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29.9.11

NÃO TER FACEBOOK / FECHAR A CONTA DE FACEBOOK

A publicação do livro O AMOR E O FACEBOOK tem-me permitido o confronto com questões de vária ordem. Seja nas entrevistas que vou dando para apresentar o livro, seja em contexto terapêutico, há perguntas que se repetem. E ainda que eu procure esclarecer sempre que o objectivo do livro não é a diabolização das redes sociais e do Facebook em particular, o subtítulo "Como a maior rede social do mundo pode influenciar a sua relação" explica a pertinência de perguntas como "Não será mais benéfico para a relação se nenhum dos membros do casal tiver Facebook?". Mas se é verdade que a questão é pertinente, a minha resposta é clara: NÃO.

Poderia alongar-me sobre as vantagens que o Facebook representa para a relação, mas já o fiz num dos capítulos do livro. Opto hoje por explicar que, tal como não passa pela cabeça da maior parte das pessoas proibir o cônjuge de usar o telemóvel, não faz sentido tentar proteger a relação através da fuga ou do isolamento social. O Facebook é uma via de comunicação. Os erros que possamos cometer ao fazer uso deste recurso são da nossa exclusiva responsabilidade.

Perguntar-me-ão "mas se o Facebook nos coloca em linha directa com pessoas potencialmente interessantes, não é um facilitador das relações extraconjugais?". Em certa medida sim, tal como o é o facto de estarmos rodeados de pessoas no ginásio ou no local de trabalho. A partir do momento em que socializamos - seja pela via virtual, seja presencialmente - temos oportunidade de nos revelar e de conhecer pessoas que, no limite, podem parecer-nos muito mais interessantes do que aquela que está ao nosso lado. Mas a verdade é que a conexão emocional e os laços que se criam numa relação amorosa feliz são normalmente suficientes para que consigamos apreciar outras pessoas sem que nos sintamos tentados a cometer erros que nos coloquem em risco de perder a pessoa amada.

Há um verso de uma canção celebrizada por Caetano Veloso que diz "Quando a gente ama é claro que a gente cuida" e que resume bem aquilo que quero dizer. Quando uma relação é uma fonte de bem-estar e de segurança, quando nos sentimos realmente ligados àquela pessoa, fazemos o que estiver ao nosso alcance para a proteger. E fazemo-lo em todos os contextos. Quando damos por nós a querer passar mais tempo fora de casa e/ou ao computador, desvalorizando a companhia da pessoa que escolhemos para ser "a tal", então o nosso alarme interno deve soar porque há provavelmente lacunas importantes na relação que, mais cedo ou mais tarde, podem surgir, de entre outras formas, através da utilização danosa do Facebook.

Quando um dos membros do casal se recusa a utilizar esta rede social, mesmo que não proíba o outro de o fazer, também pode correr riscos. Uma das "marcas" das relações felizes e duradouras é a criação de rituais familiares em que, normalmente ao final do dia, cada um tem oportunidade de falar sobre aquilo que viveu ao longo do dia. Por que há-de alguém esquivar-se às novas plataformas de comunicação criando, assim, potenciais assuntos tabu? Se o meu cônjuge se interessa por uma nova ferramenta de comunicação, que ainda por cima passa a dominar muitas das conversas "reais", não será uma escolha emocionalmente muito inteligente fazer finca-pé pela resistência à inovação.

Infelizmente já fui várias vezes confrontada com casos de pessoas que se sentiram enganadas porque acordaram com o parceiro que nenhum dos dois teria conta no Facebook e, mais tarde, um veio a descobrir que o outro tinha criado um perfil às escondidas. Tê-lo-á feito com o intuito de ser infiel? Provavelmente não. Provavelmente optou por ocultar uma escolha para evitar problemas, acabando por criar inseguranças maiores.

Aquilo para o qual procuro chamar a atenção é precisamente a necessidade de os membros do casal melhorarem as suas competências em termos da comunicação no sentido de se sentirem seguros e livres para fazer escolhas assertivas. A fuga, isto é, a passividade acaba, quase sempre mal.
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