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16.9.10

COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL

Já aqui chamei a atenção para a importância da comunicação não verbal, tendo inclusive referido que as palavras que proferimos correspondem apenas a 7% do total das nossas mensagens. A verdade é que o tom de voz, as expressões faciais e os gestos que acompanham o nosso discurso dizem mais de nós, e em particular das nossas emoções, do que as nossas palavras propriamente ditas. Imagine que está ao telefone com uma amiga e que esta, na sequência do fim do seu casamento, lhe diz que “está tudo bem”. Sentir-se-ia provavelmente tranquilo(a) se a voz da sua amiga fosse condizente com a frase, mas bastar-lhe-ia perceber a voz embargada para ter a certeza de que não está “tudo bem”. Quando a comunicação verbal diverge da comunicação não verbal, as palavras passam para segundo plano – confiamos muito mais na forma como o nosso interlocutor comunica do que naquilo que ele diz. E o mesmo aconteceria noutros contextos, pelo que não raras vezes damos por nós a colocar em causa a palavra de alguém que pura e simplesmente não nos transmitiu segurança.

É por isso que tantas vezes expresso os meus receios em relação às pessoas que se esquivam ao contacto social presencial e que procuram o conforto dos amigos através do Messenger ou de outras plataformas de comunicação em que a comunicação verbal é o único recurso.

Sermos emocionalmente inteligentes implica, dentre outras coisas, que o nosso discurso reflicta aquilo que sentimos. Implica que nos sintamos à vontade para nos revelarmos e, se necessário, pedir ajuda àqueles que nos rodeiam. Se repararmos, são as pessoas mais assertivas e mais seguras de si que mais facilmente assumem os seus erros e as suas fragilidades. Pelo contrário, as pessoas cujo desenvolvimento emocional é mais pobre tentam camuflar as suas inseguranças, sendo muitas vezes denunciadas pela sua comunicação não verbal.

Para algumas pessoas pode ser particularmente difícil expressar de forma clara as suas emoções. Porquê? Nalguns casos esta inibição está relacionada com o facto de a pessoa ter crescido numa família que castrava a manifestação clara dos sentimentos; para outros, o que está por detrás desta incapacidade é um evento traumático, como um abuso, que despoleta um mecanismo de defesa que se resume à tentativa de mascarar as emoções. Confronto-me diariamente em sede de terapia com pessoas que são autênticos especialistas na arte de camuflar qualquer gesto ou expressão facial que permita a identificação de sentimentos. São maioritariamente os homens que encaixam neste perfil, sem que, no entanto, tenham consciência deste padrão. Nestes casos, compete-me enquanto terapeuta funcionar como espelho daquele mecanismo de defesa. E por que o faço? Porque na generalidade dos casos esta camuflagem traz consequências negativas para as relações afectivas.

Quando alguém restringe a manifestação não verbal das suas emoções, pode permitir que os outros duvidem de si, subestimem a intensidade dos seus sentimentos ou se sintam incapazes de agir em função do que está a ser sentido. Imagine que uma pessoa que cresceu numa família que limitava a manifestação de emoções como a raiva lhe diz “Estou furioso com o que você fez”, ao mesmo tempo que mantém um rosto sereno e um tom de voz monocórdico. É provável que não receba a mensagem de que aquela pessoa está realmente irritada e que, por isso, não reaja em conformidade com aquela fúria. Infelizmente, nestes casos é relativamente fácil instalarem-se ciclos viciosos em que as emoções daquela pessoa só vêm à tona quando se tornam muito intensas. Quando isso acontece, a pessoa consegue chamar a atenção do interlocutor, mas fá-lo de uma forma desproporcional, obtendo uma reacção negativa.

Se se sente frequentemente incompreendido(a) pelos outros e/ou se acha que as pessoas que estão à sua volta não estão a ser suficientemente sensíveis às suas tentativas para chamar a atenção, deve considerar a hipótese de ter de aprender um pouco mais sobre as suas emoções e sobre a melhor forma de as transmitir aos outros.
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