A PSICÓLOGA NO FACEBOOK     |     VÍDEOS     |     CONSULTÓRIO     |     PÁGINA INICIAL

17.4.13

A INTIMIDADE NUMA RELAÇÃO


Quando se fala em intimidade, é natural que se confundam conceitos. A própria palavra é geradora de imagens mentais muito distintas. Para alguns, falar-se em relações íntimas implica que nos refiramos à componente sexual. Mas para outros uma relação íntima é, antes de mais, marcada pela proximidade emocional. Na verdade, intimidade é, ou pode ser, tudo isso.

No meu trabalho com casais deparo-me diariamente com dificuldades desta natureza, com repercussões também ao nível da sexualidade. Na generalidade dos casos, é preciso explorar os recursos em várias áreas da conjugalidade para que se possa tratar as feridas que existem e que se manifestam no campo sexual. Mas não é fácil explorar as limitações existentes em termos emocionais. E, sobretudo, nem sempre é fácil colocar os membros do casal em sintonia na busca da conexão perdida.

Porque, de forma simples, intimidade conjugal é isso mesmo:
CONEXÃO.

Ser-se íntimo do nosso cônjuge é ser capaz da partilha física e emocional. E, em função dessa partilha, sentirmo-nos ligados àquela pessoa. Claro que também é possível sentirmo-nos intimamente conectados a amigos e familiares. Mas a generalidade das pessoas casadas ambiciona sobretudo sentir uma conexão inigualável com a pessoa amada.

Esse laço não é perfeito e constante.
Há períodos de maior proximidade e outros de maior afastamento.
Há até momentos de desconexão, de desamparo,
que se espera que sejam rapidamente ultrapassados.

O laço que une os membros de um casal também não é uma ligação que dependa SOBRETUDO da componente sexual. Mas na generalidade dos casos é preciso que haja entrega e satisfação a esse nível para que duas pessoas casadas (ou enamoradas) se sintam conectadas.

A intimidade conjugal (também) depende da partilha verbal e não-verbal.
Dos gestos.
Das expressões faciais.
Do toque.
E das palavras que se escolhe para dar resposta às solicitações do cônjuge.

O que é que acontece quando nos esquecemos da força das nossas escolhas? O que é que acontece quando deixamos de investir na intimidade da nossa relação? Expomo-la a ameaças externas. Expomo-la à frustração, ao ressentimento, à mágoa, à distância e, claro, ao aparecimento de outras pessoas que, de uma forma ou de outra, chamem a atenção para essas lacunas.

Na terapia de casais é fácil perceber a ligação entre o nível de intimidade e a eficácia da comunicação. Quanto mais pobre for a comunicação, menos íntima é a relação. E maior é a insatisfação. É por isso que o investimento na comunicação clara, assertiva, emocionalmente inteligente é tão importante em terapia. Técnicas terapêuticas à parte, é crucial colocar os membros do casal a “deitar cá para fora” aquilo que sentem, aquilo de que precisam. E, quando aprendem a fazê-lo, quando se sentem seguros para tal, as oportunidades de voltarem a ligar-se crescem. Às vezes isso implica recuar no tempo, revisitar momentos menos bons, enfrentar os erros cometidos. Mas implica também que cada um possa voltar a sentir-se acolhido, compreendido, amado. Essas mudanças, como quaisquer outras verdadeiramente significativas, não acontecem da noite para o dia – muito menos quando o pedido de ajuda surge depois de anos de estagnação e/ou de desgaste. Mas é possível atingir níveis mais profundos de intimidade (e conexão) na medida em que ambos estejam dispostos a sair da sua zona de conforto e a arriscar novos comportamentos. Em terapia de casal isso quer dizer:

Assumir que há um problema e mostrar vontade de o enfrentar;
Comprometer-se com algumas mudanças;
Ser capaz de prestar (mais) atenção à pessoa amada, de valorizar as suas necessidades mais importantes (sobretudo quando estas são diferentes das do próprio);
Ser capaz de mostrar empatia/ solidariedade de forma verbal e não-verbal;
Ser capaz de condescender em relação aos erros do cônjuge, em vez de “remoer” eternamente sobre eles;
Mostrar de forma clara quão importante a pessoa amada é.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...