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10.9.14

PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO NO CASAL: SE ME AMAS, POR QUE ESTÁS SEMPRE A CRITICAR-ME?


Os casais que me pedem ajuda têm (quase todos) uma queixa em comum: problemas de comunicação. Na sequência desta surge muitas vezes uma outra: as críticas constantes. Há pelo menos um dos membros do casal que se sente hipercriticado, como se nada do que fizesse estivesse bem feito. Nada. Aquilo que o outro muitas vezes desconhece é que essas críticas sistemáticas afastam a pessoa amada. Quem critica refugia-se na necessidade de chamar a atenção para aquilo que está mal, como se todas as queixas fossem legítimas por se tratarem de oportunidades para resolver problemas e estreitar os laços. Não são.

Não me canso de dizer que as zangas fazem parte do amor e que são um elemento necessário à construção de uma relação íntima. Mas ninguém aguenta a sensação de desvalor associada a constantes reparos. Nem é preciso que haja gritos ou discursos agressivos. Basta que haja comentários negativos frequentes. Quando isso acontece, a pessoa cujo comportamento é constantemente alvo de análise sente-se desamparada e insegura. É como se o cônjuge (aquele que critica) deixasse de ser visto como alguém em quem se possa confiar.

Em função disso, a pessoa aprende a guardar para si os seus sentimentos – ou a confiá-los a uma terceira pessoa – para se sentir segura.

Mas porque é que alguém insiste em mostrar desapreço pela pessoa amada? Por que surgem tantas críticas?
De um modo geral, esta “neura” é um mecanismo de defesa que esconde sentimentos mais profundos como a tristeza, o medo, a vulnerabilidade ou a vergonha. Só quando a pessoa que habitualmente critica tem a coragem de tentar mudar – normalmente através da terapia – e percebe que por detrás dos seus comentários negativos estão outras emoções, difíceis de gerir, é que o ciclo vicioso é quebrado.

A pessoa é desafiada a olhar para dentro, para aquilo que REALMENTE a perturba, para aquilo que está por detrás da raiva. Às vezes é tristeza – e a pessoa aprende a reconhecer aquilo que a entristece e a manifestar de forma clara e serena as suas necessidades. Às vezes (muitas) é insegurança associada à necessidade de se sentir devidamente acarinhada e desejada.


É preciso paciência e persistência para conhecer, de forma genuína, aquilo que está a ser gerador de insegurança. É preciso tempo para que um e o outro possam exteriorizar de forma calma aquilo de que precisam para se sentirem seguros. Mas é possível romper com o padrão de negatividade e abrir espaço para que a relação se torne mais íntima e muito mais satisfatória para ambos.

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