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23.11.10

TERAPIA DE CASAL – DOS MONÓLOGOS AO DIÁLOGO

Muitas das pessoas que me procuram em sede de terapia de casal “sabem” exactamente aquilo de que precisam. Na verdade, trazem expectativas muito elevadas para o processo terapêutico mas aquilo que ambicionam é o oposto daquilo de que realmente precisam para que a relação conjugal sobreviva e prospere. Porquê? O início de um processo terapêutico desta natureza ocorre normalmente depois de um período de intensa reflexão acerca dos problemas da relação e, não raras vezes, aquilo que cada um dos membros do casal procura não é mais do que um aliado, isto é, de alguém “imparcial”, capaz de validar as suas queixas e atribuir ao outro todas as culpas. Por outras palavras, algumas (muitas) pessoas esperam que o terapeuta conjugal reconheça que o problema está no cônjuge, pelo que esperam que o profissional a quem recorrem os ajude a “consertar” o marido/ a mulher.

Como os membros do casal chegam até aqui depois de muito desgaste e dificuldades sérias de comunicação, o facto de ambos acreditarem que têm razão fá-los sentirem-se incompreendidos e saturados. Cada pessoa olha para a “versão” do seu cônjuge como distorcida, pelo que surgem muitas vezes acusações como “És um mentiroso” ou “Tu estás louca”.

O papel do terapeuta conjugal passa, em larga medida, por desfazer este braço-de-ferro, permitindo que cada um dos membros do casal possa colocar-se “nos sapatos” do outro, empatizando com as suas necessidades e emoções. Claro que este passo só é possível se ambos aceitarem que as tentativas para ganhar a batalha, para ter razão, são infrutíferas e geradoras de frustração.

À medida que ambos percebem, com a ajuda do terapeuta, que não é por listarem os erros do cônjuge de forma enfática que se faz luz sobre o problema e a respectiva solução, compreendem também que este padrão apenas potencia a mágoa e o ressentimento.

Basta que um deles se predisponha a quebrar o ciclo vicioso focando-se naquilo que o outro está a sentir (e não no que está a fazer), para que as oportunidades de mudança apareçam. Quando um dos membros do casal interrompe a tentativa de ser ouvido/ compreendido pelo outro e, em vez disso, escuta atentamente e procura compreender o outro, o braço-de-ferro começa a desfazer-se. O facto de um dos cônjuges parar a escalada para tentar entender os sentimentos do outro faz desaparecer boa parte da tensão da discussão e cria espaço para o verdadeiro diálogo (em vez da sucessão de monólogos).

Nenhum processo de terapia de casal pode ser bem-sucedido se os membros do casal continuarem a culpar-se mutuamente reconhecendo como única solução a mudança de comportamento do outro. Os problemas raramente estão relacionados apenas com o comportamento de uma das partes. Cada membro do casal traz para o casamento as suas vulnerabilidades, as suas feridas, e são estas questões mal resolvidas que tantas vezes interferem no normal funcionamento da relação.
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