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8.2.08

A PERDA DE UM FILHO LEVA AO DIVÓRCIO?

A dor dos pais que perdem um filho é particularmente intensa e persistente e as consequências dessa dor são diversas e podem incluir a deterioração da relação conjugal. Contudo, só nalguns casos é que as dificuldades sentidas pelo casal levam a uma ruptura.

A intensidade da dor faz com que, em muitos casos, os membros do casal não consigam compreender-se mutuamente, pelo que a comunicação parece deteriorar-se, bem como o apoio emocional mútuo. A raiva e a irritabilidade são constantes e podem surgir dificuldades em lidar com as diferentes manifestações do luto - pessoas diferentes manifestam a sua dor de maneiras diferentes, sem que isso implique que uns sofram mais do que os outros. Mas, naquele momento, isso pode não ficar claro e as discussões são mais frequentes.

Quanto à sexualidade, é expectável que leve algum tempo até que o casal a recupere e também aqui podem existir diferenças entre os cônjuges, pelo que esta é mais uma potencial fonte de conflitos.

Estas dificuldades acabam por ser mais visíveis durante os primeiros meses após a perda de um filho. Na verdade, quando os membros do casal ultrapassam juntos estes momentos tão dolorosos, tendem a reforçar a sua união. Há relatos de casais que dizem claramente que a sua relação se tornou mais forte.

Os pais que partilham recordações sobre a criança (falando abertamente sobre ela) parecem sentir-se mais unidos na dor.

Importa ainda esclarecer que a qualidade da própria relação conjugal antes da perda e as circunstâncias em que essa perda ocorre influenciam a forma como o casal encara a sua relação após esta experiência traumática.

Texto publicado na revista TV Guia, 8 de Fevereiro de 2008, incluído na reportagem sobre Gerry e Kate McCann.

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