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16.2.17

É POSSÍVEL REATAR UMA RELAÇÃO COM UM EX-NAMORADO E SER FELIZ?


Reatar uma relação com um ex-namorado é o caminho para uma relação mais feliz ou vai tudo voltar a correr mal? Foi com muito gosto que cedi uma entrevista ao Diário de Notícias a propósito deste tema.

1 - Um casal que se reencontra depois de uma primeira relação falhada pode reconstruir uma relação feliz?

Sim, sobretudo se o afastamento der lugar à reflexão sobre o que correu mal da primeira vez e/ou ao amadurecimento individual. Da mesma maneira que crescemos quando estamos numa relação, é provável que amadureçamos na sequência de uma rutura. A distância emocional em relação aos momentos de conflito pode ajudar-nos a olhar para os erros cometidos com sentido de responsabilidade.

2 - E para isso têm que esquecer o que correu mal numa primeira relação? Esse deve ser um assunto esclarecido logo à partida?

Ninguém esquece aquilo por que passou, especialmente se tiver causado mágoa. Não é desejável que se tente apagar o passado, em particular se um dos membros do casal tiver cometido erros graves. Aquilo que deve acontecer é uma tentativa de esclarecer aquilo que porventura tenha ficado por esclarecer.



3 - Como fazer resultar uma relação que já não correu bem uma vez?

Na medida em que se consiga falar abertamente sobre o que correu mal e, sobretudo, na medida em que cada um seja capaz de assumir genuíno arrependimento em relação aos erros cometidos, é mais provável que surjam compromissos importantes. Se tiver havido marcos que tenham abalado a confiança, é fundamental que se esclareça as expectativas e as necessidades de cada um. A inexistência deste tipo de diálogo poderia implicar que, nas mesmas circunstâncias, se repetissem os erros ou que um desenvolvesse expectativas irrealistas em relação ao outro. Por exemplo, em certos casos em que houve uma traição, a pessoa que foi traída pode ter a expectativa de que o companheiro esteja disponível para abdicar do direito à privacidade com o objetivo de restaurar a confiança. A pessoa que traiu pode ter a expectativa de que o cônjuge tenha “esquecido” o assunto e/ou esteja capaz de assumir o compromisso de não voltar a falar nisso.

4 - No caso de pessoas mais velhas que encontram um amor antigo, depois de enviuvar ou de se divorciarem. Como se regressa a uma relação que já passou há décadas? Há alguma coisa ainda da primeira ligação?

Haverá provavelmente memórias de momentos positivos vividos a dois e a sensação de pertença, de proximidade afetiva. Claro que as décadas de afastamento correspondem quase sempre a mudanças muito significativas e nem sempre é fácil o confronto entre as expectativas e a realidade. Por um lado, há a sensação de se estar “em casa”, a sensação de familiaridade, a ideia de que se conhece aquela pessoa de toda a vida mas, por outro, há o confronto com uma bagagem que é desconhecida e que pode trazer surpresas.

5 - Como podem neste caso os elementos do casal afirmar o seu direito a ter uma nova relação e feliz quando muitas vezes os filhos, já adultos, não aceitam?

Os filhos não são donos dos pais e, ainda que uma mudança desta natureza nem sempre seja fácil de aceitar, é fundamental que haja respeito pelas escolhas de cada um. Tal como acontece a propósito do divórcio dos filhos, em que os pais têm o direito à tristeza e ao luto mas não têm o direito de condicionar decisões, nestes casos os filhos adultos têm o direito de se sentirem desconfortáveis ou tristes com a nova relação mas não têm o direito de impor a sua vontade. Infelizmente, na prática há alguns casos em que a rutura acontece – às vezes entre os membros do casal, outras entre pais e filhos.

6 - É mais fácil reconstruir uma história com alguém com quem já se foi feliz? Quais os desafios de uma relação nestes termos?


Nalguns casos pode ser mais fácil, em função da sensação de familiaridade que referi antes. Quando há demasiada tensão na bagagem da relação e/ou demasiados assuntos por resolver pode tornar-se mais difícil. Outro desafio diz respeito aos acontecimentos que ocorreram no intervalo da relação – é preciso falar sobre eles, às vezes intensamente, para que haja a sensação de que se conhece verdadeiramente aquela pessoa. Dez ou quinze anos depois, já não se ouve as mesmas músicas, os interesses mudam e, seguramente, os acontecimentos emocionalmente mais significativos implicaram mudanças na forma como cada um olha para a vida.
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