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29.3.11

ANSIEDADE SOCIAL

Os transtornos depressivos têm sido alvo da atenção dos meios de comunicação, pelo que, ainda que nem sempre um leigo seja capaz de entender toda a dinâmica da doença, há à partida alguma sensibilidade para o problema e para o seu carácter incapacitante. Em relação aos transtornos de ansiedade o desconhecimento e a desinformação são maiores e é também por isso que quem sofre deste tipo de perturbações se sente muitas vezes discriminado. Para a generalidade das pessoas pode até ser muito difícil compreender e empatizar com as dificuldades de alguém que aparentemente não consegue levar a cabo tarefas simples do dia-a-dia. Conheço algumas situações de pacientes que se sentiram rejeitados pelas respectivas famílias – alguns foram acusados de preguiçosos e de fingidores.

Mas de que falamos quando falamos dos constrangimentos provocados pela ansiedade social? Imagine alguém que se sente ansioso pelo simples facto de ter de sair de casa. Imagine que essa pessoa se sente imediatamente acelerada e angustiada com a mera hipótese de ter de enfrentar os olhares das outras pessoas. Imagine também que essa pessoa possa sentir-se alarmada só por ter de ir ver o correio, já que isso pode implicar o contacto visual com vizinhos. Pode parecer-lhe estranho mas há muitas pessoas que sobrevivem desta forma. Olham para o chão quando se cruzam com alguém, sentem-se constantemente observadas e alvo de sátira, mesmo quando fazem tudo para passar despercebidas, convencem-se de que os risos das outras pessoas têm a ver com o facto de existir algo de ridículo em si mesmas e encaram a possibilidade de sair de casa para enfrentar situações novas como aterradora.

Os níveis de ansiedade são de tal modo elevados que, não raras vezes, o paciente passa pela experiência de despersonalização, sentindo-se como se estivesse numa realidade paralela, num sonho, em que se observa a si mesmo. Esta sensação de desconexão é extremamente desconfortável e pode gerar comportamentos súbitos e estranhos, contribuindo para a agudização do sofrimento do paciente e para a sua estigmatização.

Pontualmente estas pessoas podem ser mais sociáveis, sentindo-se capazes de interagir em grupo. Fazem-no em particular quando não têm de sair da sua zona de conforto, isto é, quando estão em casa, rodeadas de familiares próximos. Mas basta uma solicitação nova, que implique ter de enfrentar uma situação até aí desconhecida, para que os pensamentos negativos apareçam em catadupa e o coração dispare.

Escusado será dizer que é relativamente fácil para estas pessoas perderem o controlo das suas vidas, isolando-se. Os laços afectivos deterioram-se e é muito difícil manter uma actividade profissional. A ansiedade pode ser de tal ordem que a páginas tantas a pessoa convence-se de que está paranóica e começa a colocar em causa a sua capacidade para recuperar um estilo de vida saudável. A intervenção psicoterapêutica é fundamental para que o paciente reconheça, com a ajuda do seu terapeuta, os constrangimentos desta perturbação e dê início a uma jornada que lhe permita, de forma gradual, recuperar a calma e tomar as rédeas da própria vida.
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