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27.7.11

QUÃO IMPORTANTE É O SEU CASAMENTO?

Num processo de terapia conjugal é usual propor aos membros do casal uma reflexão rigorosa a respeito da importância do papel conjugal. Numa primeira fase proponho que o façam por escrito, através de um exercício a que chamo "Entrevista conjugal" e posteriormente a reflexão passa para a oralidade. Se é verdade que cada um de nós atribui uma importância considerável à família, considerando-a o grande pilar, também é certo que nem sempre avaliamos com rigor o impacto que as nossas escolhas diárias têm nessa área da vida. É relativamente fácil proclamar ao mundo que o nosso cônjuge é a pessoa mais importante da nossa vida e que todas as nossas decisões, nomeadamente os sacrifícios que fazemos, são caminhos que percorremos com o objectivo específico de promover o bem-estar da família.

Aquilo que muitos dos casais que procuram a ajuda especializada ignoram é que a família é, na verdade, um conjunto de papéis, a que nem sempre nos dedicamos na prática como afirmamos em teoria. Quando pergunto "Que peso tem o papel conjugal na sua vida?" ou "Que peso tem o papel parental na sua vida?" ou ainda "O que gostaria de mudar neste papel?" proponho uma análise sincera da entrega de cada um às necessidades afectivas da família. No caso específico do amor conjugal interessa-me que as pessoas que me pedem ajuda reflictam acerca do que (não) estão a fazer para mostrar ao cônjuge que ele é, de facto, a pessoa mais especial da sua vida. Não me refiro aos grandes gestos de romantismo e muito menos aos presentes que um proporciona ao outro anualmente, sob a forma de uma viagem ou outra coisa qualquer. Refiro-me, isso sim, às escolhas diárias que podem mostrar de forma inequívoca que se está comprometido com aquela relação. Por outras palavras, refiro-me à capacidade que cada um de nós deveria ter para, de forma regular, fazermos escolhas que traduzam a capacidade para ceder com o objectivo de agradar ao outro; ou ainda à atenção que podemos dar - de forma contínua e não pontual - às preocupações e desabafos da pessoa que amamos; ou ainda aos gestos simples como ser capaz de consultar o cônjuge antes de assumirmos um compromisso com terceiros.

Uma das queixas que oiço com regularidade em sede de terapia de casal é "Eu venho sempre em último lugar nas prioridades dele(a)". A crítica é injusta porque implica uma generalização que acabará por ser sentida pelo cônjuge como um ataque pessoal, desmotivando-o ainda mais a comprometer-se com o que quer que seja mas traduz o desespero de quem há muito tempo deixou de se sentir especial.

Se o seu casamento é MESMO a sua prioridade, então é porque é capaz de:

- Prestar muita atenção às necessidades da pessoa que ama, ouvindo-a e mostrando-se disponível. Isto é, são mais as vezes em que está "lá" do que aquelas em que se apressa a terminar a conversa.

- Identificar as preocupações actuais do seu cônjuge, aquilo que nos últimos dias ocupa o seu pensamento.

- Identificar os sonhos e as ambições do seu companheiro.

- Fazer regularmente escolhas diferentes daquelas que faria se estivesse descomprometido. Isto passa mais por escolher um produto no supermercado pensando em primeiro lugar naquilo de que o outro gosta do que escolher um destino de férias com o objectivo de o compensar pelas ausências do resto do ano.

- Consultar o seu cônjuge e ter a opinião dele em consideração em vez de o informar das suas escolhas. Isso é tão simples como perguntar "O que achas de convidarmos a minha mãe para jantar connosco?" em vez de informar "A minha mãe janta cá hoje".
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