A PSICÓLOGA NO FACEBOOK     |     VÍDEOS     |     CONSULTÓRIO     |     PÁGINA INICIAL

12.2.15

PROBLEMAS DE CASAL: OS PRINCIPAIS ERROS


Perguntam-me muitas vezes quem são os casais que me pedem ajuda. O que é que os diferencia dos casais "normais", que vemos à nossa volta? Que problemas trazem? Que erros cometem? Como é que os ajudo a dar a volta? Há sempre hipótese de dar a volta?

Os casais que fazem terapia não estão felizes. Não quer dizer que não haja amor. Normalmente há. Mas é o facto de serem capazes de assumir que não estão felizes que os leva a pedir ajuda. Às vezes reconhecem os próprios erros mas há demasiadas mágoas a impedir que sejam capazes de dar a volta sozinhos. Acumularam episódios difíceis, disseram muitas coisas que não deveriam ter sido ditas (e que abriram feridas) e sentem-se desconectados.



O meu trabalho também passa por ajudá-los a perceber que, para voltarem a sentir-se assim, é fundamental mudar alguns hábitos. Não é só uma questão de melhorarem a comunicação. Não é só uma questão de serem capazes de ouvir atentamente o que cada um diz. É, sobretudo, uma questão de serem capazes de identificar os (maus) hábitos que estão a contribuir para o seu afastamento e que precisam de ser substituídos:

1 - Postura hipercrítica.

Os casais felizes também fazem críticas. Mas doseiam-nas. Quando uma pessoa se queixa repetidamente é como se houvesse algum defeito no parceiro. Uma falha na personalidade. A crítica é um ataque contra a pessoa. Exemplo: Você descobriu que a tampa da sanita está para cima.

Queixa: "A tampa da sanita está para cima novamente. Por favor, tenta baixá-la depois de a usares.".

Crítica: "O que é que há de errado contigo? Não ouviste o que eu disse ou és um preguiçoso?".

Mas mesmo que você se queixe, é preciso ter cuidado com o número de vezes que o faz. Fazer um rol de queixas (em vez de prestar atenção às coisas boas) pode produzir a mesma sensação (“Não presto para nada”).

2 – Postura Defensiva

Este mau hábito costuma resultar de uma tentativa de se proteger; para defender a sua inocência ou para repelir aquilo que você acha que é um ataque. Às vezes, isso é feito por contra-ataque ou pela vitimização. Por exemplo, a frase "Eu? Então e tu? Tens sempre tudo desarrumado…" transmite a mensagem de que você não está interessado no que o seu parceiro tem a dizer.

Aqui está um exemplo de uma resposta defensiva à tampa da sanita levantada: "Eu nem sequer fui à casa de banho. Como é que eu poderia ter deixado a tampa para cima? ".

Resposta positiva: "Eu sei que me pediste para tentar mantê-la para baixo. Eu não me lembro mesmo de ter ido à casa de banho, mas vou colocá-la para cima na próxima vez. ".

A capacidade de aceitar alguma responsabilidade, não importa quão pequena, é um antídoto para a postura defensiva. Você olha para o que o seu parceiro diz e tenta reconhecer a sua responsabilidade, não o que você discorda.

3 - Indiferença

A pessoa que está a ouvir retira-se da conversa. Há um esforço para transmitir a mensagem "Podes dizer o que quiseres, não quero saber". Você vai ver este tipo de comportamento não-verbal: Olhar para o lado; Não manter contacto visual; Cruzar os braços. A pessoa está tão enervada que “desliga”. É invadida por pensamentos como "Eu não posso acreditar que ele(a) disse isto! É tão injusto!"). A outra pessoa sente-se ignorada e a agressividade tende a subir. A alternativa é aprender a acalmar-se ativamente, e, em seguida, voltar a envolver-se na conversa.

4 - Desprezo

É o pior hábito e, ao contrário dos anteriores, dificilmente o vemos nos casais felizes. Inclui coisas como ameaças e insultos. Nada é mais destrutivo para o amor. Às vezes, há um que ridiculariza o outro. Às vezes, há um que corrige a gramática do outro. A mensagem é: "Eu sou superior a ti.".


Nem sempre é fácil reconhecer os próprios erros. Mas é a única forma de salvar uma relação.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...