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1.3.11

ATAQUES DE PÂNICO

São cada vez mais frequentes os pedidos de ajuda referentes a transtornos de ansiedade e, destes casos, muitos estão associados a ataques de pânico. Estes episódios podem surgir de repente, fazendo com que a pessoa se sinta assustada, bloqueada, impotente. Como se tratam de picos de ansiedade altamente incapacitantes, é compreensível que o doente se sinta progressivamente com medo de realizar as suas tarefas quotidianas, já que teme que possa sentir-se “mal” fora de casa. Nesta escalada repentina dos níveis de ansiedade a pessoa pode sentir taquicardia, mãos suadas, aperto no peito, tonturas e/ou visão reduzida. Naquele momento a sensação é a de que alguma coisa está errada do ponto de vista físico e há uma necessidade de recorrer à urgência hospitalar – não raras vezes, a pessoa acha que está a morrer.

Na maior parte destes casos, o despiste feito no hospital descarta problemas fisiológicos, pelo que a pessoa é encaminhada para uma consulta de Psicologia e /ou de Psiquiatria. Como a medicação raramente produz milagres, é preciso analisar em sede de terapia a história de vida daquela pessoa, as relações familiares, ajudá-la a lidar com os pensamentos irracionais e promover a gestão emocional eficaz. Este processo pode levar algum tempo, pelo que importa saber o que fazer aquando de uma crise de ansiedade.

Em primeiro lugar, importa que o doente interiorize que há milhões de pessoas em todo o mundo que padecem deste problema. Não se trata de uma condição fatal, mas antes de um transtorno que pode e deve ser gerido e tratado. A gestão começa com a assunção do que se está a sentir e com a respectiva partilha. A experiência clínica mostra-me que as pessoas que recorrem ao telefone para falar com um familiar, um amigo ou outra pessoa da sua confiança, sentem normalmente algum alívio imediato. A experiência de poder falar abertamente sobre o mal-estar intenso e/ou de ouvir alguém do outro lado a desdramatizar a situação é mais terapêutica do que se possa pensar.

Por outro lado, mesmo que não seja possível falar com alguém, há algo que o doente pode e deve fazer: esperar. É verdade! De um modo geral, uma crise de ansiedade dura entre 20 a 30 minutos. Trata-se de uma reacção psicofisiológica que, tal como acontece quando sentimos uma cãibra, não vai poder ser instantaneamente interrompida, mas cuja intensidade vai decrescendo. Com o tempo, a pessoa vai aprendendo a lidar com estes ataques de pânico, dando-lhes espaço, aceitando que os pensamentos negativos que a assolam são só isso mesmo – pensamentos e não factos.

A partir do momento em que a pessoa interioriza que, ao fim de 30 minutos tudo regressa ao “normal”, é mais fácil impedir que as crenças irracionais avancem numa espiral descontrolada. Desta forma, a pessoa regressa mais rapidamente aos seus afazeres, já que o mal-estar vai decrescendo ao longo daquela meia hora. Na prática, a pessoa deixa de alimentar as preocupações, interrompendo o ciclo vicioso. Mais tarde, em terapia, é possível desconstruir os tais pensamentos.

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