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15.12.10

SMS, E-MAIL, MESSENGER, FACEBOOK

Comunicamos cada vez mais frequentemente via electrónica e nem sempre damos conta de que estas plataformas de comunicação que tanto nos facilitam a vida também podem constituir uma ameaça à comunicação presencial, particularmente entre os mais novos. Os jovens são especialistas na realização de multi-tarefas – são capazes de enviar SMS a vários amigos ao mesmo tempo que conversam com outros via Messenger e ouvem música através do computador. Fala-se da vida académica, das últimas do desporto, dos conflitos mais recentes com a namorada, mas nenhuma destas questões é aprofundada e muito menos algum problema será resolvido.

Mesmo entre adultos é fácil notar que as conversas online tendem a ser curtas, ainda que os diálogos “saltitem” de assunto em assunto, arrastando-se durante várias horas. Não raras vezes estas cavaqueiras realizam-se ao mesmo tempo que vemos um filme ou trabalhamos com o processador de texto, pelo que dificilmente podemos falar em empenho e envolvimento emocional. Ainda assim, muitas pessoas preferem comunicar com familiares e amigos via electrónica em vez de o fazerem frente a frente. A páginas tantas, a comunicação presencial parece uma coisa estranha, dado que é cada vez mais rara. As pessoas que evitam abordar os assuntos cara a cara acabam por sentir que esta forma de dialogar pode ser até ameaçadora. A verdade é que se habituaram ao “conforto” do teclado, à possibilidade de interromper uma conversa de forma abrupta em qualquer momento. De facto, seria no mínimo estranho interromper uma conversa presencial da mesma forma que interrompemos uma discussão via chat!

Em sede de terapia apercebo-me da dificuldade que muitos adultos, mas sobretudo adolescentes, mostram em iniciar uma conversa cara a cara. É como se tivéssemos regredido em termos de algumas competências sociais básicas. A constante realização de várias tarefas em simultâneo acaba por aumentar os níveis de ansiedade e diminuir a intimidade emocional nas relações afectivas. Entre os jovens a situação é normalmente mais aflitiva, na medida em que algumas horas passadas sem o constante movimento do telemóvel para o chat e daqui para o Facebook pode significar um tédio asfixiante.

As pessoas que estruturam a sua comunicação desta forma acabam por sentir-se genericamente mais tristes, na medida em que se vêem arredadas daquilo que a comunicação directa, olhos nos olhos, acarreta, isto é, a conexão emocional. Os laços afectivos são aquilo que sustenta a vida da generalidade das pessoas e é infinitamente mais difícil criar e manter laços via electrónica. Além disso, há questões muito práticas que se levantam em função destas limitações. Por exemplo, é impossível realizar-se uma entrevista de emprego via SMS. Dependemos da comunicação directa para sermos bem-sucedidos profissionalmente, precisamos de nos sentir à vontade com a colocação de questões olhos nos olhos.

Além disso, o debate profundo, a discussão de ideias e a resolução de problemas também dependem da comunicação presencial. Quando comunicamos apenas por via electrónica não nos comprometemos da mesma maneira com a resolução de um problema de um familiar ou de um amigo. Ao confiarmos as nossas conversas à electrónica, acabamos por perder a paciência para conversas longas e profundas. Entre os mais novos isto é particularmente evidente, já que é notória a dificuldade em implementar uma escuta activa. Muitos jovens são até incapazes de fingir que estão a prestar atenção a uma conversa. Limitar-se-ão a falar ao mesmo tempo que a outra pessoa ou simplesmente deixam de prestar-lhe atenção.

Alguma coisa tem mesmo de mudar quando damos conta que numa reunião familiar, como um aniversário, é relativamente fácil encontrar-se adultos e jovens agarrados aos seus telemóveis, ipods e outros gadgets em vez de socializarem com as outras pessoas com quem partilham o espaço e, espera-se, os afectos.

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