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10.5.12

PROBLEMAS COM A SOGRA



Como já tive oportunidade de referir, os problemas com a família de origem são um dos principais focos de tensão na vida a dois e são também um dos motivos por que muitas pessoas sentem necessidade de recorrer à terapia (individual ou de casal). Como quase todas as pessoas já experimentaram algum nível de tensão associado ao relacionamento com os sogros, pode parecer exagerado que haja tanta gente a recorrer à ajuda clínica para lidar com um problema que, na maioria das vezes, pode ser gerido pela própria família. No entanto, como acontece noutras áreas da conjugalidade, o problema passa a merecer a intervenção externa quando as competências do casal já não chegam para dar resposta às dificuldades e/ou quando estas se prolongam indefinidamente deteriorando os laços. E há alguns casos em que a tensão é muito elevada e está quase sempre presente.

De um modo geral, as dificuldades que levam a que alguém peça ajuda especializada dizem respeito à ausência de fronteiras claras em relação à família de origem. Nalguns casos, as fronteiras são difusas porque os pais/sogros têm ou tiveram algum controlo financeiro sobre o casal (financiando a casa ou atribuindo-lhes uma mesada, por exemplo); noutros casos a interferência excessiva está diretamente relacionada com a carência afetiva dos progenitores e a falta de assertividade dos filhos; e ainda há as situações em que os limites são pouco claros em função da debilidade/ dependência dos progenitores. Em qualquer destas circunstâncias há uma coisa que falha:

Os membros do casal não conseguem
colocar a sua relação em primeiro lugar.

Na maioria das vezes as discussões atingem níveis perigosos de agressividade na medida em que há uma pessoa que se sente preterida (e o pedido de ajuda clássico continua a ser proveniente das noras que se queixam de ver a sua vida “invadida” pelas sogras) e há outra que se sente forçada a escolher entre o amor aos pais e o amor ao cônjuge.

Ora aquilo que está em causa nestas situações
NÃO é a necessidade de escolher entre duas formas de amor.

O que está em causa é a clarificação dos papéis.

Para que cada um dos membros da família possa sentir-se livre para viver a sua vida é preciso que reconheça aquilo que é esperado de cada etapa do ciclo de vida. O problema está muitas vezes nas lacunas que existem na vida dos pais/ sogros e que NÃO PODEM/ NÃO DEVEM ser preenchidas pelos filhos. Estas lacunas podem estar relacionadas com a deterioração da relação conjugal ou até com a inexistência desse papel (por viuvez ou por divórcio). Em qualquer dos casos, tentar viver a vida através da vida dos filhos não é solução. Pelo contrário, é limitativo para os próprios pais, na medida em que não desenvolvem novas competências e novos laços; e é limitativo para os filhos que, na maior parte dos casos, se nada for feito, veem a sua relação degradar-se.
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