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28.9.18

FAZER AS PAZES DEPOIS DE UMA (GRANDE) DISCUSSÃO

Fazer as pazes depois de uma grande discussão

Imediatamente depois de uma discussão acesa, o mais comum é que nos sintamos feridos e que desejemos que seja a outra pessoa a dar o primeiro passo para a reconciliação. Mas à medida que o tempo passa e isso não acontece, sentimo-nos divididos entre a vontade de fazer as pazes e o medo de que a pessoa que amamos aproveite esta aproximação para dizer «Eu tinha razão». Como é que se faz as pazes depois de uma discussão?


Quando nos apaixonamos, esperamos que o amor que sentimos seja suficientemente forte para nos ajudar a lidar com as diferenças que, inevitavelmente, surgirão. (Quase) ninguém gosta de discutir mas a maior parte de nós reconhece que é impossível manter uma relação autêntica e conhecer realmente a pessoa que está ao nosso lado sem qualquer discussão. As discussões ajudam-nos a revelarmo-nos tal como somos, ajudam-nos a conhecer os sentimentos e as necessidades da pessoa que está ao nosso lado. Ajudam-nos a construir relações íntimas e verdadeiras. Mas é sempre difícil discutir com a pessoa de quem gostamos. Faz-nos mal, sentimo-nos tristes e fragilizados e desejamos que fique tudo bem rapidamente.

Por norma, no início é fácil: estamos tão apaixonados que nos apressamos a tentar resolver as coisas assumindo a nossa responsabilidade, mostrando o nosso afeto e tentando que a nossa aproximação facilite o regresso à normalidade. Mas à medida que o tempo passa e deixamos de estar tão vigilantes também é natural que façamos mais braços-de-ferro (ainda que nem sempre de forma consciente) e que coloquemos mais vezes o orgulho à frente de qualquer tentativa de reaproximação.



FAZER AS PAZES:
QUEM DEVE DAR O PRIMEIRO PASSO?


Quanto melhor conhecemos uma pessoa, maior é a probabilidade de lhe explorarmos as manhas, os defeitos, as limitações e tudo quanto nos irrita. À medida que o tempo passa, até podemos reconhecer, de cabeça fria, que não há pessoas perfeitas e que a pessoa que está ao nosso lado tem o direito a alguns defeitos com os quais teremos de ser capazes de conviver. Mas a vida a dois também é feita de expectativas e de desejos e se há coisa que a maior parte de nós deseja é que a pessoa que está ao nosso lado consiga mostrar de forma clara que se importa com os nossos sentimentos.


Depois de uma discussão – seja lá por que motivo for – precisamos frequentemente de sentir que a pessoa que amamos é capaz de mostrar que se preocupa com os nossos sentimentos.


Nem sempre nos lembramos de que, numa discussão, ambos erram, ambos dizem coisas que magoam. É natural que nos foquemos sobretudo naquilo que ouvimos e nos magoou e não propriamente nos erros que cometemos, nas coisas que dissemos ou nos equívocos de comunicação que surgem quando os ânimos estão exaltados. Sentimo-nos feridos e, pelo menos durante instantes, só queremos um pedido de desculpas e dizemos a nós próprios que vamos ficar zangados até que isso aconteça. Achamos que temos razão e que não há outra volta a dar ao problema.

Claro que, independentemente de quem começou a discussão ou de quem atirou mais farpas, há outras questões que vão sobressaindo. Porque quando ainda há amor não chega dizer a nós mesmos que temos razão. Porque, mesmo que nos sintamos magoados com as coisas que ouvimos, sentimo-nos sobretudo tristes e sentimos a falta da pessoa de quem gostamos. Precisamos que fique tudo bem. 

Desejamos que fique tudo bem. Na maior parte das relações felizes ter razão é pouco importante na altura de fazer as pazes. A urgência de retomar a normalidade e voltar a trocar gestos de afeto sobrepõe-se a tudo o resto. Isto não significa que seja fácil fazer uma reaproximação e muito menos significa que, ao fazer as pazes, o assunto que deu azo à discussão fique automaticamente resolvido.


O que acontece é que para algumas pessoas
há algo que está muito claro:
É preferível cuidar da relação
do que provar que se tem razão.



FAZER AS PAZES O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL


Quanto mais tempo permanecemos zangados com a pessoa de quem gostamos, mais tempo ficamos entregues aos nossos pensamentos negativos, à nossa neura, à nossa ruminação. E o mesmo acontece com o nosso companheiro. Isso vai deixando marcas e vai fazendo com que seja cada vez mais difícil recuperar das discussões. Pelo contrário, quando permitimos que o nosso afeto e a vontade de fazer as pazes nos conduzam a uma tentativa de fazer as pazes ou à capacidade de aceitar qualquer tentativa de aproximação que o nosso companheiro faça, é infinitamente mais provável que os assuntos em que discordemos sejam geridos com inteligência emocional.

Claro que não é fácil engolir o orgulho e dar o primeiro passo. Mas vale a pena lembrar que, se cada um fizer um esforço, ambos saem a ganhar.


COMO FAZER AS PAZES DEPOIS DE UMA DISCUSSÃO:
PASSO A PASSO


#1: Sempre que possível, dê o primeiro passo. Assuma alguma responsabilidade pela escalada de agressividade (sem frases do tipo «Eu só disse isto porque tu disseste aquilo»).

#2: Mostre o seu afeto de forma clara. Um abraço ou um beijo têm poderes curativos. Podemos sentir-nos magoados mas é muito mais provável que abdiquemos de qualquer braço-de-ferro se nos sentirmos amados.

#3: Mostre de forma clara e autêntica que se preocupa com os sentimentos do seu companheiro. Coloque-se na posição dele(a). Procure olhar para a realidade de outro ponto de vista.

#4: Mostre interesse genuíno. Quando se sentir mais calmo(a), faça perguntas que o(a) ajudem a perceber os sentimentos e as necessidades do seu companheiro. 

#5: Não tenha pressa em resolver o problema em questão. É importante que reconheçamos que muitos dos problemas conjugais não vão ser resolvidos. Vão ser geridos. E é mais provável que nos sintamos tranquilos com isso se a gestão tiver em conta a vontade de conhecer e respeitar os sentimentos de ambos.

#6: Aceite SEMPRE um pedido de desculpas genuíno. Evite expor a pessoa de quem gosta a (mais) sentimentos de rejeição. É difícil dar o primeiro passo. Ajude-o(a), acolhendo-o(a) e mostrando o seu afeto.
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