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6.7.11

DAR O OUTRO COMO GARANTIDO

Embora não creia que faça muito sentido que os membros de um casal possam competir a respeito das manifestações de afecto, parece-me evidente que, de vez em quando, far-nos-á falta parar para pensar no investimento que temos feito para mostrar ao outro de forma clara o nosso amor. Essa reflexão faz ainda mais sentido quando o parceiro dá sinais de que se sente carente ou pouco apreciado. Em alturas de maior stress nem sempre nos cai bem ouvir frases como "Já não me ligas tanto como antes" ou "Ultimamente não tens tempo para mim". Estas queixas soam a cobrança e podem elevar os nossos níveis de ansiedade, impedindo-nos de empatizar com que o outro está a sentir. Se existirem problemas financeiros, dificuldades profissionais e/ou preocupações com os filhos pode acontecer que nos sintamos "engolidos" pela quantidade de compromissos e afazeres e que a disponibilidade para as queixas do cônjuge seja muito limitada.

Apesar disso, é crucial que nos mantenhamos conscientes de que nenhuma relação afectiva sobrevive se não for alimentada, muito menos uma relação amorosa. Dar o outro como garantido é demasiado arriscado, podendo deixar marcas irreparáveis.

Em teoria, quase todas as pessoas afirmam que não têm o parceiro como garantido e refugiam-se no facto de existirem períodos em que as outras áreas da vida requerem a dedicação total para se esquivarem à assunção das suas responsabilidades.

Enquanto terapeuta conjugal sei bem que seria utópico esperar que o nosso companheiro estivesse sempre atento e disponível. Também sei - e procuro passar essa mensagem - que há alturas em que é praticamente impossível fazer grandes gestos românticos. O cansaço de determinadas fases da vida é mais do que suficiente para que nos sintamos legitimamente "desculpados" por não termos estado "lá" para o outro. Custa-me muito mais validar escolhas que traduzam períodos prolongados em que pelo menos um dos membros do casal não sente que seja a prioridade na vida do outro. Mostrarmos a nossa atenção às necessidades, sentimentos e preocupações da pessoa que amamos não é uma tarefa difícil na maior parte do tempo. Podemos não estar sempre "lá" fisicamente mas devemos dar o nosso melhor para que aquela pessoa se sinta quase sempre amparada. E o mesmo é aplicável à disponibilidade e às manifestações de carinho. Estar disponível não é só deixar de trazer trabalho ao fim-de-semana e estar em casa ao lado da família. Também é fazer esforços no sentido de concretizar planos a dois, dizer menos "nãos" às solicitações do outro e ser permeável à mudança. Manifestar o nosso afecto também não passa pelo beijinho automático à chegada a casa. Parar para pensar há quanto tempo não abraçamos prolongada e carinhosamente o nosso parceiro pode ser o primeiro passo para a monitorização do próprio comportamento.
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