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18.2.14

COMO MANTER UMA AMIZADE (OU UM CASAMENTO)


Há quem me olhe de lado quando digo que a amizade é a base de um (bom) casamento. Talvez esperassem que eu dissesse que, no amor, nada pesa tanto como o sexo. Ou que, pelo menos, defendesse com unhas e dentes a necessidade de os membros do casal terem iniciativas românticas como oferecer flores, jantar à luz de velas ou realizar escapadinhas de fim-de-semana com regularidade. Acontece que eu sou psicóloga e terapeuta familiar e este blogue não é uma revista cor-de-rosa, pelo que o meu dever é transmitir aquilo que a experiência profissional me tem mostrado. E, de facto, os casamentos mais felizes e duradouros são aqueles em que os cônjuges são, antes de mais, grandes amigos. Muitas vezes um é o melhor amigo do outro. Isso não significa que não tenham (outros) amigos. Pelo contrário! A maior parte das pessoas que se sentem satisfeitas com a sua relação conjugal têm bons amigos. Cultivam a amizade. E usam essa competência dentro e fora do casamento. Por outro lado, as pessoas cujas dificuldades levam a que seja necessária a intervenção da terapia de casal são muitas vezes “pobres” em amizades. Muitas não são capazes de identificar qualquer amigo fora da relação conjugal. E quando lhes peço que identifiquem os seus melhores amigos apontam o nome de outros membros da família.

Ser competente na amizade não é garantia de sucesso no casamento.

Mas é um bom barómetro.

O que é que é preciso para se ser um BOM AMIGO? O que é que é preciso fazer para manter uma amizade (ou um casamento)?

ACEITAR A OUTRA PESSOA TAL COMO ELA É. Não há pessoas perfeitas. Eu sei que é um cliché mas a verdade é que algumas pessoas apontam o facto de serem “demasiado seletivas” como justificação para não terem um único amigo. Na prática, tanta seletividade pode significar intolerância. E uma postura de “tolerância zero” em relação aos erros e falhas dos outros implica, quase sempre, solidão e desamparo. As pessoas de quem gostamos, aquelas a quem nos ligamos, possuem defeitos. Alguns desses defeitos são difíceis de aceitar. Mas esse passo é essencial para que se criem laços. E não adianta tentar mudar a outra pessoa. Não adianta tentar moldar as pessoas de quem gostamos à medida da nossa própria personalidade. Isso é, além de injusto, infrutífero. Aceitar a outra pessoa como ela é é a única forma de conseguirmos ser amados tal como nós somos – com os nossos defeitos e limitações. E isso é impagável.

VALORIZAR A OUTRA PESSOA NA MEDIDA CERTA. Há quem diga, à boca cheia, que é perfeitamente capaz de identificar as qualidades e defeitos das pessoas à sua volta. Há quem se autointitule de frontal, de alguém capaz de apontar o dedo na altura certa. Na prática, muitos de nós somos mais claros e diretos nas manifestações de desagrado do que na troca de elogios. E só os elogios nos permitem expressar de forma clara (e justa) o apreço pelo (bom) comportamento de outra pessoa. Por que haveremos de guardar “no bolso” uma palavra de incentivo, uma manifestação clara de agrado? O que ganhamos ao poupar nos elogios? Elogiar NÃO é bajular. É ser justo. É dizer “estou atento àquilo que fazes”. É mostrarmo-nos gratos. É alimentar a relação na medida certa. Na medida que impeça que a outra pessoa se sinta carente, pouco valorizada.


PRESTAR ATENÇÃO ÀS NECESSIDADES DA OUTRA PESSOA. Não basta olhar. Não basta ouvir. É preciso prestar (muita) atenção. É preciso estar “lá”. É preciso estar disponível. Manter uma amizade (ou um casamento) implica altruísmo e descentração. Os nossos problemas e preocupações não são sempre os mais sérios ou os mais importantes. As nossas necessidades não são sempre as mais urgentes. As pessoas de quem gostamos podem valorizar os acontecimentos de forma diferente da nossa. Têm esse direito. E têm o direito de reivindicar o nosso apoio, a nossa ajuda. Ser amigo é ser companheiro. É atribuir importância às queixas e aos apelos da outra pessoa, mesmo que por vezes não façam muito sentido. É colocarmo-nos na pele da outra pessoa e tentar ir ao encontro daquilo de que precisa. É abrir os olhos enquanto é tempo, enquanto a pessoa está ali. Para que ela não nos escape.
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