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18.6.12

CASAMENTO EM RISCO – RAIVA NAS DISCUSSÕES



Tal como tenho enfatizado noutros textos, o conflito faz parte das relações afetivas, em particular das relações amorosas. Não sendo expectável – nem saudável – que um casal passe a vida a discutir, também não é positivo que um ou os dois membros do casal assumam uma postura de evitação do conflito. Porquê? Porque, apesar do desgaste, as discussões implicam que cada um tenha oportunidade de manifestar desagrado, permitem que ambos se sintam livres para deitar cá para fora aquilo que os insatisfaz e, claro, permitem que a intimidade emocional cresça.

De um modo geral, as discussões são um ponto
de partida para que cada pessoa se aperceba
dos próprios erros e das necessidades do outro.

Estes aparentes braços-de-ferro são, muitas vezes, pontos de viragem que permitem que as relações continuem a evoluir, acompanhando as mudanças por que passam cada um dos membros do casal.

Não consigo conceber duas pessoas exatamente iguais, cujas ideias convirjam sempre e em todas as matérias (sexo, dinheiro, sogros, filhos, política, amigos, saídas, tarefas domésticas), pelo que quando duas pessoas me dizem que NUNCA discutem, temo que pelo menos uma delas não esteja a ser capaz de verbalizar as suas reais emoções. Porque é isso que me mostra a experiência como terapeuta de casais.

Mas se as discussões são – ou podem ser – o ponto de partida para o crescimento a dois, não há nada de positivo nas discussões que traduzem apenas níveis elevados de raiva e que teimam em prolongar-se.

Há uma barreira que separa as discussões destrutivas
daquelas que efetivamente podem contribuir para
o conhecimento mútuo e para a intimidade emocional.

Quando, independentemente do assunto, a única emoção que conseguimos transmitir ao cônjuge é a RAIVA, é possível que cada discussão seja apenas a tradução do afastamento que se instalou entre os membros do casal. Nesses casos, a dificuldade em empatizar com o cônjuge é enorme e é praticamente impossível discernir sobre o que pode ou deve ser melhorado.

Pelo contrário, quando a raiva se eterniza, transformando cada discussão numa espécie de batalha em que o assunto mais trivial pode descambar num rol de insultos, é tempo de dizer:

STOP!

A acumulação de raiva aumenta a probabilidade de os membros do casal entrarem numa escalada de violência do tipo “olho por olho”.

Enfrentar os problemas a dois implica que ambos se manifestem disponíveis para escutar, intervir e permitir que o outro também intervenha. Infelizmente, um dos erros mais frequentes consiste em falar ininterruptamente sem permitir que o cônjuge também o faça. Este vício de comunicação, normalmente marcado por CRÍTICAS FEROZES ao comportamento do outro, constitui mais um ataque pessoal do que uma crítica construtiva. Por isso, é de esperar que quem estava habituado a ouvir se sature muito rapidamente.

Gera-se, assim, um ciclo vicioso:
um dos membros do casal ataca o cônjuge,
este defende-se, o que aumenta a hostilidade do primeiro.

O aumento da escalada pode levar a que o cônjuge que é alvo das críticas se cale, gerando silêncios ensurdecedores e a sensação (para ambos) de que as discussões não levam a lado nenhum. Alguns investigadores têm demonstrado que estes erros podem ser fatais, já que conduzem o casal ao divórcio.

Na maioria dos casos, este tipo de ciclos viciosos manifestam-se da seguinte forma: a mulher “ataca” o marido manifestando a sua insatisfação através de críticas pessoais muito fortes (marcadas pela raiva e desprezo) e o homem evita-a (retirando-se) ou fica calado. Mas a inversão destes papéis também acontece.
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