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6.6.11

TERAPIA DE CASAL – DISCUSSÕES INTENSAS

Tal como já tenho explicado aqui, não raras vezes os pedidos de ajuda em terapia conjugal acontecem numa fase muito tardia, quando as feridas estão expostas há demasiado tempo, tornando a intervenção terapêutica bem mais difícil. É verdade que já fui surpreendida por casais que iniciaram o processo terapêutico com muito ressentimento e que foram capazes de dar a volta mas tenho de assumir que, tal como acontece com a nossa saúde física, as probabilidades de sucesso na terapia conjugal aumentam quando o pedido de ajuda é feito numa fase inicial. Claro que não é expectável que os casais recorram à ajuda psicológica a cada discussão mas tão pouco faz sentido que a terapia seja apenas equacionada quando um dos membros do casal já está emocionalmente desligado.

Uma vez iniciado o processo, os membros do casal são desafiados a olhar para as suas dificuldades de um ponto de vista diferente. Muitas vezes é preciso abandonar a perspectiva de que existe uma vítima e um culpado. Salvo nas situações de violência (física ou emocional), não faz sentido olhar para os problemas desta forma. É verdade que em muitos casos a comunicação está de tal modo deteriorada que existem excessos de linguagem e críticas intensas. Como a pessoa que é alvo destes abusos nem sempre reconhece o que está a acontecer, acaba por retrair-se afastando-se do cônjuge do ponto de vista sexual e emocional. Em terapia é possível abandonar estes padrões comportamentais e aprender a definir barreiras ajustadas, que imponham o respeito mútuo.

Às vezes o terapeuta conjugal tem de gastar algum tempo com o cônjuge que é habitualmente mais agressivo, o que nem sempre é bem aceite pelo cônjuge que se sente agredido. A verdade é que para que o processo terapêutico seja bem-sucedido é preciso motivar os dois membros do casal. Como a pessoa mais agressiva é normalmente mais resistente à mudança, é preciso trabalhar no sentido de se sentir ouvida. Só depois se pode investir na aquisição de competências que permitam a exteriorização ajustada dos sentimentos. Refiro-me à gestão e controlo da raiva.

Alguns pacientes ambicionam eliminar por completo os conflitos da sua relação. Ainda que seja compreensível, este desejo é irrealista. O que é preciso – para que ambos se sintam seguros - é que se adquiram competências que permitam a resolução de conflitos. Ao terapeuta conjugal compete ajudá-los a comunicar de forma assertiva, a identificar as necessidades e os sentimentos envolvidos e a definir limites para que as discussões não se transformem em lutas.

Muitas vezes é preciso perceber em que medida é que o passado afectivo de cada um dos membros do casal pode estar a influenciar a conjugalidade. Quando pelo menos um dos membros do casal é muito reactivo aos comportamentos do outro é possível que esteja aprisionado a vulnerabilidades antigas que requeiram o apoio individual. Se existirem traumas antigos, é preciso falar sobre essas experiências em sede de terapia para que o companheiro possa percebê-las, empatizar com elas e baixar as defesas. Na prática, acabamos por ser solidários quando percebemos que a fúria do cônjuge está mais directamente relacionada com o seu passado emocional do que com a vontade de nos atacar. Em suma, a terapia de casal pode ajudar a olhar para o cônjuge como alguém que está vulnerável e não como um adversário.
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