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27.3.18

COMO FUNCIONA A TERAPIA DE CASAL?


É natural que haja muitas dúvidas e receios a propósito da terapia de casal. Afinal, estamos habituados a guardar a nossa intimidade para nós e nem sempre é fácil reconhecer que precisamos de ajuda para resolver assuntos tão nossos. Mesmo que os membros do casal já tenham feito terapia individual e estejam familiarizados com este tipo de consultas, é legítimo que haja alguma resistência e alguns medos.

QUEM É QUE FAZ TERAPIA DE CASAL?


Quem são os casais que pedem este tipo de ajuda? São novos? São casais de meia-idade? São casais à beira do divórcio?

Tenho trabalhado com casais de todas as idades – desde jovens namorados a seniores com filhos adultos e netos – mas a maioria dos casais que me procuram são casais com filhos pequenos ou em idade escolar, o que creio que é fácil de compreender. É precisamente em função da acumulação de tantos papeis e de tantas exigências que se torna muitas vezes difícil continuar a alimentar a relação conjugal.



A maior parte dos casais que me pedem

ajuda ainda se amam e, ainda que

muitas vezes se sintam desligados e

desesperançados, olham para a terapia

conjugal como uma forma de continuarem

a sonhar a dois.


Não são sempre casais em risco de divórcio que vêm à terapia. E ainda bem! Quanto mais cedo pedirmos ajuda, menos mágoas acumulamos e mais rapidamente tomamos as rédeas da nossa vida.

O QUE É QUE A TERAPIA DE CASAL FAZ?


Na terapia de casal cada um tem oportunidade de exteriorizar as próprias emoções e aquilo de que precisa num ambiente seguro. Cada pessoa tem o seu ritmo e, se uma pessoa não se sentir à vontade para falar sobre determinado assunto, não fala. Curiosamente, é muito raro que alguém me diga que não quer responder a uma pergunta. Na prática, e mesmo quando há resistência de um dos membros do casal no início da terapia, quase todas as pessoas sentem necessidade de exteriorizar aquilo que as tem incomodado e acabam por comprometer-se com a terapia expondo-se por inteiro.

É muito gratificante ajudar duas pessoas que ainda se sintam ligadas a entender genuinamente aquilo que cada uma sente. Quando os equívocos de comunicação se dissipam e cada um experimenta a sensação de se colocar verdadeiramente na posição do outro, mostrando de forma clara que se preocupa, que valoriza os seus sentimentos e que quer estar “lá”, a esperança começa a renascer.

Nenhum terapeuta tem o poder para fazer com que uma pessoa se apaixone por outra mas há várias ferramentas que permitem que a revelação mútua aconteça sem constrangimentos e que ambos se sintam progressivamente mais amparados.

COMO É QUE A TERAPIA CONJUGAL FUNCIONA

(NA PRÁTICA)?


As consultas de terapia de casal são conversas a 3. Logo na primeira consulta, converso com o casal sobre as dificuldades que estão por detrás do pedido de ajuda, sobre a história da relação e sobre alguns episódios daquilo a que chamo a bagagem afetiva de cada um. No final dessa sessão conversamos sobre os objetivos de cada um e sobre a forma como os posso ajudar.

De uma maneira geral, no final de cada consulta proponho alguns exercícios terapêuticos que, não sendo obrigatórios, ajudam muito a acelerar as tão desejadas mudanças. Quanto maior for o compromisso com a mudança e a entrega a estes exercícios, maior costuma ser a eficácia da terapia.

Excecionalmente, converso com os membros do casal a sós, procurando criar um ambiente seguro para a identificação de assuntos em relação aos quais possam sentir-se mais vulneráveis. 

QUANTO TEMPO DURA A TERAPIA DE CASAL?


As histórias de vida e as dificuldades de quem pede ajuda não são todas iguais, pelo que a resposta terapêutica também não poderia ser. Há alguns “nós” mais fáceis de desatar do que outros.


Há casais que precisam apenas de algumas

consultas para resolver questões pontuais

e há casais que vão precisar de um

processo terapêutico mais demorado até

que se sintam seguros para continuar

a sonhar a dois sem sobressaltos.



A TERAPIA DE CASAL FUNCIONA (MESMO)?


Um dos constrangimentos associados à terapia de casal diz respeito ao facto de haver tão poucas pessoas que consigam falar abertamente sobre o facto de estarem a fazer (ou já terem feito) este tipo de terapia. É compreensível que não queiramos expor as vulnerabilidades da nossa relação à família alargada ou aos amigos. Mas, em função desta reserva, alguns casais podem sentir que são uma exceção quando, na prática, outras pessoas da sua rede de suporte podem estar a passar (ou já ter passado) pelo mesmo.

Nem todas as relações podem ser “salvas” pela terapia de casal. Às vezes, um dos membros do casal já se desligou, já fez o divórcio emocional e a vinda à terapia tem apenas o propósito de confirmar essa realidade. Mas a maior parte das pessoas que recorrem à terapia de casal sentem-se genuinamente ajudadas e conseguem melhorar a sua relação.

Há um efeito terapêutico que surge assim que percebemos que as nossas dificuldades são entendidas e valorizadas por outra pessoa e a esperança aumenta quando sabemos que há um caminho que pode ser percorrido se houver essa vontade dos dois lados. Não é sempre fácil mas é quase sempre muito gratificante.
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