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2.10.07

SER UM SÓ EM TEMPOS DE CRISE

Quando duas pessoas se unem esperam, claro, ser felizes juntas. Sonham, idealizam, fazem projectos. Sabem que a vida a dois não é um mar de rosas. Sabem que uma relação duradoura é feita de altos e baixos, e que os momentos de grande proximidade serão intervalados com momentos de algum (ou até muito) afastamento. Mas ninguém está verdadeiramente preparado para as escarpas da vida.

Aquando das principais mudanças no ciclo vital, somos confrontados com grandes desafios. Superá-los pode implicar algum sofrimento, tolerância e união. Por exemplo, a passagem da vida a dois para uma vivência a três (a propósito do nascimento do primeiro filho) é um processo que tem tanto de belo quanto de avassalador. Do mesmo modo que a saída de casa dos filhos é, para muitos, indissociável de sentimentos de perda e desorientação.

Estas são as agruras com que contamos. Independentemente da forma como as enfrentemos, fazem parte do processo de amadurecimento da maior parte das famílias. Mas existem outros obstáculos que, pela natureza imprevisível, podem ser ainda mais devastadores. Uma doença grave, a perda de um familiar próximo, uma situação de desemprego, uma crise financeira, a dificuldade em engravidar ou uma gravidez na adolescência constituem exemplos de desafios inesperados capazes de abalar a harmonia familiar.

Para que um casamento sobreviva a este tipo de transformações é preciso que os cônjuges se unam mais do que nunca. O desgaste associado a cada uma das situações ilustradas acima é, para muitos, insuportável. A irritabilidade pode tomar conta de um ou até dos dois membros do casal, a comunicação pode deteriorar-se e, num ápice, tudo passa a ser questionável.

Nos casamentos felizes e duradouros as pessoas funcionam como uma só em tempos de crise. Isto é, unem-se, centram esforços para enfrentar as maiores dificuldades. Dessa união pode resultar uma resistência maior para suportar diagnósticos fatalistas, tratamentos invasivos e agressivos, situações de precariedade e outros dramas. Estes casais não estão imunes à dor, à perda nem ao sofrimento. Limitam-se a lidar mais eficazmente com esses sentimentos. Gritam, choram e revoltam-se como os outros. Criticam-se mutuamente e cometem com certeza muitos erros. Mas recuam, cedem, pedem desculpa e demonstram amiúde o seu apoio.

Ninguém “merece” viver uma catástrofe. Mas quando um casal ultrapassa uma grave crise familiar a sua relação sai, invariavelmente, reforçada.
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