exigir que os defeitos sejam excluídos do “pacote”.

Todos os casais discutem, todos os casais trocam acusações. 




Pelo contrário, quando as dificuldades se eternizam e os membros do casal se recusam a pedir ajuda, torna-se cada vez mais difícil recuperar. A raiva transforma-se no sentimento mais exteriorizado, as acusações e os comportamentos defensivos tornam-se cada vez mais rotineiros e os membros do casal sentem-se progressivamente mais feridos e frustrados.

A resolução dos problemas conjugais pode passar pelo reconhecimento de que cada discussão implica “três lados da mesma história” – a dele, a dela e a de alguém que está emocionalmente distante e que é capaz de aceder à verdade parcial de cada versão.

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