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29.4.10

SUICÍDIO DO PAI OU DA MÃE

Como já tive oportunidade de referir antes, a primeira consulta de um processo psicoterapêutico é normalmente mais longa, não apenas porque importa conhecer, na medida do possível, as dificuldades que levam a que aquela(s) pessoa(s) peça(m) ajuda, mas também porque é importante conhecer um pouco do seu percurso e dos padrões transgeracionais. Algumas perturbações psicológicas, como a depressão, podem ter uma componente hereditária, pelo que o levantamento destas informações é crucial.

O suicídio não é hereditário, mas existem alguns mitos a este respeito que estão relacionados com o facto de não raras vezes existirem vários casos na mesma família. A verdade é que a existência de casos de suicídio implica o risco de o comportamento se repetir, não por causas genéticas, mas sociais, através da aprendizagem disfuncional sobre a forma de lidar com os problemas.

As crianças e os adolescentes que perdem o pai ou a mãe em resultado de suicídio são mais propensos a morrer também por esta causa ou a desenvolver alguma perturbação psiquiátrica – mais do que nos casos em que o suicídio ocorre quando os filhos estão na idade adulta.

Felizmente, as crianças e adolescentes são surpreendentemente resilientes, isto é, capazes de dar a volta a situações potencialmente traumáticas. Daí que, ainda que estes jovens pertençam a um grupo de risco, a maior parte acaba por não cometer suicídio. Mais: há uma janela de oportunidade que resulta dos benefícios criados a partir da intervenção psicológica na sequência desta perda.

Além disso, o carinho e o apoio da família, bem como a tomada de atenção a eventuais sinais e sintomas psiquiátricos têm um papel crucial na reestruturação emocional destas crianças.

Um estudo conduzido ao longo de 30 anos e que envolveu mais de 500 mil jovens suecos comparou a resposta emocional a situações de perda de um dos progenitores em casos de suicídio, doença ou acidente, incluindo ainda jovens que viviam com os dois progenitores. Aqueles que perderam o pai ou a mãe por suicídio têm um risco três vezes superior de cometer suicídio do que os jovens que vivem com o pai e a mãe. Mas não foi encontrada qualquer diferença no risco de suicídio entre jovens com mais de 18 anos.

As crianças até 13 anos cujo pai ou mãe morrera subitamente num acidente têm uma probabilidade duas vezes maior de morrer de suicídio do que aquelas cujos pais estão vivos mas esta diferença desaparece nas faixas etárias superiores.

Os jovens que perderam o pai ou a mãe por suicídio têm uma probabilidade duas vezes maior de serem hospitalizados em função de transtornos depressivos (quando comparados com os jovens que vivem com o pai e com a mãe). Aqueles cuja perda ocorreu na sequência de um acidente ou doença têm um risco acrescido de 30 e 40 por cento respectivamente.

Independentemente da causa da morte, a perda do pai ou da mãe aumenta o risco de a criança vir a cometer um crime violento.

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