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16.11.16

AMOR VERDADEIRO


Ontem li no Facebook a notícia de que uma figura pública portuguesa anunciou que está separada. A partilha foi feita através do seu blog: a separação surgiu oito meses depois do casamento. Nos comentários alguém escreveu que aquela relação não poderia ter sido amor porque «o verdadeiro amor dá volta ao mundo e, se for preciso, ao universo», contrariando as palavras da atriz que, em comunicado, garantiu que casou «apaixonada e por amor».

Ao ler aquelas palavras, não pude deixar de questionar: o que é que caracteriza, afinal, o amor verdadeiro?

Aparentemente, para algumas pessoas, longevidade é sinónimo de qualidade, como se um casamento de cinquenta anos equivalesse SEMPRE a felicidade e satisfação conjugal. A verdade é que não é preciso ser-se psicólogo ou terapeuta conjugal para reconhecer que há casais que estão juntos há décadas e que são profundamente infelizes.



Conheço a sensação de falhanço, a tristeza associada ao fim de um projeto em que investiram tanto, o luto por que quase todos passam. Ouço-os falar sobre as mágoas, sobre as feridas que não saram, sobre as diferenças que se tornam insustentáveis, apesar de tudo o que um dia os uniu. Mas também os ouço, quase sempre, falar sobre o amor que, tantas vezes durante anos, os fez acreditar que poderia ser para sempre.


Nem todas as pessoas se casam por amor. Nem todos os casamentos acontecem depois de a ativação fisiológica característica da paixão dar lugar a um amor maduro e resiliente. Nem todos os amores duram para sempre. Mas isso está longe – tão longe! – de significar que, quando uma relação chega ao fim, é porque não houve «amor verdadeiro».
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