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25.9.12

SEPARADOS MAS NÃO DIVORCIADOS


Um estudo conduzido nos EUA
mostra que as dificuldades financeiras
estão a condicionar o número de divórcios.

A investigação evidencia que, para uma percentagem significativa (15%) dos casais que decidem separar-se o divórcio não é uma opção. Estes casais assumem o fim da relação mas, sobretudo devido à incapacidade de se manterem financeiramente independentes, não avançam para o divórcio. Note-se que estas pessoas tão pouco fazem qualquer tentativa de reconciliação (ao contrário do que acontece com 5% dos participantes).

Em Portugal não são conhecidos os números exatos mas qualquer terapeuta familiar constatará que a crise está a ter um impacto significativo no número de divórcios. Isso tanto é visível pelo número de pedidos de ajuda em terapia de casal que não traduzem uma real vontade de restaurar a relação, como nos casos de terapia individual em que é precisamente o desespero de não existirem condições financeiras para colocar um fim ao casamento que motiva o pedido de ajuda. Infelizmente, na maior parte destas situações há crianças envolvidas.

Como tenho referido noutros textos, as crianças dependem da estabilidade emocional dos progenitores tanto quanto dependem da qualidade dessa relação conjugal. Sendo o formato da família tradicional aquele que, de um modo geral, mais favorece essa estabilidade, não é menos verdade que, quando a relação se deteriora ao ponto de, pelo menos um dos membros do casal, se divorciar do ponto de vista emocional, é fundamental que passem a existir fronteiras claras e que a rutura seja assumida.

Todas as crianças sofrem com a separação dos pais.
Quer isso dizer que o divórcio
é a escolha que mais prejudica as crianças?
NÃO.
Definitivamente não.

Sempre que os pais prolongam uma relação que, na prática, não tem nada de harmonioso, as crianças são expostas a níveis de instabilidade emocional preocupantes.

Nos processos de mediação familiar (acompanhamento de casais em processo de separação) que tenho seguido é evidente uma evolução positiva do bem-estar das crianças a partir do momento em que uma relação deteriorada dá origem a um divórcio construtivo, marcado pela circunstância de os dois progenitores colocarem os interesses dos filhos no topo das suas prioridades.

Não sendo fácil avançar para um divórcio quando há filhos pequenos, é-o ainda menos quando as condições financeiras são desfavoráveis. Mas na medida em que todos os esforços forem feitos para garantir a proteção dos interesses das crianças, o processo de negociação entre os progenitores torna-se mais construtivo.
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