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26.5.14

COMO É QUE VOCÊ PODE SABER SE DEVE CONFIAR EM ALGUÉM?


Por mais otimista que alguém seja, é importante reconhecer que não se pode confiar em toda a gente. Há muitas pessoas genuinamente boas mas à volta de cada um de nós também existem umas quantas pessoas mal-intencionadas, capazes de fazer escolhas erradas apenas na medida em que estas sirvam os seus interesses. Pelo meu consultório passam todos os dias pessoas marcadas por episódios de traição/ desilusão e que se mostram hoje incapazes de confiar. É como se o facto de se terem cruzado com alguém que, de um momento para o outro, as desiludiu tivesse roubado a esperança no resto da humanidade.

É verdade que a desilusão pode deixar marcas. Mas quão saudável será esta postura pessimista em relação ao mundo? Será que vale a pena assumir que qualquer pessoa é um potencial "traidor"?

É precisamente por considerar que viver com medo da desilusão não é viver em pleno que hoje aqui partilho algumas sugestões para que possamos - todos - olhar para as nossas relações familiares e sociais de uma forma mais otimista e segura.

AVALIE A FORMA COMO A PESSOA OLHA PARA AS REGRAS/ PARA O QUE É CORRETO. Se você quiser saber se uma determinada pessoa é capaz de o prejudicar só para satisfazer as suas próprias necessidades, confronte-a com situações específicas que envolvam outras pessoas. Procure saber se, de um modo geral, a pessoa é capaz de distinguir o que é correto das deslealdades. Não basta concordar consigo. É preciso mostrar que é capaz de fazer as escolhas corretas. Se uma pessoa mostrar que é capaz de fazer uma escolha que prejudique outros, é provável que, mais cedo ou mais tarde, também o faça consigo.

TEM MEDO DE EMPRESTAR DINHEIRO? Não sabe se o deve fazer ou não? Avalie como vive a pessoa que hoje lhe pede ajuda. Quão desesperada está? Quão materialista é? É relativamente fácil mostrar aflição quando se precisa de ajuda. Mas não se precipite. Talvez seja mais prudente avaliar primeiro o modo de vida da pessoa em causa. Se se tratar de alguém que dê prioridade aos bens materiais, é possível que essa pessoa não possua um sentido de responsabilidade que a leve a encarar um empréstimo como uma dívida. Nesse caso, o seu desafogo financeiro pode ser mal interpretado e o empréstimo pode ser visto como uma obrigação sua. Cuidado.

NAS SUAS COSTAS... Oiça com atenção aquilo que é dito sobre outras pessoas. É natural que uma pessoa com quem você tem alguma intimidade desabafe consigo a propósito dos erros de outras pessoas. Mas se a pessoa for capaz de mostrar uma simpatia irrepreensível pela frente e uma postura hipercrítica pelas costas, isto é, duas caras, é mais-do-que-provável que também o faça consigo.

SEMPRE QUE POSSÍVEL, PEÇA UMA SEGUNDA OPINIÃO. Não sabe se deve confiar na "opinião técnica" de um profissional? Tem receio de que, quando o seu médico lhe diz que é melhor fazer o exame XPTO ele possa estar a defender os interesses financeiros de um colega? Na dúvida, peça uma segunda opinião e evite sentir-se um fantoche.


CUIDADO COM AS DESCULPAS ESFARRAPADAS. Toda a gente erra e é bom que você saiba disso. Você também erra. A questão é o que cada um faz quando erra. Se você estiver à espera da resposta a um email importante e confrontar a pessoa em causa - via telefone - com o respetivo atraso, estará a dar-lhe uma oportunidade de assumir o erro. Mas se em vez de "desculpa, esqueci-me. Vou já tratar disso" você ouvir "tive um problema no email", tome cuidado. É possível que a pessoa em causa tenha algumas dificuldades com a assunção de responsabilidades. Não, este comportamento não faz de ninguém um potencial "traidor" mas você merece mais consideração.
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