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11.6.12

COMO SE TRATA A ANSIEDADE?



Praticamente todas as pessoas já experimentaram níveis elevados de ansiedade - a propósito da realização de um exame, em antecipação de uma qualquer mudança que, como todas as mudanças, implica o medo do desconhecido, ou em função de qualquer problema cuja resolução não seja clara. Em suma, quando nos preocupamos com a possibilidade de não sermos capazes de superar determinado obstáculo, é normal que os níveis de ansiedade subam. E, até certo ponto, é saudável que assim seja, na medida em que o medo nos protege de cometermos erros. A preocupação e a ansiedade podem ser muito úteis, impedindo-nos de agir impulsivamente, levando-nos a consultar outras vozes quando nos sentimos inseguros em relação a determinada mudança ou empurrando-nos para sessões de estudo intensivo antes de sermos expostos a um exame.

Mas para algumas pessoas a ansiedade
não é momentânea e muito menos protetora.

É uma presença constante, que atrapalha, que incapacita, que diminui. Nestes casos, falamos de níveis de ansiedade variáveis, que vão desde a sensação de batimento cardíaco acelerado logo ao acordar até aos ataques de pânico que podem ou não estar associados a um evento específico. A preocupação é sistemática mas não é frutífera, na medida em que não dá azo a respostas ajustadas aos problemas. Muitas vezes os problemas nem sequer estão claramente identificados. O mal-estar e a sensação de inadequação é que são perfeitamente identificáveis.

Há com certeza muitas pessoas que se reconhecem nesta descrição. Infelizmente, o reconhecimento do problema está longe de produzir os efeitos esperados, já que nem todas as pessoas tomam a iniciativa de pedir ajuda para tentar ultrapassar uma perturbação que É TRATÁVEL.

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que qualquer transtorno ansioso é uma perturbação emocional e não uma cruz que deva ser carregada indefinidamente. Pode ser difícil vislumbrar uma vida livre de ansiedade, em particular porque os transtornos ansiosos implicam, na maioria das vezes, uma série de pensamentos negativos, crenças irracionais, que implicam que o paciente olhe à sua volta e seja incapaz de reconhecer uma saída. Mais: boa parte destas pessoas vive convencida de que aquele é o seu estado normal, atendendo ao volume de problemas. Ignoram que o seu olhar sobre a realidade está muito condicionado pelas lentes pessimistas desta perturbação.

Só depois de darem o primeiro passo, que em muitos casos passa por um desabafo junto do médico de família, é que começam a acreditar que a vida possa ser diferente. Que os problemas até podem ser reais mas que a resposta tem sido desajustada.

E de que intervenção precisam?

A resposta mais apropriada e mais segura inclui a MEDICAÇÃO E A PSICOTERAPIA. Ao contrário do que tantas vezes se supõe, um transtorno ansioso não se trata com calmantes. É ao médico - de família ou psiquiatra - que compete fazer uma avaliação rigorosa que permita discernir sobre a medicação mais ajustada. Em muitos destes casos o tratamento inclui a toma de um antidepressivo que funcionará como uma ferramenta essencial para que a pessoa possa sentir-se menos ansiosa. Os ansiolíticos (calmantes) são muitas vezes prescritos apenas em SOS.

Como a medicação não produz milagres, é crucial que o paciente seja acompanhado por um psicólogo e que, através da psicoterapia seja feita uma caminhada que inclua:

❤ a identificação das feridas emocionais que possam estar na origem do transtorno ansioso,
❤ o reconhecimento de todos os pensamentos negativos que atordoam aquela pessoa
 e, claro, o desenvolvimento de competências que permitam que as emoções comecem a ser geridas de forma muito mais saudável.

Como, de um modo geral, estas perturbações condicionam - e muito - os laços afetivos, é expectável que, ao longo do processo terapêutico, também essas relações sejam analisadas.

Em função do apoio especializado que vai recebendo, o paciente começa progressivamente a mudar o seu comportamento. À medida que se vai sentindo mais confiante, vai correndo riscos, vai socializando, e vai percebendo que é capaz de mudar. Como poucas mudanças profundas acontecem sem esforço, é importante que o paciente reconheça que esta é uma caminhada que depende do seu investimento contínuo. Desistir não é opção.
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