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26.8.10

AMOR-PRÓPRIO

O confronto com pessoas com a auto-estima fragilizada e com relatos que traduzem pouco amor-próprio faz parte do quotidiano profissional de qualquer psicólogo clínico e o meu caso não é excepção. Lido todos os dias com as vicissitudes de quem, em função de vulnerabilidades antigas ou de uma crise recente, se esquece de defender os seus interesses, de reivindicar as suas necessidades, de se dar o devido valor. Mas se é verdade que já todos sabemos que é importante gostarmos de nós mesmos, nem sempre está clara a definição de amor-próprio. Ouvimos recomendações de especialistas em saúde mental, gurus disto e daquilo, e até de figuras públicas que nos aconselham a gostar mais de nós, mas o que é que isto quer dizer? O que quer dizer alguém que afirme que é impossível amar outra pessoa quando não gostamos de nós mesmos?

Algumas pessoas temem que, ao colocar-se a si mesmas no topo das suas prioridades se transformem em indivíduos autocentrados ou convencidos. Uma pessoa com amor-próprio ou com a auto-estima elevada é um egoísta capaz de atropelar os outros para concretizar os seus objectivos? Claro que não. Gostarmos de nós não é olhar apenas para o próprio umbigo e muito menos implica que nos centremos apenas na satisfação das próprias necessidades. De resto, uma pessoa que gosta de si mesma não tem de ver satisfeitos todos os seus desejos nem está permanentemente em estado de euforia.

Sejamos honestos: não há super-homens nem super-mulheres. Ter amor-próprio é gostar de nós, sim, mas ninguém gosta de si mesmo 24 horas por dia. As pessoas com níveis de auto-estima mais elevados reconhecem os seus erros, têm momentos de arrependimento e até de revolta consigo mesmas. Talvez seja precisamente a capacidade de experimentar emoções negativas em relação a nós mesmos que nos permite vivenciar o amor-próprio. O que diferencia uma pessoa com auto-estima elevada não é a inexistência de amarguras, mas sim a capacidade para sair desse estado. Quando gostamos de nós mesmos, aprendemos a relativizar, a gerir melhor os momentos de desespero, mas estes não desaparecem completamente.

Ter amor-próprio também implica sermos justos, sermos capazes de olhar para os nossos erros e emendá-los, reconhecer os obstáculos e arregaçar as mangas para os enfrentar. Quando gostamos de nós mesmos, somos capazes de:
  • Terminar uma relação quando a pessoa com quem estamos é violenta (física ou emocionalmente);
  • Mover recursos para progredir na carreira em vez de nos acomodarmos a situações que nos desvalorizam;
  • Reivindicar as nossas necessidades afectivas;
  • Pedir ajuda quando não estamos capazes de resolver os problemas sozinhos;
  • Exteriorizar a tristeza;
  • Implementar mudanças que contribuam para a nossa saúde física e emocional.

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