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8.5.07

VIOLÊNCIA: O IMPACTO NA VIDA DAS CRIANÇAS

A Margarida tem 6 anos e é a mais nova de 4 irmãos. Está no primeiro ano do primeiro ciclo, mas o seu aproveitamento escolar é praticamente nulo. Cada dia de aulas é encarado como um “tormento” para a Professora Luísa, que está muito perto de se reformar. Não sabe como lidar com a destabilização provocada por esta menina de ar franzino e olhar triste na sala de aulas.

À primeira vista, a Margarida é uma menina como as outras. Vemo-la a correr pelo recreio como os colegas e assim, ao primeiro olhar, parece perfeitamente integrada. Mas as queixas sucedem-se, os meninos e as meninas fogem da Margarida. Dizem que ela lhes quer bater.

Na sala raramente está quieta. “Provoca” os colegas, chegando a atingi-los fisicamente. Os gritos da Professora sucedem-se. São atribuídas responsabilidades à pequena Margarida pelo fraco rendimento da turma.

O ambiente familiar desta menina é tão atípico quanto o seu comportamento junto dos pares. Cresceu no meio de gritos e discussões e desde muito cedo se habituou a defender-se da violência familiar. Esconde-se debaixo da cama com os irmãos quando percebe que o pai está “com os copos”. Não seria a primeira vez que acabaria com algumas nódoas negras. Trata-se literalmente de um salve-se-quem-puder, pelo que a Margarida sabe que a mãe raramente escapa nestas circunstâncias.

Há pouco tempo a Margarida esteve internada no hospital. De acordo com os médicos, nunca esteve doente. Uma análise mais rigorosa ao problema permitiu identificar uma situação de violência psicológica grave: a mãe da menina levou-a para o hospital com queixas de envenenamento/intoxicação como forma de pressionar o marido a voltar para casa. Este partira para outra cidade em trabalho e ter-se-á envolvido com outra mulher. Sem pudores ou arrependimentos, a mãe da Margarida usou-a como joguete e obrigou-a a mentir para que o seu plano fosse bem sucedido.

O que mais terão visto os olhos tristes da Margarida nestes 6 anos? O que é que eles ainda verão? E que consequências advirão de níveis tão severos de violência? Os primeiros sinais estão à vista: agressividade, depressão, isolamento.

Se nada for feito, a Margarida continuará impedida de desenvolver a sua personalidade de forma saudável. Dificilmente evitará o estado depressivo e/ou ansioso. Como poderá esta família caótica prevenir que esta criança ou os seus irmãos caiam na marginalidade?As entidades competentes foram alertadas para o problema. Espera-se que actuem. E que a Margarida e os seus irmãos possam ser felizes.
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