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15.2.11

NARCISISMO

É comum usar-se determinados termos para classificar as pessoas que nos rodeiam. Fazemo-lo instantaneamente, muitas vezes descurando o real significado destes rótulos. O mais vulgar é “deprimido”, tantas vezes usado para caracterizar alguém que anda triste. Como tenho tentado esclarecer por aqui, a depressão é muito mais do que angústia e nem todos os estados de tristeza podem ser classificados de depressão. Hoje escolhi centrar-me no termo “narcisismo”, usado por muitas pessoas que tão-pouco saberão que existe algo chamado de transtorno de personalidade narcisista.

Antes de mais, importa então esclarecer o que é um transtorno de personalidade: Trata-se de uma perturbação mental em que a pessoa experimenta dificuldades na percepção e no relacionamento com os outros e/ou em determinadas situações, o que significa que existem pensamentos e padrões de comportamento demasiado rígidos que podem comprometer o convívio social, o desempenho profissional e académico. Não raras vezes a pessoa não percebe que tem esta perturbação e tende a culpar os outros pelos seus problemas.

De acordo com o DSM IV, o transtorno de personalidade narcisista caracteriza-se pela grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia com os outros, começa no início da idade adulta e está presente numa grande variedade de contextos. Estas pessoas tendem a gabar-se das suas qualidades e das suas conquistas. Precisam de sentir que têm poder e tentam convencer os outros de que são brilhantes e perfeitas.

Por detrás desta suposta perfeição está normalmente uma pessoa frágil que, em vez de se sentir poderosa, guarda sentimentos profundos de vergonha, insegurança e hipersensibilidade à crítica. A pessoa vive atormentada por um grande vazio e sente muita inveja das realizações e conquistas dos outros – é por isso que tantas vezes sente necessidade de as desvalorizar.

Estas pessoas procuram muitas vezes descarregar o seu vazio e a sua solidão desqualificando as outras pessoas. São até capazes de se mostrar arrogantes perante um acto médico, tratando o clínico como um incompetente. Por isso, vêem-se frequentemente envolvidas em conflitos já que, para quem está do outro lado, é difícil ser empático. Um psicólogo treinado poderá ajudá-las, através de um processo lento e rigoroso, a gerir as suas mágoas e aceitar-se realmente.

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