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2.8.10

A IMPORTÂNCIA DO SONO

Na semana em que a grande maioria dos trabalhadores portugueses inicia o período de férias e que corresponde, também, à oportunidade para descansar o corpo e a mente, foram divulgadas as conclusões surpreendentes de um estudo sobre a relação entre o número de horas de sono e o aparecimento de doenças cardiovasculares. É sabido que muitos portugueses sofrem de perturbações do sono e também são relativamente conhecidos os malefícios que resultam da privação de sono. A investigação a que me refiro aponta para 7 o número de horas de sono de que um adulto precisa, contrariando a ideia de que quanto mais dormirmos, melhor. Quer as pessoas que reduzem sistematicamente o número de horas que passam a dormir, quer aquelas que dormem regularmente 9 ou 10 horas estão aparentemente mais expostas ao acometimento de um enfarte ou de um acidente vascular cerebral.

A notícia entretanto divulgada pelos meios de comunicação social enfatiza precisamente a ideia de que “dormir demais também faz mal”, servindo de bode expiatório para aqueles que, por imposição profissional ou por outro motivo qualquer, dormem muito menos do que seria saudável e se recusam a olhar seriamente para o impacto destes hábitos.

Em Portugal dorme-se de menos e vive-se muitas vezes com a crença de que é possível recuperar o sono perdido ao longo dos dias de trabalho dormindo até mais tarde ao fim-de-semana e nas férias. Esta é uma crença não fundamentada pelos estudos nesta área. A verdade é que uma dose extra de sono ao fim-de-semana pode até ser reparadora para os adultos que se deitam tarde ou acordam muito cedo de Segunda a Sexta. Mas mesmo uma noite de 10 horas de sono pode não ser suficiente para curar os efeitos negativos da privação de sono.

Quando uma pessoa dorme menos de 4 horas por noite durante a semana de trabalho, aumenta significativamente a probabilidade de sofrer de défice de atenção e diminui a capacidade de reacção, sendo preciso bastante mais do que uma boa noite de sono para recuperar destes danos. Se a recuperação não for total, manter-se-ão as dificuldades de concentração. Pior do que isso: o mal-estar alastrar-se-á, gerando dores de cabeça, irritabilidade e, claro, diminuição do desempenho profissional e acumulação de erros graves.

A maior parte dos trabalhadores portugueses passa mais de 8 horas no emprego, no entanto, a hora de deitar é idêntica à dos trabalhadores em part-time, indicando que, mesmo que uma pessoa tenha de se levantar muito cedo, mantém hábitos que são claramente prejudiciais à sua saúde, como, por exemplo, ver televisão até muito tarde. Tal como já referi aqui, dentre os hábitos que promovem uma correcta higiene do sono está precisamente a tentativa de não ver televisão no quarto.


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