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15.9.11

SINAIS DE DEPRESSÃO

Ouvimos dizer quase todos os dias que o país está deprimido, que a população está desesperançada e que, no que toca à crise financeira, o pior ainda está para vir. Sendo praticamente impossível ficar indiferente às mudanças sociais que o país atravessa, é preciso olhar com rigor para os verdadeiros sinais de depressão. E é preciso identificar os reais motivos por detrás da suposta depressão de algumas pessoas.

Como já tive oportunidade de referir noutros textos, a depressão é uma doença cuja origem nem sempre é identificável. Nalguns casos podemos falar de depressão reactiva, na medida em que a perturbação emocional surge como resposta a um ou mais acontecimentos emocionalmente muito significativos - mas esta é só uma das formas que a doença pode tomar. Em muitos casos a causa da depressão é endógena (não sendo possível identificar qualquer fonte de stress), noutros a origem é multifactorial. E há ainda as pessoas com propensão para a depressão crónica.

Sendo absolutamente certo que os acontecimentos difíceis podem condicionar a nossa estabilidade emocional, é natural que os seríssimos constrangimentos financeiros por que estão a passar tantas famílias leve muitas pessoas a estados depressivos. Mas a falta de dinheiro e as dificuldades associadas ao cumprimento das obrigações financeiras nem sempre levam a que a pessoa se deprima. Felizmente, algumas pessoas são mais resilientes e acabam por conseguir centrar a sua atenção na busca de recursos. São pessoas que se entristecem, que se deixam abater pontualmente mas que mais cedo ou mais tarde são capazes de dar a volta. Como não há milagres, "dar a volta" pode implicar uma mudança tão radical quanto emigrar ou passar a desempenhar funções muito diferentes daquelas para as quais a pessoa estudou, por exemplo.

Paralelamente, há pessoas que exibem sinais de depressão - tristeza constante, pessimismo generalizado, abatimento, desespero - e para quem é "mais fácil" atribuir o mal-estar geral às circunstâncias externas como aquelas que o país atravessa. Estas pessoas apresentam queixas que traduzem preocupações razoáveis e por isso podem mascarar o seu estado depressivo. Uma análise atenta permite-nos no entanto reconhecer que nalguns casos as dificuldades actuais ou a incerteza em relação ao futuro são apenas a face visível de uma perturbação emocional que é anterior a qualquer crise financeira.

Se uma pessoa estiver deprimida e atribuir o seu mal-estar à crise, é pouco provável que reconheça que precisa de ajuda clínica. Em vez disso, centrar-se-á no queixume, na desesperança e o ciclo vicioso agudizar-se-á.

Há um ditado que diz que "mais vale acender uma vela do que queixarmo-nos da escuridão" e que é aplicável a todas as pessoas que há muito tempo deixaram de ver a luz ao fundo do túnel. Se o desespero tomou conta de si, equacione a possibilidade de ter de cuidar da sua saúde emocional antes de qualquer outra coisa. O simples acompanhamento médico através do médico de família pode constituir um passo muito significativo para quebrar o ciclo de negatividade.
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