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28.10.08

DOR CRÓNICA


Mente sã em corpo são – o lema resume a definição de saúde da própria OMS. O nosso bem-estar envolve uma componente física e uma componente psicológica, pelo que basta que não estejamos bem de um destes pontos de vista para que nos sintamos limitados. Por outro lado, estes dois elementos estão intimamente ligados: a nossa saúde física condiciona a saúde mental e vice-versa.

Já aqui explorei algumas consequências físicas dos transtornos de ansiedade ou dos estados depressivos, que ajudam a perceber porque é que algumas perturbações podem ser altamente incapacitantes. Mas reflexão que hoje proponho vai no sentido inverso.

Todos conhecemos o impacto da dor aguda (repentina, passageira) no nosso bem-estar psicológico: uma simples dor de cabeça pode deixar-nos com os nervos em franja, levando a que, pelo menos durante algumas horas, sejamos vistos por familiares e colegas de trabalho como pessoas irritáveis, de humor irascível; a dor de dentes ou a dor renal podem mesmo levar-nos às lágrimas e ao desespero, ainda que saibamos que, teoricamente, aquele mal-estar tem cura e que, mais cedo ou mais tarde, voltaremos a sentir-nos bem.

Centremo-nos numa dessas “dores” e procuremos generalizá-la a um período mais significativo: algumas semanas, alguns meses… alguns anos! Talvez consigamos aproximar-nos do que sentem as pessoas que sofrem de dor crónica. Refiro-me aos pacientes cujos sintomas se arrastam, apesar dos tratamentos a que são submetidos, e cujas vidas são seriamente afectadas.

Para algumas destas pessoas pode tornar-se muito difícil realizar actividades simples como fazer uma caminhada; para muitas a dor pode ser um sério constrangimento a uma boa noite de sono – os distúrbios de sono estão presentes em cerca de 50% dos doentes. Prisioneiras da dor, estas pessoas são muitas vezes forçadas a mudar de emprego (ou a deixar de trabalhar), raramente saem de casa e acabam por socializar cada vez menos.

Mesmo que a dor nem sempre seja severa, ou que a intensidade possa ser de alguma forma aliviada pela medicação, os constrangimentos psicológicos e relacionais são praticamente inevitáveis e devem merecer atenção especializada.
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