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1.7.13

A PAIXÃO DESAPARECE AO FIM DE DOIS ANOS

Quem é que não se lembra de no início de uma relação amorosa ter pensado “Com esta pessoa é que é! Hei de sentir-me sempre assim, apaixonado(a)”? Ou de ouvir alguém recém-casado dizer que a sua relação jamais será como as outras, as que caem na rotina, porque os sentimentos envolvidos são únicos, intensos, incomparáveis?

Por que tendemos a duvidar das juras de eterna paixão?
Por que abanamos a cabeça ao ouvir alguém profundamente enamorado?
Estarão as relações amorosas condenadas ao esmorecimento?

A razão por que é utópico considerar que é possível estar permanentemente apaixonado por alguém é a mesma por que é irrealista pensar que seríamos felizes para sempre se ganhássemos o Euromilhões. Ou se tivéssemos um emprego muito bem remunerado. Chama-se adaptação hedonista e tem a ver com o facto de, depois de um acontecimento excecionalmente positivo, mais cedo ou mais tarde a nossa vida voltar a ser o que era antes, com os mesmos níveis de satisfação e de insatisfação.

Algumas pessoas passam a vida a lutar por uma promoção no trabalho. Lutam para a conseguir mentalizando-se de que quando a alcançarem, e forem remuneradas em conformidade, serão infinitamente mais felizes e deixarão de se sentir insatisfeitas. Até que um dia a promoção sai, o entusiasmo dos primeiros tempos confirma as expetativas e… algum tempo mais tarde as queixas de antes dão lugar a outras quaisquer, levando tantas vezes a que, quem está à volta, rotule aquelas pessoas de “permanentemente insatisfeitas”.

Quer isto dizer que é desajustado definir objetivos e lutar por eles? Claro que não! O que é desajustado é considerar que só seremos felizes se TODOS esses objetivos forem concretizados. Tal como é desajustado deixar de definir objetivos.

Para que nos sintamos vivos, no sentido de haver entusiasmo nos diferentes papéis que desempenhamos, é preciso que haja por que lutar, é preciso que sintamos que estamos a trabalhar para alcançar alguma coisa. Na medida em que não houver objetivos, um rumo, qualquer conquista, por maior que ela seja, dá lugar ao vazio. É por isso que, para algumas pessoas, é tão difícil fazer com que uma relação perdure. É que viver sob o fogo da paixão é relativamente fácil, não requer que a relação seja alimentada. Difícil é o que vem depois dessa ativação fisiológica.

Manter uma relação para lá dos dois anos (tempo máximo de duração da fisiologia da paixão) implica que façamos alguma coisa para ultrapassar a tal adaptação hedonista. É como se o nosso corpo, ao fim desse tempo, se habituasse àquilo (ou, no caso das relações amorosas, àquela pessoa) por que lutámos e nos dissesse “Agora quero mais”. Nós precisamos sempre de mais e é fundamental que o reconheçamos, sob pena de avançarmos para o marasmo.


Uma relação pode ser vivida como excecionalmente positiva. A pessoa que escolhemos pode ser encarada como “a tal”. Mas isso não pode equivaler a considerar que não há trabalho pela frente, que a conquista acabou, que não é preciso fazer mais nada para continuar a ser feliz. A assunção de uma postura comodista pode levar-nos a constatar, da pior maneira, que o “TUDO” pode transformar-se em “NADA”. Infelizmente, vou encontrando alguns casais que não souberam alimentar a sua relação depois da paixão. Não foram capazes de definir objetivos a dois. Não foram capazes de perceber que, para continuarem a sentir-se felizes juntos, teriam de ter por que lutar. Achavam que tinham ganho o Euromilhões e que isso lhes bastava.
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