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2.11.09

ANTIDEPRESSIVOS DURANTE A GRAVIDEZ


A gravidez é um estado de graça que se assemelha, quer do ponto de vista da saúde física, quer do ponto de vista da saúde emocional, a uma bolha que protege a mãe e o bebé ao longo de vários meses. De facto, e apesar das mudanças hormonais que ocorrem neste período, a ocorrência de novas perturbações físicas ou mentais é mais reduzida nesta fase da vida da mulher. Ainda assim, existem excepções. Há mulheres que engravidam no meio de uma depressão; e também há mulheres que se deprimem a meio de uma gravidez. Cerca de 10% das grávidas apresenta sintomas de depressão. E, apesar de a gravidez não constituir um factor que potencie os sintomas depressivos, pode desencadear uma série de flutuações emocionais que dificultam a forma como se lida com a doença.


Tal como acontece em relação ao uso de outros medicamentos, há alguma controvérsia em relação ao uso de antidepressivos durante a gravidez. As pesquisas efectuadas nos últimos anos não são unânimes, pelo que importa, sobretudo, que a situação de cada mulher possa ser bem avaliada. A verdade é que o uso de antidepressivos durante a gravidez não é 100% seguro para o bebé, mas a agudização dos sintomas depressivos, sem o recurso à medicação, pode ser perigosa para a mãe e para o bebé. No limite, uma mulher que não trate a depressão poderá não ter a energia necessária para cuidar de si, para investir nos cuidados pré-natais que fomentam a segurança do desenvolvimento do bebé. Pode até refugiar-se no álcool e no tabaco para fugir à angústia e/ou à ansiedade.


Um dos medos mais comummente associados ao uso deste tipo de medicamentos durante a gravidez diz respeito ao risco de malformações. As investigações feitas nesta área têm mostrado que o risco é relativamente baixo. Ainda assim, há antidepressivos mais seguros do que outros.


E existem efeitos secundários. Por exemplo, os bebés cujas mães tomaram medicação antidepressiva no último trimestre da gravidez podem evidenciar, ainda que temporariamente, alguns sintomas de privação, como tremores ou irritabilidade.


Um estudo recente também mostrou que as grávidas que tomam estes medicamentos têm uma probabilidade três vezes superior de ter um parto prematuro (antes das 35 semanas) devido a complicações como pré-eclâmpsia, subdesenvolvimento fetal ou hemorragia aguda.


Mas as mulheres que interrompem o tratamento a meio da gravidez têm uma probabilidade cinco vezes maior de ter uma recaída, colocando também em risco o seu bebé. Além disso, a interrupção abrupta do uso destes medicamentos pode desencadear o aparecimento de vários efeitos secundários, como dores de cabeça, tonturas, náuseas, fadiga, irritabilidade ou insónias.


A decisão não é, portanto, fácil. Compete ao médico que acompanha a grávida a realização de um estudo completo da sua situação e a partilha de informação acerca das alternativas. Nalguns casos, a grávida poderá ser encaminhada para uma consulta de Psicologia e ser acompanhada através de Psicoterapia. Noutros casos, porventura mais severos, esta ajuda terá mesmo de ser complementada com medicação antidepressiva. O importante é que a decisão seja tomada tendo em consideração o bem-estar da mãe e o do bebé.
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